CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Distichoselinum tenuifolium

Seguindo a mesma metodologia descrita previamente (Daucus carota subsp. halophilus) procedeu-se a ensaios para multiplicação in vitro através da proliferação de meristemas axilares e de organogénese em meios com BA, bem como por embriogénese somática em meios com 2,4-D.

Proliferação de meristemas

Sementes recolhidas em habitat natural germinarm in vitro durante 30 dias, sendo os ápices caulinares retirados e cultivados in vitro sob a ação da BA, em dois ciclos seguidos de 30 dias de cultura, conforme metodologia descrita para D. carota. Ao final do primeiro ciclo, as plântulas produzidas (Fig. 37d) foram cortadas e a parte basal foi cultivada nas mesmas condições de cultura, sendo as plântulas preparadas para a fase seguinte de enraizamento .
O nível de resposta foi 100% visto todos os explantes inoculados terem respondido com produção de rebentos, nos dois ciclos de cultura, embora em número reduzido (Tabelas 19 e 20).
Verificou-se que a média do número de rebentos produzidos por explante foi semelhante na primeira inoculação de 30 dias, seguida de uma segunda inoculação de outros 30 dias com 1mg/L de BA (1,67 na primeira inoculação e 1,18 na segunda). Idênticos resultados foram obtidos utilizando 2 mg/L de BA (1,32 na primeira inoculação e 1,14 na segunda), nas mesmas condições de cultura (Tabelas 19 e 20).

Tabela 19: Efeito da concentração de BA na proliferação de rebentos em ápices caulinares de Distichoselinum tenuifolium, após 4 semanas de cultura.


BA (mg/L)

Nº de explantes inoculados

Indução (%)

Nº de rebentos/explante*

1

37

100

1,67 ± 0,15

2

51

100

1,32 ± 0,03

*Cada valor é a média com erro padrão de três réplicas.

Tabela 20: Proliferação de rebentos em ápices caulinares de Distichoselinum tenuifolium, num segundo ciclo de cultura.


BA (mg(l)

Nº de explantes inoculados

Indução (%)

Nº de rebentos/explante*

1

36

100

1,18 ± 0,11

2

22

100

1,14 ± 0,08

*Cada valor é a média com erro padrão de três réplicas.

Embriogénese somática

Seguindo a metodologia descrita para D. carota, a cultura in vitro de segmentos foliares de Distichoselinum tenuifolium em meios com 2,4-D (1 ou 2 mg/L), durante três meses, originou a formação de calos , a partir dos quais se produziram embriões somáticos exibindo vários estádios morfológicos, desde torpedo a cotiledonar.

A avaliação in vitro foi feita relativamente aos explantes com resposta, pelo que a taxa de indução foi de 100%.
Os melhores resultados (6,4 embriões/explante) foram conseguidos no meio com 1 mg/L, embora resultados idênticos tenham sido obtidos em meio base.

Tabela 21: Efeito de 2,4-D na indução de embriogénese somática em segmentos foliares de Distichoselinum tenuifolium.


2,4-D (mg/L)

Nº de explantes inoculados

Indução (%)

Nº de embriões /explante*

0

17

100

7, 2 ± 0,84

1

12

100

6, 4 ± 1,08

2

26

100

4, 8 ± 1,81

*Cada valor é a média com erro padrão de três réplicas.

Os embriões formados em meio com 2,4-D foram subcultivados em meio base MS, o que permitiu a germinação e o alongamento das plantas para a fase seguinte, de aclimatização e envasamento em estufa (fitotrão) , ocorrendo a posterior cultura em espaço exterior , seguindo os mesmos procedimentos descritos para D. carota.

Organogénese

Segmentos foliares de Distichiselinum tenuifolium foram extraídos conforme procedimentos descritos para os ápices caulinares e cultivados in vitro sob a ação de BA (1 e 2 mg/L). Verificou-se a formação direta de rebentos na zona de corte (Fig. 40a), em que vários rebentos eram produzidos num mesmo explante . Os rebentos caulinares desenvolveram-se em altura e decorridas seis semanas foram cortados para enraizamento em meio base MS.
A produção de rebentos em segmentos foliares de Distichoselinum tenuifolium (Tabela 22) foi favorecida com a maior concentração de BA (2 mg/L) onde foram produzidos em média 2,48 rebentos, para 1,98 no meio com a concentração de 1 mg/L.

Tabela 22: Efeito de BA na indução de rebentos caulinares em segmentos foliares de Distichoselinum tenuifolium.


BA (mg/L)

Nº de explantes inoculados

Indução %

Nº de rebentos/explante*

1

47

100

1,98 ± 0,33

2

21

100

2,48 ± 0,45

*Cada valor é a média com erro padrão de três réplicas.

Enraizamento e aclimatação ex situ

A formação de raízes nos rebentos caulinares formadas in vitro por proliferação de meristemas e por organogénese, ocorreu mesmo na ausência de auxinas e os rebentos (1,5 cm ou 6 cm de comprimento, respetivamente). Plântulas formadas por organogénese puderam enraizar após 1,5 meses de cultura em meio MS base (Fig. 41a).
A fase seguinte de aclimatação na câmara de cultura ocorreu nas mesmas condições descritas para D. carota subsp. halophilus, seguida da instalação das plantas no exterior, nos viveiros e na escola médica do Jardim Botânico, onde puderam completar o ciclo de vida decorridos dois anos, com a produção de flores e frutos .

Relativamente às plantas micropropagadas por embriogénese somática foram instaladas em viveiro consoante procedimentos descritos para D. carota. Decorrido cerca de um ano de cultura nos viveiros , evoluiram no seu desenvolvimento , com a produção das primeiras umbelas de morfologia idêntica às da plantas-mãe.

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