CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Angelica pachycarpa

Seguindo a mesma metodologia descrita para os casos anteriores procedeu-se a ensaios in vitro de proliferação de meristemas axilares com BA e de indução de embriogénese somática com 2,4-D.

Proliferação de meristemas

Os ápices caulinares foram isolados de plântulas de Angelica pachycarpa obtidas pela germinação de sementes colhidas em habitat natural. Inoculados em meio MS com BA (Tabela 23), nas mesmas condições descritas para Daucus, deram origem a rebentos caulinares , num primeiro e segundo ciclos de 30 dias de cultura in vitro (Tabela 23).
Ao final do primeiro ciclo, as plântulas produzidas (Fig. 43c) foram cortadas e a parte basal (stump) foi cultivada nas mesmas condições de cultura, sendo as plântulas preparadas para a fase seguinte de enraizamento.
Os resultados indicam a produção de poucos rebentos caulinares, com uma média idêntica em todos os meios testados, incluindo o meio base. O meio contendo 2 mg/L BA apresentou a média mais elevada de rebentos caulinares (2,5 por explante) produzidos na primeira inoculação (Tabela 23).

Tabela 23: Formação in vitro de rebentos caulinares após duas inoculações dos ápices caulinares de Angelica pachycarpa.

 

BA (mg/L)

Número de rebentos caulinares por explante inoculado* (média)

Total de rebentos caulinares nos dois ciclos de cultura
(média)

1ª inoculação

2ª inoculação

0
0,1
1
2

2,1
2,0
1,9
2,5

1,7
1,8
1,2
1,5

3,8
3,8
3,1
4,0

*Cada experiência foi repetida três vezes com 14 a 40 explantes por tratamento

Enraizamento e aclimatação

Os rebentos caulinares isolados do explante foram cultivados em meio MS suplementado com 0,1 mg/L IBA para enraizamento. A formação de raízes foi observada após 1,5 mês de cultura, sendo registada uma percentagem de enraizamento de 32,8% (de 58 rebentos produzidos 19 enraizaram).
Seguindo a metodologia descrita para Daucus, as plantas foram envasadas e instaladas nos viveiros, onde completaram o ciclo de vida.

Embriogénese somática

Segmentos de raízes e segmentos foliares (0,5-1cm comprimento) cultivados em meios com 0,1 e 1 mg/L de 2,4-D produziram, após 2,5 meses de cultura, massas de calos a partir dos quais se observou a formação de embriões somáticos .
Os calos embriogénicos foram produzidos em maior quantidade a partir das porções radiculares e estas culturas puderam ser mantidas nas mesmas condições por mais de um ano sem perda do seu potencial para originar embriões somáticos. Os calos foram mantidos in vitro com repicagens mensais em meio de indução suplementado com 2,4-D (0,1 e 1 mg/L). Quando transferidos para meios MS produziam de novo embriões somáticos ao final de 1,5 meses de cultura.
A percentagem de indução de calo foi avaliada nestas culturas (Tabela 24), em que a indução de embriões somáticos foi melhor sucedida em meio base quando as culturas provinham do meio 0,1 mg/L 2,4-D, do que com a maior concentração (51,25% e 25,8%, respetivamente) (Tabela 24).

Tabela 24: Indução de embriogénese somática em Angelica pachycarpa, em calos mantidos in vitro mais de um ano.


Meio de cultura

Nº de explantes (0,5-1cm, porções radiculares)

Nº de explantes com formação de calo

Nº de explantes com calo e embriões somáticos

Sem resposta

Nº de embriões somáticos
(após subcultura em meio MS)

Indução
(%)

0,1 mg/L 2,4-D

80

25

41

14

112

 51,25

1 mg/L 2,4-D

89

48

23

18

69

25,8

Os embriões somáticos atingiram o estágio cotiledonar no meio suplementado com 2,4-D, sendo o desenvolvimento dos embriões somáticos muito assíncrono .
A conversão de embriões somáticos em plântulas foi melhor sucedida após um mês de cultura em meio base quando as culturas provinham do meio 0,1 mg/L 2,4-D do que com a maior concentração (53,4% e 33,3%, respetivamente) (Tabela 25).

Tabela 25: Germinação de embriões somáticos em Angelica pachycarpa, após um mês de cultura.


Meios de cultura

Nº de embriões somáticos

Nº embriões germinados
em meio MS

Embriões germinados
(%)

2,4-D (0,1 mg/L)

58

31

53,4

2,4-D (1mg/L)

27

9

33,3

Os embriões somáticos ou grupos de embriões somáticos com pequenas porções de calos foram transferidos durante 2 meses para o meio base MS para prolongar a fase de crescimento dos embriões e conversão em plântulas.
As plântulas foram envasadas conforme metodologia descrita e ficaram em aclimatação no fitotrão , sendo posteriormente instaladas nos viveiros do jardim botânico .

Aclimatação ex situ e in situ

Os ensaios de transferência e instalação das plântulas derivadas dos embriões somáticos para condições de exterior foi bem sucedida durante dois anos e observou-se a produção de sementes no segundo ano . Estas sementes recolhidas nos viveiro do jardim botânico estavam viáveis apresentando frequências de germinação in vitro de 42%, tendo sido utilizadas nas experiências seguintes de micropropagação e preservadas no banco de sementes do JBUC.

Para a aclimatação in situ, as primeiras plantas micropropagadas foram instaladas em maio de 2008 na ilha Berlenga, não tendo resisitido até junho desse ano. O processo foi repetido no ano seguinte, com a plantação realizada mais cedo, tentando a aclimatação das plantas logo no início do ano.
 No início de março de 2009 nove plantas envasadas provenientes de aclimatação em exterior nos viveiros do JBUC, em resultado de embriogénese somática, foram transferidas para habitat natural . Dois meses depois em maio do mesmo ano, cinco plantas estavam boas condições. No entanto, em maio do ano seguinte, 2010, todas as plantas tinham morrido, tendo sido instalados ninhos de gaivota nos campos de ensaio. Não tendo havido monitorização e acompanhamento periódico não foi possível a instalação bem sucedida, à semelhança das condições dos viveiros do JBUC.

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