CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

As plantas aromáticas como fonte de metabolitos ativos

As plantas representam uma fonte de importantes produtos bioativos para a Humanidade e o uso de produtos naturais com propriedades medicamentosas é tão antigo como a civilização humana. Por muito tempo, os vegetais, minerais e animais foram os únicos recursos para o alívio de enfermidades (Rates, 2001; Proença-da-Cunha, 2005; Proença-da-Cunha et al., 2007; Adams et al., 2009; Carretero Accame et al., 2011).
Nas últimas décadas a ciência tem vindo a validar práticas de medicina tradicional e a reforçar esse conhecimento, pela identificação dos compostos ativos e dos respetivos mecanismos de ação (Proença-da-Cunha, 2005; Simões et al., 2009). Com o aparecimento crescente de novas ameaças à saúde pública e dada a toxicidade associada ao uso indiscriminado de fármacos sintéticos tem havido um aumento de interesse pela utilização de plantas e produtos derivados de plantas (Elless et al., 2000; Machado, 2010). Os produtos naturais e seus derivados estão na base do desenvolvimento de mais de 50% dos fármacos atualmente disponíveis, contribuindo as plantas para 25% desse total (Phillipson, 1999; Newman et al., 2003; Gurib-Fakin, 2006; Garcia e Solis, 2007).
Um grande número de plantas medicinais continua a ser investigado pelo seu potencial valor farmacológico. Apesar do incremento na cultura de plantas medicinais a indústria farmacêutica é, ainda, altamente dependente das populações selvagens enquanto matéria-prima para a extração de compostos com interesse medicinal. Muitas plantas medicinais estão hoje severamente ameaçadas devido à falta de práticas adequadas de cultivo, à destruição de habitats, bem como à recolha ilegal e indiscriminada de plantas. No entanto, apenas cerca de 10% das cerca de 400.000 espécies de plantas vasculares foram caracterizadas quimicamente, representando o reino vegetal, por isso, um imenso reservatório de moléculas biológicas com potencial valor industrial (Strategic Research Agenda 2025: - Part II, 2005).
A vantagem das plantas enquanto fonte de produtos terapêuticos reside na sua capacidade de biossíntese de compostos potencialmente ativos em seres vivos, que pela complexa estrutura química são muitas vezes difíceis de sintetizar em laboratório. Na verdade, os metabolitos secundários representam a expressão das vantagens competitivas apuradas pela capacidade adaptativa de cada espécie ao seu ecossistema, durante a evolução (Kutchan, 2001; Proença-da-Cunha, 2005). Desprovidas de mobilidade para defesa e de sistema imunitário contra infeções virais, bacterianas ou fúngicas, as plantas desenvolveram uma complexidade de metabolitos secundários que funcionam como estratégias e armas químicas de resistência e combate, ao longo de mais de 300 milhões de anos de coevolução com estes microrganismos (Harborne, 1990; Wink, 2003; Simões et al., 2009).
Na verdade, durante a evolução as plantas desenvolveram vias metabólicas para a síntese de uma grande diversidade de metabolitos secundários. Entre estes, os compostos de baixo peso molecular, voláteis, extraíveis por destilação e dotados de aroma, designam-se por óleos essenciais, sendo as plantas que os elaboram e acumulam as plantas aromáticas (Proença-da-Cunha, 2005). Estes produtos do metabolismo secundário podem ser encontrados em todos os órgãos das plantas aromáticas e são produzidos e acumulados em diferentes estruturas secretoras especializadas. Estas podem ser externas, tricomas glandulares e osmóforos, característicos das famílias Geraniaceae, Lamiaceae, Myrtaceae e Verbenaceae, ou estruturas internas, que ocorrem nas famílias Apiaceae, Pinaceae, Rutaceae e Zingiberaceae, como canais esquizogénicos ou lisigénicos, idioblastos e bolsas, ou ainda células modificadas de parênquima em Piperaceae (Proença-da-Cunha, 2005; Garcia e Solis, 2008).

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