CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Os óleos essenciais

Os metabolitos secundários das plantas incluem uma grande diversidade de classes químicas de compostos. Os óleos essenciais que são constituídos por uma enorme variedade de compostos químicos, não só desempenham um papel importante na planta como agentes protetores, induzidos em condições de stresses bióticos e abióticos, como também apresentam efeitos positivos na saúde humana (Miguel, 2010; Zuzarte et al., 2011).
Os óleos essenciais são misturas muito complexas de compostos de baixo peso molecular, por vezes com mais de uma centena de moléculas diferentes. Muitas vezes são constituídos por um reduzido número de compostos maioritários, ainda que os componentes minoritários possam ser igualmente importantes, de tal modo que pequenas variações na composição podem alterar de forma acentuada o aroma e até mesmo as suas propriedades biológicas.
A maioria dos constituintes químicos que integram os óleos essenciais das gimnospérmicas e angiospérmicas são terpenos de baixo peso molecular. Os terpenos resultam da condensação da unidade pentacarbonada, 2-metilbutadieno ou isopreno, e por isso designados também por isoprenóides e constituem os principais constituintes dos óleos essenciais. Outro grupo importante de compostos são os fenilpropanóides que estão presentes nalgumas espécies da família das Apiaceae. Nos óleos essenciais predominam os dímeros e trímeros de isopreno, respetivamente, os monoterpemos de 10 carbonos e os sesquiterpenos com 15 carbonos.
Os óleos essenciais são substâncias voláteis, líquidas à temperatura ambiente, que se caracterizam pelo aroma intenso e penetrante. Mais de 17.500 espécies aromáticas são citadas, ainda que as plantas mais ricas em óleos essenciais pertençam a cerca de 30 famílias botânicas, destacando-se as Apiaceae, Lamiaceae, Myrtaceae e Rutaceae (Garcia e Soils, 2007). No entanto, estima-se que cerca de metade dos géneros produtores de óleos essenciais ocorram em regiões com clima do tipo mediterrâneo, onde os óleos têm uma função relevante na regulação da evapotranspiração das plantas, saturando o ambiente exterior aos estomas (Ross e Sombrero, 1991). Para além disso, as secreções aumentam o brilho da superfície foliar regulando a temperatura pela reflexão de radiações. A relação temperatura, humidade do ar e o tipo de solo, especialmente no que respeita à disponibilidade de água assimilável pelas plantas, são os fatores edafoclimáticos que mais afetam a produção dos óleos essenciais.
Numa mesma planta os óleos essenciais podem encontrar-se em órgãos específicos ou ter uma distribuição mais ampla. Por exemplo, na roseira, encontram-se principalmente nas pétalas, enquanto em Citrus aurantium subsp. aurantium podem obter-se a partir do epicarpo, das folhas e das flores (Proença-da-Cunha, 2005; Garcia e Soils, 2007; Barra, 2009). As diferenças na composição de óleos essenciais em órgãos distintos da mesma planta são particularmente evidentes em espécies entomófilas, onde desempenham funções ecofisiológicas importantes, sendo a composição do óleo determinante na atração de polinizadores. Este facto pode ser explicado pela coexistência de diferentes tipos de estruturas secretoras que podem produzir e segregar compostos distintos, ter diferentes processos de secreção, não se desenvolverem simultaneamente ou por estarem distribuídas de forma heterogénea na planta. Nos períodos de intensa atividade metabólica, floração e frutificação, os óleos podem variar muito significativamente a sua composição, dependendo assim da fase ontogénica da planta (Proença-da-Cunha, 2005; Garcia e Soils, 2007).
É muito comum a variabilidade química das plantas aromáticas, considerando-se consequência de diversos fatores que influenciam a biossíntese de compostos voláteis e que fundamentam a existência, no mesmo taxon, de óleos essenciais com composições muito distintas (Sangwan et al., 2001). Estes fatores são de natureza diversa, ambientais ou edáficos, extrínsecos à biologia vegetal, ou dependem da fisiologia das plantas ou do seu genoma (Salgueiro, 1994; Cavaleiro, 2001; Németh 2005; Proença-da-Cunha, 2005; Angioni et al., 2006; Garcia e Solis, 2007; Figueiredo et al., 2008; Barra, 2009).
A ação de fatores genéticos na variabilidade química dos óleos ocorre numa população quando os indivíduos, da mesma espécie, produzem óleos essenciais de composição muito distinta, de tal modo que se distinguem as plantas pelo respetivo aroma. Esta diferente composição química dos óleos essenciais permite caracterizar estirpes genéticas que decorrem da expressão de vias metabólicas distintas como consequência de pequenas diferenças genéticas e que permite considerar taxa químicos infraespecíficos, variedades químicas ou quimiotipos (Proença-da-Cunha, 2005).
A presença de quimiotipos é frequente, particularmente nas famílias Apiaceae e Lamiaceae, podendo apresentar, uma mesma espécie, elevado polimorfismo químico (Salgueiro, 1994; Javidnia et al.,2006; Palà-Paúl et al., 2006; Rubiolio et al., 2006; Oxkhan et al., 2007; Petrovic et al., 2007; Rossi et al., 2007a; 2007b; Seo et al., 2007).
Tanto os óleos como as plantas que os contêm são designados fármacos aromáticos, quando possuem propriedades farmacológicas que justificam a sua inclusão nas farmacopeias. Os óleos essenciais constituem matéria-prima para a indústria farmacêutica, agroalimentar, perfumaria e cosmética. Utilizam-se em diversas situações, como por exemplo no tratamento de certas perturbações digestivas, em problemas bronco-respiratórios ou enquanto antissépticos e cicatrizantes (Proença-da-Cunha, 2005; Garcia e Soils, 2007).
 

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