CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Apiaceae - breve descrição e importância

As apiáceas constituem uma família botânica numerosa, muito diversa, representada por cerca de 455 géneros e 3.800 espécies distribuídas por amplas regiões subtropicais e temperadas (Pimenov e Leonov, 1993; Castroviejo et al., 2003; Tosun et al., 2006; Garcia e Solis, 2007; Aguiar, 2012). Para o género Daucus L. estão identificadas 20 espécies em todo o mundo (Lain, 1981), das quais sete estão descritas para a Península Ibérica (Castrovejo et al., 2003).
Na natureza, estas plantas estão bastante expandidas na área mediterrânea: adaptadas ao ambiente fresco do sotobosque (Anthriscus nemorosa), ou a zonas de estepe e pradarias frias (Ferula communis), ou campos cultivados (Ridolfia segetum); algumas são rupícolas (Athamanta sicula), ou halófilas, de zonas bem próximas do mar (Crithmum maritimum e Daucus carota subsp. halophilus). Este último é um taxon muito interessante por ser um parente silvestre da cenoura (Frese e Nothangel, 2008), e por ser endémico e exclusivo de 3 províncias portuguesas, Algarve, Baixo Alentejo e Estremadura (Pujadas, 2002; 2003a; 2003b; Castroviejo et al., 2003)
Na sua maioria, esta família é constituída por espécies herbáceas e algumas com hábito arbustivo. Apenas uma espécie arbórea, Heteromorpha arborescens (Spreng.) Cham. & Schltdl ocorre na África do Sul.
O caule das plantas herbáceas é articulado em nós e entrenós e suporta folhas, geralmente pecioladas, alternas, na sua maioria divididas.
Uma das características a salientar é a morfologia das inflorescências, tipicamente umbeladas (o que justifica a designação anteriormente aceite - Umbelliferae), simples ou compostas (uma umbela com várias umbélulas em cada extremo).
As brácteas encontram-se na base da umbela formando um invólucro, o mesmo sucedendo com as umbélulas, formando um involucelo. A inflorescência também pode adquirir a forma de capítulo, pelo encurtamento do pedúnculo da umbela (e. g. Eryngium).
As flores são na sua maioria de cor branca, actinomórficas e com nectários; as periféricas podem ser unissexuadas ou estéreis, podendo desenvolver, desproporcionadamente, 1 ou 2 pétalas. A corola, dialipétala, é formada por 5 pétalas, em alguns casos bilobadas. O androceu é constituído por um verticilo de 5 estames; o ovário, ínfero, bilocular, é constituído por 2 carpelos apresentando dois estiletes livres, divergentes, que na sua parte basal estão mais ou menos engrossados formando uma estrutura almofadada (estilopódio), que persiste no fruto.
O fruto é um diaquénio, constituído por 2 mericarpos, sustentados por um carpóforo, com uma morfologia própria para cada espécie e que se utiliza, inclusivamente, como caracter chave de identificação. Também é designado por esquizocarpo por ser um fruto seco indeiscente que se divide na maturação em diversos mericarpos - parte de um fruto, separada naturalmente no sentido longitudinal e contendo uma única semente. Os mericarpos são frequentemente ornados com espinhos, pêlos, asas, etc. (Aguiar, 2012). As sementes apresentam um embrião envolvido por endosperma abundante.
Muitas espécies são economicamente importantes, sendo usadas ​​como condimentos, ornamentais, aromáticas e medicinais (Tosun et al., 2006). Como exemplos mais conhecidos temos o anis (Pimpinella anisum),o aneto (Anethum graveolens), o cominho (Cumin cyminum), a alcarávia (Carum carvi), o coentro (Coriandrum sativum),o funcho (Foeniculum piperitum), a salsa (Petroselinum crispum) e o aipo (Apium graveolens). Outras espécies são cultivadas como legumes, como a cenoura (Daucus carota) e a cherívia (Pastinaca sativa). Outras, contudo, são conhecidas como potentes venenos, como a cicuta (Conium maculatum), a planta que ficou conhecida na História por ter sido usada no envenenamento de Sócrates, filósofo atenienese, ou a cicuta-menor (Cicuta virosa) (Mariz, 1895; Pereira Coutinho, 1939; Sampaio, 1946, 1988; Tutin et al., 1968,1981; Castroviejo et al., 2003; Aguiar, 2012; Furnari et al., 2012).
O estudo das Apiaceae tem demonstrado resultados relevantes, não só pelo seu valor teórico fundamental, como pela sua aplicabilidade prática, estando inscritas em diversas farmacopeias cerca de uma dúzia de taxa e/ou os seus óleos essenciais (Eikert, 2000). Por esta razão, diversos taxa são amplamente utilizados na medicina popular, o que põe em perigo as populações espontâneas.
Na verdade, desde os tempos antigos (Dioscórides), numerosas apiáceas são usadas na medicina popular como fontes de especiarias, drogas e medicamentos. Hoje em dia, mais de 100 espécies cultivadas das Apiaceae estão registadas para vários usos, principalmente como plantas medicinais (41%), particularmente devido aos seus óleos essenciais (Ekiert, 2000; Giménez et al., 2004; Edris, 2007; Khoshbakht et al., 2007; Maxted e Dulloo, 2008; Anwar et al., 2009) usados como agentes antimicrobianos (Oroojalian et al., 2010; Popovic et al., 2010; Siljegović et al., 2011; Gonçalves et al., 2012a; 2012b). Os óleos essenciais são produtos do metabolismo secundário das plantas, constituídos maioritariamente por terpenos de baixo peso molecular, de importante valor adaptativo para a planta, a que o Homem recorre para diversas utilizações. Muitos produtos naturais provenientes das Apiaceae foram também descritos como tendo ação antisséptica, expetorante, diurética, vasodilatadora, carminativa ou espasmolítica (Ekiert, 2000; Nalawade et al., 2003; Adams et al., 2009).
Na realidade, a importância económica das plantas desta família provém, particularmente, dos seus óleos essenciais. O interesse pelo seu consumo na atualidade é testemunhado pelas 45.000 a 50.000 toneladas produzidas e transacionadas anualmente, a que recorrem indústrias como a alimentar e de bebidas, bem como coadjuvantes corretivos de sabor e odor em medicamentos destinados à administração oral, ou como aromatizantes em medicamentos para aplicação sobre a pele e mucosas. A indústria farmacêutica recorre também a alguns constituintes de óleos essenciais como matérias-primas para a semissíntese de outros compostos (Proença-da-Cunha, 2005).

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