CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Distichoselinum tenuifolium

Composição química

Os óleos essenciais de Distichoselinum tenuifolium foram extraídos com rendimentos de 1% para umbelas em antese e variando entre 2% e 2,6% para as umbelas com frutos maduros (v/p).
A composição qualitativa e quantitativa dos óleos está apresentada na Tabela 33, onde os constituintes químicos estão listados em ordem de eluição numa coluna de polidimetilsiloxano.
Em geral, a composição dos óleos obtidos das plantas colhidas em dois locais diferentes do Algarve (Moncarapacho e Burgau) e em estádios diferentes de desenvolvimento da planta é semelhante. As amostras são predominantemente compostas por hidrocarbonetos monoterpénicos (86,2-93,1%), sendo o principal composto o mirceno (47,7-84,6%), com a maior concentração nos óleos obtidos a partir das umbelas com frutos maduros. Algumas diferenças qualitativas foram observadas especialmente no limoneno, que atingiu uma percentagem importante nos óleos nas plantas obtidas na localidade de Burgau (13,6-19,9%).

Tabela 33: Composição dos óleos essenciais de Distichoselinum tenuifolium (amostras 1 e 3 - umbelas em antese; amostras 2 e 4 - umbelas com frutos maduros).


IRa

IRb

Compostosa

Percentagem (%)

Moncarapachoo         

Burgau

1

2

3

4

921

1016

Tricicleno

v

v

v

v

922

1030

α-Tujeno

0,1

v

0,3

0,2

930

1030

α-Pineno

1,3

0,8

0,6

1,2

943

1073

Canfeno

0,1

0,1

v

v

964

1128

Sabineno

2,2

0,2

11,0

6,0

970

1118

β-Pineno

0,9

0,7

0,7

1,1

980

1161

Mirceno

77,4

84,6

47,7

59,2

997

1171

α-Felandreno

0,6

0,3

0,3

v

1010

1187

α-Terpineno         

0,4

0,1

1,1

v

1011

1275

p-Cimeno

0,3

0,1

0,3

1,0

1020

1206

Limoneno

5,6

1,5

19,9

13,6

1020

1215

β-Felandreno

1,4

0,2

1,2

1,7

1046

1249

g-Terpineno

0,7

0,1

2,7

v

1050

1458

trans-Hidrato de sabineno

v

v

0,2

v

1076

1288

Terpinoleno

2,0

0,5

1,5

v

1081

1543

Linalol

0,3

0,1

v

0,2

1081

1542

cis-Hidrato de sabineno

v

v

0,2

v

1084

 

Perileno

v

0,1

v

1,9

1145

1666

Criptona

v

v

v

0,1

1157

1839

p-Cimeno-8-ol

v

v

v

0,3

1158

1597

Terpineno-4-ol

0,9

0,1

4,1

1,5

1169

1692

α-Terpineol

v

v

0,2

v

1194

1824

trans-Carveol

v

v

v

0,2

1203

1467

Acetato de fenchilo

0,1

0,2

v

v

1206

 

Timil metil óxido

v

0,1

v

0,5

1210

1724

Carvona

v

v

v

0,4

1328

1688

α-Acetato de terpenilo

v

0,1

v

0,2

1369

1487

α-Copaeno

2,9

v

3,8

v

1466

1699

Germacreno  D

0,6

0,5

0,6

v

1508

1751

d-Cadineno

0,1

v

0,1

v

1542

 

trans-Nerolidol

v

0,2

v

0,2

1618

2174

T-Muurolol

v

0,1

v

v

1622

2212

β-Eudesmol

v

0,1

v

v

1630

2216

α-Cadinol

v

0,2

0,2

v

1639

2197

Bulnesol

v

v

0,3

v

 

 

Hidrocarbonetos monoterpénicos

93,1

89,4

87,4

86,2

 

 

Monoterpenos oxigenados

1,7

0,9

5,1

3,6

 

 

Hidrocarbonetos sesquiterpénicos

3,6

0,6

4,5

0,2

 

 

Sesquiterpenos oxigenados

0,2

0,6

0,7

0,4

 

 

Total identificado

98,6

91,5

97,7

90,4

v: vestígios (< 0.05 %); IRª: Índices de retenção na coluna SPB-1; IRb: Índices de retenção na coluna SupelcoWax-10.
a Compostos ordenados por ordem de eluição na coluna SPB-1.

Atividade antifúngica

A avaliação da CMI e CML do óleo mostrou uma variabilidade de inibição contra os vários fungos testados (Tabela 34). Os dermatófitos e Cryptococcus neoformans mostraram ser mais sensíveis para este óleo do que as espécies de Candida e Aspergillus, com valores de CMI e CML que variaram entre 0,32 mL/mL e 1,25 mL/mL (Tabela 34).
Paralelamente foi avaliada a atividade antifúngica do mirceno, o principal composto do óleo essencial, tendo-se observado que o óleo tem maior atividade que o mirceno.

Tabela 34: Atividade antifúngica (CMI e CML) do óleo de Distichoselinum tenuifolium e do mirceno contra estirpes de leveduras, dermatófitos e Aspergillus.

 

Estirpes

Óleo essencial

Mirceno

Fluconazol

Anfotericina B

CMIa

CMLa

CMIa

CMLa

CMIb

CMLb

CMIb

CMLb

Candida albicans ATCC 10231

2,5

5

5,0–10,0

> 20,0

1

> 128

N.T.c

N.T.

Candida tropicalis ATCC 13803

5

5

20,0

> 20,0

4

> 128

N.T.

N.T.

Candida krusei H9

5

5

10,0

20,0

64

64–128

N.T.

N.T.

Candida guillermondii MAT23

2,5

2,5–5

2,5

> 20,0

8

8

N.T.

N.T.

Candida parapsilosis ATCC 90018

2,5

5–10

2,5

> 20,0

< 1

< 1

N.T.

N.T

Cryptococcus neoformans CECT 1078

0,32-0,64

0,64

0,64

0,64-1,25

16

128

N.T.

N.T.

Trichophyton mentagrophytes FF7

0,64

1,25

5,0

5,0

16–32

32–64

N.T.

N.T.

Microsporum canis FF1

0,64

0,64

1,25–2,5

1,25–2,5

128

128

N.T.

N.T.

Trichophyton rubrum CECT 2794

0,64

1,25

2,5

2,5

16

64

N.T.

N.T.

Microsporum  gypseum CECT 2905

1,25

1,25

5

5

128

> 128

N.T.

N.T.

Epidermophyton floccosum FF9

0,64

0,64

1,25

2,5

16

16

N.T.

N.T.

Aspergillus niger ATCC16404

2,5

> 20

> 20

> 20

N.T.

N.T

1–2

4

Aspergillus fumigatus ATCC 46645

2,5

> 20

≥20,0

> 20,0

N.T.

N.T.

2

4

Aspergillus flavus F44

20

≥20

> 20,0

> 20,0

N.T.

N.T.

2

8

Resultados obtidos em três experiências independentes desenvolvidas em duplicado.
a CMI e CML determinados pelo método de macrodiluição e expressos em microlitro por mililitro (v/v).
b CMI e CML determinados pelo método de macrodiluição e expressos em micrograma por mililitro (p/v).
c Não testado.

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