CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Caracterização química

O perfil químico de um óleo essencial pode, em muitos casos, ser considerado um marcador de identidade de um determinado taxon. A análise dos óleos essenciais fornece informações relevantes para os estudos de atividade biológica, e também, por vezes, para o esclarecimento da validação taxonómica de algumas espécies.
A caracterização química dos óleos essenciais é portanto imprescindível para a exploração do seu potencial de aplicabilidade e diferenças relevantes têm sido também observadas nos óleos de plantas colhidas na natureza.
Quanto à composição, os óleos essenciais diferem muito entre si, mas têm propriedades físico-químicas comuns. São constituídos por misturas de compostos voláteis, arrastáveis pelo vapor de água, que são normalmente pouco solúveis em água e solúveis em álcool absoluto, hexano, tetracloreto de carbono e outros solventes orgânicos (Proença-da-Cunha, 2005; Garcia e Soils, 2007).
A identificação e quantificação dos componentes de um óleo essencial realizam-se habitualmente por métodos cromatográficos. A seleção da metodologia analítica depende da finalidade técnico-científica da análise e do conhecimento previamente disponível sobre a composição do óleo (Joulain, 1998), devendo, sempre que necessário, garantir a identificação de cada um dos constituintes da mistura e possibilitar a respetiva quantificação.
Devido à complexidade destas misturas, quase todas as metodologias de análises envolvem duas etapas sequenciais, nomeadamente o fracionamento ou individualização de constituintes, geralmente por recurso a métodos cromatográficos, seguido de estudos analíticos, químicos ou espectroscópicos sobre frações ou sobre os compostos isolados. Em cada uma dessas etapas o recurso a um único método não é suficiente para viabilizar a melhor sequência de análise e garantir a máxima informação sobre a composição da amostra. É exigido que a identificação de cada composto seja fundamentada em resultado de, pelo menos, duas metodologias complementares, por exemplo, comportamento cromatográfico e dados espectroscópicos.
A cromatografia gás-líquido (CGL) ou cromatografia em fase gasosa é a metodologia de uso mais generalizado para a separação dos constituintes dos óleos essenciais. O uso de colunas capilares possibilita o fracionamento de misturas complexas voláteis e na maior parte dos casos, a individualização da maioria dos seus componentes. Dadas as suas características, esta metodologia é separativa e também analítica porque permite a aquisição de informação qualitativa.
A CGL é hoje a mais eficiente modalidade cromatográfica para o fracionamento de misturas complexas voláteis (Marriot et al., 2001) e fundamenta as metodologias derivadas, tais como as modalidades multidimensionais. O registo cromatográfico CGL permite obter informações importantes para a análise qualitativa de misturas complexas pela interpretação e comportamento de retenção dos compostos eluídos.
Teoricamente, a retenção de cada composto na mesma coluna e fase estacionária, expressa em tempo de retenção, é constante nas mesmas condições experimentais de fluxo de fase móvel e de temperatura. Contudo, como a reprodutibilidade prática nas mesmas condições não pode ser garantida em absoluto, não permite a identificação de misturas complexas por comparação apenas dos tempos de retenção. Esta limitação foi ultrapassada através da indexação dos valores dos parâmetros de retenção dos compostos da amostra aos de compostos de referência (previamente registados, determinados nas mesmas condições experimentais) cromatrografados simultaneamente.
Na análise de OEs é usual a apreciação conjunta de índices de retenção relativos a duas fases estacionárias de distinta polaridade. Cada composto da amostra interage de forma diferente e tem um comportamento de retenção distinto consoante as fases estacionárias, o que torna evidentes as coeluições, não detetáveis com o uso de uma única fase estacionária, e confere mais rigor na identificação dos compostos.
A elevada resolução e os baixos fluxos de fase móvel gasosa, conferem à CGL grande versatilidade proporcionando a possibilidade de acoplar diferentes tipos de detetores, como o detetor universal de ionização de chama (DIC) e de espetrometria de massa (EM). O primeiro possibilita a deteção dos compostos eluídos e o segundo permite a aquisição de espectros de massa sobre o efluente cromatográfico. Assim, a CGL-EM é uma das técnicas mais utilizadas na análise destas misturas complexas, já que o varrimento, quase em contínuo sobre o efluente cromatográfico, permite adquirir um ou mais espectros sobre cada um dos valores resolvidos (Proença-da-Cunha, 2005).

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