CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Caracterização e atividade antifúngica dos óleos essenciais

De 420.000 plantas com flor do mundo inteiro mais de 50.000 são utilizadas para fins medicinais e cerca de 80% da população que habita em países desenvolvidos depende dos recursos vegetais para os cuidados de saúde, sendo cerca de 2.500 plantas pertencentes a 1.000 géneros utilizadas na medicina tradicional (Goyal, 2011). Estes indicadores mundiais recentes atestam bem a importância das plantas enquanto matéria prima para fins medicinais, bem como a dependência do Homem relativamente aos recursos naturais.
Nos últimos anos, a pesquisa em plantas aromáticas e medicinais tem sido crescente, particularmente o estudo dos óleos essenciais e outros metabolitos secundários, pelas suas propriedades biológicas com potencial terapêutico, recorrendo, em grande parte, ao conhecimento empírico baseado na sua utilização tradicional ao longo dos séculos (Burt, 2007; Bakkali et al., 2008; Edris, 2007; Machado, 2010; Goyal, 2011; Zuzarte et al., 2011).
Os óleos essenciais são misturas complexas que possuem boatividade como antifúngicos, antioxidantes, anti-inflamatórios e outras atividades, com interesse na indústria alimentar e cosmética, bem como no campo da saúde humana (Machado, 2010; Miguel, 2010; Zuzarte et al.,  2011).
As plantas silvestres, ou cultivadas in vitro, podem ser usadas para a extração de OE ou de outros metabolitos secundários. No entanto, por razões ecológicas, deve ser acautelada a recolha de grandes quantidades de plantas em habitat natural, pois pode ameaçar a preservação da espécie e reduzir a biodiversidade. Portanto, o desenvolvimento de protocolos eficazes para a propagação de plantas em grande quantidade e extração de produtos químicos de interesse e aplicações variadas podem, assim, evitar a sobre-exploração das populações nativas, com a vantagem acrescida de permitir a propagação em grande escala e em condições controladas em qualquer altura do ano.
Muitos investigadores têm demonstrado o enorme potencial destes produtos naturais como agentes antifúngicos. Por exemplo, Zuzarte et al. (2011) reportaram a atividade antidermatofítica de vários óleos essenciais em modelos in vitro e in vivo, bem como o mecanismo de ação envolvido.
O conhecimento da modalidade e do mecanismo de ação dos OE é crucial para garantir a sua utilidade na prática terapêutica (Lahlou et al., 2004); em geral, os compostos antifúngicos mais ativos dos OE são principalmente os terpenos fenólicos tais como carvacrol e timol. Estes compostos provaram ser capazes de atuar nas paredes celulares e nas membranas afetando a permeabilidade e a libertação de constituintes intracelulares (Bajpai  et al., 2009). Muitas vezes a atividade antifúngica dos OE não será devida a um só mecanismo de ação, mas resultará do efeito em vários alvos celulares (Zuzarte et al., 2011).
A composição química e a atividade antifúngica de óleos essenciais dos géneros de Apiaceae, que têm representantes endémicas ibéricas, presentes em Portugal, têm sido atualizadas por vários autores. Por exemplo, os OEs de umbelas de Daucus carota da Sardenha ricos em β-bisaboleno e 11- α-(H)-himachal-4-en-1-β-ol, evidenciaram uma boa atividade antifúngica, particularmente para dermatófiots e Cryptococcus neoformans, com valores de CMI de 0,16-0,64 µL/mL (Maxia et al., 2009). Em Eryngium duriaei subsp. juresianum são constituintes maioritários do óleo o α-neocalitropseno, isocariofileno-14-al, 14-hidroxi-β-cariofileno, óxido de cariofileno e o E-β-cariofileno e foi demostrada boa atividade contra dermatófitos (Cavaleiro et al., 2011) e Ferula hermonis apresentou como constituintes principais dos óleos essenciais, α-pineno, α-bisabolol e 3,5-nonadieno e boa atividade antifúngica (Al-Ja’fari et al., 2011).
Seguidamente discutem-se os principais resultados obtidos com os óleos essenciais das Apiaceas endémicas em Portugal.

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