DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR DO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS DO INSTITUTO DO ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ – IESAP

Ione Vilhena Cabral
Roberto Carlos Amanajas Pena

UM NOVO CONCEITO DE AVALIAR

2.1 As Tendências da Atualidade do Processo Avaliativo

A educação ao longo do processo histórico passou por várias transformações, de uma educação tradicional, onde o que se tinha era a autoridade máxima do professor em sala de aula; depois tivemos uma tendência mais libertadora, dando-se ênfase mais nos alunos; a Escola Nova até chegarmos a educação de hoje, pós Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB que reformulou significativamente o modo de ensinar no Brasil.
 Com a LDB 9394/96, ocorreram mudanças na educação infantil, educação básica e educação superior. O centro das atenções, agora, não é simplesmente o professor como ocorria na educação tradicional, o aluno também passa a ser peça importante nesse processo de ensino aprendizagem. Na tendência tradicional o professor transmitia o conteúdo sem que houvesse questionamento por parte dos alunos, estes eram meros receptores de conteúdos, a figura do professor era inquestionável, ele era o dono da verdade.
Hodiernamente, isso mudou o aluno passa, agora, a ser questionador, pensador, critico do processo de ensino aprendizagem, o professor e o aluno numa relação de interação rompem com o tradicionalismo e adotam uma educação renovadora, dando-se ênfase no cotidiano dos alunos. Por este motivo, temos uma nova postura com relação ao modo de avaliação dos alunos. Assim, como a educação passou por mudanças a avaliação também sofreu alterações, pois antigamente e ainda hoje é possível visualizar traços de uma avaliação repressiva, onde o objetivo de alguns professores era somente o de punir os alunos.
Além disso, a avaliação durante muito tempo foi tida como instrumento de medida, ou seja, o professor simplesmente repassa os conteúdos aos alunos e em seguida marcava a prova que iria medir a capacidade dos melhores da turma, neste caso o que importava para este profissional, não era a apreensão dos conteúdos, mas sim a nota final da prova. Neste sentido aborda Luckesi que:

“O sistema de ensino está interessado nos percentuais de aprovação/reprovação do total dos educandos; os pais estão desejosos de que seus filhos avancem nas séries de escolaridade; os professores se utilizam permanentemente dos procedimentos de avaliação como elementos motivadores dos estudantes, os estudantes estão sempre na expectativa de virem a ser aprovados ou reprovados e, por isso, servem-se dos mais variados expedientes. O nosso exercício pedagógico escolar é atravessado por uma pedagogia do exame que por uma pedagogia do ensino aprendizagem”. (1997, p. 18)

O professor não levava em consideração a opinião dos alunos se este o questionasse, acabava sendo marcado por ele e geralmente a resposta viria na hora da prova. Durante muitos anos isso ocorreu como forma de punição aos alunos, a escola tinha como objetivo a disputa entre os alunos e isso se dava através da pratica da avaliação, que os melhores, aqueles que notas baixas eram maus vistos, pois se tiravam tal nota não era culpa do professor, mais sim dos alunos, porque não se interessavam em aprender.
Portanto, temos que este tipo de profissional não é capaz de rever sua pratica educativa, ao ponto de refletir sobre sua metodologia e adequá-la de acordo com o desempenho da turma, pois se mais de 50% da classe tira nota baixa, isso não significa que é somente culpa dos alunos, sendo assim, este precisa reavaliar sua pratica enquanto docente, neste sentido concorda-se com o que diz Romão (2001, p. 47), “avaliar não é simples e exige domínio de conhecimentos e técnicas além de experiências em processos concretos de avaliação”, por este motivo pode-se dizer que a avaliação é algo complexo, pois não é simples avaliar alguém e ser avaliado e, mais o professor assumir que sua pratica educativa está equivocada ao ponto de mudar sua metodologia.
Diante do argumento observa-se que a metodologia utilizada por alguns professores se encaixa nesse perfil, onde o que se tem é docentes descompromissados com seus alunos, não levando em consideração a vida  cotidiana dos mesmos. Assim, tem-se um professor que vem para sala de aula somente repassar os conteúdos para se chegar a uma avaliação que vai medir o aluno quantitativamente e não qualitativamente. É o que ressalta Fidalgo (1998) com relação à avaliação:

“Ela se define como um processo de controle da atuação escolar, do trabalho docente e da aprendizagem dos estudantes, onde sobressai sua dimensão técnica e pratica que hierarquizam as pessoas. Freqüentemente, avaliação e medição se confundem, pois a ênfase do processo é posto na aferição do rendimento escolar, através da qualificação dos fatos observáveis, buscando procedimentos e instrumentos mais capazes de garantir sua objetividade, validade, eficiência e neutralidade”.

Todavia o que se observa é que esses tipos de praticas estão mudando, aos poucos os professores estão adequando a sua metodologia de ensino, logo, sua pratica avaliativa à realidade dos alunos. Assim, observa-se que os professores atualmente, são capazes de rever e alterar sua forma de avaliar dependendo do desempenho dos seus alunos, optando, então, por uma avaliação do processo, ou seja, aquela onde o professor ao longo do processo de ensino – aprendizagem procura conhecer a realidade dos seus alunos, através da “bagagem” cultural que ele trás de casa, pois esse aluno não é vazio, do desempenho do mesmo ao longo da aprendizagem para então, o docente poder avaliar seu aluno, isso ocorrendo a relação professor e aluno se torna mais prazerosa.
Mas, é importante salientar que alguns professores ainda optam pelo estilo tradicional de avaliar os alunos, esse profissional não está disposto em mudar sua pratica docente, logo, é um professor acomodado e desatualizado do processo educacional. E, mais não tem a preocupação de buscar novas formas de avaliar e nem de refletir sobre sua postura enquanto educador.
Obviamente, esse profissional não está preocupado com o desempenho e rendimento dos alunos, tendo em vista que o que importa para ele é somente a quantificação e não a qualidade e a forma como os alunos estão absorvendo e aprendendo os conteúdos. Se a maioria da turma tirar notas baixas, geralmente esse tipo de professor culpa os alunos, “pois eles não se interessam em aprender, mas será que o professor enquanto educador não tem uma parcela de culpa?” para este profissional não, porque ele não é capaz de reconhecer que a sua metodologia, sua forma de avaliar está ultrapassada para ele o professor nunca erra é infalível, portanto não é capaz de fazer uma auto-avaliação dele próprio, neste sentido diz Hoffmam:

“O que se pode dizer é que todo educador precisa dar-se conta de que é seriamente comprometido com o juízo de valor emitido sobre o educando. Seu olhar estreita-se perigosamente ao considerar o processo avaliativo como uma ação objetiva e imparcial, puramente constativa sobre o fazer do aluno, como uma coleta de dados observáveis. Ao estabelecer o juízo de valor sobre o que observa, o professor interpreta o que vê a partir de suas experiências de vida, sentimentos e teorias. Na avaliação educacional há que se levar em conta a relação entre o avaliador e o avaliado”. (1998, p. 13)  

Contudo, o que se pode observar é que tanto o professor quanto o aluno são agentes essenciais para o processo de ensino aprendizagem, e que o docente exerce função significativa na formação do discente. O educador não tem que ser mero repassador dos conteúdos, mais sim um mediador entre o conhecimento de seus alunos e, principalmente, a avaliação não deve ser utilizada como instrumento de repressão, punição e medida, mas como ferramenta que venha proporcionar conhecimento a esse aluno.
Por este motivo, é que novas tendências estão surgindo sobre a forma de como o professor deve avaliar seus alunos. Atualmente um “leque” de possibilidades no ato de avaliar o discente é discutido e transmitido por todos os seguimentos da educação. Assim, vários teóricos como Luckesi, Demo, Hoffmam e entre outros, abordam sobre novas formas de se avaliar o aluno dentro de um processo educacional.
Para que isto ocorra, o professor além de ser um profissional da área em que está atuando, deve também ter competências para saber trabalhar com seus alunos a melhor forma de avaliá-los. Neste sentido seus alunos também desempenham habilidades e competências que ao longo do processo educacional devem ser observadas e trabalhadas pelo professor para o melhor desempenho dos seus alunos. Assim, de acordo com Moretto:

“Na escola tradicional competências estava relacionado a aquisição de conteúdos, tendo como habilidades a simples memorização e reprodução; já a escola nova se baseia pela aquisição de competências por meio do desenvolvimento de habilidades nos domínios cognitivos, afetivo  e psicomotor”. (1999, p. 50)

Portanto, Moretto faz diferença entre habilidades e competências, para ele habilidade está associada ao “saber fazer” algo específico, ou seja, o individuo estará sempre associado a uma ação física ou mental, indicadora de uma capacidade adquirida por ele. Enquanto, competências está associada à estrutura resultante do desenvolvimento harmônico de um conjunto de habilidades e que caracteriza uma função especifica.
Diante, do exposto, quer se elucidar que assim como o aluno o professor também apresenta habilidades e competências na hora de avaliar seus alunos, pois é sabido que muitos discentes se aproveitam de determinadas situações como, por exemplo: doenças, morte de algum parente, etc. para na hora da avaliação tentar convencer o professor a repassar outro trabalho para ele, é neste momento que o professor deve saber lidar com esses tipos de imprevistos que são freqüentes em sala de aula. Assim, de acordo com Moretto:

“O professor que ensina em busca do desenvolvimento das competências reage de outra forma. Em primeiro lugar, não faz segredo dos objetivos de suas questões, pois está convencido que ensina para que aluno aprenda e a avaliação nada mais é que um momento especial deste processo da aprendizagem. Para isso elabora situações que levem o aluno a manifestar suas competências, como o faz um profissional, isto é, dando oportunidades para consultas, ou mesmo fazendo provas em duplas, a fim de que a interação com o outro facilite a aprendizagem. Aos poucos, os alunos passam a perceber novos valores culturais, encarando as provas (escritas ou orais, individuais ou em grupos) como momentos privilegiados de estudo e não como acerto de contas”. (2002, p. 26)

Portanto, o professor como bom profissional que é preocupado com o processo de ensino aprendizagem, provavelmente seguirá por este caminho, ou seja, dando possibilidades para que seus alunos ao longo do decorrer do ano letivo possam desenvolver suas competências de acordo com suas habilidades dentro da sala de aula. Trabalhando a avaliação com os alunos da melhor forma possível e não fazendo desta um objeto de poder e dominação. Assim, competência está relacionada planejar a aula, dar aula e avaliar a aprendizagem dos alunos ao longo do processo educacional.


1 Texto extraído do artigo cientifico da professora Ms. Maria Betânia Fidalgo.

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