CONSERVAÇÃO IN VITRO E EX SITU E VALORIZAÇÃO DE ENDEMISMOS IBÉRICOS DAS APIACEAE PORTUGUESAS

Ana Cristina Pessoa Tavares dos Santos

Conclusões e perspetivas futuras

Recorrendo a diferentes estratégias foi concretizada a conservação ex situ de 13 taxa de Apiaceae ibéricas endémicas e presentes em Portugal: Eryngium galioides Lam.; Eryngium duriaei J. Gay ex Boiss.; Daucus carota subsp. halophilus (Brot.) A. Pujadas; Conopodium subcarneum (Boiss. & Reut.) Boiss.; Conopodium majus (Gouan) Loret subsp. marizianum (Samp.) López-Udias & Mateo; Seseli montanum L. subsp. peixotoanum (Samp.) M. Laínz; Angelica major Lag.; Angelica pachycarpa Lange; Ferula communis subsp. catalaunica (Pau ex C. Vicioso); Ferulago capillaris (Link ex Spreng.) Cout.; Distichoselinum tenuifolium (Lag.) García Martín & Silvestre; Laserpitium eliasii subsp. thalictrifolium (Samp.) P. Monts; Thapsia minor Hoffmanns. & Link.
Plantas vivas e coleções de sementes destes taxa foram preservados no Jardim Botânico de Coimbra (banco de sementes e em coleções vivas) e em instituições congéneres, incluindo o Millenium Seed Bank. Mais de 150 exemplares-testemunho estão incluídos no Herbário COI.
Em resultado das análises efetuadas no campo e da análise da literatura foram estabelecidos os critérios de prioridade de conservação dos taxa.O taxon Bunium macuca subsp. macuca é o único dos 14 endemismos ibéricos desta família em Portugal, referidos na Flora Ibérica, que não foi localizado nem de que obtivemos referências. Constitui também por isso um estímulo para que possa ser esclarecida a sua distribuição em Portugal e para isso sejam desenvolvidos trabalhos de investigação entre especialistas de Portugal e Espanha, de modo a ser concretizada a necessária atualização deste e de todos os endemismos ibéricos.
Recorrendo a metodologias complementares (morfometria, microscopia ótica e de scanning, citometria de fluxo e caracterização dos óleos essenciais) avaliou-se a quimiotaxonomia de alguns taxa de morfologia mais complexa, Daucus carota subsp. halophilus e Eryngium duriaei. Com base neste estudo foi possível separar D. carota L. subsp. maximus (Desf.) Bal das outras três subespécies nativas em Portugal continental (D. carota subsp. carota; D. carota subsp. gummifer (Syme) Hook. e D. carota subsp. halophilus (Brot.) A. Pujadas), bem como fundamentar a separação em duas subespécies de Eryngium duriaei (E. duriaei J. Gay ex Boiss., asubsp. duriaei e a subsp. juresianum (M. Lainz) M. Lainz).
Para os quatro taxa considerados mais vulneráveis (Daucus carota subsp. halophilus, Distichoselinum tenuifolium, Angelica pachycarpa e Seseli montanum subsp. peixotoanum) foram desenvolvidos protocolos de micropropagação que permitem a multiplicação destas espécies em larga escala, por meio de embriogénese somática ou por proliferação de meristemas. As plantas micropropagadas dos 4 taxa completaram o ciclo de vida em condições ex situ produzindo sementes viáveis. Do ponto de vista da conservação estes protocolos são importantes pois permitem evitar a recolha exagerada de plantas no campo em taxa que se encontram ameaçados. As análises de citometria efetuadas, permitiram concluir que, pelo menos no caso de Daucus carota subsp. halophilus, as plantas produzidas in vitro apresentam o mesmo nível de ploidia que as plantas nativas, situação que não exclui a possível ocorrência de outros tipos de variabilidade genética que poderão ser detetados fazendo uso de marcadores moleculares. Embora os ensaios efetuados tenham permitido a multiplicação dos diferentes taxa, os meios de cultura testados, em particular em termos das concentrações e combinações de reguladores de crescimento, foram limitadas pelo considerável número de taxa analisados. Nesta perspetiva, torna-se necessário testar outros meios de cultura, com outros reguladores de crescimento para otimizar as respostas conseguidas.
No caso particular de Daucus carota subsp. halophilus, um endemismno exclusivo de Portugal, estabeleceu-se um protocolo para a indução floral in vitro em condições controladas. A formação de flores in vitro é um tipo de morfogénese relativamente raro. Protocolos deste tipo são importantes para o estudo dos fatores envolvidos no controlo da floração e, no caso concreto deste taxon, a floração in vitro assume também importância sob a perspetiva da conservação, pois abre a possibilidade de conseguir o ciclo de propagação completo desta planta em condições laboratoriais. Sendo este um taxon bienal maior pertinência assume esta hipótese. Tentativas de conseguir este objetivo estão atualmente em curso.
A valorização de seis taxa (Eryngium duriaei subsp. duriaei, Eryngium duriaei subsp. juresianum, Daucus carota subsp. halophilus, Seseli montanum subsp. peixotoanum, Distichoselinum tenuifolium e Thapsia minor) foi conseguida através da caracterização dos óleos essenciais e avaliação da atividade antifúngica de alguns deles contra agentes patogénicos como leveduras e fungos filamentosos. Os dados experimentais permitiram concluir que Daucus carota subsp. halophilus é o taxon com maior potencial antifúngico, em especial contra dermatófitos e Cryptococcus neoformans. O óleo é particularmente rico em elemicina, obtido das umbelas com sementes maduras, e é particularmente eficaz contra estes microrganismos. Também Distichoselinum tenuifolium e Thapsia minor revelaram ter propriedades antifúngicas, sendo mirceno e acetato de geranilo o constituinte maioritátio do óleo, respetivamente. Estes resultados suportam o uso destas plantas na medicina tradicional, em especial no tratamento de infeções dérmicas. No entanto, estudos mais detalhados sobre o efeito destes metabolitos devem ser efetuados antes da sua utilização no tratamento de algumas doenças. Para além disso, utilizando as metodologias descritas poderão vir a ser estudados e, simultaneamente, preservados, outros taxa de entre os endemismos portugueses desta família, dando continuidade à valorização e utilização sustentada de recursos naturais.
Apesar do ensaio da instalação in situ de plantas micropropagadas de D. carota subp. halophilus ter sido bem sucedido, o que atesta a possibilidade de replicação do protocolo utilizado, e dos esforços desenvolvidos para a instalação das plantas micropropagadas de Angelica pachycarpa na ilha Berlenga, ressalta deste trabalho a dificuldade encontrada para apoiar e monitorizar as experiências de campo. A instalação in situ de plantas raras deve ser o objetivo primordial de qualquer trabalho de conservação que sem um suporte logístico, institucional e técnico competente dificilmente se conseguirá. Apesar disso, não só as experiências de micropropagação dos taxa estudados deverão ser objeto de mais pesquisa, como constituem um estímulo para ampliar o estudo de conservação a todas as Apiaceae endémicas portuguesas.

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