A visão estratégica do Terceiro Setor, sua formação e atuação na gestão de projetos sociais: Um estudo de caso na Fundação Arte de Educar Amazônia.

A visão estratégica do Terceiro Setor, sua formação e atuação na gestão de projetos sociais: Um estudo de caso na Fundação Arte de Educar Amazônia.

Vanessa Mesquita De Souza

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2.7 ADMINISTRADORES COMO FUTUROS LÍDERES DO TERCEIRO SETOR

O estudo da arte de administrar, não especifica o setor de atuação de empresa, nem tão pouco o ramo de sua atividade, pois ver a administração como ferramenta, que pode ser usada em qualquer organização, e, quando posta em prática desenvolve a empresa em vários aspectos, maximizando resultados e os otimizando, evitando assim perdas e favorecendo uma ampla visão dos negócios no sentido de projeção e gerenciamento.

A tarefa mais importante do um líder de uma organização é prever crise. Talvez não evitá-la, mas prevê-la. Esperar até que a crise chegue já é desistir. É preciso tornar a organização capaz de prever a tempestade, resistir a ela, na verdade, estar diante dela. Isto é chamado de inovação, de renovação constante. Peter Drucker (2009, pág. 07)

Não ter lucros, não é em hipótese alguma sinônimo de uma empresa que não possua seu fluxo de caixa, pois administrar não é simplesmente ganhar dinheiro oriundo das vendas, é também saber gerir verbas, pois uma organização não governamental tem características públicas, mas isto não quer dizer que não necessite de um administrador, pois a mesma pode receber verbas para projetos futuros, com isto vai existir em seu ativo disponível um superávit. Sendo assim planejar, dirigir, controlar e avaliar são ações que não poderão deixar de existir na administração deste tipo de organização.

As organizações sem fins lucrativos não têm “lucros”. Elas têm a tendência de considerar tudo aquilo que fazem como justo, moral e a serviço de uma causa; assim, não se mostram dispostas a dizer, caso alguma coisa não produzam resultados, que seus recursos devem ser redirecionados. Peter Drucker (2009, pág. 07)

A escolha de um líder deve ser feita sob três aspectos, primeiro avaliar os pontos fortes de cada candidato, o que a maioria das empresas em suas seleções não analisa, é através dos pontos fortes que se estabelecem a habilidade de alguém para desempenhar com aptidão determinadas atividades; segundo tentar equilibrar as forças com as necessidades verificando assim a real condição da organização, o que ela está buscando e qual o seu principal desafio e por ultimo buscar o caráter e a integridade, pois um líder sempre dar bons exemplos, isto Segundo Drucker (2009).

O desafio de um líder de uma ONG é muito, mas abrangente e difícil do quede uma empresa, pois as organizações não governamentais lidam com diversas entradas de capital, isto implica em dizer que, o Líder de uma organização sem fins lucrativos deve tomar decisões e determinar a melhor direção para a ONG na situação em que ela se apresenta, o maior desafio é manter a direção da organização assegurando que as decisões tomadas irão beneficiar os projetos a serem desenvolvidos.

A falta de capital, as crises, a falha nos processos gerenciais podem colocar em risco a continuidade do projeto, o líder deve buscar soluções alternativas que não venham a comprometer as finanças da ONG.

Uma diferença clara é a instituição sem fins lucrativos ter vários “lucros” e não apenas um. Na empresa, você pode debater se o lucro é de fato um bom critério de medição; pode não ser em curto prazo, mais é definitivo em longo prazo. Mas na gerencia de uma organização sem fins lucrativos, não existe esse determinante. Você lida com equilíbrio, síntese, uma combinação de critérios de desempenho. Peter Drucker (2009, pág. 12)

O maior desafio das organizações não governamentais é desenvolver treinamentos profissionais para estes líderes, e tratando-se de qualificação profissional, podemos dizer que, este desafio vai muito além de preparar pessoas boas no que fazem, mas também capacitar pessoas que irão representar o terceiro e serão articuladores perante o governo e o setor privado. Líderes com uma visão abrangente em relação às novas expectativas de crescimento deste setor.

Programas com certificados ou diplomas podem ser desenvolvidos adaptando-se cursos de contabilidade, administração, planejamento e pessoal. Mas trabalhadores do setor de filantropia frequentemente enfrentam problemas específicos desse campo, questões não tratadas adequadamente na literatura padrão sobre administração de empresas com fins lucrativos. Mccarthy (2005, pág.114)

É necessário capacitar e treinar estes profissionais que representam o terceiro setor, entretanto é dificultosa para uma ONG identificar qual o treinamento necessário para preparar melhores administradores, segundo Mccarthy (2005).

Três tipos de treinamentos são necessários para promover a liderança do setor filantrópico: treinamento administrativo; iniciativas para proporcionar um panorama abrangente do setor como um todo; e treinamento planejado para gerar um senso de visão sobre como fazer o setor funcionar mais efetivamente no futuro. Mccarthy (2005, pág.113)

U m dos desafios do terceiro setor é o levantamento de recursos para organização, o administrador do terceiro setor deve ter uma preocupação não somente econômica, mas também social e habilidade de trabalhar em equipe para poder obter um resultado eficiente nos projetos a serem desenvolvidos.

Alguns administradores do setor filantrópico enfrentam problemas de oferecer serviços em comunidades que podem ser hostis a “forasteiros” e que desconfiam de organizações que tentam implementar programas em seu território. Mccarthy (2005, pág.114)

2.8 A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR

A gestão no terceiro setor vem para enfatizar a relevância da união deste processo com o planejamento estratégico, segundo Drucker (2009) os padrões utilizados de gestão pelas organizações não foram criados para atender as ONGs do terceiro setor, no qual se mostram dependentes de um sentido próprio, pois se não perderiam a conformidade com sua identidade e missão, ou seja, seria desafiador tentar criar um modelo de gestão para as organizações não governamentais.

É notável a importância de profissionais qualificados dentro destas organizações, este é um dos principais desafios que este setor vem encontrando, a capacitação ou recrutamento de profissionais que possam contribuir administrativamente com a organização. O administrador dentro das escolas superiores são treinados, para gerenciar as ferramentas administrativas que irão dar subsídios aos planejamentos seja ele estratégico, tático ou operacional, além de saber lidar com os processos administrativos, o administrador também consegue ter uma visão da empresa como um todo.

Como resultado, o treinamento administrativo do setor filantrópico esta ocorrendo tanto no interior como além dos programas de administração de filantropia. Tanto os cursos quanto a pesquisa são necessários para afiar as habilidades administrativas de que os trabalhadores filantrópicos precisam para tratar, de modo mais efetivo, dos problemas que encontram em suas tarefas cotidianas. Mccarthy (2005, pág.115)

A gestão das organizações possibilita um entendimento da origem das forças a que a organização estará submetida e analisar quais as decisões que a sociedade realiza no ambiente externo, o processo de gestão caracteriza-se por um conjunto de técnicas, métodos e reflexões que darão subsídios para elaboração do planejamento, direção e controle dos processos da gestão e desenvolvimento da organização.

A expressão gestão social tem sido apresentada para indicar a ação gerencial dos programas, com finalidade social, e para ressaltar a influencia dos processos sociais na gestão. O exame das relações entre a gestão e as demandas sociais, além de permitir desenvolver técnicas e instrumentos próprios que conduzem à valorização e à promoção dos indivíduos, permite dar conta da crescente complexidade que envolve a administração das organizações. Cabral (2007, pág.128)

O planejamento propicia as informações necessárias que permitem a organização ordenar os seus recursos com mais eficácia, é por meio do planejamento que a organização pode ter uma melhor visão da combinação dos fatores, forças, recursos e indicadores necessários para liderar e motivar os seus colaboradores.

Existem três tipos de planejamento que são elaborados dentro de uma amplitude no qual atinge as áreas de uma organização e seus objetivos, o primeiro chamado planejamento estratégico é destinado a organização como um todo podendo ser a curto ou longo prazo, envolvendo seu ambiente interno e externo, forças, fraquezas, pontos fortes e fracos, tendo como ponto fixo a declaração da missão e a unificação da gestão da organização.

O planejamento tático trabalha e desenvolve-se dentro de uma determinada área da organização focando suas metas especificas em conformidade com os objetivos principais da organização. No tático abrange os processos nos níveis inferiores de uma organização, onde são elaboradas as rotinas e tarefas diárias que devem ser desenvolvidas em curto prazo.

Deve ser criadas estratégias especiais para o Terceiro Setor, porque as organizações precisam reagir a mudanças mais rápidas em seu ambiente externo e necessitam de meios explícitos para estabelecer novos objetivos e realocar recursos; além disso precisam demonstrar aos financiadores o que será feito com seu dinheiro. Cabral (2007, pág.159)

A direção é atividade de gerenciamento da organização que procura garantir o desempenho das ações na organização, pois a organização trabalho feito através da distribuição das tarefas é suficiente para garantir que a atividade será de fato executada, embora o planejamento das ações seja essencial ao desempenho organizacional.

O processo de planejamento é orientado pela missão, revisado anualmente pelo conselho de administração, que traça os objetivos e as metas de curto, médio e longo prazo. O planejamento, na pratica, envolve todas as áreas de trabalho, quando os gestores, que reconhecem a missão da instituição, mas não contemplam todos, os seus problemas, fazem ligação das suas demandas com as metas propostas. Cabral (2007, pág.178)

As organizações não governamentais em seu estatuto de constituição possuem um conselho que tem como função compartilhar a direção junto com o gestor, onde suas obrigações principais são de garantir que a organização esteja de acordo com as leis e regulamentações do Código Civil, definir a missão e certificar seu cumprimento apontando-a ao administrador e ao corpo técnico da ONG.

É responsabilidade do conselho governar a instituição, a fim de assumir a responsabilidade geral, da garantia da missão e do desempenho, sem torna-se o monitor desse desempenho. A ação administrativa é realizada pelo gestor e sua equipe técnica, na pratica os responsáveis pelos procedimentos necessários à obtenção dos resultados pretendidos pelo conselho. Cabral (2007, pág.179)

O controle tem como função identificar possíveis falhas ocorridas e possibilita a aplicação de medidas preventivas, existe uma relação entre essas funções, pois primeiro tem-se a realização do planejamento, segundo a direção o que chamamos de ações que possam garantir a execução das atividades e o controle que irá verificar se o que foi planejado está sendo executado de acordo dom o cumprimento dos objetivos.

O Terceiro setor esta cada vez mais sendo inserido dentro das estruturas administrativas, pois grande parte das organizações sem fins lucrativos tem dificuldades em seus processos de gestão e obtenção dos resultados.

Controlar resultados nessas organizações é estabelecer relações com o exterior, aferindo interesses e expectativas dos públicos constituintes, conforme as tendências de publicitação dos trabalhos do Terceiro Setor. Por exemplo, no que concerne à sobrevivência financeira, os doadores apresentam-se por confiança na missão e nos seus objetivos. Assim, os resultados devem ser controlados e revertidos em resultados qualitativos para a sociedade. Cabral (2007, pág.190)

O terceiro setor encontra-se em grande crescimento em diversas áreas de atuação, o que se busca cada vez mais dentro destas organizações não governamentais não é apenas o gerenciamento dos projetos sociais, mas também dela como um todo, tratando-se de gestão seja para organizações com ou sem fins lucrativos é relevante criar e executar processos que venham facilitar o gerenciamento da empresa como todo, tanto no seu ambiente interno como externo.