PATRIMÓNIOS E LAZERES TURÍSTICOS

Paulo Carvalho. Coordenação

PEDESTRIANISMO E PERCURSOS PEDESTRES EM PORTUGAL

Zília Tovar
Câmara Municipal de Montemor-o-Novo
Paulo Carvalho
Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território
Faculdade de Letras. Universidade de Coimbra

1. Introdução

A prática de andar a pé em trilhos sinalizados, ou pedestrianismo, é uma atividade que tem vindo a ganhar um número crescente de praticantes. O pedestrianismo, definido pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal como o desporto dos que andam a pé, é uma atividade que procura os caminhos tradicionais, no meio rural e nas cidades, no interior e no litoral. Para facilitar a sua prática foram criados percursos pedestres sinalizados que têm por finalidade conduzir os praticantes que os percorrem.
As federações, os clubes, as associações e outras entidades ligadas às atividades de lazer de ar livre são importantes impulsionadores do pedestrianismo, ao promoverem a marcação de percursos pedestres e a realização de atividades de pedestrianismo. O crescente número de praticantes elevou a prática de um lazer informal a uma verdadeira ação turística (PEARCE e BUTLER, 2005; WILLIAM, 2009), potencialmente geradora de benefícios a nível local (TOVAR, 2010).
O presente trabalho explora o tema do pedestrianismo e dos percursos pedestres em Portugal, avaliando a sua dimensão e expressão territorial, através da análise das atividades de pedestrianismo e dos percursos pedestres homologados.
A metodologia decorre de um conjunto de tarefas fundamentais designadamente: análise documental de publicações científicas e de divulgação técnica sobre o tema do pedestrianismo e percursos pedestres; análise documental de diferentes materiais e suportes de divulgação de percursos pedestres; pesquisa e análise da distribuição geográfica das atividades de pedestrianismo em Portugal, através de informação disponível na Internet, no blog Pedestrianismo e Percursos Pedestres; pesquisa e análise da distribuição geográfica dos percursos pedestres em Portugal, considerando a informação disponibilizada online pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, relativa aos percursos pedestres homologados; análise da distribuição geográfica das atividades e percursos, através de cartografia produzida com base no Atlas Português do Ambiente.
A estrutura da comunicação, para a prossecução destes objetivos, reflete dois eixos principais. Na primeira parte, introduzimos o tema do pedestrianismo e dos percursos pedestres, distinguindo conceitos e mostrando a expressão e os contornos da atividade de pedestrianismo na Europa. Na segunda parte, enfatizamos a temática do pedestrianismo e dos percursos pedestres em Portugal. A análise da expressão territorial do pedestrianismo é feita com base na oferta de atividades promovidas por diversas entidades entre os anos 2007 e 2009. Por último, é apresentada uma distribuição territorial das atividades, dos percursos pedestres homologados, bem com da relação existente entre atividades e percursos e entre atividades, percursos e território.

 

2. O pedestrianismo no contexto das práticas de lazer

São diversos os fatores que influenciam a procura de atividades de lazer. HALL e PAGE (1999) referem, além da disponibilidade financeira, a sazonalidade, o género e condicionantes sociais e os recursos e modas.
O rendimento económico e a disponibilidade financeira, não condicionam de forma expressiva as atividades de lazer de baixo custo (KAY e JACKON, citados por HALL e PAGE (1999). Contudo, PATMORE (1983), citado em HALL e PAGE (1999), defende que as pessoas mais qualificadas, com maiores rendimentos e meio de transporte próprio, tendem a ter os tempos de lazer mais ativos e com maior variedade de atividades, tanto na sua área de residência como fora.
A sazonalidade e os condicionalismos impostos pelo clima, influenciam a prática das atividades de ar livre. No caso dos passeios pedestres, demasiado calor, chuva e neve, são condições desfavoráveis.
O género é um fator poderoso em termos de influência na prática de atividades de lazer (HALL e PAGE, 1999). As mulheres com filhos têm menos tempo livre e participam menos em atividades de lazer. Contudo, no caso do pedestrianismo, verifica-se que as mulheres têm uma representatividade importante. Os programas de passeios pedestres dirigidos a famílias com filhos pequenos contribuem certamente para esta participação das mulheres.
A idade é também um fator importante. De acordo HALL e PAGE (1999), que se basearam em dados do Greater London Recreation Survey of 1972, a participação em atividades como o golfe ou caminhar aumenta com a idade.
A proximidade de casa ao recurso necessário para a realização de atividades de lazer está fortemente relacionada com a prática da atividade. BURTON (1971), citado por HALL e PAGE (1999), demonstrou que os britânicos praticavam três vezes mais determinada atividade se esta fosse na proximidade de sua casa (a uma distância de cerca de 800 e 1200 metros). De acordo com este padrão, o pedestrianismo terá maior expressão em áreas com uma boa oferta de percursos pedestres.
A atividade de percorrer distâncias a pé em trilhos sinalizados (pedestrianismo) permite um contato próximo com a paisagem (figura 1) e “pode sensibilizar as pessoas para a importância da proteção dos recursos naturais e culturais, promovendo o bem-estar e a qualidade de vida dos que o praticam. Esta atividade é ainda particularmente atrativa nas vertentes pedagógica, científica, lúdica e turística” (CALIXTO e DORES, 2008: 3).
Expressões, em português, como caminhar, andar a pé, praticar pedestrianismo, ou walking, hiking (EUA) ou rambling (Reino Unido), em inglês, encontram-se na literatura e referem-se todas à mesma atividade de andar a pé, em trilhos sinalizados ou promovidos para esse fim. A palavra trekking, também associada à mesma atividade, utiliza-se para designar as deslocações a pé, de alguns dias, em grande parte através de carreiros ou trilhos, em áreas montanhosas sem ligação a outras vias de comunicação (BIETOLINI, 2007).

As principais motivações associadas ao pedestrianismo são o contato com a natureza, o bem-estar físico e a descoberta (LOPES, 2003), motivações que se encontram descritas para os mercados de Turismo de Saúde e Bem-Estar e, sobretudo, de Turismo de Natureza, mercados com fortes perspetivas de crescimento (TOVAR, 2010).
O pedestrianismo apresenta um conjunto de caraterísticas que contribuem para a sua popularidade e crescimento entre as atividades de lazer, designadamente: é uma atividade de baixo custo para o praticante, pouco exigente em termos de forma física, sendo praticado por mulheres, crianças e pessoas pertencentes às faixas etárias mais elevadas. A oferta de percursos sinalizados é cada vez mais abrangente em termos geográficos, facilitando o acesso a um maior número de pessoas (TOVAR, 2010).
“Porque é cada vez maior a procura de espaços geográficos com caraterísticas contrastantes das áreas urbanas como espaços de lazer; a preocupação com os benefícios relacionados com a saúde que trazem as “novas” atividades de lazer; a preocupação com as questões ambientais de onde surge uma necessidade de preservar o meio natural; uma tendência para a aproximação às raízes e à preservação das tradições, e a procura de um espaço informal como ambiente e meio de transmissão/aquisição de conhecimento e valores, torna-se cada vez mais pertinente a implementação de percursos que se adequem às tendências atuais e que, ao mesmo tempo, permitam a preservação de valores patrimoniais (sejam eles naturais, históricos, culturais ou outros)” (BENTO, 2000: 10-11).
Diversas entidades assumem um papel de relevo na criação e manutenção dos percursos pedestres1 , designadamente clubes e federações ligadas ao desporto, montanhismo, campismo ou turismo, entidades da administração pública nacional, regional ou local, e ainda entidades ligadas ao turismo.
De acordo com TOVAR (2010: 23-24), “A sinalização de um percurso pedestre é de extrema importância. Um percurso pedestre bem sinalizado/marcado pode ser percorrido em total segurança sem recurso a mapas ou textos descritivos. A marcação de percursos com pintura é bastante frequente e consiste em desenhar marcas definidas e reconhecidas, ao longo de todo o trajeto, que guiam os seus utilizadores, como se de um fácil jogo de pistas se tratasse”. A sinalização pode ser complementada com placas e painéis indicativos e informativos (figura 2), com o objetivo de fornecer aos utilizadores mais informação sobre o trilho.

 

3. As atividades de pedestrianismo

Segundo KOUCHNER e LYARD (2001), o pedestrianismo envolve cerca de 3 milhões de praticantes em Itália e França, 10 milhões no Reino Unido e 30% dos suecos dedicam-se ao passeio em florestas ou caminhos rurais. Estes autores afirmam ainda que esta atividade está em forte expansão em todos os países.
Embora não seja fácil encontrar dados sobre o número de praticantes de pedestrianismo, é notória a dimensão da atividade, a nível europeu, pela quantidade de grupos organizados ligados à prática de andar a pé. A European Rambler´s Association (ERA), fundada em 1969 na Alemanha, com os objetivos de criação e melhoria de condições para a prática de pedestrianismo, integra mais de 50 organizações, de 26 países europeus e conta com cerca de 5 milhões de membros individuais (TOVAR, 2010).
O desenvolvimento do pedestrianismo e dos percursos pedestres é relativamente recente em Portugal, apontando-se a década de 90 (século XX) como uma referência incontornável neste domínio, com a divulgação das normas de marcação, a sinalização dos primeiros percursos, a edição das primeiras publicações 2 e o incremento da organização destas atividades.
Os principais promotores de percursos e dinamizadores de atividades de pedestrianismo são, inicialmente, os clubes. Numa fase posterior, as câmaras municipais, juntas de freguesia e associações de desenvolvimento assumem um importante papel na promoção da atividade, através da implementação de novos percursos pedestres e da organização de atividades. Hoje é comum encontrar grupos de caminhantes a percorrerem trilhos, um pouco por todo o país.
O número e caraterísticas do pedestrianista português não são conhecidos. De uma análise exploratória ao mercado de trilhos pedestres, RODRIGUES (2006), citada por TOVAR (2010), apresenta conclusões que permitem aferir algumas caraterísticas do pedestrianista em Portugal, nomeadamente ao fazer a distinção entre “o pedestrianista” e “o não pedestrianista” e entre “o pedestrianista português” e o “pedestrianista estrangeiro”. Os resultados são baseados na análise de 300 inquéritos respondidos por pedestrianistas e não pedestrianistas (100 não pedestrianistas, 100 pedestrianistas portugueses e 100 pedestrianistas estrangeiros), em centros comerciais (os não pedestrianistas) e em trilhos no Gerês, Serra da Estrela, S. Jacinto, Buçaco e Borba (os pedestrianistas). Os inquiridos de nacionalidade estrangeira provêm de França (54%), Holanda (11%), Alemanha (9%) e Inglaterra (9%).
A principal diferença entre pedestrianistas e não pedestrianistas, segundo os elementos apresentados, está relacionada com a atitude face à natureza. O pedestrianista, ao contrário do não pedestrianista, é um amante da natureza e vê nela uma forma de escape à vida quotidiana. Para o pedestrianista a natureza é vista como um elemento de aventura, enquanto o não pedestrianista a encara com algum desinteresse e mesmo como um espaço de certa insegurança.
O pedestrianista estrangeiro, de acordo com os elementos apresentados, tem uma maior sensibilidade em relação à natureza, às questões de responsabilidade ambiental e maior experiência na fruição dos espaços naturais e prática de pedestrianismo.
Como refere TOVAR (2010), o blog Pedestrianismo e Percursos Pedestres3 , talvez o mais difundido entre organizadores e praticantes, reúne e divulga, desde 2006, informação sobre atividades de pedestrianismo programadas, a nível nacional, por clubes, associações, câmaras municipais e outras entidades. Disponibiliza um calendário com atividades de pedestrianismo organizadas por 95 clubes/grupos, 82 câmaras municipais e juntas de freguesia e 60 associações e outras entidades locais, regionais e nacionais, cobrindo a totalidade do território nacional. Estas consistem em caminhadas com duração inferior a um dia, temáticas ou não.

Fazendo uma avaliação do que o pedestrianismo representa em Portugal, considerando o número de atividades programadas por diversas entidades (cerca de 240, em 2008-2009, sem finalidades comerciais), pode afirmar-se que, como prática de lazer, o pedestrianismo tem uma importância significativa, ocorrendo com crescente regularidade em todo o território nacional. Contudo, a este nível, destacam-se as regiões Norte (28%), Lisboa e Vale do Tejo (26%), e Centro (21%), que em conjunto perfazem 75% do total, como as mais dinâmicas na organização de atividades de pedestrianismo (TOVAR, 2010).
Em relação ao número de atividades programadas, para o ano de 2009, foram apresentadas 1780 atividades. Considerando que estas ocorrem geralmente ao fim de semana, em média realizam-se cerca de 34 atividades por fim de semana, em todo o país e ao longo de todo o ano. De igual modo, é evidente o crescimento significativo (mais 61%) do número de atividades de pedestrianismo programadas entre 2007 e 2009.
A distribuição geográfica das atividades de pedestrianismo (figura 3) faz sobressair algumas áreas do território nacional, de Norte a Sul e ilhas, que têm em comum integrarem ambientes de montanha e espaços de elevado interesse natural. Com efeito, destaca-se o Parque Nacional da Peneda-Gerês, a região da Serra da Freita, o concelho de Idanha-a-Nova e área envolvente, os concelhos que integram as Serras de Aire e Candeeiros, a Serra de Sintra e o Litoral da região de Lisboa, os concelhos de Montemor-o-Novo e Évora, no Alentejo, e os concelhos de Loulé, Tavira e Alcoutim, no Algarve (TOVAR, 2010).

 

4. Os percursos pedestres

De acordo com a European Ramblers Association (2009), a Europa é atravessada por uma rede de 11 percursos de Grande Rota abrangendo vários países. “Estes percursos, que se desenvolvem num total de quase 55000 quilómetros, constituem eixos de uma imensa rede que integra milhares de quilómetros de percursos locais, de dimensão variável e articulando-se de forma a satisfazer diferentes tipos de utilizadores. Partes destes percursos sobrepõem-se a algumas rotas históricas, como a mítica GR65, o caminho francês de peregrinação a Santiago de Compostela” (TOVAR, 2010: 27).
Alguns países da Europa têm longa tradição em pedestrianismo, uma vasta rede de percursos sinalizados e bons materiais de divulgação, destacando-se a Áustria, a França, a Alemanha, a Grã-Bretanha e a Suíça. Países como a Dinamarca, Hungria, Luxemburgo e Suécia, apresentam uma rede de percursos pedestres complementada por abrigos e outros locais de alojamento turístico, permitindo a pernoita dos pedestrianistas ao longo dos itinerários.
Os territórios de montanha, pela sua especificidade, tiveram e continuam a representar um papel importante no desenvolvimento do pedestrianismo. Os Alpes, os Pirinéus e os Picos da Europa são destinos de referência, com uma ampla oferta de possíveis percursos pedestres, com bons suportes de informação, traduzidos em várias línguas, serviços de guia, e estruturas de apoio, como alojamento e abrigos, nas proximidades dos percursos.
Em Portugal existem quase 3500 quilómetros de percursos pedestres homologados 4 (TOVAR, 2010), distribuídos pela totalidade do território nacional, com exceção do arquipélago dos Açores (onde existe uma importante oferta deste tipo de equipamento, embora não homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal).
“Destacam-se as regiões Norte (1025,6 km), Centro (761,5 km) e Algarve (755,8 km), que em conjunto perfazem 2542,9 km de percursos pedestres homologados, ou seja, 76% do total.
O total de quilómetros de percursos apresentado corresponde a percursos de pequena rota e percursos de grande rota, sendo a maioria de pequena rota (cerca de 71%), ou seja, percursos que se percorrem numa jornada, geralmente com extensão inferior a 30 km” (TOVAR, 2010: 48).
Relativamente a estes últimos, “o continente apresenta 98,8% do número de percursos pedestres de pequena rota e concentra 99,2% do total de quilómetros. A região Norte é a região com maior número e total de quilómetros de percursos pedestres de pequena rota, seguindo-se a região Centro, o Algarve, o Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. A região da Madeira5 tem apenas 3 percursos pedestres, com um total de 18,8 km.
           

Considerando todos os percursos pedestres homologados (figura 4), TOVAR (2010) refere que os concelhos em que existe maior número de quilómetros de percursos homologados, com mais de 80 quilómetros de percursos, se situam em áreas de grande interesse natural, como são os casos dos seguintes municípios:
– Terras de Bouro e Montalegre, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, e o concelho vizinho de Vieira do Minho;
– Arouca, que integra a Zona Especial de Conservação (ZEC) das Serras da Freita e Arada (PTCON0047);
– Idanha-a-Nova, com a Zona de Proteção Especial (ZPE) Tejo Internacional, Erges e Pônsul (PTZPE0042);
– Nisa, muito próximo do Parque Natural da Serra de S. Mamede, com grande parte da sua área na ZEC de São Mamede (PTCON0007);
– Porto de Mós, no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros;
– Cadaval, na Área de Paisagem Protegida da Serra de Montejunto;
– Sintra, no Parque Natural Sintra-Cascais;
– Grândola, que integra a ZEC Comporta/Galé (PTCON0034);
– Loulé e Tavira, no Parque Natural da Ria Formosa;
– Alcoutim, que integra a ZEC Guadiana (PTCON0036).
É ainda de realçar que estes concelhos, que dominam o panorama nacional em termos de quilómetros de percursos pedestres homologados, têm no seu território importantes áreas de montanha, como as Serras da Peneda e Gerês, Serra da Freita, Serra de Penha Garcia, Serras de Aire e Candeeiros, Serra de Montejunto, Serra de Sintra, Serra de Grândola, Serra de S. Mamede e Serra do Caldeirão.
Os concelhos que se enquadram no nível imediatamente abaixo, em número de quilómetros de percursos homologados, na categoria “31-80 km”, são concelhos que se situam na vizinhança dos primeiros. Destacam-se áreas formadas por conjuntos de concelhos, vizinhos uns dos outros, com assinalável ocorrência de percursos pedestres homologados, a saber:
– A área junto à fronteira Norte do país, desde Melgaço até Bragança, que se estende para Sul englobando os concelhos de Guimarães e Amarante, estendendo-se pelo litoral, entre Valença e Póvoa do Varzim;
– A área de Arouca, S. Pedro do Sul e Vouzela;
– A área de Penamacor e Idanha-a-Nova;
– A região das Serras de Aire e Candeeiros e Serra de Montejunto e o seu prolongamento para o litoral, formando uma faixa, nem sempre contínua, entre Leiria e Grândola;
– Por fim, a terceira área do país em número de quilómetros de percursos homologados (a região do Algarve) que apresenta uma superfície bem definida e de expressiva continuidade (TOVAR, 2010).
De modo análogo ao que se verifica em relação à distribuição geográfica das atividades de pedestrianismo, também a oferta de percursos pedestres homologados é maior em áreas de montanha e de elevado interesse natural (como a Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Rede Natura 2000) – figura 4. Estas configuram as principais áreas de potencial desenvolvimento de produtos de turismo de passeio pedestre.
Neste contexto, os percursos pedestres assumem importância como forma de complementar a experiência do turista num determinado destino, ao constituírem mais uma oferta de atividade em que o turista pode participar, mas também podem assumir o papel principal no produto turístico e constituírem a razão da deslocação ao destino.

 

5. Conclusão

No conjunto de atividades de ar livre, o pedestrianismo destaca-se como atividade em crescimento, pela sua informalidade, baixo custo e fácil acesso.
Andar a pé, em percursos pedestres, está muito associado a um estilo de vida saudável, não só pelo exercício físico em si, mas também pelo convívio social e por se praticar ao ar livre, preferencialmente em contato com a natureza. Embora seja praticado em qualquer tipo de meio, do mais natural ao mais urbano, é com os espaços naturais que o pedestrianismo tem maior relação.
Portugal não é um país com forte tradição de pedestrianismo, contudo a atividade tem vindo a desenvolver-se. Fazendo uma avaliação do que o pedestrianismo representa em Portugal, considerando o número de atividades programadas por diversas entidades, pode afirmar-se que, como atividade de lazer, o pedestrianismo tem uma importância significativa, ocorrendo com crescente regularidade em todo o território nacional.
Ao nível da organização de atividades de pedestrianismo, destacam-se as regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo como as principais dinamizadoras. A distribuição geográfica das atividades faz sobressair algumas áreas do território nacional, de Norte a Sul e ilhas, que têm em comum integrarem ambientes de montanha e espaços de elevado interesse natural. Ao mesmo tempo, verifica-se a preferência dos pedestrianistas pelas paisagens de montanha e áreas de grande interesse natural.
Em Portugal existem largas centenas de quilómetros de percursos pedestres homologados, distribuídos pela totalidade do território nacional, com exceção do arquipélago dos Açores (onde existe uma importante oferta deste tipo de equipamento, embora não homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal).
À semelhança do que se verifica em relação à distribuição geográfica das atividades de pedestrianismo, também a oferta de percursos pedestres homologados é maior em áreas de montanha e de elevado interesse natural (como a Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Rede Natura 2000).
Fatores como o elevado interesse natural de uma região ou existência paisagens de montanha, determinam a prática de pedestrianismo e também a existência de percursos pedestres homologados. Áreas de montanha e de elevado interesse natural, constituem as principais áreas de potencial desenvolvimento de produtos de turismo de passeio pedestre.
Neste contexto, os percursos pedestres assumem importância como forma de complementar a experiência do turista num determinado destino, ao constituírem mais uma oferta de atividade em que o turista pode participar, mas também podem assumir o papel principal no produto turístico e constituírem o motivo da deslocação ao destino.

 

Referências bibliográficas

BENTO, T (2000) : GR22. Grande Rota das Aldeias Históricas. Lisboa, INATEL
BIETOLINI, A (2007) : Manual de Caminhada – Trekking. Arte Plural Edições.
CALIXTO, V e DORES, A (2008) : Guia de Percursos Pedestres (Algarve). Faro, Região de Turismo do Algarve e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
CARVALHO, A. e AMARO, P. (1996) : Guia da Rede de Percursos da Serra da Lousã. Coimbra, Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza).
CARVALHO, P. (2009) : “Planeamento, turismo e património em territórios de baixa densidade”.  Biblos, Vol. VII (2ª série), pp. 485-506.
GONÇALVES, J. (2002) : Passo-a-passo. Percursos Pedestres de Portugal. Lisboa, Federação Portuguesa de Campismo, Instituto Nacional do Desporto.
HALL, C. e PAGE, S. (1999):  The Geography of Tourism and Recreation – environment, place and space. London and New York, Routdlege.
FARINHA, J. (coord.) (2000): Percursos. Paisagens & Habitats de Portugal. Lisboa, Assírio e Alvim e Instituto de Conservação da Natureza.
KOUCHNER, F . e LYARD, J. (2001) : “A valorização do turismo de passeio pedestre nos territórios rurais – Guia pedagógico para a elaboração e execução de um projeto de passeio pedestre”, Inovação em Meio Rural, Caderno nº. 12. http://ec.europa.eu/agriculture/rur/leader2/rural-pt/biblio/walking/walking.pdf [Acedido em 12 de fevereiro de 2006].
LOPES, A. (2003) : Percursos pedestres no Parque Natural do Vale do Guadiana. Contribuição para a sua implementação no âmbito do Turismo de Natureza. Dissertação de Mestrado em Gestão de Recursos Biológicos, Universidade de Évora, Évora.
PEARCE, D. e BUTLER, R. (2005) : Contemporary issues in Tourism Development. London and New York, Routledge.
RODRIGUES, A. (2006) : “Os Trilhos Pedestres como uma atividade de lazer, recreio e turismo – uma análise exploratória ao mercado dos trilhos pedestres em Portugal”, Revista Turismo & Desenvolvimento, nº 6, pp. 83-94.
ROMÃO, F. e BARREIROS, P. (1999) : Guia de Percursos da Serra do Açor e Vale do Ceira. Coimbra, Quercus.
TOVAR, Z. (2010) : Pedestrianismo, Percursos Pedestres e Turismo de Passeio Pedestre em Portugal. Dissertação de Mestrado em Turismo (Gestão Estratégica de Destinos Turísticos), Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, Estoril.
WILLIAM, S. (2009) : Tourism Geography. A New Synthesis. Londan and Ney York, Routledge.


1 Em relação à forma, os percursos pedestres são classificados na maioria das publicações especializadas em percursos lineares/abertos (quando começam e terminam em locais diferentes) ou circulares/fechados (quando começam e terminam no mesmo local).
         No que concerne à extensão, é possível destrinçar os percursos pedestres de grande rota (GR), em geral superiores a 30 quilómetros, que atravessam regiões ou mesmo países, e que não se conseguem percorrer em um dia, e os percursos pedestres de pequena rota (PR) que não excedem os 30 quilómetros e podem ser percorridos em uma única jornada. Recentemente foram também considerados os percursos pedestres locais (PL) cuja totalidade ou mais de metade do trajeto decorre em contexto urbano. Branco e vermelho, amarelo e vermelho, e verde e branco são as cores utilizadas para sinalizar estes diferentes percursos, respetivamente.

2        A título de exemplo, referem-se autores como CARVALHO e AMARO (1996), ROMÃO e BARREIROS (1999), e FARINHA (2000).

3        http://pedestrianismo.blogspot.com/ (10-12-2009).

4        Como reconhece TOVAR (2010: 53), “Apesar das competências e dos esforços da FCMP, no sentido de promover o pedestrianismo em Portugal e apelar à homologação e registo de percursos, os recursos reais existentes para a prática desta atividade são bem mais extensos que os dados apresentados. De facto, existe uma grande quantidade de percursos pedestres que não se encontram homologados e consequentemente não integram o Registo Nacional de Percursos Pedestres”.
O primeiro percurso pedestre foi homologado em 1997. Trata-se do PR1 “Rota da Serra”, um percurso pedestre circular, com 17 quilómetros, no concelho de Grândola, promovido pelo CIMO – Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação, com sede em Almada (GONÇALVES, 2002).

5        Nas regiões da Madeira e dos Açores, existe legislação regional relativa aos percursos pedestres, o que pode explicar a quase inexistência de percursos pedestres homologados de acordo com as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e reflete que os percursos pedestres são reconhecidos, nestas regiões, como um recurso importante para certos nichos turísticos que visitam as ilhas.

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