PLANEAMENTO TURÍSTICO EM MIRANDA DO CORVO CONTRIBUTO DE UMA ANÁLISE GEOGRÁFICA

Luísa Daniela Moreira Adelino

2. Turismo, planeamento e desenvolvimento sustentável

 

Num contexto em que o tema da globalização, quer económica quer cultural, está cada vez mais em voga, a questão do desenvolvimento está também cada vez mais presente.
Muitas vezes usado de forma errada quando na tentativa de comparar regiões com diferentes recursos, principalmente ao nível económico, o conceito de desenvolvimento é “um conceito confuso e pleno de conotações” (ESTEVA, 2000, cit. em FERNANDES, 2003). O desenvolvimento traduz uma evolução, um progresso, em que se visa atingir um nível superior de evolução, tendo em conta algumas referências. Como refere FERNANDES (2003), “desenvolver significa percorrer um caminho já antes percorrido por outro”. Trata-se, no fundo, de um desenvolvimento chamado sustentável, ou seja, que tem como objectivo não só a evolução dos territórios mas também a consciência de que é necessário obedecer a certas regras de modo a não comprometer as gerações vindouras.
Nesta óptica, não falamos apenas de um desenvolvimento com uma perspectiva económica mas sim de um desenvolvimento que visa a revitalização de territórios, não permitindo o seu abandono e a sua consequente degradação.
Apresentado como um possível caminho para o desenvolvimento territorial, o turismo é um sistema complexo cujo funcionamento equilibrado depende do funcionamento de um variado conjunto de outros sistemas (que constituem os seus subsistemas), alguns dos quais com objectivos nem sempre coincidentes com os do turismo, mas que têm de ser compatibilizados entre si (CUNHA, 2003).
De acordo com BARROS (2003), o turismo constitui uma actividade complexa que só veio adquirir as características básicas que o definem no decurso do século XVIII. Importa, no entanto, sublinhar que apesar de ter sido objecto de descoberta pelo Homem (turista), só adquiriu uma dimensão universal quando passou a ter uma importância significativa de âmbito económico.
O turismo constitui-se, assim, como o resultado da forma como é ocupado o tempo livre mas distingue-se do recreio na medida em que implica necessariamente uma deslocação. No entanto é importante ter em linha de conta que não é possível garantir o funcionamento do turismo sem o conhecimento de questões tão variadas como o alojamento, os transportes, os recursos e produtos endógenos, a distribuição turística ou mesmo as relações de interdependência que este estabelece com outras actividades (CUNHA, 2003).
Citando a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (2006), o sector do turismo é um dos mais importantes da economia portuguesa, representando entre 7% e 8% do PIB e absorvendo perto de 10% do emprego. O aumento do número de turistas e a importância estratégica que este sector tem vindo a adquirir nas últimas décadas, traduzida nas receitas que proporciona, na mão-de-obra que ocupa e nos efeitos multiplicadores que induz em várias áreas, tem levado os agentes económicos, perante a concorrência internacional, a adoptar um conjunto de medidas dinamizadoras, especialmente no âmbito da oferta.
Com o passar do tempo “é cada vez maior o número de países que colhem benefícios económicos e sociais do turismo, e que usam as receitas para o desenvolvimento de infra-estruturas regionais.” (COSTA et al. cit. em BARROS, 2003). No caso de Portugal, as receitas de turismo têm registado acréscimos nos últimos anos, tendo chegado a 2005 com 6,4 mil milhões de euros, um incremento de 1,1% em relação ao ano anterior. No período 2001-2005 apenas em 2002 e 2003 se registaram ligeiros declínios, relacionados com a situação global que se viveu no turismo nesses anos. Nesse período, a taxa média de crescimento anual foi de apenas 1,1%, mas no quinquénio 2000-2004 tinha sido de 5,0%. (http://www.icep.pt/portugal/turismo.asp).
Desta forma a indústria turística mundial, no seu conjunto, tem muito a ganhar em desenvolver-se num meio que favoreça a economia de mercado, a empresa privada e a liberdade do comércio, permitindo-lhe optimizar os seu efeitos benéficos em termos de criação de actividade e empregos (OMT, 1999).
 O turismo assume-se assim como um sector de grande importância para o desenvolvimento de muitos territórios, nomeadamente as áreas rurais localizadas em ambientes de montanha. O turismo poderá contribuir para uma revitalização destas áreas, sobretudo pelo papel que pode assumir na preservação do potencial cultural e ambiental, bem como na promoção do desenvolvimento sócio-económico destas regiões (VALENTE e FIGUEIREDO, 2003, cit. em VIEIRA e FIGUEIREDO, 2010).
Salientamos, desta forma, a importância de que se reveste o planeamento estratégico do turismo, para ir ao encontro aos objectivos de desenvolvimento de territórios fragilizados e com grandes dificuldades em se afirmarem.

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