PLANEAMENTO TURÍSTICO EM MIRANDA DO CORVO CONTRIBUTO DE UMA ANÁLISE GEOGRÁFICA

Luísa Daniela Moreira Adelino

2.2. O turismo como caminho para o desenvolvimento dos territórios e das populações

2.2.1. Tendências evolutivas do turismo e dos turistas

O conceito de turista está directamente associado ao de turismo (BARROS, 2003) e, embora se desconheça o momento exacto do aparecimento da palavra, é geralmente aceite que tem origem nas viagens que os ingleses realizavam no continente europeu, a fim de completarem a sua educação, sobretudo a partir dos finais do século XVII (BOYER, 2000 cit. em CUNHA, 2003).
Neste contexto, o turismo de massas, de sol e mar, que dominava até à década de 60 do século XX, traduziu-se, de forma gradual, numa saturação a vários níveis, o que fez emergir, a partir dos primeiros anos da década de 80 do mesmo século, uma procura de novas formas de turismo sociocultural e ambiental como o meio de destino (LIMA e PARTIDÁRIO, 2002 cit. em BORGES e LIMA, 2008). Assim os espaços rurais têm vindo a ser progressivamente incorporados na “categoria de espaços de turismo” (RIBEIRO, 2003, cit. em JESUS et al., 2008).
Temos vindo a assistir a grandes mudanças de atitude e comportamento das pessoas, constatamos que os gostos evoluíram e a apetência por diferentes produtos e práticas turísticas também mudaram profundamente (ROMÃO, 2006).
De acordo com MONTEIRO e CARVALHO (2006), o turista hoje é, cada vez mais, um consumidor verde, com crescente consciência ambiental e sensível às culturas locais, que procura experiências desafiantes e autênticas, mais flexíveis e saudáveis, as quais contrastam com a crescente urbanização dos locais onde vive. Gosta de praticar actividades ao ar livre, compra produtos locais genuínos e diferenciados, consome os produtos turísticos de forma ética e afectiva, procura um bom nível de serviços e está apto a fazer comparações.
Para esta mudança de preferência nos destinos turísticos contribuíram factores relacionados com os níveis crescentes de instrução da população, o crescente interesse pelo património e pelas culturas locais, a melhoria das vias de comunicação (LEAL, 2001, cit. em JESUS et al., 2008). E também a maior “sensibilidade ligada às questões de saúde e à estética corporal”, baseada numa alimentação supostamente natural, no gozo de ambientes físicos não poluídos e no exercício físico – caminhadas e actividades desportivas diversas (RIBEIRO, 2003, cit. emJESUS et al., 2008).
Criaram-se então, nestes territórios rurais fragilizados, fluxos no sentido inverso aos anteriores, assistindo-se assim, à chegada de novos actores, normalmente de origem urbana, que afluem a estes territórios motivados por lógicas de consumo de tempo e de lazer e aproximação à natureza, que o rural possibilita, contrastando com a vida nas cidades (VIEIRA, 2010).
Como consequência destes factores verificamos que ocorreu uma refuncionalização de muitos espaços rurais, adquirindo estes “um novo estatuto institucional: à sua tradicional função produtora de alimentos foi acrescentado um novo papel enquanto espaço de reserva natural, essencial no equilíbrio ecológico global, e como atracção num contexto de turismo e de lazer” (VIEIRA, 2010). Como a posição hegemónica da agricultura recuou nos espaços rurais contemporâneos, cada vez mais a atenção se encontra voltada para sectores complementares da actividade agrícola.

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