PLANEAMENTO TURÍSTICO EM MIRANDA DO CORVO CONTRIBUTO DE UMA ANÁLISE GEOGRÁFICA

Luísa Daniela Moreira Adelino

3.1.3 Análise SWOT

Em 2006 a Sociedade Portuguesa de Inovação elaborou o Plano Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo para o concelho de Miranda do Corvo (PD-ICE), no qual foi apresentada uma análise SWOT do concelho. Essa análise parece-nos bastante completa e muito aproximada da realidade. Elaborámos um resumo da mesma e fizemos pequenas adaptações, que iremos apresentar de seguida, juntamente com um quadro resumido no final deste ponto (Quadro 5):

Pontos fortes:
Enquadramento Regional: O Concelho tem uma localização privilegiada na Região Centro, uma vez que se encontra próximo da rede viária de distribuição nacional – EN17 e ligações à A1 (Norte/Sul) e aos IC6 e IC7 (Litoral/Interior). A curta distância a Coimbra, um dos centros urbanos de maior relevância regional, constitui igualmente uma mais valia, que se tem revelado nos movimentos populacionais entre estes dois concelhos.
Crescimento Populacional: O Concelho de Miranda do Corvo tem registado um crescimento significativo da população ao longo das últimas décadas. Apesar do aumento da população com idade superior a 65 anos, continua a haver um predomínio da população em idade activa.
Valores Patrimoniais: A Aldeia de Xisto do Gondramaz e o património paisagístico associado à Serra da Lousã, são vantagens competitivas de grande valor. Existem também imóveis de elevado valor patrimonial, dos quais se destacam o Mosteiro de Santa Maria de Semide e o Santuário do Senhor da Serra.
Artesanato: As actividades artesanais têm uma forte presença em Miranda do Corvo, destacando-se a olaria, as rendas em fio de algodão fino, a cestaria aproveitando matérias-primas de origem vegetal (castanho, acácia, vime), a latoaria, a tanoaria e a escultura.
Potencial Turístico: A diversidade paisagística da Serra da Lousã, as Aldeias do Gondramaz e do Cadaval, a Quinta da Paiva e o Rio Dueça são elementos que conferem ao Concelho um elevado potencial turístico associado à natureza.
Património Florestal: No Concelho existe um vasto património florestal que pode ser gerador de riqueza, quer pelo desenvolvimento de actividades transformadoras, quer pela actividade turística.
Acessibilidade Ferroviária: A ligação ferroviária a Coimbra pelo Ramal da Lousã foi, ao longo das últimas décadas, geradora de um crescimento acelerado da população em Miranda do Corvo.
Equipamentos e Serviços de Apoio às Energias Renováveis: Na Zona Industrial da Pereira estão sediadas duas importantes instituições no âmbito das energias renováveis – a Agência Regional de Energia e Ambiente do Centro (AREAC) e o Centro da Biomassa para a Energia (CBE). O CBE, associado à extensão florestal concelhia, pode ser indutor de uma cultura energética inovadora, a qual poderá ser aproveitada a nível concelhio e supra-concelhio. No Concelho, mais especificamente na freguesia de Vila Nova, existem dois Parques Eólicos, onde está sediado um posto de observação astronómico com ligação às Universidades de Coimbra e Aveiro.
Instituições de Solidariedade Social: A tradição ao nível da solidariedade social é muito forte e antiga em Miranda do Corvo, tendo sido o Concelho onde foi inaugurada a primeira Casa do Gaiato. As instituições aqui sediadas prestam serviços à população em diversas valências (saúde, educação e formação profissional, cultura, lazer, desporto).

Pontos Fracos:
Acessibilidades rodoviárias: A sinuosidade das ligações a Coimbra pelas estradas nacionais e municipais, que atravessam várias povoações, ou pela EN17, é um problema para a população que diariamente tem de fazer o percurso Miranda-Coimbra.
Movimentos Pendulares: O Concelho é gerador de um elevado volume de deslocações pendulares para Coimbra, sendo a falta de emprego qualificado em Miranda do Corvo e o elevado custo da habitação em Coimbra duas das principais razões explicativas deste fenómeno.
Interacção Social: A migração de população para este Concelho gerou, no seio da vila de Miranda do Corvo, alguns problemas de segregação socio-territorial que importa solucionar.
Urbanismo e Planeamento: O acelerado crescimento demográfico provocou o crescimento urbano de Miranda do Corvo, o qual, condicionado por determinadas incongruências dos instrumentos de ordenamento vigentes, gerou um território algo fragmentado. Assiste-se a um zonamento vincado entre as zonas multi e unifamiliares, entre as zonas antigas e as zonas urbanas emergentes.
Ordenamento Florestal: A floresta local é um recurso natural de grande valor. Importa desenvolver a gestão e a utilização dos espaços florestais e a monitorização do estado da floresta (ordenamento do território, repartição das propriedades, riscos naturais, incêndios, etc.).
Investigação Tecnológica Energética: Apesar de aqui estarem sediadas entidades ligadas à investigação e utilização de energias alternativas (CBE e AREAC), o Concelho não se afirmou ainda plenamente enquanto Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI) de referência nestas matérias. Falta criar as bases para uma transferência bidireccional de conhecimento entre estas instituições e o tecido empresarial local.
Articulação da Oferta Turística: Apesar do potencial e de algumas iniciativas turísticas pontuais, ainda não existe um plano integrado que congregue todas as actividades desenvolvidas, que organize as diferentes ofertas e as planeie temporal e territorialmente, e que assuma uma área de especialização turística para o Concelho de Miranda do Corvo.
Dinamismo Económico: O dinamismo económico é pouco expressivo, sendo a actividade económica local sujeita a oscilações, muitas vezes com tendência a diminuir em determinados sectores específicos.
Espaços de Localização Empresarial: Forte dispersão sectorial e ausência de oferta de “zonas industriais” de qualidade que permitam a captação e retenção de investimento.

Oportunidades:
Quadro institucional/contexto regional: A diversidade institucional existente potencia possibilidades de cooperação e criação de redes em diversos domínios: Cultura e Turismo (rede de Aldeias de Xisto), Saúde e Acção Social (Coimbra) e Desenvolvimento Económico (AMPIN – Associação Metropolitana do Pinhal Interior Norte), Dueceira, GAMC (Grande Área Metropolitana de Coimbra). A proximidade à Lousã pode potenciar sinergias a nível do Turismo de Montanha. Por outro lado, existe uma proximidade a centros de decisão e produção de conhecimento (Coimbra) e a exemplos de boas práticas municipais, como sejam a dinâmica cultural centrada no Castelo de Montemor-o-Velho ou o parque de biotecnologia em Cantanhede.
Aposta nacional no sector do turismo: Portugal possui uma vocação clara para aposta no Turismo enquanto sector chave de actividade económica, tendo sido criados recentemente o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), como principal documento de orientação do sector, o Conselho para a Dinamização do Turismo, a Comissão Nacional de Gastronomia e a Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal.
Aposta nacional e internacional em estratégias dirigidas para o viver saudável: A prevenção e a educação dos hábitos da população para garantir a qualidade de vida e minimizar os riscos de saúde criados pelas novas rotinas (stress, depressões e outras doenças) são apostas mundiais (Organização Mundial de Saúde).
Política de Coesão e Inclusão Social: A coesão e inclusão social são preocupações globais e alicerces das políticas públicas a nível europeu. Miranda do Corvo, com uma forte capacidade de prestação de serviços nesta área, pode assumir-se como exemplo inovador, potenciando os recursos existentes.
Cluster da Saúde em Coimbra: A presença de um forte cluster da saúde em Coimbra pode servir de âncora ao desenvolvimento de Miranda do Corvo, actuando como prestador de serviços em valências complementares às existentes na capital do distrito.
Metro de superfície: A possibilidade de modernização do ramal ferroviário continua a ser um factor de atracção de novos residentes e uma esperança de melhoria das acessibilidades1.

Ameaças:
Baixo nível de cooperação institucional: A baixa articulação institucional, nomeadamente, entre a Administração local e supra local, o tecido empresarial e os agentes ligados ao Ensino e Investigação, dificulta a existência de uma estratégia concertada e focalizada nos vectores chave de afirmação de Miranda do Corvo. Esforços recentes têm vindo a ser desenvolvidos no sentido de estabelecer esta cooperação e interacção.
Desarticulação de actividades desenvolvidas na Serra da Lousã: Pelo facto da Serra da Lousã ser um espaço partilhado por diversos concelhos, sem haver uma política de desenvolvimento concertada, implica a prática simultânea de actividades incongruentes, bem como a ausência de uma coordenação de calendários na concretização de iniciativas. A inexistência de um plano integrado pode também condicionar a própria sustentabilidade da Serra da Lousã.
Dificuldade na fixação e atracção de recursos humanos qualificados: A proximidade a Coimbra, apesar de apresentar diversas vantagens, pode constituir-se como obstáculo à fixação de recursos humanos qualificados.
Concorrência de outros Municípios com maior potencial de captação de investimento: É inevitável a concorrência de outros Concelhos na atracção de investimentos, alguns deles com vantagens comparativas em termos de acessibilidades, infra-estruturas de apoio e qualificação de recursos humanos.
Situação de crise económica: O agravamento da crise económica nos últimos anos tem inibido o investimento por parte das empresas em criar novos pólos de produção e de criação de postos de trabalho.


1 Este processo começou em Dezembro de 2009, encontrando-se actualmente em execução

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