TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho

Caminhos do Xisto: um Novo Destino de Turismo de Passeio Pedestre em Portugal

Resumo

Reconhecendo que o pedestrianismo é uma actividade com fortes perspectivas de crescimento, assim como o turismo de passeio pedestre enquadrado no âmbito do turismo de natureza, e que os programas de turismo de passeio pedestre, oferecidos no mercado de viagens, privilegiam os territórios de montanha e os espaços de grande interesse natural, estas áreas apresentam um elevado potencial para se desenvolverem como destinos turísticos de passeio pedestre, atenuando ou contrariando as actuais tendências de abandono, degradação e despovoamento.
O destino turístico Aldeias do Xisto, constituído por 24 lugares, na Cordilheira Central (Região Centro de Portugal), é um espaço reorientado recentemente para novas funções ligadas sobretudo ao lazer e ao turismo, onde os percursos pedestres (caminhos do xisto) são assumidos como factor de inovação do produto turístico e um exemplo para outras áreas com potencialidades e condicionantes semelhantes.

1. Turismo de passeio pedestre

1.1 Enquadramento conceptual

Caminhar pelo puro prazer de caminhar, para explorar, por razões de saúde e bem-estar físico e espiritual, pelo convívio, para conhecer os próprios limites, para contemplar paisagens, para observar a natureza, ou como forma de escapar à vida de todos os dias, utilizando caminhos ou trilhos existentes, é a actividade a que se dá o nome de pedestrianismo, cada vez mais popular na nossa sociedade.
Expressões, em português, como caminhar, andar a pé, praticar pedestrianismo, ou walking, hiking (EUA) ou rambling (Reino Unido), em inglês, encontram-se na literatura e referem-se todas à mesma actividade de andar a pé, em trilhos sinalizados ou promovidos para esse fim. A palavra trekking, também associada à mesma actividade, utiliza-se para designar as deslocações a pé, de alguns dias, em grande parte através de carreiros ou trilhos, em áreas montanhosas sem ligação a outras vias de comunicação (Bietolini, 2007).
As motivações dos praticantes de pedestrianismo encontram-se frequentemente associadas à natureza, a um ambiente considerado intacto, preservado e à contemplação de belas paisagens. A procura do bem-estar físico também se encontra entre as motivações dos caminhantes, principalmente nas mulheres e grupos mais idosos (Kouchner e Lyard, 2001). Em Portugal, são as áreas de montanha e as áreas de grande interesse natural1 as que se destacam ao analisar a oferta de actividades de pedestrianismo oferecidas por clubes, associações, câmaras municipais e outras entidades sem fins comerciais. Também a distribuição geográfica de percursos pedestres homologados faz sobressair estas áreas (Tovar, 2010).
Os percursos pedestres, ou trilhos, constituem a principal infra-estrutura ou equipamento para a prática de pedestrianismo. São caminhos, marcados ou não, que são promovidos e divulgados com esse propósito. São mais ou menos informais, tal como pode ser a própria actividade de pedestrianismo. A sua concepção não obedece a regras rígidas e uniformes quanto, por exemplo, à localização, aos utilizadores, à forma, à extensão, à sinalização e à manutenção.
Os percursos pedestres podem assumir importância como forma de complementar a experiência do turista num determinado destino, ao constituírem mais uma oferta de actividade em que o turista pode participar, mas também podem assumir o papel principal no produto turístico e constituírem a razão da deslocação ao destino.
Os produtos turísticos baseados no passeio pedestre, disponíveis para compra on-line, não são escassos. As agências de viagens e operadores generalistas, que vendem programas diversos, raramente apresentam ofertas de produtos de passeio pedestre, pelo menos no nosso país. No entanto, existem operadores especializados neste tipo de produto que organizam programas de vários dias de caminhadas em diferentes destinos do globo.
Os produtos de turismo de passeio pedestre podem assumir diferentes configurações:
– Férias com tudo incluído: o operador organiza os transportes, alojamento, refeições e serviço de guia para as caminhadas diárias;
– Férias auto-guiadas: o operador faz a reserva de alojamento e fornece ao cliente mapas, guias, roteiros e toda a informação e conselhos necessários para que este possa percorrer, de forma autónoma, um conjunto de percursos no destino; pode haver mudança de alojamento e, neste caso, normalmente existe serviço de transporte de bagagens;
– Férias itinerantes: consistem em percorrer um itinerário, ao longo de vários dias, mudando de alojamento todas as noites. Podem ser guiadas ou auto-guiadas. Incluem, geralmente, o transporte de bagagens entre os alojamentos;
– Férias centradas num local de alojamento, com saídas diárias para percursos diferentes, ou para pontos diferentes de um grande itinerário. Incluem o transporte diário do alojamento para o local de início do percurso e regresso. Normalmente são passeios guiados, mas também podem ser auto-guiados;
– Serviços individuais: alguns operadores vendem serviços avulsos, a pedido do cliente, como por exemplo reserva de alojamento, guias locais no destino ou transporte de bagagens entre pontos de um itinerário definido pelo cliente.
A generalidade da oferta de produtos turísticos que têm por base o passeio pedestre, levam os seus participantes a conhecer áreas de paisagens de elevada qualidade, costumes e tradições das regiões visitadas, oferecendo serviços altamente especializados e um certo grau de exclusividade. O nível e tipo de serviços varia de programa para programa. Por exemplo, no que diz respeito ao alojamento, todas as fórmulas e tipologias são permitidas: o hotel, o turismo rural, o acampamento, ou os abrigos de montanha, podendo mesmo acontecer um pacote incluir uma noite num hotel, outra noite num abrigo de montanha e outra noite num turismo rural. No desenho do produto de passeio pedestre, o elo central são os percursos. O alojamento e refeições, salvaguardando a qualidade e autenticidade, são os que satisfazem melhor as condições de usufruto dos percursos e variam muito consoante o destino.
Pela sua relação com o território e com o meio natural a maioria destes programas enquadra-se no âmbito do turismo de natureza, onde, por definição, a motivação principal é a de “viver experiências de grande valor simbólico, interagir e usufruir da natureza” (THR, 2006).


1 Consideraram-se áreas de grande interesse natural as áreas pertencentes à Rede Nacional de Áreas Protegidas e Rede Natura 2000.

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