TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho (CV)
paulo.carvalho@fl.uc.pt

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ISBN-13: 978-84-15547-50-1
Nº Registro: 201227661

Sinopsis

A presente obra pretende divulgar e disponibilizar um conjunto de trabalhos com génese em processos de investigação relacionados com cursos de Mestrado (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril - Portugal), nas áreas temáticas de Geografia (Ordenamento do Território e Desenvolvimento) e Turismo (Gestão Estratégica de Destinos Turísticos).
A orientação e a participação nas tarefas de investigação, permitiu estabelecer parcerias como a apresentação de comunicações em eventos científicos e a publicação de textos. O intuito de alargar a difusão das nossas ideias e chegar a públicos mais diversificados (estudantes, docentes, investigadores, técnicos, gestores, políticos, entre outros) encontrou nesta plataforma um meio de enorme relevância para concretizar estes objectivos estratégicos.
O critério de selecção e o fio condutor dos textos reunidos neste volume revelam a primazia do turismo e a ligação ao desenvolvimento (dinâmicas e perspectivas) em contextos de baixa densidade, em particular ambientes rurais e de montanha, através de quatro estudos de caso na Região Centro de Portugal.
A estrutura do livro deixa antever um alinhamento de matérias que começam com exemplos de iniciativas vinculadas ao turismo e património em contexto rural de montanha, avançam para o turismo de passeio pedestre e as suas configurações espaciais mais recentes, e contemplam as estratégias para promover o termalismo e o turismo de saúde e bem-estar.
A organização dos textos reflecte a preocupação de contextualizar e sedimentar as temáticas em análise/discussão, através de uma articulação de escalas (global, internacional e nacional), com as principais referências internacionais em matéria de trabalhos publicados, e ainda aprofundar ou explicitar as linhas orientadoras por via de componentes empíricas centradas em escalas de análise regional e local.
Em relação aos conteúdos abordados, é importante realizar um ponto de situação no sentido de explicar, de forma breve mas concisa, o estado da arte. Apesar de as práticas turísticas remontarem a tempos recuados, apenas nas últimas décadas se verifica uma verdadeira organização e sistematização do turismo, de tal forma que o turismo moderno, na perspectiva das facetas que hoje se reconhecem, tem pouco mais de cinco décadas. Em particular é a segunda metade do século passado que marca o enraizamento e uma fase de grande crescimento e diversificação da actividade turística no plano internacional.
Desde o início dos anos 50 (do século XX) até aos nossos dias, o número de turistas internacionais cresceu de forma espectacular: 25 milhões (1950), 170 milhões (1970), 500 milhões (1990), 698 milhões (2000) e 940 milhões (2010). As previsões mais recentes da Organização Mundial do Turismo, divulgadas em Outubro de 2011, apontam para cerca de 1800 milhões em 2025. Contudo, o ritmo de crescimento será mais moderado que em décadas anteriores: 3.3%/ano o que equivalente a um valor absoluto de 43 novos milhões de turistas internacionais.
No período em análise, o turismo assumiu, de modo crescente, a importância de uma das principais e mais promissoras actividades económicas a nível mundial. Em Portugal, como reconhece o “Plano Estratégico Nacional do Turismo” (publicado no Diário da República, 1ª série, nº 67, de 4 de Abril de 2007), o turismo é um dos principais sectores da economia nacional, «tendo o seu peso na economia vindo a crescer nos últimos anos (11% do PIB em 2004)», empregando cerca de 11% da população activa.
Esta trajectória ascendente, justificada pela conjugação de diversos factores de progresso e bem-estar material e imaterial, é acompanhada de importantes alterações na configuração e estruturação da actividade turística, e de mudanças de comportamento dos turistas. De igual modo, o interesse crescente dos lugares no sentido de captar fluxos turísticos conduziu a importantes preocupações designadamente no que ao planeamento do turismo diz respeito.
Com efeito, a segmentação e a especialização dos mercados turísticos, as mudanças qualitativas que se desenham em termos de comportamento dos turistas, as orientações e os quadros normativos internacionais no âmbito do desenvolvimento e do património, entre outros factores, explicam a pertinência das preocupações em matéria de planeamento e sustentabilidade do turismo, tendo em vista reduzir as suas externalidades negativas, preservar os recursos e distribuir de forma equitativa os seus benefícios.
O património, conceito multidimensional e de crescente amplitude e plasticidade temática (no amplo espectro das dimensões tangíveis e intangíveis), destaca-se como recurso diferenciador dos territórios e pode ser utilizado para obter vantagem no quadro da competição entre os lugares, por via de estratégias inovadoras que tendem a envolver agentes/operadores públicos e privados (cada vez mais em regime de parceria e segundo uma lógica de rede), no desenho de novos produtos de turismo (como, por exemplo, nas vertentes ecológica e cultural) destinados a captar segmentos específicos da procura turística.
         Ao mesmo tempo, a evolução recente do comportamento dos turistas indica também o crescimento das preocupações patrimonialistas e a valorização de experiências únicas e do contexto dialéctico da paisagem, segundo uma perspectiva de maior participação, envolvimento e exigência no que concerne aos lugares e aos patrimónios.
No que diz respeito aos espaços geográficos, importa enfatizar, na perspectiva desta obra, o mundo rural e as montanhas.
As políticas e as iniciativas da União Europeia para os espaços rurais conheceram nos últimos anos uma viragem muito acentuada. Depois de uma fase dominada por preocupações essencialmente produtivistas e economicistas, com medidas destinadas sobretudo aos agricultores e às suas organizações, assumem destaque as perspectivas territorialistas e ambientalistas, centradas na sociedade rural, que enfatizam a dimensão multifuncional da agricultura e do mundo rural, valorizam a especificidade e o potencial dos seus recursos (designadamente culturais e ecológicos) e assumem como prioritários os conceitos de sustentabilidade, subsidiariedade e parceria. 
Nesta atmosfera de mudança, o turismo e em particular os novos produtos destinados a captar segmentos específicos da procura turística e vinculados a uma maior exigência em matéria de planeamento e sustentabilidade da actividade turística, emergem como oportunidade para revitalizar os territórios de matriz rural, melhorar a qualidade de vida das populações, e valorizar os seus recursos mais relevantes (como o património).
Os ambientes de montanha, com as suas especificidades, constituem um excelente laboratório de análise destas tendências evolutivas. Neste início de milénio, as preocupações mais relevantes em matéria de desenvolvimento sustentável das montanhas decorrem do reconhecimento internacional das diferentes funções de interesse colectivo relacionadas com a utilização dos seus diversos recursos. Importa encontrar instrumentos adaptados às especificidades das montanhas e uma maior articulação entre as diferentes políticas que interferem no seu desenvolvimento, ou seja, é fundamental um ordenamento e gestão participados dos territórios e uma visão prospectiva que tenha como principal preocupação a sustentabilidade económica, social e ecológica.
A transição dos valores produtivos (ou de uso) para os valores de fruição da paisagem, ou pelo menos a valorização das práticas recreativas, é indissociável dos seus recursos ecológicos e culturais, como é o caso dos passeios pedestres.
Reconhecendo que o pedestrianismo é uma actividade com fortes perspectivas de crescimento, assim como o turismo de passeio pedestre, e que os programas de turismo de passeio pedestre, oferecidos no mercado de viagens, privilegiam os territórios de montanha e os espaços de grande interesse natural, estas áreas apresentam um elevado potencial para se desenvolverem como destinos turísticos de passeio pedestre, contrariando as actuais tendências de abandono, degradação e despovoamento.
São áreas que apresentam valores patrimoniais e paisagísticos relevantes, que permitem reorientar a sua vocação e reconverter os espaços, dando-lhes novos usos/funções associados à emergência de um novo sistema social de valores, ligado à sociedade urbana e à fruição de tempos livres, que reconhece como excepcionais as qualidades culturais e naturais que melhor identificam as montanhas.
Neste contexto de valorização de recursos endógenos vinculados ao património, e de novas escolhas geográficas do lazer e do turismo, importante referir também as termas.
Apesar da ancestral ligação entre estes espaços e as características medicinais das águas e actividades terapêuticas, as tendências evolutivas do mercado da procura estão na génese de uma reformulação da oferta e de alguns verdadeiros centros de destino turístico. Deste modo, o turismo de saúde e bem-estar está vinculado às estâncias termais, com investimentos significativos no sentido de conciliar as vertentes terapêutica (clássica) e a de saúde e bem-estar (associada ao lazer e turismo).
Em relação aos textos que integram este livro, o primeiro trabalho, intitulado “Turismo e Desenvolvimento Rural. O caso do Piódão (Aldeias Históricas de Portugal)”, analisa o contexto teórico do desenvolvimento rural na Europa e em Portugal, explica a evolução do turismo e dos turistas, explicita o rural como destino e produto turístico, abrindo caminho para evidenciar programas e iniciativas com apoio público, como é o caso das “Aldeias Históricas de Portugal”. A Aldeia do Piódão, na Serra do Açor/Cordilheira Central Portuguesa, é o estudo de caso para analisar a implementação e os resultados deste tipo de intervenções. Após uma contextualização geral deste micro-território de montanha (através de indicadores demográficos, económicos e sociais), explicamos a construção do “Piódão turístico”, analisamos a participação e a percepção local no âmbito dos processos de mudança relacionados com a implementação de políticas públicas, e aprofundamos a análise em torno dos visitantes (através de um inquérito por questionário que envolveu 550 inquiridos) no sentido de conhecer as suas características, a experiência e a dimensão da visita, e a percepção e avaliação da aldeia.
A dimensão empírica da investigação pretende explicitar o modo como a turistificação e a patrimonialização podem contribuir para a revitalização do tecido económico e social, a requalificação territorial, a melhoria da qualidade de vida da população residente, e o reforço da capacidade local de atracção de visitantes, e assim contribuir para estruturar e implementar novas medidas para o seu desenvolvimento.
O segundo trabalho apresentado nesta obra, intitulado “Turismo e Perspectivas de Desenvolvimento em Espaços de Montanha. O exemplo de Miranda do Corvo” (2011), aparece na mesma linha de reflexão. As dinâmicas recentes de desenvolvimento dos espaços de montanha (europeus) revelam a importância crescente das orientações e instrumentos normativos que pretendem promover a sua diversificação funcional, de forma recorrente no contexto das políticas e iniciativas relacionadas com mundo rural, quando as orientações territorialistas, ambientalistas e patrimonialistas, começaram a valorizar a especificidade e o potencial dos seus recursos mais estratégicos.
O município de Miranda do Corvo, integrado no Pinhal Interior e na Serra da Lousã (Cordilheira Central), é o estudo de caso considerado nesta investigação, no sentido de analisar as trajectórias recentes e explicitar os caminhos que se abrem para o seu desenvolvimento sustentável através de projectos e iniciativas (em escalas geográficas articuláveis) em que o turismo alternativo configura um eixo estruturante para a valorização dos seus recursos eco-culturais e a promoção de uma imagem renovada, atractiva e diferenciada, defendendo-se uma lógica de articulação de políticas, parcerias e redes territoriais.
O terceiro texto, com o título “Caminhos do Xisto: um Novo Destino de Turismo de Passeio Pedestre em Portugal” (2011), enfatiza o turismo de passeio pedestre e explora as suas novas configurações espaciais como é o caso dos “Caminhos do Xisto”. Este trabalho contextualiza, no plano internacional, as temáticas do pedestrianismo, percursos pedestres e turismo de passeio pedestre; explicita, para o caso de Portugal, a distribuição territorial dos percursos pedestres homologados (pela Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo); e apresenta uma análise exploratória da oferta de turismo de passeio pedestre (com base em empresas de animação turística e agências de viagens licenciadas). O destino turístico Aldeias do Xisto, constituído por 24 lugares, nas serras do Pinhal Interior (região Centro), é um espaço reorientado recentemente para novas funções ligadas sobretudo ao lazer e ao turismo, onde os percursos pedestres são assumidos como factor de inovação do produto turístico. Esta aposta clara num produto turístico, em que o passeio pedestre se assume como um dos principais factores de atracção ou de diversificação, é inovadora em Portugal e meritória de destaque, como exemplo para outras áreas com potencialidades e condicionantes semelhantes.
O último texto, sob o título “Turismo Termal em Portugal: as Perspectivas dos Gestores das Estâncias Termais da Região Centro” (2011), é uma abordagem ao produto turístico termas na Europa e em Portugal, com uma importante aplicação metodológica que permitiu envolver na investigação os responsáveis das unidades termais do Centro de Portugal.
No sentido de se compreender a complexidade da actual dinâmica termal e se definir linhas de orientação e acção para o seu desenvolvimento, foi aplicado um inquérito por questionário aos gestores e administradores das estâncias termais da Região Centro, sobre a situação e as perspectivas das actividades e espaços termais.
Os principais resultados apurados revelam que os responsáveis mostram algumas reservas quanto ao termalismo e estâncias termais, mas são favoráveis à sua reestruturação, atitude que consolida o modelo de desenvolvimento assente em complementaridade e articulação entre as vertentes terapêutica clássica e a de saúde e bem-estar, aliada à componente de turismo e lazer, e numa mais eficaz articulação das estâncias do próprio território onde se inserem com vista à construção de um produto compósito, atractivo e competitivo, que através da apologia na diversificação e diferenciação, se possam constituir como efectivos destinos turísticos.

Coimbra, 27 de Dezembro de 2011.

Professor Doutor Paulo Manuel de Carvalho Tomás
Departamento de Geografia e CEGOT
Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra (Portugal)

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