TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho

Turismo Termal em Portugal: as Perspectivas dos Gestores das Estâncias Termais da Região Centro

 

Resumo

O turismo de saúde e bem-estar, considerado na actualidade como um produto estratégico, está umbilicalmente ligado às estâncias termais, embora estas constituam um produto que se mantém na base da hierarquia dos destinos de férias e à margem dos circuitos turísticos globais, e cuja reinvenção se assume como um desafio permanente.
Com o objectivo de explicitar a actual dinâmica termal e definir linhas de orientação e acção para o seu desenvolvimento, foi aplicado um inquérito por questionário aos gestores e administradores das estâncias termais da região Centro de Portugal, sobre a situação e as perspectivas das actividades e espaços termais. Os principais resultados apurados revelam a necessidade de articular as estâncias no sentido de construir um produto compósito, atractivo e competitivo, que através da apologia na diversificação e diferenciação se possam constituir como efectivos destinos turísticos.

 

1. O papel das estâncias termais na actual concepção de turismo

O turismo mais do que um fenómeno económico é igualmente um dos maiores fenómenos sociais dos tempos modernos (Sharpley et al., 2002), se se tiver em conta que há muito que se tornaram centrais na sociedade contemporânea componentes como lazer, descanso, férias e tranquilidade (Santos, 2005). Tal reflectiu-se no aumento do consumo de actividades ligadas ao lazer e ócio, na curiosidade em conhecer novos espaços e ambientes, suscitando o incremento da procura turística e o aparecimento de novos destinos e formas de passar o tempo (Escada, 1999).
Contudo, novas mudanças se têm vindo a operar no domínio do turismo que, nas últimas duas décadas, se tem assumido como uma indústria de experiências, onde os turistas procuram experiências únicas que lhes proporcionem qualidades materiais e imateriais e os estimulem emocionalmente. É neste sentido que se vem afirmando que o turista moderno é multi-motivado pois procura satisfazer múltiplas necessidades durante a sua viagem (Magdalini et al., 2009). Nesta linha, as alterações nos domínios da procura, da oferta e do contexto macroeconómico têm delineado uma nova orientação, uma nova leitura e experiências turísticas, o que exige novos requisitos de competitividade e de diferenciação espacial para a actividade turística onde novos (ou renovados e reinventados) produtos e destinos se desenvolvem de modo a satisfazer os interesses cada vez mais específicos da procura, que se baseiam nos conteúdos estratégicos de cada território, diversificando assim uma oferta demasiado restrita e condicionada pelos destinos tradicionais (Barros, 2004; Fonseca, 2005).
Um dos nichos de turismo que tem emergido como um fenómeno global, ao qual foi atribuído um crescimento potencial de 5 a 10% ao ano até 2015 e que traduz uma motivação primária e secundária de 3 e 7 milhões de viagens respectivamente, em território europeu, é o turismo de saúde e bem-estar (Mei, 2007). Um crescimento exponencial explicado pela actual alta propensão para viajar, principalmente por parte de pessoas mais maduras, pela mudança de estilos de vida e pelo facto do turista se informar muito bem sobre os destinos e buscar a componente de experiência em destinos e produtos alternativos (Didascalou et al., 2009).
Em Portugal este produto está umbilicalmente ligado às estâncias termais e actividades a elas relacionadas. Estas correspondem a um produto turístico antigo mas que ressurge, como forma de contornar uma marginalidade a que tinha sido votado, camuflado no segmento de saúde e bem-estar que, embora embrionário no cenário turístico global, tem procurado ocupar um espaço mais proeminente.
Segundo Eleni Didascalou et al. (2009), o turismo de saúde é uma das formas mais antigas de turismo, na sequência da importância conferida nas civilizações clássicas. Posição igualmente assumida por Carminda Cavaco (2005), quando se refere ao termalismo como o tipo de actividade turística mais remota, mais consolidada e como estando nas origens do turismo enquanto actividade criadora de lugares variados e dinâmicos que originaram a fundação de localidades, importantes e prestigiados centros turísticos e até grandes centros urbanos (Cunha, 2003), reforçando o importante papel que as termas desempenharam na localização, génese, desenvolvimento local e regional e promoção da imagem dos locais, conferindo-lhes um valor simbólico determinante (Mangorrinha, 2000).
Nesta linha, as termas constituem uma oferta competitiva numa nova filosofia de ocupação de tempos livres e férias, um espaço onde é harmoniosa a combinação entre saúde e bem-estar, lazer e turismo, constituindo uma fórmula bastante atractiva, capaz de satisfazer argumentos diversos como o descanso, a evasão, o recreio e bem-estar, cada vez mais procurados na motivação turística actual e, acima de tudo, porque criam e proporcionam um ambiente, uma atmosfera próprias, uma experiência única, bastante apreciadas pela sociedade contemporânea (Ezaidi et al., 2007; Didascalou et al., 2009). As termas, pelas suas características terapêuticas, ambientais e patrimoniais, são lugares idóneos para esses objectivos, pois o “microcosmo termal” composto por um conjunto de elementos fundamentais, desde o equipamento balnear ao equipamento de alojamento, cultural, recreativo, comercial e ambiental (Mangorrinha, 2000), identifica os espaços termais não só como centros terapêuticos de cura e prevenção, mas também como centros de saúde e bem-estar físico e psíquico, centros de recreio, lazer e actividade social (Vargas et al., 2002).
Em termos de destino turístico, o lugar das termas nas escolhas dos portugueses é residual. Tendo por base os últimos resultados conhecidos, relativos às férias dos portugueses por tipo de ambiente, que datam de 2006, o destino termas ocupava a 5ª posição, representando 2,5% das escolhas de quem gozou férias fora do ambiente habitual. Valor que ascende aos 12,7%, quando considerado o ambiente preferido para os residentes no Continente, com 15 ou mais anos, que não gozaram férias no referido ano (Tp, 2008).
Contudo, o turismo termal, identificado actualmente como uma actividade transversal, assume progressivamente um papel de relevância no contexto do turismo moderno ao mesmo tempo que constitui uma resposta para o turista mais interessado que procura uma alternativa ao modelo tradicional de sol e praia, o contacto com a natureza e o afastamento das massas, cabendo às estâncias termais adaptar-se e corresponder às expectativas deste turista contemporâneo.

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