TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho

2. Caminhos do Xisto: um novo destino de turismo de passeio pedestre no Centro de Portugal


2.1 Aldeias do Xisto: uma estratégia inovadora, alicerçada nos lazeres turísticos, para valorizar património(s) e criar novas centralidades

No âmbito da promoção do desenvolvimento regional em Portugal, para o período 2000-2006, foram definidas um conjunto de medidas de discriminação positiva para as sub-regiões com mais e maiores dificuldades estruturais (como acontece com uma parte significativa do interior rural e montanhoso), alicerçadas nos recursos endógenos e nas actividades consideradas de maior relevância para alavancar novas dinâmicas territoriais (capazes de inverter ou pelo menos estancar as trajectórias negativas que marcavam esses territórios).
Sob a designação de Acções Integradas de Base Territorial (AIBT), com enquadramento nos Programas Operacionais Regionais, emergem diversas estratégias (acompanhadas de meios financeiros e de uma estrutura de gestão própria) em função do perfil geográfico das áreas de intervenção. No caso da Região Centro de Portugal, as AIBT aparecem centradas em áreas como, por exemplo, a Serra da Estrela, o Vale do Côa e o Pinhal Interior.
O Pinhal Interior é uma sub-região crítica da Cordilheira Central Portuguesa. Como em tantas outras áreas de montanha, coexistem diversos problemas sociais, económicos e territoriais, designadamente o despovoamento, a carência de serviços e infra-estruturas básicas, a fragilidade das actividades tradicionais, como a agricultura e a silvicultura, e ainda a crescente pressão antrópica sobre as áreas mais sensíveis, devido ao abandono do território e às fragilidades dos instrumentos de gestão territorial (Carvalho, 2009-a).
Contudo, os recursos e os valores patrimoniais e paisagísticos relevantes conferem aos ambientes de montanha um valor cada vez mais elevado (Cunha, 2003), e permitem aos gestores e decisores políticos encontrar caminhos no sentido de reorientar a vocação e reconverter os seus espaços, procurando novos usos/funções associados à emergência de um novo sistema social de valores, ligado à sociedade urbana e à fruição dos tempos livres (Carvalho, 2009-b).
O reconhecimento do potencial dos territórios de montanha para a prática de actividades de lazer e turismo tem feito com que estes sejam actualmente pensados como componentes de soluções capazes de revitalizar estes espaços fragilizados. Foi este um dos pressupostos centrais da programação para o desenvolvimento desta sub-região em 2000-2006.
A AIBT do Pinhal Interior (componente FEDER) constitui a matriz identitária do Programa das Aldeias do Xisto e de um conjunto significativo de actividades em torno destes lugares de montanha, através de cinco linhas de acção com o intuito de reforçar e requalificar a capacidade de alojamento turístico, apoiar a animação turística, promover as potencialidades turísticas do território, melhorar as acessibilidades locais e transversais, e criar ou reforçar infra-estruturas e equipamentos de promoção das potencialidades.
Esta última linha de acção, serviu de suporte ao projecto de “requalificação de um conjunto de aldeias serranas que sustente uma rede de sítios de interesse turístico” (CCRC, 2001: 38) – materializado no Programa das Aldeias do Xisto (PAX) –, e a outros projectos, de modo a constituir uma “rede de percursos activos (pedestres, BTT, TT, rodoviários) e culturais (arquitectura tradicional, arqueologia), numa perspectiva integrada que promova a globalidade da região, a requalificação ou o estabelecimento de novas praias fluviais, e o estabelecimento de uma iniciativa museológica constituída por iniciativas temáticas ou desenvolvidas em conjuntos ou em elementos isolados, dispersos pelo território e preservados in situ” (CCRC, 2001).
O PAX configura uma intervenção direccionada para a “recuperação de coberturas e fachadas, requalificação de espaços sociais, instalação de mobiliário urbano, recuperação de pavimentos de ruas e calçadas, infra-estruturação com redes básicas), que sustente uma rede de sítios de interesse turístico” (CCRC, 2001). Para a prossecução destes objectivos foram definidas as seguintes iniciativas elegíveis: sinalização (de acesso, de informação, identificação); infra-estruturas (redes básicas, pavimentos, serviços em espaços exteriores e interiores) e imóveis públicos e particulares (arranjo de fachadas, coberturas, substituição de portas, janelas e respectivas caixilharias).
Os 24 lugares seleccionados para o Programa Aldeias do Xisto encontram-se repartidos por 14 municípios das sub-regiões do Pinhal Interior Norte, Pinhal Interior Sul, Beira Interior Sul e Cova da Beira (figura 1).

mapa_aldeiasxisto

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: ADXTUR (2010)

Figura 1. A AIBT do Pinhal Interior e as Aldeias do Xisto: esboço de localização

Os investimentos realizados neste contexto (e na área geográfica próxima das aldeias do xisto, através de outros instrumentos financeiros) permitiram dotar o Pinhal Interior de um conjunto de novos equipamentos e infra-estrutruturas de alojamento com efeitos positivos na evolução do número de empresas na área do alojamento, restauração e animação turística, que permitiu criar uma escala mínima de equipamentos e serviços para novas actividades e eventos (culturais e lazer turísticos) neste território. De igual modo, apoiaram outras iniciativas de diversificação da base económica local, destacando-se a criação de uma rede de lojas em regime de franchising para comercializar produtos endógenos (em especial o artesanato).
Importa referir ainda a criação da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (ADXTUR), em parceria com 16 municípios da região Centro e com mais de 70 operadores privados que actuam no território. Este novo actor institucional desempenha um papel decisivo em matéria de gestão e promoção da marca (e dos territórios das) Aldeias do Xisto, e de um conjunto diversificado de actividades em torno dos seus recursos e produtos endógenos, entre as quais destacamos os percursos pedestres.

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