BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

OLHARES SOBRE O ESTADO DO TOCANTINS: ECONOMIA, SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

Yolanda Vieira De Abreu (editora)


 


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2.1 Do sonho ao plano de construção de Palmas

Um projeto com traços arquitetônicos "pós-modernos" e faraônicas construções no cerrado setentrional, a capital se tornou um baluarte do poder geoeconômico que emergia no Tocantins. Tinha o princípio de proporcionar a consolidação do Estado, e também um novo tempo para a política regional. Refletindo sobre a questão, Brito (2007) analisa tal conjuntura a partir da construção da Praça dos Girassóis, ponto estratégico do poder criado e consolidado. Uma concepção era a da criação do Tocantins e, outra, a da criação de Palmas. Criado o Estado, o discurso girava em torno da questão de um novo tempo de vida para a população tocantinense, que se refletiria ainda nos primeiros anos da construção da capital. Para tal constatação, um exemplo é a ideologia impregnada na Praça dos Girassóis, que originalmente tinha o sol como centro do projeto. O sol, por entender ser ali o local da irradiação de um novo tempo. O esplendor, a luz ou a ideia de que exerceria grande influência, do sol de uma nova manhã que remetia seus primeiros raios e que emanava do centro do poder administrativo, onde a esperança de um futuro promissor era imaginada sobre os projetos, emergia das decisões políticas que se realizariam na Praça dos Girassóis e que reverberariam por todo o Estado do Tocantins. Com o passar do tempo, olhando para o projeto da praça e, provavelmente, inconsciente, o sol foi trocado pelo girassol, não mais significando a luz que iluminava a cidade, mas uma flor que receberia a luz para viver e que cresceria rapidamente - o girassol. Essa praça teve importância ainda nos primeiros anos de implantação da capital, até porque a construção principal da cidade - o Palácio Araguaia - se encontrava na colina central que formaria mais tarde a praça. Com o asfalto das avenidas Theotônio Segurado e JK, criou-se um grande balão, tendo o palácio como torre da construção da capital. A leitura nos levou até a afirmação de que não era apenas o nome da praça que estava em jogo, mas também a forma de conceber a cidade pelas suas autoridades governamentais e como esse poder de persuasão já havia se estruturado sobre uma pessoa que se tornava "herói" diante da luta de construção de um Estado. Isso implica dizer que o poder das palavras é dado por quem as pronuncia, mas depende de um consenso, porque é uma adesão, ou seja, o símbolo girassol não tem valor em si, mas é estabelecido pelas relações que os sujeitos (moradores de Palmas) estabeleceram em torno deles sobre a cidade. O sentimento e a grandeza do projeto modernista foram construídos em torno da magnitude do Novo Eldorado que se intentava criar na Amazônia. Para Vicentini (2004), referindo-se ao plano urbanístico, ele "contém a maioria dos ingredientes modernistas" (VICENTINI, 2004, p. 244). Contudo, ressalta que foi um "modelo modernista fora do lugar e do tempo, (...) lembrando mais uma insensatez da razão" (Idem, p. 248). Não conseguimos ver em Palmas aspectos puramente modernistas, mas um ecletismo. Houve em parte uma ruptura com a ideia de desenvolvimento centrado em planos racionais e eficientes na cidade, ou seja, uma ruptura com a Escola Modernista Progressista de Le Corbusier por parte do Grupoquatro sobre o plano urbanístico de Palmas. Os espaços da cidade tornam-se efêmeros; os espaços da particularidade, da singularidade, e até da monumentalidade da arquitetura, passaram a ter importância nos projetos dentro de uma concepção de grupo (coletivo). A arquitetura pós-modernista não pretende impor soluções, é antivanguardista, tendo alguns autores como Baudelaire que afirmam que essa busca à memória coletiva é agregada ao historicismo. Portanto, as cidades pós-modernistas são em si contraditórias, pois a materialidade é instável, moldada pelo imitar das imagens da mídia, podendo ser mudado ao apertar de um botão, ser adaptado onde e como quiser. Refletindo sobre o pensamento de Harvey (1989), podemos afirmar que o pós-modernismo é eclético e produz uma intensidade de esforço na imagem, provocando uma perplexidade, mas também uma popularização, a fim de conciliar a vida das pessoas ao não-estranhamento do cenário.

2.2 Entendendo a construção da cidade

A nova forma de concepção da cidade fez com que se deixasse de ver apenas seu projeto arquitetônico e, de maneira restrita para o Tocantins, passou a visualizar uma capital regional com desdobramentos econômico e político. Pensar em uma nova cidade passou a exigir um projeto geoeconômico, de uma cidade que tivesse o papel de irradiar um novo tempo, que era transmitido nos projetos do Estado. A concepção de Palmas na rede de integração levou a objetivar uma cidade que tivesse papel primordial na reorganização regional do Sudeste da Amazônia Oriental. Projetou-se uma cidade em grandes proporções, visualizando-se uma organização metropolitana, sonhada em apenas cinco anos de formação. Os discursos frequentes feitos pelo Estado sobre o canteiro de obras passaram a sensibilizar as pessoas para vir a Palmas, não apenas no intuito de morar, como também no de investir no novo Eldorado da Amazônia. A oportunidade de ganhar a vida, um projeto de cidade organizada, atrelados a um discurso chamativo, foram fundamentais para que Palmas ganhasse população e também se estruturasse como principal centro do Tocantins. Aos poucos, a dependência que tinha de muitos serviços de Goiânia, Brasília, ou até mesmo de Imperatriz, Araguaína ou Marabá, passou a ser reduzida. Uma estrutura para o atendimento dos serviços de saúde e educação se tornou necessária e premente. Em pouco tempo, a cidade conseguiu criar uma aparelhagem hospitalar que garantiu um atendimento regional. O sistema de comunicação foi estruturado e a informação que passou a ser vinculada no Estado começou a ser produzida na cidade. Com a produção da informação monopolizada por Palmas, a venda da cidade por meio de seu projeto e conforto também se viu facilitada. A imagem divulgada era de uma cidade bem planejada e com oportunidades de trabalho para todos até o ano 2000, período que chamamos de cidade canteiro de obras, um intervalo de tempo de onze anos que vai desde a sua fundação, em 1989, até o ano 2000. Fase em que a propaganda da cidade girava em torno da oferta de trabalho e do investimento em imóveis. Depois desta data, até os dias atuais, a cidade vive um período de cidade em consolidação, em que o chamativo não é mais concentrado na oferta de serviços ou de imóveis, mas principalmente na oferta de serviços de saúde e educação. Para que Palmas pudesse ter o papel decisivo de capital regional, foram necessários, além de investimentos em infraestrutura, a criação de um canteiro de obras faraônico, com construções grandes e caras, um investimento em marketing e propaganda de uma possível cidade, que garantiria um nível de qualidade de vida acima do padrão regional e igual ao das capitais de outros Estados, com boa oferta de lazer, ampla estrutura de locomoção, sem problemas no trânsito. Após o período de euforia de cidade em construção efervescente, Palmas conseguiu certo equilíbrio e se estruturou sobre os alicerces deixados pelo período áureo. Vale ressaltar que a cidade não convive com uma crise; antes, convive com um novo processo estrutural e equilibrado, um desenvolvimento saudável, pois cresce de acordo com a oferta de trabalho para seus habitantes. Não tem mais um discurso de busca pelo poder, pois ele foi conquistado; a imagem da cidade foi criada como capital regional incrustada no Sudeste da Amazônia Oriental. Uma imagem não apenas de uma arquitetura pós-moderna, como a Ponte da Integração "Fernando Henrique Cardoso" ou a Praça dos Girassóis, mas de um empreendedorismo baseado na construção civil, na carreira educacional, adicionado a uma qualidade de vida oferecida pela oferta de transportes diários aéreos ou rodoviários, pela diversidade gastronômica, pela variedade de atrativos naturais como praias, cachoeiras e desertos, bem como pelos eventos regionais, como o carnaval e a Fenepalmas.


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