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AGLOMERAÇÕES INDUSTRIAIS COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL: UM ESTUDO DE CASO NO NORDESTE BRASILEIRO

Cid Olival Feitosa


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1.3 – Reestruturação Industrial e Especialização Flexível

As transformações ocorridas nas teorias de desenvolvimento econômico regional, segundo Amaral Filho (1999), são devidas à crise e declínio de regiões tradicionalmente industrializadas e ao surgimento de novos paradigmas de industrialização e de desenvolvimento locais. Desde a década de 1970, a economia mundial vem passando por mudanças significativas no que se refere ao seu padrão de acumulação. Galvão (1998) afirma que essas mudanças seriam resultado tanto da intensificação da competição internacional quanto das freqüentes alterações nos padrões de demanda, visto que os consumidores estão buscando produtos cada vez mais diferenciados e de melhor qualidade.

Neste sentido, fenômenos como o da globalização e da emergência de novos paradigmas tecnológicos criaram restrições à preservação das velhas formas de organização e abriram espaço para o progresso e o avanço social, em novas bases.

Souza (1992) afirma que, com a introdução das novas tecnologias, percebe-se o esgotamento, em algumas regiões, do modelo de produção fordista/taylorista – centrado na produção em massa de produtos padronizados -, e o surgimento de um modelo alternativo, o de especialização flexível – sistema mais inovativo e flexível em termos de máquinas, produtos e trabalhadores, em condições de responder mais facilmente às incessantes mudanças na produção, por pressupor uma estratégia de permanente inovação.

O modelo de produção taylorista/fordista, hegemônico até a década de 1970, caracteriza-se por ter nas suas organizações uma estrutura predominantemente formal, hierarquizada, com centralização de informações e de decisões, dentro da base das grandes empresas industriais. Sua produção em massa apresenta bens de baixa diferenciação, havendo uma padronização do maquinário e do equipamento, da mão-de-obra e das matérias-primas.

A organização e a gestão do trabalho baseia-se na divisão das tarefas e especialização do trabalhador, separando a execução da produção (ficando a execução a cargo dos níveis hierárquicos mais elevados). Além disso, busca-se um aumento do controle da produção, de acordo com padrões estabelecidos, tornando o trabalho rotineiro, com pequeno grau de envolvimento dos operários e com a produção estimulada principalmente por incentivos financeiros.

Com o aumento da concorrência internacional e a globalização da economia, este padrão de acumulação de capital entrou em crise, devido a fatores como a saturação do mercado de bens duráveis, a perda do poder aquisitivo, a entrada de novos países produtores e a formação de blocos regionais, dentre outros (Garay, 1997).

Dessa forma, o aumento da competição pressionou as empresas a adotarem um processo de reestruturação produtiva, visando adequar o aparelho produtivo às novas exigências de um mercado de muita produção e pouco consumo, com produtos de qualidade e constante inovação. Essa constatação faz Salermo (1995) apud Garay (1997), afirmar que:

“Urgem, assim, estruturas organizacionais mais planas, mais ágeis e mais enxutas que possibilitem uma redução de custos e uma diferenciação das empresas frente seus concorrentes, via ações como lançamento de novos produtos, aumento da qualidade, rapidez na entrega e melhora do nível de serviço associado ao produto”.

Diante deste cenário, emerge o conceito de especialização flexível, que, segundo Galvão (1998) defende a idéia de uma crise no paradigma fordista de acumulação, baseado na produção em massa, e a sua substituição por métodos flexíveis de produção, em que tanto o capital quanto a mão-de-obra deverão se prestar a propósitos cada vez mais gerais e serem capazes de operar dentro de contextos que exigem rápidas mudanças para a criação de novos produtos.

Pode-se perceber esse argumento, de forma mais clara, quando Botelho (1998) declara que:

“A produção capitalista, sob a égide do modelo de especialização flexível, contrapõe-se às rigidities fordistas e caracteriza-se pela flexibilidade derivada da utilização de tecnologias de base microeletrônica (máquinas multipropósitos) e de trabalhadores polivalentes (com múltiplas qualificações), o que propicia produções diversificadas. A presença nas empresas de trabalhadores multiqualificados e aptos a intervirem na totalidade do processo de produção, bem como os menores níveis hierárquicos conferem maior flexibilidade ao processo produtivo, na medida em que rompem com a tradicional separação entre trabalho de concepção e de execução” (Botelho, 1998, p. 109-110).

Em um nível macroeconômico, a especialização flexível desloca a produção fordista para mercados em constante mudanças, flexíveis e inovativos. No nível microeconômico, a especialização flexível caracteriza-se pela fabricação de artigos variados e produzido por operários polivalentes e por equipamentos que se prestam a várias funções (Rasmussem, Schmitz, Van Dijk, 1992 apud Hsaini, 1997).

Para adaptar-se continuamente às variações da demanda, vários princípios organizacionais são propostos pelo modelo de desenvolvimento da especialização flexível, como descreve Hsaini (1997). Estes princípios podem ser resumidos da seguinte forma:

a) utilização de uma tecnologia flexível, que se materializa por máquinas de uso geral (ou ainda flexível), permitindo passar rapidamente de um produto para outro, sem que o equipamento produtivo precise passar, a cada mudança de modelo, por uma imobilização ou por modificações mecânicas fundamentais;

b) utilização de uma mão-de-obra qualificada e polivalente, com uma integração das tarefas manuais e intelectuais;

c) colaboração permanente entre os diversos níveis hierárquicos da empresa no campo da inovação do produto, o que implica uma hierarquia em princípio horizontal;

d) fluidez das relações produtivas entre as diferentes unidades de produção do sistema de especialização flexível, a fim de responder prontamente às atividades qualitativas permanentes da demanda (Hsaini, 1997: 145-146).

As principais características que diferenciam o modelo de produção em massa e o da especialização flexível podem ser observados no Quadro I, elaborado por Schmitz (1998) apud Souza (1992: 331)

Pela observação das características da especialização flexível, a partir da existência de uma divisão industrial, Piore & Sabel (1984) apud Souza (1992) sistematizam duas formas possíveis de reação das empresas e economias nacionais. Em uma, continuariam a predominar as características do modelo de produção em massa, talvez "transmutado" e mais adaptado às novas condições; na outra, as dimensões do modelo de especialização flexível ocupariam a posição nuclear.

Sengenberger e Pike (1999), observam que no cenário da reestruturação industrial houve um aumento da participação das pequenas empresas e estabelecimentos no total de postos de trabalho, principalmente ganhando terreno das grandes fábricas. Argumenta-se que as pequenas empresas são mais flexíveis, eficientes e capazes de adaptar-se às exigências do mercado do que as empresas grandes, pesadas e burocratizadas.

Vários fatores influenciaram essa mudança. Um deles indica que a criação e a expansão das pequenas empresas constituem uma reação ao declínio econômico repentino. A escassez de oportunidade de trabalho assalariado em um período de desemprego em massa induz, ou até força, os trabalhadores a procurarem emprego no setor de pequenas empresas ou criarem seus próprios negócios, usando máquinas e equipamento baratos de segunda mão comprados em firmas que vão à falência.

Por outro lado, essas novas formas de produção são decorrentes das mudanças organizacionais das grandes empresas, que também modificaram o seu perfil organizacional, em decorrência de três fatores. O primeiro deles é a descentralização das grandes corporações, através da qual grandes empresas são desmembradas em plantas menores, na forma de subsidiárias instaladas em várias regiões do país ou do mundo; o segundo é a concessão do seu direito de produção a outras empresas, na forma de licenciamento e de franchising; por fim, a desintegração ou desverticalização das grandes empresas, manifestada de várias formas, dentre elas a terceirização e a subcontratação (Sengemberger e Pike, 1999).

Entretanto, mesmo com a aceleração do crescimento de firmas de pequeno e médio porte no cenário mundial, constata-se que a mortalidade desse segmento ainda é muito grande. Isso acontece porque o ambiente em que elas operam é extremamente competitivo e envolve muitos riscos e incertezas, por uma série de razões: problemas de gestão, insuficiência de financiamento adequado, questões relacionadas à comercialização e marketing, menor capacidade de obtenção de informações sobre mudanças em tecnologias e no comportamento do consumidor, dentre outros.

Dessa forma, as pequenas e médias empresas precisam desenvolver uma capacidade de sobrevivência centrada na inovação e na incorporação de novas tecnologias. Santos (1998) apud Cândido e Abreu (2000) ressalta que as pequenas e médias empresas, isoladamente, não têm condições de arcar com os investimentos necessários à superação dos problemas mencionados. E que a solução seria uma forma de atuação conjunta e associativa, na qual pudessem compartilhar os investimentos e benefícios resultantes de projetos desenvolvidos em conjunto, direcionados para a solução de problemas comuns.

A partir dessa atuação conjunta, surgem novos espaços industriais provenientes, em grande medida, da tendência de desintegração vertical dos processos produtivos gerada pelas deseconomias de escala e escopo das grandes corporações. Esse processo desemboca na aglomeração de empresas ou grupos de empresas, em certos locais e regiões, que passam a desenvolver fortes relações baseadas na complementaridade e na cooperação (Galvão, 1998).

Com a aglomeração de pequenas empresas, as dificuldades encontradas nos mercados, enquanto agentes individuais passam a ser superados, pois, juntas, estas empresas conseguem obter economias de escala que somente as grandes firmas possuem. Isso faz com que Galvão (1998) afirme que "a organização industrial pode ser mais importante do que qualquer incentivo fiscal ou financeiro".

Da mesma maneira que as firmas precisam ser inovativas para sobreviverem num ambiente mais competitivo, as regiões, onde se localizam as firmas, também estão sujeitas às mesmas restrições, precisando desenvolver instituições ágeis e inovativas. Assim, essas regiões precisam mobilizar os agentes produtivos, a comunidade local e os governos para promoverem o crescimento econômico e o aumento do bem-estar da população.

Torna-se necessário criar um conjunto de iniciativas para o desenvolvimento de novas vantagens competitivas nessas áreas, através de investimentos em diferenciação de produtos, marketing e propaganda, aperfeiçoamento da mão-de-obra, atividades de P&D, além dos tradicionais investimentos em infra-estrutura física e social – como estradas, portos e aeroportos, saneamento, habitação, saúde, educação etc.

Surgem, assim, as regiões inovativas, ou seja, regiões que propiciam um ambiente favorável a atração de investimentos, desenvolvem e fortalecem instituições que promovem a transformação e a aceitação de inovações na sua base econômica e que propiciam um maior grau de coesão interna e de integração espacial dentro da região (Galvão, 1998).

Neste sentido, Hsaini (1997) apresenta quatro formas que o modelo de especialização flexível pode assumir, utilizados por Piore & Sabel (1984), para melhor descrever os aglomerados industriais. São elas:

- conglomerados regionais, formados por um núcleo de pequenas empresas especializadas em uma fase específica da produção e reunidas por relações de concorrência e cooperação;

- federações de empresas, compostas de pequenas e médias empresas, especializadas nas mais diversas fases da produção e ligadas, entre si, por laços familiares;

- sistema “solar”, que é uma estrutura na qual os fornecedores e/ou subsidiárias gravitam ao redor de uma empresa de grandes proporções;

- empresas descentralizadas internamente, reagrupando ateliês artesanais. (Hsaini, 1997, p. 148-149).

Essas formas de organização representam a possibilidade de diferentes respostas a um mesmo problema que se coloca ao padrão da especialização flexível: a concorrência e a cooperação devem ocorrer simultaneamente (Souza, 1992). A concorrência como estímulo para a inovação e a cooperação como facilitador do processo produtivo, mantendo a coesão e evitando uma concorrência destrutiva.

Neste sentido, a combinação entre concorrência e competição interfirmas exerce um importante papel no processo de inovação das empresas, destacando o papel positivo que a especialização flexível exerce sobre o desenvolvimento regional, em particular na dinâmica dos distritos industriais.

Os distritos industriais caracterizam-se pela concentração regional de pequenas unidades produtoras de um mesmo segmento, fator que facilita a cooperação entre elas, e a presença de agentes e instituições capazes de coordenar as relações interfirmas. O sucesso desse tipo de organização industrial pode ser verificado tanto em termos dos ganhos de produtividade como no que tange à geração de emprego (Rosandiski & Garcia, 1996).

Por fim, os distritos industriais formados a partir de pequenas e médias empresas e contando com o apoio de instituições públicas podem representar o núcleo da economia de uma região, contribuindo para uma certa estabilidade em termos de emprego e renda. Assim, o desenvolvimento local requer a produção organizada ao longo de todo o território (através de pequenas e médias empresas), capaz de incluir todos os indivíduos da localidade em um regime de acumulação, que combine cooperação e competência, pois transfere-se o lugar da produção da fábrica fordista para o território das cidades.


 

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