USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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CAPÍTULO 2. USO EFICIENTE DA ÁGUA EM RESIDÊNCIAS: TEORIA E APLICAÇÕES

Érica Cristine Medeiros Nobre Machado

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais/Universidade Federal de Campina Grande, PB/BRASIL

Suênya Freire do Monte Santos

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais/Universidade Federal de Campina Grande, PB/BRASIL

1 INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta alternativas de racionalização do uso da água em residências domiciliares, as quais têm como objetivo promover a conservação e a sustentabilidade deste recurso natural. Nesse contexto, são caracterizadas como alternativas de racionalização qualquer medida ou ação que contribua para a redução da demanda de água, sem prejuízos nos atributos de higiene e conforto dos usuários, e para o aumento da oferta de água, utilizando fontes alternativas de água e/ou aparelhos hidrosanitários mais eficientes.

A água encontra-se disponível sob várias formas e é uma das substâncias mais comuns existentes na natureza, cobrindo cerca de 70% da superfície do planeta. É encontrada principalmente no estado líquido, constituindo um recurso natural renovável por meio do ciclo hidrológico. Todos os organismos necessitam de água para sobreviver, sendo a sua disponibilidade um dos fatores mais importantes a moldar os ecossistemas. É fundamental que os recursos hídricos apresentem condições físicas e químicas adequadas para sua utilização pelos organismos. Eles devem conter substâncias essenciais à vida e estar isentos de outras substâncias que possam produzir efeitos deletérios aos organismos que compõem as cadeias alimentares. Assim, disponibilidade de água significa que ela está presente não somente em quantidade adequada em uma dada região, mas também que sua qualidade deve ser satisfatória para suprir as necessidades de um determinado conjunto de seres vivos (biota).

Estima-se que a massa de água total existente no planeta seja aproximadamente igual a 265.400 trilhões de toneladas, distribuídas em oceanos, água subterrânea, água doce, geleiras, lagos, calotas polares, águas salgadas, pântanos, rios, etc. Assim, hoje, mais do que uma questão econômica, o uso racional da água significa a preservação das nossas reservas naturais. Existem equipamentos disponíveis no mercado que reduzem sensivelmente o consumo de água, resultando em economia de até 20% no valor total da conta.

No Brasil, o governo federal instituiu em 1997 o Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água – PNCDA , com o objetivo geral de promover o uso racional da água de abastecimento público nas cidades brasileiras, em benefício da saúde pública, do saneamento ambiental e da eficiência dos serviços, propiciando a melhor produtividade dos ativos existentes e a postergação de parte dos investimentos para a ampliação dos sistemas.

De acordo com o PNCDA, a redução do consumo de água dos usuários pode ser obtida através de mudanças nos hábitos de consumo ou mediante a adoção de aparelhos poupadores de água. Albuquerque (2004), por sua vez, classifica as ações que podem viabilizar o uso racional da água em quatro categorias, denominadas de tecnológicas, educacionais, econômicas e regulatórias.

Neste capítulo mais ênfase será dada às alternativas educacionais e tecnológicas, as quais, segundo Campos (2004), são consideradas mais eficientes e mais fáceis de serem implantadas e viabilizadas por não necessitarem de mudanças radicais nos hábitos dos usuários, sendo, portanto, mais eficazes para o caso de residências domiciliares.