USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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2.3 REÚSO DE ÁGUA

Segundo recomendação da ONU, a não ser que exista uma grande disponibilidade, nenhuma água de boa qualidade deve ser usada para usos de qualidade inferior. Nesse contexto e mediante o quadro de escassez de água cada vez mais evidente, a reutilização da água consumida em fins de qualidade inferior torna-se uma alternativa de racionalização da água cada vez mais recomendada.

O reúso de água em residências, assim como a utilização da água de chuva, constitui uma alternativa tecnológica de utilização de fontes alternativas de água, sendo que, ao invés de se utilizar as águas pluviais são utilizadas geralmente as águas cinza, que são os efluentes que não possuem nenhuma contribuição da bacia sanitária. Esse conceito de águas cinza pode ser estendido também para todos os efluentes que apresentem pequena concentração de matéria orgânica, sendo considerados os efluentes provenientes do uso dos chuveiros, lavatórios, tanques e máquinas de lavar roupa, excluindo-se, além das descargas dos vasos sanitários, o efluente das pias de cozinha, pois, na cultura brasileira é comum a utilização das pias de cozinha como despejo de restos de alimentos.

O reuso doméstico de água é conceituado, portanto, como o aproveitamento das águas residuárias residenciais provenientes dos usos domésticos que apresentem pouca matéria orgânica para atividades de lavanderia, descargas em bacias sanitárias, regra de jardim e outras atividades menos nobres (ANA; FIESP; SINDUSCON-SP, 2006).

Apesar de não recomendável, a utilização do efluente da pia da cozinha e dos vasos sanitários pode se tornar viável em residências desde que seja empregado o tratamento adequado. A Figura 6 ilustra esse exemplo, no qual o reúso de água em uma residência é utilizado em paralelo com o sistema tradicional de água potável e o sistema de captação e utilização de água de chuva (COSTA, 2004). Do Sistema 1, que aproveita a água de chuva, a água armazenada é destinada para as áreas externas, a máquina de lavar roupa e a bacia sanitária. O sistema 3 representa o sistema tradicional de água potável fornecida pela companhia de abastecimento, a qual é destinada para os fins mais nobres, como o chuveiro e as pias da cozinha e do banheiro.

No sistema 2, que representa o reúso das águas, o efluente da pia da cozinha é retido na caixa de gordura (A) antes de seguir para a caixa de inspeção (B), para onde seguem também os efluentes do banheiro e da lavanderia. Esse fluxo é direcionado para a fossa séptica (C), onde as bactérias decompõem a matéria orgânica e liberam um líquido 50% mais limpo. Por fim, é utilizado um filtro aeróbio e anaeróbio (D), com eliminação da maior parte da matéria orgânica e liberação de uma água filtrada e esterilizada com até 90% de pureza, a qual é bombeada para um reservatório exclusivo e destinada para utilização em vasos sanitários e rega de jardim.

Seja qual for a tecnologia utilizada para reúso de água em residências, além do atendimento às exigências relacionadas às usos a que se destinam, outros critérios também devem ser obrigatoriamente atendidos como a preservação da saúde dos usuários e a preservação do meio ambiente.

A Agência Nacional de Águas do Brasil (ANA) determina os parâmetros característicos que devem ser atendidos para água de reúso da classe 1, que são aquelas destinadas para a descarga de bacias sanitárias, lavagem de pisos, lavagem de roupas e lavagem de veículos. Dentre estes parâmetros podemos destacar (ANA; FIESP; SINDUSCON-SP, 2006):

a) ausência de coliforme fecal, parâmetro considerado prioritários sobre os demais;

b) DBO menor do que 10 mg/, para evitar a proliferação de microorganismos e cheiro desagradável;

c) ausência de compostos organismos voláteis, para evitar o odor desagradável principalmente em aplicações externas em dias quentes;

d) concentração máxima de 0,1 mg/de fósforo total, para evitar a proliferação de algas e filmes biológicos, que podem formar depósitos em tubulações, peças sanitárias, reservatórios e tanques;

e) sólido dissolvido total em concentração menor do que 500 mg/ quando a água do reuso se destina para lavagens de roupas e veículos.