USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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6 MECANISMOS DE GESTÃO DA ÁGUA NO SEMI-ÁRIDO

Afora a certeza do fenômeno cíclico das secas, seus desdobramentos posteriores podem ser creditados a uma construção social realizada, através de uma série de ações cotidianas. Este conjunto de ações tem contribuído largamente para a constatação de que os malefícios presentes no seio da sociedade do Nordeste Semi-árido não decorrem de problemas unilaterais.

Partindo dessa premissa, Rebouças (1997, p. 127) explica que:

Nessas condições, a avaliação do problema da água de uma dada região já não pode se restringir ao simples balanço entre oferta e demanda. Deve abranger também os inter-relacionamentos entre os seus recursos hídricos com as demais peculiaridades geoambientais e sócio-culturais, tendo em vista alcançar e garantir a qualidade de vida da sociedade, a qualidade do desenvolvimento socioeconômico e a conservação das suas reservas de capital ecológico.

A visão equivocada da abundancia da água está, hoje, visivelmente em declínio. Aos pouco e progressivamente vai surgindo um nível de conscientização que, de forma alguma brota de qualquer política governamental. Isso mostra que o hábito de consumir a água com racionalidade, mormente em áreas de grande deficiência hídrica, a exemplo do Nordeste Semi-árido deve está ligado a práticas do cotidiano das pessoas, seja na agricultura, seja nas residências ou em qualquer esfera do processo produtivo, primando sempre pela eficiência.

Nesse sentido, J. Bau, 1991, citado por Velasco (1991) assegura que ações simples como a captação de água da chuva, reusar a água de qualidade inferior para tarefas menos nobres, utilizar equipamentos que poupam água, ou uma ação de âmbito maior -, caso do manejo de uma bacia hidrográfica, tudo isso representa o uso eficiente de água e podem ser consideradas ações educativas e conservacionistas.

Baracuhy et al. (2007) e Rebouças (2001) preconizam que a solução para atenuar os impactos advindos dos baixos níveis de precipitação reside no manejo integrado dos recursos, por meio de uma série de ações que vão desde a conscientização, passando por diagnósticos e prognósticos, até a implementação de obras de conservação e correção em uma unidade natural.

A participação da sociedade é, portanto, a maior ação no sentido de uma maior racionalidade no uso eficiente da água, num contexto de escassez se encontra ao alcance de todos os indivíduos que dela se servem, mas não deve fugir a responsabilidade das instituições de fiscalização e controle, com vistas a atingir os mesmos fins. Dessa forma, para adequar a disponibilidade da água existente ao desenvolvimento de comunidades do semi-árido, instituições públicas e parceiros devem se unir com a criação de um sistema que possa prover o uso eficiente dos recursos, em suas diferentes etapas.

Nesse contexto, segundo Rebouças (1996), a avaliação do problema da água de uma dada região já não pode se restringir ao simples balanço entre oferta e demanda. Deve abranger também os inter-relacionamentos entre os seus recursos hídricos com as demais peculiaridades geoambientais e sócio-culturais, tendo em vista alcançar e garantir a qualidade de vida da sociedade, a qualidade do desenvolvimento socioeconômico e a conservação das suas reservas de capital ecológico.