USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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4 EXPERIÊNCIAS EXITOSAS EM ÁREAS COM BAIXA DISPONIBILIDADE HÍDRICA

Estudos mais recentes, desenvolvidos pela EMBRAPA-COATSA, apontam para a existência de 172 unidades geoambientais no semi-árido brasileiro, distribuídas em 20 unidades de paisagem (QUEIROZ apud REBOUÇAS, 2001). Tal diversidade de ambientes edafoclimáticos representa vantagens comparativas com reflexos vários sobre o processo produtivo no semi-árido. São, sobretudo, novas oportunidades de negócios agrícolas, impossíveis de serem conseguidos em outras regiões do país e que dependem da água como fator essencial de desenvolvimento rural.

Para muitos estudiosos, estas experiências revestidas de êxito desmontam a visão determinista de uma parcela significativa da elite dominante, em que a seca é a causa da pobreza e da miséria da região nordestina (AB’SABER, 1979; REBOUÇAS, 2001). Nesse contexto, podem ser ilustrativas as comparações entre situações mundiais similares, sem desmerecer a condição subjetiva da nossa realidade sociocultural, ainda sensivelmente marcada pelo estágio de colônia de exploração.

O contraste entre a eficiência no uso das águas fica bem evidente nos dois exemplos relatados por Rebouças (2001), onde os Estados Unidos da América, cujos contrastes fisicoclimáticos são, relativamente, muito mais expressivos do que os existentes aqui – extensão de terras áridas/semi-áridas da ordem de 2.615 mil Km2, além dos 900 mil Km2 de desertos – o potencial médio per capita de água é de 9.940 m3/ano, enquanto o consumo total médio é de 2.162 m3/hab./ano, ou seja, cerca de 22% do valor disponível. Vale ressaltar que o consumo da agricultura, basicamente irrigação no contexto semi-árido, representa 42% do total médio. Contudo, a eficiência no uso da água disponível e a grande produtividade da sua agricultura transformam a zona semi-árida numa das maiores potências agrícolas do mundo.

O segundo caso relatado pelo mesmo autor é a situação de extrema aridez de Israel, atualmente, outra das potências agrícolas do mundo, é exemplo dos mais contundentes. Sobre o seu território, de aproximadamente 21 mil Km2, a pluviometria média varia entre 800 mm/ano no Norte e 30 mm/ano no Sul. A extensão de terras agrícolas é de apenas 450 mil ha, localizada no setor que recebe pluviometria inferior a 200 mm/ano e sujeita à ocorrência de seca, numa proporção de um ano chuvoso sobre três secos.