USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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2 CONSTRUÇÃO CIVIL – CARACTERIZAÇÃO DO SETOR

O setor de construção civil, em especial, tem sido foco constante de críticas da mídia especializada com relação aos desperdícios de matéria-prima e insumos. Segundo a CEF (2001), estima-se que o setor seja responsável por cerca de 40% dos resíduos gerados na economia. Este número é altamente significativo, pois grande parte da matéria-prima utilizada nos processos de construção de empreendimentos urbanos é de origem não-renovável, como é o caso dos recursos minerais.

Neste contexto, a busca pela otimização dos materiais utilizados pelo setor é de fundamental importância. A implementação de ações efetivas voltadas para a redução do impacto ambiental representam a possibilidade de se atenuar o atual quadro de degradação ambiental presente tanto em países desenvolvidos, como em países em desenvolvimento.

Conforme Tibor (1996), a chave para a prevenção de resíduos é a integração bem-sucedida das questões ambientais, das operações e da estratégia do negócio. A prevenção reduz custos, diminui o uso de material e energia, enquanto os controles de final dos processos apenas buscam atender os parâmetros legais de controle de poluição, geralmente com custos elevados de manutenção dos equipamentos, bem como de assistência técnica e disposição final de resíduos perigosos.

Vale salientar que a função social da construção civil é propiciar ambiente construído adequado para quase totalidade das atividades humanas, da produção industrial até o lazer. Representando 15,5% do PIB nacional (CONSTRUBUSINESS, 2003) a cadeia da construção civil tem efeitos decisivos sobre o meio ambiente, seja pelo consumo de energia, água e até mesmo pela geração de resíduos.

A cadeia da construção civil, assim como as demais cadeias industriais, estão estruturadas em torno de uma cadeia de produção linear, que extrai recursos naturais, processa, gera bens de uso e dispensa os resíduos de produção e pós-uso em aterros.

O desafio do desenvolvimento sustentável é mudar o paradigma de produção industrial para um modelo de produção de ciclo fechado, onde os resíduos são reciclados, incorporando-se ao processo produtivo.

O ”reuso” da água reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Como se observa, qualquer empreendimento da construção civil, como nas indústrias em geral, passa pelas fases de CONCEPÇÃO, PRODUÇÃO E USO. Na fase de concepção as idéias do empreendimento tomam forma. São feitos os projetos arquitetônico e complementares, bem como a programação da obra, com atenção especial aos elementos: prazo, custo, recursos e tecnologia utilizada.

A fase de produção tem por objetivo a condução eficiente da construção e dos insumos utilizados, dentro do prazo, custo e padrão de qualidade preestabelecido pela fase de concepção.

Por sua vez, a etapa USO corresponde a fase de longa duração do ciclo pois refere-se a utilização da edificação pelo usuário. Esta etapa é quem fornece todas as informações imprescindíveis a retroalimentação do ciclo, para que a empresa tenha condições de fazer os ajustes necessários, não só nos seus futuros projetos, como também junto aos clientes, possibilitando, conseqüentemente, a melhoria contínua da empresa, e a capacidade de se firmar cada vez mais no ambiente competitivo em que vivemos.

Observamos que existe um descaso no que diz respeito ao controle e uso da água em empreendimentos, principalmente nas obras de construção de residências e conjuntos habitacionais. Como geralmente os investidores não vão ser os usuários finais e terceira etapa a de uso fica para os usuários finais pagarem a conta. Mesmo com Medições individuais de conta dágua, ainda está longe do empreendedor/investidor estimular práticas de reutilização e reuso de água nesses projetos.

Não obstante, é também verificado que durante a construção o que vemos nos canteiros de obras são constantes vazamentos, uso em demasiado da água e nenhuma preocupação com o controle ou reuso da água. Nesta fase a água é tratada como um insumo que representa geralmente uma parcela insignificante do custo do empreendimento e o empresariado, a pesar de consciente, não foca no controle desse insumo.