USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

USO EFICIENTE DA ÁGUA: ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Organizador: José Dantas Neto

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2.2 CAPTAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA

A captação da água de chuva é uma técnica que vem sendo utilizada há milhares de anos, no entanto, sua aplicação sempre foi prioritariamente direcionada em regiões que não dispõem de abastecimento de água potável e/ou aquelas mais afetadas pelas estiagens. No Brasil, por exemplo, a sociedade civil organizada na região semi-árida, por meio da Articulação no Semi-Árido Brasileiro – ASA, desenvolveu o Programa Um Milhão de Cisternas Rurais – P1MC, que tem como um de seus objetivos construir um milhão de cisternas em residências domiciliares rurais do semi-árido, para captação e armazenamento da água de chuva (FEBRABAN-101/2008).

A utilização das cisternas como alternativa de racionalização do uso da água, mesmo em regiões atendidas pela rede de distribuição de água potável, é uma alternativa tecnológica que vem sendo difundida recentemente.

Essa tecnologia consiste em captar a água de chuva através do telhado das residências e conduzir a água através de calhas para a cisterna. Essa medida além de aumentar a oferta de água da residência para fins menos nobres e diminuir a demanda pelo uso da água potável, também contribui para a diminuição das inundações, pois diminui a quantidade de água pluvial que é introduzida nas redes de esgoto.

A Figura 5 apresenta um esquema típico de utilização da água de chuva em uma residência. A água captada pelo telhado é escoada pela calha segue para um filtro, eliminando folhas e detritos. Após o filtro esta água é armazenada em uma cisterna, a qual deve ser protegida da luz e do calor para evitar a proliferação de fungos e bactérias, de onde é conduzida por bombeamento para uma caixa d´água exclusiva. Neste exemplo, o sistema de captação da água de chuva funciona em paralelo com o sistema de abastecimento da rede pública, sendo que aquele se destina a descarga de banheiros, lavagem de roupas e torneiras externas.

Esta tecnologia é mais eficiente em condomínios horizontais e residências unifamiliares, pois a área de captação do telhado é grande em relação ao número de habitantes, propiciando uma significativa economia de água. Em condomínios verticais domiciliares a redução do consumo de água é menos significativa, pois a área de captação é relativamente pequena. Mesmo assim, em algumas cidades brasileiras como São Paulo, a captação e o armazenamento da água pluvial em novos edifícios com grandes áreas impermeabilizadas é uma determinação prevista por leis municipais.

Deve ser observado também que os custos de implantação são relativamente baixos, e serão menores se os sistemas forem planejados antes da fase de construção das edificações. O tratamento da água pluvial depende também dos usos a que irá se destinar, segundo Hafner (2007) para atividades não potáveis como rega de jardim e limpeza de pisos o simples descarte da chuva inicial é suficiente e os filtros são suficientes, mas, para a utilização em descargas pode ser necessário um tratamento primário de baixo custo.