ENCUENTROS ACADÉMICOS INTERNACIONALES
organizados y realizados íntegramente a través de Internet



Economia cultural e da educação desde a globalização solidária

Joám Evans Pim; Óscar Crespo Argibay
Instituto Galego de Estudos de Segurança Internacional e da Paz
evans@igesip.org | argibay@igesip.org

1. A Sociedade da Informação e do Conhecimento

Percebemos a Sociedade da Informação e do Conhecimento (em adiante, SIC) como um novo sistema tecnológico, económico e social. Tecnológico, porque nasceu (e segue a nascer onde não existia) graças à intercessão da tecnologia e se exporta, se perpetua, se retro-alimenta através dela. Económico, porque em si constitui uma economia na que o incremento da produtividade não depende do incremento quantitativo dos factores de produção (capital, trabalho, recursos naturais), mas da aplicação de conhecimentos e de informação no gerenciamento, na produção e na distribuição. Isto dar-se-ia tanto nos processos que afinal têm como resultado uns produtos, quanto nos produtos em si: o incremento da produtividade logra-se, essencialmente, após ter conseguido previamente vantagem competitiva mediante actos de inovação (novas tecnologias mais novos jeitos de fazer as coisas com menor investimento e esforço; melhores instrumentos para competir o modelo antigo), que nem sempre se correspondem com grandes progressos tecnológicos ou ideias novas, mas com a agregação e posta em comum de conhecimentos dispersos. Quando a concorrência responde tarde, possui-se vantagem competitiva. Social, porque a revolução tecnológica provocou mudanças sociais e um novo jeito de reinterpretar o nosso mundo (desde os meios de comunicação ao comércio, à política e, como no caso que nos ocupa, ao aprendizado e ao desenvolvimento). O fácil acesso à informação, o crescente e ilimitado intercâmbio de conhecimentos, o acesso em tempo real aos acontecimentos deu lugar a uma nova sociedade na que a informação e o conhecimento são recursos muito valiosos.

Este texto fue presentado como ponencia al
SEGUNDO ENCUENTRO INTERNACIONAL SOBRE
Economía, educación y cultura
realizado del 6 al 24 de febrero de 2006


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A SIC caracteriza-se por se basear no conhecimento e nos esforços por converter a informação em conhecimento. Cumpre aclarar já desde o começo que informação e conhecimento não são termos equifuncionais. Já ao falarmos da Sociedade da Informação e do Conhecimento estamos a fazer esta distinção. Primeiro temos a informação e, a partir da sua criva, da sua análise crítica e da sua interrelação com outra informações (através da multidisciplinariedade e do multiperspectivismo), temos conhecimento (Linares, 1995).
Nesta sociedade, os conhecimentos, a sua criação e a sua propagação são um elemento definitório das relações entre os indivíduos com outros da sua própria sociedade ou de outras. Fomenta-se o intercâmbio de experiências e de informações; contribui-se a gerar novos conhecimentos. É um entorno propício para a informação, pois adquire maior valor que em épocas precedentes. Destarte, esta é considerada um factor clave do êxito económico. Citando Don Tapscott e Art Caston:
“Uma realidade apremiante do novo ambiente global é a emergência de uma nova era de concorrência (...) que pode surgir de jeito inesperado em quaisquer lugares. Isto quer dizer que as empresas já não se podem confiar no que diz respeito (...) das suas posições competitivas. É inevitável a restruturação das economias nacionais, amplamente impelida pelos adiantos na tecnologia da informação (...). Como consequência, a informação converteu-se num bem de capital; está-se fazendo similar em valor à mão de obra, aos materiais e aos recursos financeiros. (...) Cada [empresa] deve estar em constante inovação para competir”.

Faz-se um uso intensivo e extensivo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (em adiante, TIC), pois esta nova sociedade medra e desenvolve-se arredor da informação (que possibilita o conhecimento) e aporta, para além de um aumento do consumo material e de réditos económicos, “um florescimento geral da criatividade intelectual humana”, em palavras de Yoheni Masuda (Masuda, 1994), autor da política japonesa para a SIC, onde a considerava ‘objectivo nacional’ japonês para o ano 2000 (Masuda, 1983)
Em geral, a Sociedade da Informação é um estado de desenvolvimento social caracterizado pela capacidade dos seus membros (cidadãos, empresas, administrações) para obterem e compartilharem quaisquer informações de jeito instantâneo, desde quaisquer lugares e mediante jeitos muito diversos. Tencionando exprimir de jeito mais veemente o que é a SIC, decidimos utilizar uma série de substantivos e de adjectivos que, acreditamos, dão uma ideia mais genérica e simples de entender (embora se percam matizes) do que estamos a descrever.

- Exuberância. Nesta sociedade existe uma quantidade de dados que aumenta diariamente em progressão geométrica. Isto não quer dizer que aumente a informação (ou a qualidade desta) nem tampouco o conhecimento, se bem são realidades intimamente ligadas.

- Omnipresença. Os novos instrumentos encontramo-los em toda a parte; estão presentes tanto no cenário público quanto na vida privada. Isto provoca a sua socialização até o ponto de que caminhamos cara a uma situação futura na que estarão integrados nas nossas vidas sem sermos conscientes. Quer dizer, se na altura somos capazes de individualizar os computadores (como os PCs de sobremesa), estes asinha se integrarão em todos os objectos (já o fazem nos telemóveis, mas também começam a aparecer ‘roupas inteligentes’ capazes de controlar o ritmo cardíaco transmitindo os dados ao centro médico mais próximo, por exemplo).

- Irradiação. Difuminam-se as barreiras geográficas. As distâncias são agora relativas, pois a boa parte dos recursos (económicos, informativos, pessoais) topam-se a um clique de nós.

- Velocidade. A comunicação, com excepção de falhas, volveu-se instantânea, em tempo real (apesar da distância teórica).

- Multilateralidade vs Centralidade. Há mensagens de múltiplas procedências, prevalecendo os conteúdos desenhados nas metrópoles culturais que, ainda, continuam a ser os chamados Primeiro Mundo.

- Interactividade vs Unilateralidade. Todos ou quase todos podemos ser autores das nossas próprias mensagens e respondermos conteúdos oferecidos por outros. Nas sociedades livres já não existe qualquer monopólio sobre a informação.

- Desigualdade. Em cada país (mas também entre regiões do globo) há uma fenda digital que separa ricos e pobres e tende a criar novas elites. Isto é provocado pelo desigual acesso aos recursos (económicos, educativos, etc.).

- Heterogeneidade. Coexistem conteúdos de toda índole (banais e sérios, rumor e rigor, etc.). O mosaico global é diferente em-linha do que fora-de-linha.

- Cidadania passiva. Existem consumidores, faltam cidadãos. Na SIC cumpre alfabetizar em clave digital para, entre outras questões, ajudar a saltar determinadas intermediações interessadas (que muitas vezes escondem ou encobrem uma exploração indirecta).

A SIC desenvolve-se através de quatro eixos: os utentes, as infra-estruturas, os conteúdos e o entorno. Os mais elementares são os primeiros, os utentes, pois são quem criam o resto. Sem eles, nenhuma das outras peça do sistema faz sentido. Trata-se de pessoas individuais ou de organizações que acedem aos conteúdos através das infra-estruturas. Estas constituem a ponte entre os utentes e os conteúdos, que na SIC são a informação, produtos ou serviços aos que se pode aceder sem necessidade de deslocamento físico (lembremos a nova filosofia: o mundo a um clique). Por último temos o entorno, os factores ou agentes de tipo sócio-económico que influem em quaisquer fenómenos que acontecem na sociedade e que afectarão poderosamente a orientação e o ritmo de implantação da SIC.

Gráfico 2. Eixos através dos que se move a SIC



Se olharmos cara atrás na história da informação, podemos distinguir quatro modelos sociais perfeitamente diferenciados que existiram de jeito sequencial, cada um deles como resultado da evolução (e, pois, substituição) do anterior. Em primeiro lugar, a sociedade pré-capitalista, na que informação era manuscrita (avisos, cartas informativas, listas de preços). Com a chegada do capitalismo, deram-se alguma mudanças; para além da informação escrita com carácter registrativo (relações, avisos, corantos) e periódica (diários, semanários, boletins...). A continuação da sociedade capitalista foi a sociedade industrial. Nela já tínhamos informação impressa (jornais) e audiovisual (discos, videocassetes, emissões rádio-televisivas...). Agora topamo-nos imersos na Sociedade da Informação e do conhecimento. A informação é multimédia (electrónica): jornais, boletins, bases de dados, grupos de notícias, emissões de rádio e televisão... em linha; formação de géneros multimédia. Resumindo, podemos dizer que o momento se caracteriza, a nível comunicacional, pela chamada ‘mediamorfose’.
Já a começos da década dos ’70 do século passado se advertia o facto de que o sector principal da economia nos países mais desenvoltos, tanto em produção quanto em número de trabalhadores, deixara de ser o secundário (ou industrial) em detrimento do terciário (ou de serviços). Esta nova sociedade foi chamada de pós-industrial (Bell, 1973), caracterizada pela importância da tecnologia. Com o passo dos anos, a tecnologia começou a ser não apenas importante, mas a criar certa dependência, particularmente dos computadores e das redes informáticas, como fonte de mudanças económicas, políticas, sociais e culturais.
Esta evolução da sociedade cara ao sector terciário junto com o crescente valor do conhecimento e dependência a respeito da tecnologia recebeu diferentes nomes. Millan McLuhan desenvolveu o conceito da ‘aldeia global’. Negroponte (1995) fala de que o mundo deveio digital. Fukuyama (1999) assinala que nos últimos cinquenta anos se produziu uma mudança cara à ‘sociedade informática’, que tende a criar maior quantidade de valores como a liberdade e a igualdade. No entanto, nem todos os autores são tão optimistas. Por exemplo, Donald Tapscott acredita que transcorrem tempos turbulentos, tanto como nas revoluções significativas da história recente.
Seja como for, parece assisado afirmarmos que a sociedade da informação nasce como confluência de três fenómenos de natureza diferente: um económico, outro social mais um terceiro tecnológico. No plano económico, a crise económica sofrida pelo capitalismo nos ’70, que provocou também a crise do modelo de produção industrial vigente desde havia décadas. No social, entre meados dos ’50 e fins dos ‘60 surgiram movimentos contestatários contra os autoritarismos, tanto no seio das sociedades comunistas europeias quanto nas democracias ocidentais, reclamando maiores quotas de liberdade em todos os frentes, situação da que emergiriam movimentos sociais até o momento inéditos (pacifismo, ecologismo, defesa dos direitos humanos, etc.). No plano tecnológico dera-se um duplo processo: de um lado, aumento exponencial das prestações das computadoras; do outro, nascimento das redes ou ligações entre computadores, no mesmo país primeiro e com outros países depois. Da confluência e evolução paralela destes três factores temos o germe da Sociedade da Evolução e do Conhecimento (SIC).

2. As Tecnologias da Informação e das Comunicações

As TIC definem-se como sistemas tecnológicos mediante os que se recebe, manipula e processa informação e que facilitam a comunicação entre dois ou mais interlocutores. Então, as TIC são mais que informática e computadores; são também redes. Também não são apenas tecnologias de emissão e difusão (como a televisão ou a rádio), mas também permitem uma comunicação interactiva (feedback) entre emissores e receptores. Portanto, as TIC concebem-se como o universo de dois conjuntos representados pelas tradicionais Tecnologias da Comunicação (TC, principalmente televisão e rádio) mais as Tecnologias da Informação (TI, principalmente informática e telemática). O melhor exponente das TIC é a internet.
A ‘fenda digital’ é geralmente definida como uma série de factores complexos que explicariam as diferenças existentes entre pessoas, famílias, empresas, países ou áreas geo-políticas de diferentes níveos sócio-económicos, com relação tanto às oportunidades de ter acesso às TIC quanto ao uso que se fizer delas para um amplo leque de actividades.
A definição não é errónea, mas limitar a problemática da fenda digital às dificuldades de acesso à tecnologia por parte de amplíssimos sectores da população mundial seria ignorar os problemas das infra-estruturas e da formação dos que já falámos na introdução. Quer dizer, a definição da ‘fenda digital’ também deve incluir a ausência de infra-estruturas que possibilitarem a extensão e aplicação das novas tecnologias, assim como a necessidade de formar pessoas capazes de as utilizar.
Esta fenda separa pois àqueles que de facto podem usufruir as novas TIC daqueles que não. E o problema não fica por aí. Vários autores têm apontado para a ligação entre a redução da pobreza e a aplicação das TIC devido ao seu efeito catalítico e de arraste em áreas como o bem-estar, a educação e o mercado de trabalho. Mas, entendendo o desenvolvimento desde uma perspectiva holística, não podemos deixar de observar que o impacto das TIC sobre a economia e a redução da pobreza deve apoiar-se também, e sobretudo, noutras medidas. Isto é, não adianta proporcionar-lhe a um agricultor informação de última hora sobre os preços dos seus produtos se não existirem as infra-estruturas que permitam transladar os seus produtos ao mercado (Grace; Kenny; Qiang, 2001), pois não existe qualquer ligação casual entre o desenvolvimento económico e o tecnológico. Isto é assim porque existe a (falsa) crença de que um investimento nas TIC redundará automaticamente no crescimento económico. Todavia, será a existência de níveis sustentáveis de crescimento o que condicionará a difusão e utilização eficiente destas tecnologias e apenas a posteriori, se calhar, um aumento do bem-estar.
Como dizíamos, a ‘fenda digital’ separa àqueles que de facto podem usufruir as novas TIC daqueles que não. Isto não apenas se limita às possibilidades (económicas) de acesso às TIC, mas ao que tem a ver com a competência (destreza) para o seu uso. Aqui observamos que também existe, dentro da mesma sociedade e dentro de um mesmo nível económico uma dificuldade de acesso criada pela presença/ausência da competência que geralmente é uma barreira intergeracional e/ou cultural: pais/avós cujos filhos têm competência no uso das TIC, mas que não são capazes de as entender e/ou utilizar. Isto é uma problemática também complexa.
No que tem a ver com os fluxos comunicacionais, como já apontara há anos o Informe McBride, existe um desequilíbrio norte-sul. O norte (as sociedades ocidentais, as metrópoles económicas) é um grandíssimo emissor, por enquanto o sul (países em vias de desenvolvimento e Terceiro Mundo) é um grandíssimo receptor. Isto quer dizer que o sul é dependente do norte a nível comunicacional, do mesmo jeito que já o é nos planos económico e cada vez mais no cultural. Que resultados provoca isto?
A homogeneização da periferia a respeito do centro, réplica mimética dos modelos da metrópole. Neste plano, o d-learning, quanto mais surgir de ONGDs e menos de empresas supostamente ‘bem-intencionadas’, mais poderá fazer por ajudar os actores passivos a serem cada vez mais activos e menos dependentes, ensinando-lhes a pescar o peixe sem que lho deitem no prato.
Já então quando se começava a falar das TIC como uma poção mágica para o desenvolvimento económico e social nas regiões menos favorecidas, Kirkman (1999) perguntava-se se o chamado salto tecnológico (capacidade observada nos países em vias de desenvolvimento para ‘saltarem’ certas fases do processo de desenvolvimento tecnológico) seria factível. A única resposta válida seria ‘talvez’.
Temos visto países da África onde se vem estendendo a utilização de telefones celulares e de ligações via satélite sem que previamente se chegaram a instalar redes de telecomunicações convencionais. Mesmo semelha que alguns países, precisamente por não terem (invertido em) infra-estruturas de comunicação ‘seculares’ se incorporaram mais rapidamente à utilização das novas TIC.
Do mesmo jeito, embora existam exemplos, como a Estónia ou os ‘tigres asiáticos’, nos que a incorporação das TIC estimulara decisivamente o progresso económico e social, não se deve deixar de contextualizar esta disseminação no marco da expansão do capitalismo, do liberalismo económico, do imperialismo cultural e de modelos políticos e financeiros de corte ocidental, como ferramenta de ligação entre os focos de urbanização vertical dos países em vias de desenvolvimento e os focos de expansão capitalista.
Porém, a discussão desta problemática, por razões de espaço, ficará para uma outra ocasião, embora seja inelidível a pergunta de se exportar o modelo ocidental quando se induz a incorporação das TIC por estes países é ético, pois também não se pode ignorar o facto de que as multinacionais têm grande interesse em introduzir os seus sistemas nos países em vias de desenvolvimento (criando laços de dependência) sob o pretexto de aumentar as capacidades tecnológicas locais.
Antes de mais, e especialmente quando abordamos o campo da cooperação para o desenvolvimento, faz-se necessário abordar a própria definição das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação). Generalizando, poder-se-iam descrever como aquelas tecnologias possibilitadoras da manipulação (no sentido mais positivo) de informações com a finalidade de facilitar diversas formas comunicacionais (Hamelink, 1997).
Em ocasiões, com isto faz-se referência às tecnologias da informação em geral (incluindo o que nos países ocidentais são consideradas já tecnologias antigas: rádio, televisão, telefone, etc.) e em outras apenas à rede de redes, a Internet, e demais tecnologias associadas ao mundo da computação. Embora meios como a rádio possam ter grande utilidade para levar a cabo projectos de formação e informação ao incidirem sobre populações afastadas e mesmo excluídas por barreiras geográficas e de alfabetização, neste artigo far-se-á apenas referência ao segundo uso do termo TIC (comunicação), embora muitas das possibilidades para as que se apontará possam vir a ser igualmente válidas utilizando outras tecnologias ‘convencionais’ (bastem os exemplos de Radio Studio Ijambo do Burundi ou da rádio Kothmale no Sri Lanka dos que mais adiante falamos).

3. Conhecimento aplicado ao desenvolvimento

As TIC não deixam de ser simples ferramentas. Como tais, poderão ter ou não um impacto mais ou menos positivo, e mesmo negativo, em função do uso que delas se fizer, mas sempre inserindo-se no jogo de complexas redes sócio-institucionais e dos nem sempre transparentes processos políticos que as introduzem e regulam. Esta afirmação é tão aplicável nos países industrializados (com o seu aninhado Quarto Mundo, os segmentos de população mais desfavorecidas dos países ocidentais) quanto naqueles em vias de desenvolvimento.
Seja como for, os padrões dos processos já iniciados semelham indicar que é a educação um dos elementos cruciais para um óptimo e sensato aproveitamento das TIC. Ainda que com ritmos variáveis, certos países em vias de desenvolvimento vêm mostrando nos últimos anos índices espectaculares de expansão das novas tecnologias. Certamente, existem enormes desigualdades (que alguns mesmo acham insuperáveis) já não tão-só com os países industrializados, mas também entre e dentro dos países mais desfavorecidos, mas pouco a pouco, seja fruto de iniciativas próprias ou através de projectos forâneos, vão-se implantando pontos de acesso à Rede nestas regiões (como os telecentros latino-americanos ou os computadores de baixo custo desenvolvidos pela Universidade Federal de Minas Gerais). E a introdução e generalização de tecnologias Wi-Fi, GSM, modificações do XML como o IDML (International Development Markup Language; ‘Linguagem de Marcas para o Desenvolvimento Internacional’) ou a expansão e difusão de software livre e open source (Linux, por exemplo) e materiais de livre distribuição com licenças específicas abrem novas possibilidades a ter em conta, sem deixar de tomar em consideração a problemática da denominada ‘fenda digital’.
Então, enfrentamos por uma banda a questão do acesso (ligada à disponibilidade e possibilidades económicas) e da capacidade de utilização. Por outro lado, a questão de que os serviços e aplicações que as TIC aportarem sejam úteis e funcionais para as necessidades reais dos potenciais usuários, para além de sustentáveis no tempo. Não se trata apenas de superar barreira de (falha de) infra-estruturas, pois utilizadas inteligentemente podem mesmo colocar-se à disposição de massas iletradas em campos como a agricultura, a medicina ou a administração, entre outros (chegue com o exemplo da Mauritânia do que mais adiante falamos).
Partindo daí, as possibilidades que se apresentam para os segmentos alfabetizados e/ou escolarizados nos distintos níveis do sistema educativo semelham mais limitadas pela imaginação que pelas próprias tecnologias. De facto, as organizações que implementam projectos deste tipo têm calculado que, seja qual for o país em questão, um programa de 5.000 computadores distribuídos em 1.000 localizações (ONGDs, escolas, etc.) poderia, correctamente gerido, proporcionar formação continuada a 60.000 pessoas. Sirva como exemplo a Humanity Digital Library, um projecto impelido por mais de 70 organizações (entre elas, a ONU, a FAO e diversas universidades) que visa a distribuição de informação através de bibliotecas de custo reduzido. Oferece-se, entre outros produtos, um CD-ROM que inclui uma biblioteca com 3.000 livros básico, concebido como um programa de vacinação maciça contra a falha de conhecimento. Os computadores que forem necessários utilizar-se-iam em turmas de 32 horas durante 13 semanas por três pessoas sob supervisão de um monitor a gerir 10 destas máquinas.
Mas então, quando é que um país ou região está preparado para a implantação das TIC? A resposta não tem uma resposta simples e leva-nos de novo para o salto tecnológico. Quer dizer, um salto abrupto pode não ajudar na implantação destas tecnologias e, pior ainda, pode mesmo desfavorecê-la. Desde os alvores da humanidade, o processo criativo e de aprendizagem que implica o uso e desenvolvimento de sucessivas gerações de tecnologias deixa nas sociedades um sedimento homotético, em parte o chamado know-how (‘saber fazer’), que as capacita para ulteriores desenvolvimentos e inovações.
Por isso, esta introdução desarraigada das tecnologias (ou seja, sem ter existido previamente nada parecido), se não se acompanhar de processos paralelos de treinamento, pode atrofiar de tal forma as capacidades criativas das populações-alvo que o resultado a meio prazo não apenas será insustentável, mas também nefasto para os objectivos que se pretendiam alcançar. Um exemplo a seguir seria o da Estónia, que de novo ganhada a independência em 1991, encetou um projecto baseado no direito ao acesso à tecnologia e à informação.
Na altura, o país possui uma das mais avançadas redes comunicacionais da Europa, níveis elevados de alfabetização electrónica e baixos custos de conexão. Todo isto levou a um boom na aplicação das TIC em sectores como a Administração, as finanças, a educação, a sanidade ou o transporte, que ao mesmo tempo se traduziu num aumento considerável do nível de vida e na criação de laços intra e supra-nacionais.
O interesse crescente pelos programas de formação em-linha atribui-se, essencialmente, ao reconhecimento da Rede como um veículo chave na transmissão de informação e no estabelecimento de uma comunicação em tempo real e em diferido. Somado isto ao facto de que a população que acede à internet aumentou, os progressos técnicos (aliados à transformação de conteúdos passivos em dinâmicos e interactivos) constituem também factores decisivos no uso da Rede.
A aplicação de uma gama de tecnologias do aprendizado no campo do desenvolvimento de recursos humanos vai estreitamente ligada à melhora da qualidade dos sistemas, pois efectua-se uma redistribuição da oferta formativa a partir da demanda e atendendo a necessidades específicas. Para as instituições formadoras e para a sociedade em geral, as TIC oferecem experiências de aprendizado para quem interessar (em quaisquer lugares e momentos, de jeito virtual), a possibilidade de estabelecer novos jeitos de comunicação entre docentes e alunos e também a oportunidade de realizar progressos adaptados às exigências de formação das organizações e às necessidades e aptidões dos participantes.
Com efeito, em quaisquer projectos de cooperação, cada vez mais esta componente (a formação) é mais demandada. E já não falamos apenas da formação das populações-alvo dos projectos, mas também dos próprios cooperantes, for aplicada à cooperação (inculcando noções instrumentais técnicas para a implementação de projectos) ou tratar-se de formação de formadores. Precisamente um dos problemas críticos na educação para o desenvolvimento é a escassa disponibilidade de mais e melhores educadores, resultando as TIC uma ferramenta eficaz e económica para cobrir esta necessidade.
Encontrar professores qualificados que quiserem ir embora exercer a sua profissão em países em vias de desenvolvimento é complicado, e ainda mais ‘retê-los’ lá, longe de suas famílias, vida e emprego habituais durante os períodos de tempo necessários para a obtenção de uns resultados mínimos.
Muitas pessoas simplesmente não podem assistir a aulas universitárias, pois perder seus trabalhos poderia implicar a morte por inanição (todos temos na cabeça imagens de jovens africanos ou sul-americanos que tiveram de escolher entre estudar ou ajudar na melhora da precária economia familiar). As alternativas que cá se propõem permitiriam a estas pessoas desenvolver as suas capacidades obtendo acesso a novas possibilidades de melhora; mesmo àqueles que não tiveram a oportunidade de concluir os seus estudos.

Gráfico 3. Possíveis campos de acção do d-learning



Quando se trata de levar a formação a regiões longínquas onde não existem escolas e outras estruturas educativas formais, as TIC têm muito a oferecer, e não nos referimos necessariamente aos países em vias de desenvolvimento, pois projectos deste tipo vêm-se implementando desde faz tempo em países com populações tradicionalmente dispersas como a Austrália ou o Canadá. Combinadas com a educação presencial, as TIC podem ser utilizadas para trasladar materiais e métodos pedagógicos de grande qualidade ou mesmo leccionar aulas nas que alunos e professor se achem em hemisférios opostos. A utilização de computadores nas (e para as) aulas, em qualquer lugar do mundo, tem uma série de lógicas a explorar de forma integral e combinada:

 Formar pessoal altamente qualificado na utilização das TIC
 Proporcionar conhecimentos básicos de informática de forma extensiva
 Utilizar as TIC para explorar as possibilidades curriculares
 Promover a incorporação de inovações no nível curricular e do papel do educador
 Possibilitar o acesso às fontes de informação, nomeadamente à Internet
 Promover o contacto e intercâmbio com outros centros educativos através das TIC

Desde os seus inícios, a Rede e seu desenvolvimento cara às formas que hoje conhecidas fundamentou-se no trabalho voluntário e cooperativo. Nada indica que agora vá deixar de desenvolver-se nesse caminho, mais bem todo o contrário. O(s) movimento(s) pelo software livre, embora sem estar ligados necessariamente às linhas das organizações não-lucrativas, vêm funcionando de forma similar, criando redes de ‘voluntários’ (hackers, entre outras ‘criaturas’ da Rede) a produzirem e oferecerem serviços, produtos, aplicações (software de uso livre) e conteúdos (manuais e guias). Assim, surgiram projectos de colossais dimensões como o GNU/Linux, um sistema operativo ‘gratuito’, livre e sustentável. Por outra banda, de forma similar aos movimentos de criação e desenvolvimento de aplicações, achamos as novas formas de distribuição de conteúdos, como as licenças Creative Commons ou GNU-GPL, que embora não são equifuncionais, geralmente se agrupam sob a denominação open source (‘recursos de graça’ ou ‘software livre’).
Para articular estas duas componentes é preciso mais um recurso, neste caso humano, que além de ter carácter voluntário, isto é, não lucrativo (embora eventualmente seja necessário recorrer a pessoal remunerado para certas tarefas), deve possuir as qualificações necessárias que a labor requer. A vantagem, ou as possibilidades, que oferecem este tipo de plataformas reside no facto de que a colaboração não seja necessariamente presencial (falamos assim de e-voluntários) pelo que poder ser alternada com outros trabalhos ou posições que de outra forma excluiriam a participação. O trabalho voluntário pode facilmente assumir-se desde o computador pessoal doméstico ou do posto de trabalho nos tempos de lazer, pois apresentam-se as possibilidades de assincronia e ubiquidade (estar tempos e lugares diferentes de jeito simultâneo).
O propósito desta reflexão é ver as possibilidades das TIC no âmbito educacional, apresentando opções viáveis de uso destas tecnologias desde uma perspectiva enriquecedora, capaz de potenciar a capacidade criativa do trabalho docente e investigador através do uso da informática, tomando como referentes os objectivos pedagógicos.
Na altura, proliferam os recursos educacionais em internet, como também proliferam as empresas dedicadas ao desenvolvimento de software educacional. Um exemplo da primeira tendência são os wíkis, conteúdos modificáveis praticamente na sua totalidade pelos utilizadores, cujo máximo exponente é a enciclopédia de graça em-linha Wikipédia, com versão em várias dúzias de línguas (incluída a nossa, nas versões luso-brasileira e galega, com quase 100.000 entradas a 2 de dezembro de 2005, 85.925 da luso-brasileira face 10.400 da galega).
O primeiro dos objectivos deveria ser fomentar o desenvolvimento da capacidade de produção de ideias, propiciando a fluidez de expressão e a flexibilidade do pensamento. As ideias próprias devem-se adaptar a um estilo pessoal, quer dizer, deve-se potenciar a imaginação como ferramenta mais a originalidade na expressão do pensamento através da toma de decisões próprias. Isto não é possível se previamente não educarmos os sentidos, pois é graças a eles como interagimos com o nosso entorno. As novas tecnologias possibilitam os alunos a experimentarem com elementos tão diferentes entre si como o áudio, vídeo, gráficos (em 2D ou 3D), texto ou bases-de-dados, que nem sempre têm referentes físicos ou reais.
Outro tipo de faculdades que se deveriam desenvolver e que enumeraremos de jeito restrito, sem entrarmos em detalhes (por questões de espaço) seriam o razoamento verbal (expressão oral, expressão escrita e compreensão leitora) e o razoamento lógico-matemático (para solucionar problemas e pensamentos abstractos, como em recriações 3D). Em definitiva, o aluno deve aprender a usar os seus conhecimentos para perceber o mundo, pois apenas percebendo-o será capaz de interagir com ele, transformá-lo e, somente depois, melhorá-lo.
Determinados já os objectivos, o seguinte passo é escolher as ferramentas mais adequadas para consegui-los do jeito mais óptimo. É preciso decidir, dentro do amplíssimo leque existente, que tipo de programas contribuirão melhor à finalidade educativa.

- Software instrucional. Está especificamente concebido como aplicação didáctica, pois propicia a automatização de exercícios ou de exames de diferentes matérias. Incluir-se-iam aqui os tutoriais (cursos de iniciação cara a uma actividade seguindo uma curva de aprendizado progressivo), os simuladores de situações reais (que reconstruem cenários de jeito virtual), o software enciclopédico e o software de aprendizagem de idiomas (muitas vezes de graça).

- Software de uso general. Esta denominação abrangeria software genérico como os processadores de texto, software de criação de imagens ou reprodutores/editores de áudio e sonido.

- Linguagens de autor, que permitem criar e gerir publicações electrónicas capazes de interagir com os utilizadores (como a criação um blogue para leccionar História da Arte através da inserção de conteúdo textual, imagens, ligação com páginas relacionadas, sugestão/consultas do alunado, etc.).

- Jogos com finalidades educativas.

- Bases-de-dados que permitem cruzar dados entre si nos mais diversos formatos (texto, vídeo, som...).

- Aplicações comunicacionais. Nos últimos anos, ao falarmos de tutorias em-linha apenas nos referíamos ao correio electrónico, listas de discussão ou fóruns. Agora, as tutorias e o aprendizado em-linha contam com ferramentas de apoio mais fortes como os blogues (que, contrariamente à maior parte das listagens de correio, são capazes de integrarem de jeito óptimo a multimedialidade e o feedback), os serviços de comunicação textual em tempo real (bate-papos como o popular Messenger) e até o mais recente boom provocado pela tecnologia Voz-IP (que embora exista desde 1998, somente se pôde popularizar em datas recentes graças aos progressos técnicos e ao surgimento de padrões), como o afamado Skype, um programa que permite conversas com voz em temo real como se de um telefone-web estivéssemos falando.

O objectivo geral do sistema educacional é preparar a gente para a vida, que dizer, dotá-la de uma bagagem de conhecimentos suficiente e potenciar a sua criatividade e raciocínio críticos. Mas as possibilidades das TIC obrigam-nos a repensar o sistema educacional para integrá-las no seu seio deste, dando-lhe, destarte, valor adicional. Isto permitir-nos-ia formar alunos activos e criadores no canto de passivos consumidores e reprodutores das palavras do professor.
Por suposto, também é necessário repensar o labor do docente, que não apenas se deveria limitar a dar aulas, mas também coordenar trabalhos em parceria de responsabilidade compartida; actividades de pesquisa, compreensão, avaliação e selecção de informação de jeito multiperspectivo e multidisciplinar que obrigariam a usar a inteligência mais do que a memória. A todo isto podem contribuir as Redes, pois permitem elaborar cursos electrónicos de jeito personalizado e automatizado. Graças a isto, o professor poderia tutorizar os trabalhos de cada aluno e adaptá-los ao próprio ritmo e aptidões deste.
Um último apontamento. Ao menos pelo momento, o livro não vai ser substituído do seu lugar referente no ensino. Porque? Porque o modo de pensamento importo pela linguagem humana é o sequencial (ou lineal), por enquanto o multimédia desenvolve acções em paralelo (hipertextual), complementares entre si mas sem sentido absoluto por separado.
Sequencial e hipertextual são diferentes jeitos de conservação e de transmissão do saber, mas no canto de os enfrentarmos temos de ser cônscios das possibilidades derivadas da exploração da sua coexistência. Por exemplo, a linguagem sequencial para dar as pautas teóricas e a hipertextual (multimedial em paralelo) para desenvolver a sua vertente prática ou para complementar a explicação.
Apesar de que não compete directamente ao tema aqui apresentado (o d-learning), acreditamos necessário fazer algumas aclarações no que atinge às normas de redacção web. Porque? Ao começo deste artigo afirmamos o disparate da penetração de algumas inovações da tecnologia em lugares onde não existia a infra-estrutura adequada, provocando um aproveitamento nulo dos recursos investidos. Fazendo um paralelismo, desde aqui queremos aproveitar para assinalar que muitos recursos electrónicos destinados ao aprendizado electrónico carecem da suficiente legibilidade como para que deles se possa tirar qualquer proveito, principalmente se o público-alvo não está (suficientemente) alfabetizado.
Precisamente por não ser da nossa competência estrita, apenas fazemos umas recomendações básicas que, na nossa opinião, deveriam cumprir os materiais que se quiserem considerar para o d-learning:

- Características. Concisão, páginas de curta extensão (máximo 4 scrolls), linhas pouco extensas (máximo 60 caracteres), uso da linguagem comum (não é o mesmo que vulgar!), simplicidade sintáctica. Aproveitar o hipertexto não apenas para complementar informação, mas também para fragmentar o texto através de nodos e ligações.

- Processo de estruturação. Definir o foco da informação, recompilar o material estritamente necessário (texto, imagens, infografias, vídeo ou hiperligações), elaboração de um breve resumo ao começo de cada texto (também seria idóneo um esquema), clara identificação dos elementos interactivos, fragmentação da informação em nodos lógicos seguindo o chunking (uma parágrafo, uma ideia), uso inteligente da tipografia (identificando títulos e blocos de informação com golpes de vista).

- Escrita em capas. Resumo conciso do tema, versão estendida dos aspectos complexos, fragmentação do texto em unidades independentes (como já dissemos: um parágrafo, uma ideia), ligar para recursos análogos, estabelecer propostas de interacção para o usuário.

Gráfico 4. Distribuição das capas



Estas recomendações acreditamo-las acertadas, pois na altura a informação web segue a ser textual quase num 90%. Ainda, determinadas circunstâncias fazem necessária uma redacção no meio internet diferente de no papel. Por exemplo, no ecrã a leitura é mais lenta (de média, arredor de um 30%), para além de se produzir um notável cansaço ocular (que se pode reduzir com um uso inteligente da tipografia). A máxima a seguir, no que atinge à redacção web, teria de ser “MENOS É MAIS”.

4. Vantagens da formação em-linha

Embora com abismais desajustes, os países em vias de desenvolvimento vão-se fazendo cada vez mais permeáveis à introdução das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), seguindo as pautas globalizadoras cara a uma situação de glocalidade (global+local). Tal penetração tem demonstrado a sua vertente mais disparatada com agentes ocidentais (ou ocidentalizadores) tentando introduzir computadores em aldeias do Terceiro Mundo sem água nem electricidade.
Seja como for, tudo parece indicar que as TIC gerarão nesses países os mesmos problemas que já provocaram na Europa, particularmente nos seus sistemas educativos, e isto por mor das pressões políticas e sociais existentes. Do mesmo jeito que não se podem introduzir tecnologias quando não existem as infra-estruturas básicas, também não adianta implantá-las se não vierem acompanhadas de uma verdadeira formação (nomeadamente em matéria de formação de formadores) que possibilitar a sua valorização e aplicação real. Noutras palavras, como tirar proveito das TIC sem se terem criado as infra-estruturas que lhes permitirem funcionar e sem se terem formado pessoas capazes de as empregar?
No entanto, ante um panorama minimamente favorável, as possibilidades das TIC em campos como a educação para o desenvolvimento são alentadoras. Nos últimos tempos, a aplicação das novas tecnologias na educação a distância tem provocado grandes sucessos e abrindo novas possibilidades, aparecendo o que se viria a chamar e-learning. Cumpriria perceber este conceito como aquela forma de aprendizado complementar ou substitutivo das aulas tradicionais.
A formação em-linha pode supor uma drástica redução de custos (evitando deslocamentos, alojamentos, materiais impressos, etc.) o qual, somado à possibilidade de recorrer a um voluntariado virtual altamente qualificado e materiais docentes de uso livre, resulta num modelo flexível e economicamente sustentável para a gestão de conhecimentos, aplanando hierarquias e descentralizando responsabilidades.

Gráfico 1. O d-learning como ensino ‘livre’


Cada vez mais, os processos educacionais situam-se fora dos sistemas tradicionais (ou formais) de ensino através da implantação de metodologias de aprendizagem a distância tecnologicamente mediadas. Quando se trata de implementar programas cujo alvo principal se situa nos países em vias de desenvolvimento, e não só, devem-se ter em conta critérios como o acesso, a qualidade e custos, pois uma componente mal planificada pode ter um impacto fulminantemente negativo no conjunto do projecto, limitando consideravelmente suas possibilidades de acesso e êxito final. As actuais infra-estruturas e metodologias educativas simplesmente não estão à altura das necessidades, reptos e desafios da nova ‘aldeia global’, na que é preciso e urgente incrementar o acesso à educação. O d-learning, neste sentido, aúna as características atribuíveis ao e-learning (formação/ensino electrónico), mas também aquilo referente a projectos de cooperação e de ajuda ao desenvolvimento.

5. D-learning: novos reptos, novas possibilidades

Seguindo os aspectos supracitados, as plataformas de aprendizado em-linha baseadas em software livre e sustentável combinadas com conteúdos de livre acesso e recursos humanos voluntários assentariam as bases dos projectos educativos que viemos a denominar d-learning ou aprendizado para o desenvolvimento.
As vantagens não são apenas as visíveis a simples vista, como o baixo custo permitido pelo software livre e outros elementos com licenças gratuitas. A utilização deste tipo de programas e sistemas evitam, tal e como aconteceria de utilizar aplicações baixo licença ‘tradicional’, o estabelecimento de ligações de dependência com as empresas programadoras (habitualmente multinacionais) e o consequente impacto negativo sobre a economia. A possibilidade de ter acesso ao código fonte das aplicações para modificá-las e adaptá-las a umas necessidades específicas fomenta ademais o desenvolvimento endógeno dos sectores de programação autóctones.
Na era da informação, a formação transformou-se numa necessidade e, neste contexto, as novas tecnologias fornecem a oportunidade de aceder não apenas a uma educação convencional mas outras possibilidades de desenvolvimento pessoal e profissional além do ensino tradicional. Assim, falar da utilidade das TIC na educação a distância já soa a velho, mesmo porque desde seus inícios se têm utilizado habitualmente meios como a rádio e a televisão e, hoje, a Internet, que se está a manifestar de forma patente como um oceano de possibilidades nesse campo. Mas, quando falamos de projectos d-learning devem-se ter em conta uma série de factores:

 Centrar-se na educação, não na tecnologia
 Desenvolver projectos com a massa tecnológica crítica
 Formar e aperfeiçoar a capacidade de uso das TIC dos educadores
 Garantir o correcto monitorizamento das actividades
 Incentivar a integração e apoio comunitário
 Pensar de jeito sustentável

Entre as características básicas que oferta a rede para a formação em-linha estão a acessibilidade (superando barreiras cronotópicas) assim como novos modelos de aprendizagem e de docência nos que os ‘educadores’ são mais ‘facilitadores’ do que ‘instrutores’ no sentido mais tradicional (Peña, 2001). A isso devemos acrescentar a drástica redução de custos (evitando deslocamentos, alojamentos, materiais impressos, etc.) que, somada à possibilidade de recorrer a um voluntariado virtual altamente qualificado e materiais docentes de uso livre, resulta num modelo flexível e economicamente sustentável para o gerenciamento de conhecimentos, aplanando hierarquias e descentralizando responsabilidades.
No que diz respeito aos conteúdos, partimos por uma banda da existência de uma quantidade significativa de recursos na Rede que, junto com outros novos, devem ser adaptados aos entornos de aprendizado virtuais desde as perspectivas metodológicas, curriculares, técnicas, etc. Pense-se, por exemplo, nas próprias comunicações deste evento (I Simpósio de Outono sobre Resolução Pacífica de Conflitos, celebrado o 5 de Dezembro de 2005 em Rianxo, Galiza), disponíveis em formato digital e que poderiam, sem grandes complicações, fundamentar um curso básico em-linha sobre as possibilidades do terceiro sector. Obviamente, o labor a realizar é extenso, mas os avanços também são importantes, nomeadamente, como já se indicou, nas novas fórmulas de distribuição livre. Da mesma forma que falamos de conteúdos livres, os voluntários virtuais vêm a ser contentores e veiculadores de conhecimento livres, se bem no momento actual a tradição de trabalho neste campo é ainda muito reduzida.
O desenvolvimento e aprofundamento nas linhas gerais expostas nesta comunicação poderia dar lugar ao modelo de d-learning proposto, que aplicado ao âmbito da cooperação poderia dar pé a: actividades de formação interactivas e viáveis nos países em vias de desenvolvimento; aprendizado baseado na experiência real de expertos fomentando as capacidades de actuação; facilitar intercâmbios transregionais superando restrições cronotópicas e facilitar acesso aos mais avançados conhecimentos em matérias de relevância.

Gráfico 6. A e-Cooperação



6. Casuística aproximativa

Este epígrafe pretende explicitar uma série de exemplos significativos do que se comentou anteriormente ou se estão a implementar por todo o mundo em eidos como a educação, a sanidade, a agricultura, o comércio, o turismo, o governo ou a Resolução de conflitos. Pela preocupação que desata, dedicaremos um espaço considerável para dar a conhecer projectos no âmbito higénico-sanitário.
Com efeito, o da saúde é um dos problemas mais importantes dos países do chamado Terceiro Mundo, onde milheiros de pessoas morrem todos os dias por males de doada solução, mas que a escasseza de possibilidades ou a ausência de informação não conseguem combater.
Em Camboja, uma pequena aldeia chamada Robib serviu de campo de experimentação para um amplo leque de aplicações como o comércio electrónico, uso escolar de computadores e, como no caso que nos ocupa, da telemedicina. Em fevereiro de 2001 desenhou-se um procedimento no que uma enfermeira mais um técnico se deslocavam uma vez ao mês desde Phnom Penh com uma câmara digital. Quando a enfermeira não conseguia fazer por si o diagnóstico, o técnico atirava fotografias que se enviavam por internet (disponível através de uma ligação por satélite na escola local) para a Partners Telemedicine, uma ONG dos EUA com colaboradores na escola de medicina de Harvard e no General Hospital de Massachusetts, onde se realizava um diagnóstico e se indicava o tratamento recomendado.
Na Índia, por exemplo, o sistema de saúde primária é através dos Centros Primários de Saúde, atendidos por enfermeiras auxiliares e com uma cobertura média de 5.000 pessoas. O seu problema, que diariamente devem atender um enorme número de pessoas e o pessoal consome a maior parte do seu tempo elaborando informes e mantendo registos. Para paliar esta situação nasceu o ‘Projecto Cuidado da Saúde na Índia’ (India Health Care Project). No marco dele, capacitou-se o pessoal no uso de PDAs especialmente desenvolvidas para um público semi-alfabetizado. Com o uso destas ferramentas, não apenas se reduziu entre o 40 e o 60% o tempo para as tarefas anteriormente mencionadas, mas também melhoram a qualidade mais o rigor da informação processada, pois as PDAs ajudavam a gerar e gerir calendários de turmas de trabalho, periodização de campanhas de vacinação, etc.
Na mesma linha está o programa MARA, siglas em inglês de ‘Traçando um Mapa do Risco da Malária na África’ (Mapping Malaria Risk in Africa). A malária é uma enfermidade com especial incidência no continente africano (concentra o 90% dos casos a nível mundial). O projecto pretende recolher informação que permitir a implementação e planeamento racional de estratégias de controle e de prevenção da malária seguindo três directrizes: reunir dados de distribuição, periodicidade e endemicidad para traçar o risco de presença desta patologia no continente; disseminar informação em formatos acessíveis entre os actores-chave e desenvolver um sistema de informação geográfica (SIG ou GIS em inglês) que permita integrar séries de dados sobre incidência e sobre condições ambientais para gerar mapas com o material recompilado.
Também na agricultura se implementaram as novas possibilidades. No Senegal, por exemplo, proporcionou-se aos produtores acesso a telemóveis com tecnologia WAP que lhes permitia obter informação em tempo real sobre os preços dos seus produtos nos mercados de Dakar. Embora se tratasse mormente de pessoas iletradas, asinha conseguiram manejar de jeito fluído essa tecnologia que lhes possibilitou negociar de jeito mais efectivo com os intermediários (lembremos: a informação é poder), dos que antes dependiam para obter esta informação.
À sua vez, na Faculdade de Agricultura da Mauritânia, implementou-se um outro sistema de informação agrícola que proporciona conselhos práticos para o cultivo da batata aos campesinhos analfabetos do rural. Destarte, desenhou-se um jogo de ícones para representar as práticas agrícolas tradicionais junto com ficheiros de áudio nas línguas locais. Disto resultou uma aplicação informática com informação de utilidade que pode ser manejado de jeito simples por população iletrada.
Na linha educacional e de formação destacam outra série de projectos. O mais antigo é Telesecundaria, criado em México no 1968, que desde aquela altura levou a educação secundária àquelas zonas rurais mexicanas onde dificilmente se poderiam instalar centros tradicionais. O programa baseou-se em emissões de televisão através do satélite governamental Solidaridad 1. O sucesso provocou a extensão o sinal a outros países através de um acordo de cooperação assinado em 1996 (Panamá, 1996; Costa Rica, 1997; Guatemala, Honduras e o Salvador, 1998).
Um projecto análogos implementou-se em Honduras. No seu caso foi uma rádio para aqueles jovens que desistiram de completar a sua formação académica no ensino tradicional. Devido ao seu relativo sucesso, estendeu-se a sua oferta aos níveis avançados. Provou ser mais económico que a educação tradicional, embora não melhores resultados. Pela sua parte, em Chile iniciou-se no 1993 o plano piloto Enlaces, cuja pretensão era a de criar uma rede de telecomunicações entre 100 escolas primárias, se bem a finais de 1995 já se superaram as espectativas ao ligar mais de 180 centros de ensino primário e de secundária. A partir daí deu-se o salto para converter a iniciativa em programa de alcance nacional.
Também noutros âmbitos menos evidentes foram aproveitadas as enormes possibilidades TIC. O programa Kiskaya empregou-se em Haiti e na República Dominicana para estabelecer um turismo alternativo e sustível criando por internet canais promocionais e de comercialização, permitindo a comunicação directa entre consumidores e organizadores, procurando ao mesmo tempo sensibilizar sobre o impacto do turismo. Os três piares do projecto são: comércio, trabalho cooperativo e promoção/marketing através de um portal web.
No campo da prevenção ou resolução de conflitos e de mantimento da paz (objectivos que figuram nos pressupostos fundacionais do Instituto Galego de Estudos de Segurança Internacional e da Paz) destaca o projecto Radio Studio Ijambo, na região africada nos Grandes Lagos (Hagos, 2001). Lembramos as matanças de 1994 em Ruanda? Naquela altura, a RTML (Radio-Television Libre des Milles Collines) tivera um notável papel à hora de fomentar o ódio e a violência. Ratio Studio Ijambo, que na língua quirundi quer dizer “palavras sábias”, instalou-se em 1995 no vizinho Burundi para produzir uma grelha de programação para hutus e tutsis com 15 horas semanais de notícias, actualidade, programação cultural e de entretenimento que podia alcançar 12 milhões de ouvintes.
As aplicações da rádio parecem ainda hoje muitas, e mais o serão com o avance da digitalização e a extensão e popularização da rádio digital (meio de informação idóneo para populações iletradas... e não só!). No Sri Lanka podemos falar do projecto Radio Comunitária Kothmale. Trata-se de um exemplo de utilização deste meio como interface entre as comunidades rurais e a Rede de redes. Se bem não é uma rádio digital in strictu sensu, a internet é um elemento que subjaz. Os ouvintes podem enviar perguntas ou inquietações aos locutores para que estes tencionem responder após pesquisarem em-linha, ‘traduzindo’ os resultados para linguagem coloquial. Deste jeito facilita-se o acesso a conhecimentos que doutra forma seriam inacessíveis.
O Instituto Tecnológico de Massachusetts está a desenhar um projecto de computador portátil de baixo custo, o 100$ Laptot. Algumas das suas especificações técnicas são: compatibilidade com redes inalâmbricas (internet sem fios, wi-fi), vários portos USB, processador a 500 Mhz, 1 GB de memória flash (o tamanho da memória é muito reduzido, mas ao substituir o disco rígido consegue optimizar o prezo final) e 1 megapíxel de resolução do ecrã. Como curiosidade, a bateria destas máquinas recarregar-se-ia de jeito manual com uma manivela, o que permite estabelecer esta tecnologia em zonas rurais sem conexão a redes eléctricas. Com efeito, não se trata de uma máquina comparável em potência e prestações às que possamos ver qualquer um de nós nas nossas lojas de informática (de facto, a potência do processador é equiparável à de PCs com mais de cinco anos de vida), mas decerto que para a finalidade com a que foram concebidos serão úteis. Porquê portáteis e não PCs? Se bem alguns dos componentes do PC são mais baratos, a mobilidade é um factor importante. A redução do prezo (que se prevê que ainda possa ser maior) consegui-se utilizando componentes electrónicos reciclados, não pretendendo prestações excessivas e eliminando a gordura que supõem muitos componentes secundários infra-utilizados e instalando componentes genéricos a nível de tarjeta de vídeo e de sonido (que, após o processador, muitas vezes são o hardware mais caro). Note-se que o projecto em si não pode ser apenas a fabricação destes ordenadores; mas estes o primeiro, as ferramentas, cara a ulteriores programas (sobretudo ao serem portáteis, compatíveis com wi-fi e não dependerem de redes eléctricas).

7. A responsabilidade das Administrações

Igual que já acontecera quando a expansão de anteriores tecnologias da comunicação (telefonia, rádio, televisão, etc.), as Administrações têm uma grande responsabilidade no que tem a ver com a implementação das TIC quanto no ritmo ou jeitos com o que esta se faz. Isto é algo inerente a quaisquer modelos de regulação sectorial, e pode dar pé a situações muito heterogéneas. Por exemplo, na Espanha ou no Brasil, os seus modelos televisivos foram definidos por ditaduras militares, onde o Estado tomava um férreo controle sobre a comunicação, monopolizando-a. Por enquanto, no Japão ou nos EUA a situação foi justamente a contrária.
No momento actual, nas sociedades ocidentais produz-se um recuo provisório do Estado. Mas, além disso, mesmo na situação actual, de retirada do Estado, este desempenha um papel activo crucial, responsável que é pela designação dos actores que serão privilegiados e daqueles que perderão no processo chamado de desregulação que, na verdade, é um processo de transregulação, quer dizer, a faculdade de regular não desaparece do Estado para ser cedida a terceiros agentes, mas delega-a, pelo que ele assume, de facto, a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso do processo.
Por esta razão, o estudo das políticas públicas é fundamental para entender o verdadeiro sentido das transformações actuais. E aqui, mais uma vez, de nada serve a diferenciação público/privado. Também neste caso, o estudo dos movimentos concretos e dos impactos específicos das acções e das omissões é condição prévia para a formulação de hipóteses sobre o futuro.

8. Conclusões

Seria ingénuo pensar na internet e nas TIC como a solução mágica para as dificuldades que atrancam o caminho das organizações sem ânimo de lucro que trabalham para beneficiar os cidadãos do chamado Terceiro Mundo. Como já vimos, o leque de possibilidades que oferece a tecnologia é muito grande e muito heterogéneo, e apenas se está a explorar uma porção ínfima. Por esta razão é que cumpre aprofundar no conhecimento e na utilização efectiva das sinergias criadas pelo trabalho em-linha, e dar a máxima difusão possível a projectos que doutro jeito ficariam estancados pela falta de apoio (económico, logístico, humano, etc.) externo ou que morreriam no esquecimento sem que nunca mais se pudesse aprender da sua experiência.
Dentro das múltiplas possibilidades que oferece a digitalização, a formação constitui mais uma componente a desenvolver de jeito progressivo e natural. Isto far-se-ia dentro da lógica de intercâmbio e de interacção que fundamenta a própria arquitectura de redes. Tampouco podemos pensar no d-learning apenas como uma alternativa económica para a implementação de projectos de educação para o desenvolvimento, pois nem é de graça nem é tão económico: embora seja adaptável às economias de escala, precisa recursos humanos, materiais e monetários como quaisquer outros projectos. Se o sucesso de diferentes projectos de d-learning foi limitado deveu-se, fundamentalmente, a estas carências.
O d-learning nem é nem pode ser substitutivo das escolas, dos liceus e das universidades, mas um recurso para quem não dispõem de acesso a estas instituições e adaptando sempre estas iniciativas às necessidades e dificuldades da sociedade ou território onde se quiser implementar um projecto desta natureza que conta com muitas eivas, mas também com um número enorme de vantagens para poder superá-las. São estes e outros aspectos os que devem ser analisados com detalhe e rigor com vistas a uma futura aplicação prática do d-learning, um jeito de agir que se deve de enfrentar a muitos reptos, mas que já demonstrou muitas possibilidades.
Não somos ingénuos; sabemos das dificuldades e problemas que desta utilização se podem derivar, sobretudo éticos: é lícito o benefício empresarial (p. ex., para fabricantes de hardware) que está detrás de muitas iniciativas de d-learning? Respondemos nós: seria preferível não fazer nada? Em nenhum dos dois casos somos ingénuos e sabemos que nem tudo é branco ou preto. A falta de nada melhor, por enquanto, por aqui fica a nossa proposta.

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