ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes

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3.4 OLARIA, CERMICA E VIDRARIA

As matrias-primas necessrias ao fabrico da olaria esto largamente difundidas por todo o mundo, com excepo das regies montanhosas, dos desertos de areia ou ilhas coralferas. O barro extrado de jazidas naturais e a lenha era retirada dos baldios ou das matas senhoriais, sendo algumas vezes trocada ou, posteriormente, comprada.

As operaes essenciais do oleiro consistiam na moldagem das peas e na sua cozedura. A moldagem inicial era efectuada mo ou era feita com moldes de vime. As formas mais antigas de cermica domstica imitam normalmente recipientes naturais, como as cabaas. O processo de modelar e cozer a argila requeria a existncia duma vida sedentria que s foi possvel com o comeo da agricultura. possvel que a mulher tenha desempenhado um importante papel nesta actividade impulsionada pela necessidade de dispor de recipientes impermeveis, vasos resistentes ao fogo para cozer cereais, legumes e outros produtos.

Os primeiros fornos eram bastante rudimentares e tinham a forma simples de fossos mais aperfeioados. Com o aparecimento do forno de duas filas, com tiragem de ar pela parte superior, os progressos tcnicos aceleraram-se. Os fornos constituram a nica instalao fsica deste ramo de produo. Podiam de ser de vrias espcies: fornos de cal, de telha, de olaria em geral ou de vidro.

As peas de uso dirio ainda eram feitas sem o emprego da roda do oleiro, embora tivesse sido usada uma mesa rotativa. A necessidade de girar os objectos sem paragens conduziu a esta primeira inveno mecnica anunciadora de uma nova era. A utilizao da roda do oleiro permitiu fazer em poucos minutos o que um trabalhador levaria vrias horas ao fazer girar com a sua mo uma base plana; permitiu ainda aos oleiros dar uma forma mais regular aos recipientes e aos vasos de cermica, facilitando a sua difuso. Os construtores de rodas de oleiros eram hbeis artesos. A produo melhorou mais tarde, em qualidade e em quantidade, com a adaptao ao torno de oleiro de uma roda inferior que possibilitava o movimento com os ps. O fabrico de loia de barro em rpidas rodas de oleiro exigia profissionais especializados para uma utilizao eficaz. Nas povoaes instalam-se grandes olarias onde trabalham numerosos artesos.

Na confeco de objectos de barro distinguem-se dois ramos diferenciados: os fabricantes de objectos de barro de uso comum e os fabricantes de telhas e tijolos. Estes eram inicialmente comprimidos mo, mais tarde moldados num caixilho rectangular de madeira. Secos ao sol, enxugados ou cozidos no forno serviam como material de construo. A produo de telhas e tijolos constituiu um ramo especfico de artesanato que estava submetido a um regime mais apertado de domnio senhorial.

Na manufactura de objectos de cermica era utilizada uma argila refinada e tipos de barro diferentes consoante a categoria dos produtos. A arte da cermica melhorou com a composio qumica da argila; o uso duma roda com maior velocidade e regularidade de rotao; a obteno dum cozimento mais lento, controlado e constante. Contribuiu tambm para a sua expanso a fixao de formas decorativas que distinguiam as diversas regies, perodos e oficinas, pela cor, o aspecto da argila, a utilizao de verniz ou a regularidade do fabrico. A decorao avanou graas aos ornamentos pintados e s gravuras em relevo.

O caulino, uma argila branca especfica, quando conveniente misturado e colocado a uma temperatura elevada, petrifica e transforma-se em porcelana. Os europeus importavam da China a maior parte da sua porcelana. A produo efectiva parece ter comeado s no sculo XVIII, eventualmente devido escassez de estanho e chumbo.

O vidro tem como matria-prima essencial a areia siliciosa de que depende a sua qualidade. Os processos qumicos para descolorir o vidro tornaram-no transparente. O tubo de soprar foi inventado para fabricar objectos cncavos ou com a forma de recipientes. A tcnica de fundio e prensagem, usada para obter pequenos recipientes de paredes finas ou pratos foi tambm aperfeioada e aproveitada para a produo de novas formas. O vidro, antes artigo de luxo, tornou-se objecto de consumo banal. Em grandes oficinas produziam-se garrafas e outros recipientes, vidraas e mesmo espelhos. Mais tarde, novas inovaes tcnicas deram lugar ao refinamento estilstico e artstico. Foram descobertos mtodos de fabrico de vidro embutido, lavrado a duas cores e dourado. O resultado desta evoluo foi a divulgao das tcnicas de fabrico e o aumento da exportao. O recurso ao vitral permitiu alterar o ambiente interior dos templos e criar uma nova profisso. Os operrios da Bomia adicionaram slica, cal e potassa, cirando assim um vidro com a aparncia de cristal.

A produo de vidro exigia altas temperaturas. No sculo XVII foi aperfeioado um forno a carvo, inovao que libertou a indstria vidreira da sua dependncia da madeira, permitiu um acrscimo da produo e um abaixamento dos preos.

A indstria ptica acompanhava a do vidro. O efeito aumentativo da lupa era um facto conhecido j de longa data. O fabrico de vidros pticos proporcionou aos vidreiros a realizao dum trabalho importante que exigia grande qualidade.

Na frica Subsariana, sculo XVI, a cermica era uma actividade feminina e ainda inteiramente manual, desde a recolha do barro at aos processos de modelao e cozimento dos potes. Estes potes eram fabricados para uso quotidiano, embora alguns tivessem uma funo ritual. Eram largamente comercializados a nvel local e regional.