Tesis doctorales de Economía

 

TURISMO, CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE URBANO-REGIONAL BASEADA EM CLUSTER

Jorge Antonio Santos Silva

 

 

 

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2.1.8 Paul Krugman – Imperfeições de mercado, retornos crescentes de escala, acidentes históricos e distribuição geográfica da produção econômica

Até aqui, os antecedentes da Teoria dos Aglomerados que se julgou de maior relevância para o objeto analisado neste trabalho, referiram-se a formulações conceituais que integram o corpo da teoria econômica, ao se inserir agora a expressiva contribuição de Paul Krugman se estará agregando à análise um importante conteúdo teórico da chamada “Nova Geografia Econômica”.

Paul Krugman pode ser apontado como o formulador inicial de uma série de modelos que em seu conjunto e reunindo as contribuições de diversos outros estudiosos, constituem uma nova teoria econômica do espaço. Seu relevante contributo teórico começou a tomar forma a partir da publicação de um primeiro trabalho em 1991 (Geography and trade), o qual se analisará em suas principais idéias relacionados com o tema desta tese com base na sua versão em espanhol datada de 1992.

Para Krugman, segundo Moncayo Jiménez (2001), o renovado interesse na geografia constitui a 4ª onda da revolução dos rendimentos crescentes/concorrência imperfeita, que fundamenta os modelos de crescimento endógeno, e que tem transformado a teoria econômica nas duas última décadas. Os três primeiros momentos desta revolução teriam sido:

[...] a nova organização industrial que criou um conjunto de modelos de concorrência imperfeitos; a nova teoria comercial que utilizou tal conjunto para construir modelos de comércio internacional na presença de rendimentos crescentes; e, de imediato, a teoria do crescimento que aplicou todo este instrumental à mudança tecnológica e ao crescimento econômico, [grifo nosso], [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, apud MONCAYO JIMÉNEZ, 2001, p. 24).

Por geografia econômica Krugman (1992) entende a localização da produção no espaço, ou seja, é o ramo da economia que se preocupa com onde ocorrem as coisas. No sentido adotado por Krugman, a maior parte da economia regional e algumas questões da economia urbana, constituem a geografia econômica. A teoria do comércio internacional, segundo ele, é um caso especial da geografia econômica, onde as fronteiras e as ações dos governos das nações desempenham um relevante papel na determinação da localização e distribuição espacial das atividades produtivas.

Krugman (1992), considera que as teorias do comércio, o crescimento e os ciclos econômicos da década de 1980, oferecem uma visão mundial da economia bastante distinta da que se derivava do corpo teórico antecedente: concorrência perfeita, crescimento equilibrado, convergência da produtividade entre países.

“Rendimentos crescentes de escala que se mantêm de forma permanente e concorrência imperfeita; equilíbrios múltiplos em todas as partes; e um papel cada vez mais decisivo para a história, os acidentes [...]: essas são as idéias que estão se tornando populares [...]” [tradução livre nossa], (KRUGMAN, 1992, p. 14).

A clara dependência da história, que caracteriza a localização da produção em todas as partes do mundo, é, para Krugman, a prova de que a economia está mais próxima da visão de Nicholas Kaldor (The irrelevance of equilibrium economics, 1972), a de um mundo dinâmico guiado por processos acumulativos, do que do modelo típico de rendimentos constantes de escala. Krugman quer demonstrar duas coisas: que os rendimentos crescentes têm, de fato, uma influência permanente na economia e que, quando se estuda a distribuição geográfica da produção nas economias reais, se percebe que os acontecimentos históricos desempenharam um papel decisivo na sua concretização, [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, 1992, p. 15-16).

A colocação de Krugman sobre a influência dos acontecimentos ou “acidentes” históricos na concentração de empresas, tem como antecedente o “fato histórico fortuito” de Myrdal, indicado por este autor como a origem do poder de atração de um centro econômico.

Os rendimentos crescentes, conforme Krugman, afetam a geografia econômica em vários âmbitos. No âmbito mais reduzido, a localização de setores específicos reflete algumas vantagens transitórias; em um âmbito maior, a própria existência de cidades constitui um fenômeno visível da existência de rendimentos crescentes de escala; no âmbito superior, o desenvolvimento desigual entre regiões pode ser conseqüência de processos cumulativos enraizados nos rendimentos crescentes. No modelo de Krugman, a interação entre a demanda, os rendimentos crescentes e os custos de transporte são a força motriz desses processos cumulativos que acentuam as desigualdades regionais.

No início do século XX, narra Krugman (1992), os geógrafos se deram conta de qua a maior parte da indústria dos Estados Unidos estava concentrada em uma parte relativamente pequena da região Noroeste e da parte central do Meio Oeste, que se tornou conhecida como “Cinturão Industrial”, termo que, segundo Krugman, parece ter sido usado pela primeira vez por DeGeer (The american manufacturing belt, 1927).

Durante a fase de apogeu do Cinturão, a maior parte da indústria que se concentrava em seu exterior, conforme Krugman, correspondia ao processamento de matérias-primas ou à produção destinada ao mercado local.

Isto é, o Cinturão Industrial continha praticamente todas as indústrias “soltas”, ou seja, que não estavam ligadas a uma determinada localização nem pela necessidade de estar muito próximas do consumidor final, nem pela necessidade de utilizar os recursos naturais se situando muito perto de sua fonte [este fato tornava ainda mais expressiva a dimensão da concentração de empresas dentro e no entorno do Cinturão], [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, 1992, p. 17).

Em meados do século XX, conta Krugman, a maior parte das matérias-primas utilizadas pelas indústrias situadas na área do Cinturão era importada de outras regiões. Krugman se questiona sobre o porque de, mesmo diante dessa situação, uma parte tão considerável da indústria dos Estados Unidos ter permanecido localizada nesta pequena área do território do país. A resposta, para ele óbvia, era devido às vantagens proporcionadas por se estar próximo das demais fábricas instaladas no Cinturão, ou seja, uma vez estabelecido o Cinturão, nenhum fabricante individual teria interesse em se distanciar do mesmo. Krugman atribui a uma questão central referenciada aos detalhes da história, a razão de se ter originado uma concentração geográfica dessa natureza. Nota-se na análise aqui efetuada por Krugman, fortes traços de similaridade à análise sobre a origem e existência dos clusters nos Estados Unidos e em outros países, levada a efeito por Michael Porter.

Segundo Krugman, as forças que incitam os empresários industriais a se agruparem residem nas externalidades da demanda. Em seu modelo, “a concentração geográfica nasce, basicamente, da interação entre os rendimentos crescentes, os custos de transporte e a demanda [...]” [tradução livre nossa], (KRUGMAN, 1992, p. 20).

Se as economias de escala são suficientemente grandes, cada fabricante prefere abastecer o mercado nacional a partir de um único local. Para minimizar os custos de transporte, elege uma posição espacial que permita contar com uma demanda local grande. Mas a demanda local será grande, precisamente na área onde a maioria dos fabricantes elegem situar-se. Deste modo existe um argumento circular que tende a manter a existência do Cinturão Industrial [ou do cluster] uma vez que este tenha sido criado, [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, 1992, p. 20).

Krugman ressalta ser importante que o surgimento do Cinturão Industrial remonte a meados do século XIX. Ele utiliza este fato para contrapor-se aos argumentos de que as economias externas e os processos cumulativos tenham assumido maior relevância nas décadas recentes por conta da crescente importância da tecnologia. A concentração geográfica da indústria nos Estados Unidos, pontua Krugman, tomou forma muito antes do advento da era da informação. Com isso ele conclui que, não somente não é certo que a economia na atualidade não se ajuste ao modelo convencional dos rendimentos constantes de escala, como também que nunca cumpriu tal função.

Reportando-se especificamente à análise econômica da localização industrial, Krugman (1992), se refere aos estudos de Marshall, citando três razões que ele havia identificado como favoráveis à concentração de uma atividade em um determinado local.

 graças à concentração de um elevado número de empresas de um ramo no mesmo local, um centro industrial cria um mercado conjunto para trabalhadores qualificados, que beneficia tanto aos trabalhadores como às empresas;

 um centro industrial permite a provisão, em maior variedade e a um menor custo, de fatores concretos necessários ao setor, que não são objeto de comércio;

 devido ao fato da informação fluir com mais facilidade em um âmbito mais restrito que ao longo de grandes distâncias, um centro industrial gera o que se pode chamar, nas palavras de Krugman, de osmose tecnológica (technological spillovers).

Reconhecendo a importância e propriedade dos conceitos formulados por Marshall, Krugman se propõe a reformular e atualizar o pensamento marshalliano, no que toca aos aspectos acima discriminados.

Nesse sentido, para Krugman, “é a interação entre rendimentos crescentes e incerteza o que dá sentido à argumentação de Marshall sobre a importância de um mercado de trabalho conjunto para a localização das atividades industriais [...]” [tradução livre nossa], (KRUGMAN, 1992, p. 47).

No que se refere à disponibilidade de fatores e serviços específicos de uma indústria, Krugman levanta duas questões referentes aos fatores intermediários, a primeira é que sua oferta dependerá da existência de economias de escala, pois, somente a presença de rendimentos crescentes permitirá a um grande centro de produção dispor de fornecedores mais eficientes e mais diversificados do que um centro pequeno. A segunda é que essa oferta não dependerá de nenhuma assimetria dos custos de transporte entre os bens intermediários e os bens finais.

Tratando dos efeitos externos mais ou menos puros que se produzem como resultado da osmose de conhecimentos entre empresas próximas, Krugman ressalta que a ênfase dada à alta tecnologia em grande parte das discussões políticas contribuiu para converter as externalidades tecnológicas nos determinantes mais óbvios da concentração. Ele se declara “seguro de que verdadeiros processos de osmose tecnológica desempenham um importante papel na concentração de alguns setores, mas nem por isso há que se supor que esta seja a razão principal – nem mesmo para a própria indústria de alta tecnologia [...]” [tradução livre nossa], (KRUGMAN, 1992, p. 62).

Levantando um outro importante ponto do seu modelo teórico, Krugman diferencia região de nação, sugerindo a conveniência de eliminar as nações da descrição do comércio inter-regional, entre países, no âmbito internacional. Para ele uma nação não é uma região ou uma localização.

[...] quando nos referimos às economias externas que [...] promovem tanto a concentração industrial como o surgimento de sistemas centro-periferia, não há nenhuma razão para supor que as fronteiras políticas definam as unidades relevantes nas quais as economias externas entram em ação, [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, 1992, p. 78).

No caso das grandes tendências aglomerativas que aparecem no modelo centro-periferia, Krugman afirma que a natureza das externalidades provêm dos efeitos do tamanho do mercado frente aos custos de transporte, ou seja, da existência de elos para frente e para trás, que estimulam os produtores a se concentrarem nas proximidades dos grandes mercados, além do que propiciam que os mercados importantes situem-se aonde se concentram os produtores, não existindo nenhuma razão para se pensar que as fronteiras nacionais irão definir as regiões relevantes.

As transações no espaço exigem alguns custos; existem economias de escala na produção. [...] Devido às economias de escala, os empresários têm um incentivo a concentrar a produção de cada bem ou serviço em um número limitado de lugares. Devido a que a realização de transações no espaço comporta alguns custos, os lugares preferidos por cada empresa individual são aqueles nos quais a demanda é grande ou a oferta de fatores é particularmente conveniente – que, em geral, são os lugares que outras empresas também irão eleger. Por este motivo, a concentração da indústria, uma vez criada, tende a autosustentar-se; isto se cumpre tanto no que se refere à concentração de setores individuais como no que cria aglomerações de [grande] magnitude [...], [tradução livre nossa]. (KRUGMAN, 1992, p. 108).

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