Tesis doctorales de Economía

 

TURISMO, CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE URBANO-REGIONAL BASEADA EM CLUSTER

Jorge Antonio Santos Silva

 

 

 

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2.1.2. Joseph A. Schumpeter – O ciclo econômico e o processo de destruição criadora

A tradição neoclássica entendia o conjunto do sistema econômico e o relacionamento estabelecido entre seus agentes, na realização das transações e trocas, dentro de uma perspectiva de equilíbrio propiciado pelo eixo central de sua análise, que é o mercado. Nesse contexto, a vida econômica era concebida fluindo por canais que, interligando empresas e unidades familiares, caracterizavam o chamado fluxo circular da renda, onde esses canais e os tipos de fluxos, ano após ano, não sofriam alterações substantivas e significativas.

Marshall (1890), por exemplo, conforme Igliori, de modo análogo aos fenômenos da natureza, considerava que “[...] os fenômenos econômicos são configurados por processos lentos, contínuos e graduais, sem a ocorrência de grandes saltos (Natura non facit saltum) [...]” (IGLIORI, 2000, p.20).

Já para Joseph Alois Schumpeter (The theory of economic development: an inquiry into profits, capital, credit, interest and the business cycle, 1934 - a 1ª edição alemã data de 1911), a vida econômica experimenta mudanças não contínuas que alteram o limite e o próprio curso tradicional das relações entre os agentes do sistema econômico, de forma que tais mudanças não podem ser captadas por uma análise do fluxo circular da renda. A ocorrência de mudanças de tal natureza, às quais Schumpeter denominou de “revolucionárias”, consiste no problema central do processo de desenvolvimento econômico. “Entenderemos por desenvolvimento, portanto, apenas as mudanças da vida econômica que não lhe forem impostas de fora, mas que surjam de dentro, por sua própria iniciativa [...]” (SCHUMPETER, 1985, p. 47).

Schumpeter não considera o crescimento da economia derivado do crescimento populacional, da renda e da riqueza, como parte de um processo de desenvolvimento, desde quando a verificação desse crescimento não resulta em nenhum fenômeno qualitativamente novo, tais incrementos, portanto, são por ele considerados meras mudanças dos dados naturais.

O desenvolvimento, no sentido em que o tomamos, é um fenômeno distinto, inteiramente estranho ao que pode ser observado no fluxo circular ou na tendência para o equilíbrio. É uma mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo, perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente. [...] Essas mudanças espontâneas e descontínuas no canal do fluxo circular e essas perturbações do centro do equilíbrio aparecem na esfera da vida industrial e comercial, não na esfera das necessidades dos consumidores de produtos finais. (SCHUMPETER, 1985, p. 47-48).

Na teoria schumpeteriana do desenvolvimento, é o produtor que inicia a mudança econômica promovendo “novas combinações” de meios produtivos, que vão definir uma situação ou um processo de desenvolvimento. Elas consistem no emprego diferente dos recursos produtivos disponíveis no sistema econômico, estando vinculadas em sua realização a empresas novas, que não surgem das antigas, mas começam a produzir lado a lado e em simultâneo às mesmas. De acordo com Schumpeter (1985), o conceito de “novas combinações” se aplica aos 5 casos que seguem:

 introdução de um novo bem, ou de uma nova qualidade de um bem;

 introdução de um novo método de produção, ou uma nova maneira de comercializar uma mercadoria;

 abertura de um novo mercado;

 conquista de uma nova fonte de matérias-primas, ou de bens intermediários;

 estabelecimento de uma nova forma de organização de qualquer indústria.

Para que as novas combinações possam se concretizar, o modelo de Schumpeter (1985) destaca o relevante papel desempenhado pelo sistema de crédito, cujo fornecimento é atribuído aos indivíduos chamados de “capitalistas”, os capitalistas privados – proprietários de dinheiro, de direitos ao dinheiro ou de bens materiais. O banqueiro como produtor da mercadoria “poder de compra” substitui os capitalistas privados ou se torna o seu agente, na função de suprir o volume de crédito indispensável ao financiamento das novas empresas que vão introduzir as mudanças revolucionárias na vida econômica, as inovações. Desse modo, o banqueiro transforma-se no capitalista por excelência, se colocando entre os que desejam formar combinações novas e os que possuem os fatores de produção.

Ao lado dos elementos “nova combinação de meios de produção” e o crédito, a análise de Schumpeter (1985) contempla um terceiro elemento que ele considera como o fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico: o “empreendimento”, que consiste na realização de combinações novas, o qual é impulsionado pelos “empresários”, aqueles indivíduos cuja função é realizar tais combinações. Esta atuação é de natureza especial, com o indivíduo assumindo a característica de empresário ao reunir e combinar de forma inédita os recursos produtivos, ou seja, apenas quando a nova combinação ocorre pela primeira vez. A partir daí, com a nova combinação perdendo o caráter inovador e se tornando rotina, não se teria mais a figura do empresário, na concepção de Schumpeter, e sim a de um mero administrador.

Colocadas as bases de análise da teoria do desenvolvimento econômico de Schumpeter, pode-se responder à pergunta por ele mesmo formulada: “por que é que o desenvolvimento econômico, como o definimos, não avança uniformemente como cresce uma árvore, mas, por assim dizer, espamodicamente; [apresentando os] altos e baixos que lhe são característicos? [..]” (SHUMPETER, 1985, p. 148).

A resposta não pode ser mais curta e precisa: exclusivamente porque as combinações novas não são, como se poderia esperar segundo os princípios gerais de probabilidade, distribuídas uniformemente através do tempo [...] - mas aparecem, se é que o fazem, descontinuamente, em grupos ou bandos. (SCHUMPETER, 1985, p. 148).

Se verifica o aparecimento em massa de novos empreendimentos, de empresários em grupos, pressionando as empresas antigas e a situação econômica estabelecida, causando um boom, que tem sobre o sistema econômico um efeito qualitativamente diferente se tal aparecimento ocorresse de forma contínua e uniformemente distribuído no tempo.

O sistema capitalista para Schumpeter (1985), traduz-se num método de transformação econômica, não podendo se esperar ou querer que se revestisse apenas de uma natureza estacionária.

O impulso fundamental que põe e mantém em funcionamento a máquina capitalista procede dos novos bens de consumo, dos novos métodos de produção ou transporte, dos novos mercados e das novas formas de organização industrial criadas pela empresa capitalista. [... trata-se de um] processo de mutação industrial [...] - que revoluciona incessantemente [originando os ciclos econômicos] a estrutura econômica a partir de dentro, destruindo incessantemente o antigo e criando elementos novos. Este processo de destruição criadora é básico para se entender o capitalismo. É dele que se constitui o capitalismo e a ele deve se adaptar toda a empresa capitalista para sobreviver, [grifo nosso]. (SCHUMPETER, 1961, p.105-106).

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