Tesis doctorales de Economía

 

TURISMO, CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE URBANO-REGIONAL BASEADA EM CLUSTER

Jorge Antonio Santos Silva

 

 

 

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2.1.1. Alfred Marshall – Economias internas e externas

Alfred Marshall (Principles of Economics: An Introductory Volume - 1ª edição em 1890 e 8ª e definitiva edição em 1920), é considerado o introdutor “oficial” do conceito de economias de aglomeração na teoria econômica. Analisando a organização industrial, ele percebia que, de um lado, a crescente ênfase na subdivisão de funções, decorrente das vantagens do princípio da divisão do trabalho, ressaltadas por Adam Smith, acarretava uma diferenciação na indústria, caracterizada pela “[... própria] divisão do trabalho e o desenvolvimento da especialização da mão-de-obra, do conhecimento e da maquinaria [...]” (MARSHALL, 1985, p. 212). Por outro lado, numa perspectiva sistêmica, ele identificava um processo de integração,

ou seja, o aumento das relações e a firmeza das conexões entre as diferentes partes de um organismo industrial, se manifesta no aumento da estabilidade do crédito comercial, nos meios e hábitos de comunicação por terra e mar, por estrada de ferro e por telegráfo, correio e imprensa. (MARSHALL, 1985, p. 212).

Ele considerava que no mundo econômico, uma procura de uma organização industrial, motivada por um simples desejo, não iria, necessariamente, gerar uma oferta. A procura deveria traduzir uma concreta e real necessidade e ser eficiente no sentido de se dispor a pagar uma remuneração adequada aos agentes que tivessem condições e se motivassem, economicamente, a satisfazer tal necessidade. Esses agentes econômicos, em função da dimensão e eficiência da procura, do mercado, se estruturariam em unidades fabris de diferentes portes e tenderiam a se situar geograficamente próximos das fontes de matérias- primas e dos próprios mercados consumidores. No desenvolver de suas atividades industriais e comerciais, as fábricas individualmente e a indústria em seu conjunto, iriam orientar os seus negócios na busca de uma constante redução de custos e uma contínua maximização de lucros. Neste sentido Marshall considerava que:

Muitas das economias na utilização de mão-de-obra e maquinaria especializadas, comumente consideradas peculiares aos estabelecimentos muito grandes, não dependem do tamanho das fábricas individuais. Algumas dependem do volume total da produção do mesmo gênero de fábricas na vizinhança; enquanto outras, especialmente as relacionadas com o adiantamento da ciência e o progresso das artes, dependem principalmente do volume global de produção em todo o mundo civilizado. (MARSHALL, 1985, p. 229).

Marshall então, introduz dois termos técnicos na sua análise. Ele divide as economias derivadas de um aumento da escala de produção em duas categorias: as que dependem do desenvolvimento geral da indústria, que ele denomina de “economias externas”, e as que dependem dos recursos das empresas que a elas se dedicam individualmente, das suas organizações e eficiência de suas administrações, as quais ele chama de “economias internas”. Neste ponto, ele afirma que “as economias externas podem freqüentemente ser conseguidas pela concentração de muitas pequenas empresas similares em determinadas localidades, ou seja, como se diz comumente, pela localização da indústria [...]” (MARSHALL, 1985, p. 229).

A localização da indústria, de forma concentrada, possibilitou a gradativa implementação de aperfeiçoamentos e avanços da divisão do trabalho, tanto nos processos operacionais como nas práticas da administração empresarial. As principais razões influenciadoras da localização concentrada da indústria encontram-se nas condições físicas: disponibilidade e qualidade de recursos naturais, proximidade de fontes de matérias-primas e insumos de produção e fácil acessibilidade por vias alternativas de transporte. Marshall destacava ainda a importância da presença na localidade de uma demanda dotada de elevado poder aquisitivo e um padrão sofisticado de consumo, exigente de elevado nível de qualidade, e a conseqüente atração de trabalhadores especializados. Nas palavras de Marshall:

Outro fator importante foi o patrocínio de uma corte. O rico contingente lá reunido dá lugar a uma procura para as mercadorias de uma qualidade excepcionalmente alta, e isso atrai operários especializados, vindos de longe, ao mesmo tempo que educa os trabalhadores locais. (MARSHALL, 1985, p. 232).

Os avanços no estado das artes, de processos operacionais e administrativos, de máquinas e equipamentos e de produtos, refletem os benefícios do progresso técnico sustentado nas inovações tecnológicas, cuja rápida difusão para a o conjunto da indústria concentrada constitui mais uma vantagem de se estabelecerem em uma vizinhança próxima as empresas e os profissionais especializados, criando-se assim, uma atmosfera e condições favoráveis ao incremento das atividades econômicas e à introdução e desenvolvimento de novos negócios.

Os segredos da profissão deixam de ser segredos, e, por assim dizer, ficam soltos no ar, de modo que as crianças absorvem inconscientemente grande número deles. Aprecia-se devidamente um trabalho bem feito, discutem-se imediatamente os méritos de inventos e melhorias na maquinaria, nos métodos e na organização geral da empresa. Se um lança uma idéia nova, ela é imediatamente adotada por outros, que a combinam com sugestões próprias e, assim, essa idéia se torna uma fonte de outras idéias novas. Acabam por surgir, nas proximidades desse local, atividades subsidiárias que fornecem à indústria principal instrumentos e matérias primas, organizam seu comércio e, por muitos meios, lhe proporcionam economia de material. (MARSHALL, 1985, p. 234).

Pode perceber-se que o aproveitamento de economias externas acabaria por proporcionar ganhos de escala às empresas tomadas individualmente, ou seja, benefícios de economias internas, propiciando rendimentos crescentes a cada empresa e ao conjunto da indústria.

Como desvantagens da concentração geográfica da indústria, Marshall aponta os aspectos relacionados com a existência de poucas ocupações na região, especializadas e significativas de um elevado custo de mão-de-obra para as empresas e com o fato da região possuir exclusivamente uma única indústria, o que acarretaria uma condição de extrema vulnerabilidade à estabilidade e ao ciclo produtivo de vida da região nos casos de diminuir a procura pelo(s) produto(s) dessa indústria ou ocorrer uma interrupção no fornecimento da matéria-prima e dos insumos necessários ao funcionamento e continuidade de operacionalização da mesma.

A solução para esses problemas se daria pela introdução e crescimento na região de indústrias de caráter supletivo e empresas subsidiárias, que ao mesmo tempo se traduzisse na diversificação da tipologia das funções especializadas, da natureza dos postos de trabalho e dos requerimentos de qualificação exigidos pelas empresas para sua ocupação, da estrutura produtiva da região, ampliando-se e adensando-se suas cadeias de valor, e do próprio porte das empresas, integrando-se ao cenário econômico da região micro, pequenos e médios empreendimentos que viessem cumprir a função de preencher as lacunas existentes na estrutura produtiva da região, fortalecer os vínculos intersetoriais e atuar como motor da dinamização do conjunto econômico em torno da indústria concentrada.

A argumentação geral de Marshall (1985) reside no fato de que um aumento no volume global da produção de determinado produto, provocaria o aumento do tamanho e das economias internas de uma empresa representativa, o que, resultaria sempre em aumento das economias externas às quais essa empresa tem acesso, capacitando-a a produzir a custos menores, ou seja, com maior produtividade, se beneficiando de rendimentos crescentes. Por empresa representativa ou típica (representative firm), Marshall refere-se a uma firma que represente uma média especial, ou um tipo particular de firma média, a qual, por suas características, permitiria se verificar até que ponto as economias internas e externas da produção estariam, por efeito de transbordamento ou espraiamento, se expandindo para o conjunto da indústria e para toda a economia do país onde se localiza, concretizando um acréscimo à eficiência coletiva do capital e do trabalho.

[...] enquanto a parte desempenhada pela Natureza na produção apresenta uma tendência ao rendimento decrescente, o papel do homem tem uma tendência ao rendimento crescente. A lei do rendimento crescente pode ser expressa assim: Um aumento de trabalho e capital leva geralmente a uma organização melhor, que aumenta a produtividade da ação do trabalho e do capital. (MARSHALL, 1985, p. 268).

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