Tesis doctorales de Economía


ESTUDO COMPARATIVO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DA INDÚSTRIA DA CERÂMICA DE REVESTIMENTO VIA ÚMIDA NO BRASIL E NA ESPANHA

Yolanda Vieira de Abreu



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3.3. Indústria de cerâmica para revestimento na Espanha

A industrialização do processo de cerâmica, na Espanha, tem seu inicio em 1804 quando Antonio Raimundo Ibanez fundava a Real Fabrica de Loza, adaptando os processos utilizados pelos ingleses. Porém, somente a partir de 1860 começa a fabricação de pisos e revestimentos na Fábrica de Loza na Cartuja de Sevilla, por Carlos Pickman. (apud ITC et al, 1999:73).

O aglomerado industrial de cerâmica que se instalou na cidade espanhola de Castellón e arredores, teve sua origem em Onda, na metade do século XIX. Em 1857, por exemplo, já haviam 34 fornos ocupados por trinta fábricas, que passaram da produção de louça à de azulejos. Para que essas fábricas começassem a produzir azulejos, era necessário que treinassem seus operários na fábrica do Conde de Aranda de Alcora. De 1857 a 1878 houve diversos avanços tecnológicos, que consolidaram a região de Valência e Catalunha em detrimento de Sevilha (apud ITC et al, 1999:73). Esse processo se acentuou ainda mais no inicio do século XX, quando a produção valenciana (de cerca de 50 ton/dia) se concentrou em Manises e Onda, com centros de formação desde 1916 e 1925 respectivamente. Em 1929 Castellón tinha 41 empresas e 143 fornos e representava 71% da produção nacional e Manises tinha 23 empresas e representava 27% da mesma.

Nos anos trinta, com a eletricidade, foram introduzidas prensas de fricção e fornos de segunda queima. Porém, a partir de 1935 há um forte período de crises que durou até a aproxidamente 1950, começando primeiro com a guerra civil de 1936 a 1939, depois a Segunda Grande Guerra. Para esse período os intelectuais espanhois deram o nome de “noche de la industrializacioón española” (Delgado, 1999: 20)

A escolha de localização da cidade de Castellón, para implantação das fábricas de pisos e revestimentos vem da sua tradição como produtora de cerâmica, da proximidade com os centros fornecedores de matéria-prima (disponibilidade da principal matéria-prima: argila) e, mais tarde, pela chegada da ferrovia, que facilitou o transporte do produto até o porto.

Em 1965, com a entrada dos azulejos italianos no mercado espanhol, as indústrias locais iniciaram em um novo processo de questionamento e renovação tecnológica. Tal situação adveio do fato da produção espanhola diminuir. Dá-se aqui um paradoxo: possuíam mão-de-obra e capacidade de investimento, mas não detinham tecnologia própria, desenhos e qualidade, para proteger-se dos produtos italianos, sabidamente melhores e com preços mais atraentes. A solução encontrada foi adquirir tecnologia italiana, porém 20% das fábricas tiveram que fechar. (apud ITC et al, 1999)

Entre 1970 a 1980 o que prejudicou os produtores de cerâmica para revestimentos instalados na região de Castellón foi a falta do gás natural, que chegou à cidade somente em 1981. Com a implantação do gasoduto de gás natural, vindo da Argélia, a falta do G.N. foi solucionada, e esta indústria conseguiu utilizar com mais facilidade a tecnologia de biqueima rápida e teve condições de desenvolver o processo de monoqueima a partir de 1984. (apud ITC et al,1999)

Segundo MEYER-STAMER e outros (2000:43), o grande salto para a promoção da indústria de revestimento cerâmico da região Castellón, começa com o processo monoqueima, a primeira grande inovação que surgiu do esforço conjunto das empresas ali instaladas. Antes disso a tecnologia empregada era importada da Itália, que não era apropriada às características da argila espanhola e o produto final não conseguia competir com a qualidade dos produtos daquele país.

Tal constatação, levou à necessidade de pesquisarem alternativas, o que resultou no desenvolvimento do processo de monoqueima, desenvolvido pela associação dos indústriais da região e o que estava para se tornar o Instituto de Tecnologia Cerâmica (ITC) da Universidade de Valência e a Universidade de Castellón. Esse desenvolvimento tecnológico resultou na necessidade de desenvolvimento de novos produtos para a decoração das peças cerâmicas e a adaptação dos fornos italianos. O resultado foi à melhoria do produto espanhol, tanto com relação à qualidade, quanto em termos de eficiência de produção. A partir desse desenvolvimento as industrias pertencentes à região de Castellón ganharam maior destaque internacional e se fortaleceram.

Atualmente, a Espanha é uma dos principais produtores mundiais de cerâmica para revestimento via úmida, sua produção pode ser observada na Figura 7. Na provincia de Castellón, concentram-se aproximadamente 73% das empresas pertencentes ao segmento industrial de produção de cerâmica para revestimento via úmida. Essa região é responsável por mais de 90% da produção de cerâmica para revestimento via úmida. As cidades que mais se destacam como produtoras, dentro da provincia de Castellón, podem ser observadas nas Figuras 7 e 9.

Nos municípios arredores de Castellón e na própria cidade, estão instaladas aproximadamente 250 empresas dedicadas a produzir cerâmica, 30 fábricas de produtoras de esmalte, fritas5 e empresas destinadas ao desenvolvimento de decoração para peças cerâmicas e 60 fábricas de maquinarios auxiliares (ver Figs. 8 e 9) (apud Aguilera et al, 2001)

Segundo Meyer-Stamer, (2000:44) a principal característica da região de Castellón a partir de 1990, foi a entrada de novas empresas. Algumas destas destinadas a produzir produtos para decoração (fritas, colorifícios e outros), como também outros fabricantes de revestimentos cerâmicos.

Segundo uma publicação realizada pelo ITC (1999) “El Cluster Azulejero em Castellón”, a Generalitat Valenciana, decidiu promover uma iniciativa de fortalecer a competitividade dos produtores de cerâmica para revestimento da região de Castellón. Tal decisão foi resultado de um seminário realizado em 1995, em Valencia, “Seminário para Reforzar la Competitividade de la Comunidade Valenciana”, utilizando as ferramentas de Michael Porter, da Universidade de Harvard. Desse seminário participaram os principais empresários valencianos e também autoridades locais. Entre os meses de julho de 1998 e fevereiro de 1999, a Dirección General de Economia, juntamente com a Dirección General de Industria, de La Generalitat Valenciana e o BANCAJA, desenvolveram a iniciativa de reforçar o conglomerado industrial de Castellón.

O projeto consistiu de uma reflexão estratégica conjunta protagonizada pelos empresários e coordenada pela consultoria Cluster Competitividad. A Generalitat Valenciana pretendia com essa iniciativa, analisar tanto as suas próprias empresas quanto os concorrentes, com o objetivo de reforçar sua política de apoio ao conglomerado industrial de Castellón. Os objetivos desta iniciativa eram claros: fomentar e incentivar as ações que reforçassem a competitividade das empresas pertencentes à região de Castellón.

A iniciativa se dividiu em três partes:

• definição e descrição das empresas pertencentes a região de Castellón (utilizando a metodologia de Michel Porter) através da identificação das empresas e da indústria de cerâmica de revestimento, com processo via úmida, em escala mundial.

• permitiu fazer uma segmentação estratégica deste segmento industrial (através de entrevistas e grupo de trabalho); identificação dos problemas das empresas e as possibilidades de desenvolvimentos futuros (com viagem de pesquisa a Itália, Alemanha e Estados Unidos); definição dos critérios de compra (com entrevistas a distribuidores); operacionalizou as mudanças realizadas na indústria de cerâmica para revestimento (com visitas a Feira de Cersaie e entrevistas realizadas com os principais presidentes das mais relevantes associações de fabricantes) e pesquisa sobre os fatores chaves, necessários, para o sucesso nessa indústria.

• a última fase permitiu definir as linhas de atuação, através de entrevistas, com os diversos atores envolvidos no processo de fabricação, comercialização, distribuição e outros.

Realizou-se também um seminário de políticas e estratégias sobre o futuro da indústria de cerâmica para revestimento enfocado no empresário.

Como conseqüência dessa nova orientação ao conglomerado industrial de Castellón, criouse uma economia local forte. O conglomerado industrial de Castellón tem hoje condições de oferecer todas as etapas necessárias para que a cerâmica chegue às mãos do consumidor final.

Isto inclui todos os agentes que trabalham com e para os fabricantes de cerâmica para pisos e revestimentos: fabricantes de fritas (vidrado fritado); esmaltes e tintas; fabricantes de equipamentos e peças especiais; empresas de terceira queima; atomizadores; transporte; comercialização e outras.

A tendência tanto espanhola, quanto mundial é a de que os fornecedores se organizem em grandes grupos, como:

• fornecedores de equipamentos (em sua maioria italianos);

• fornecimento de fritas (vidrado fritado), esmaltes e tintas, nesse caso os produtores espanhóis conseguiram liderar e estão se destacando cada vez mais em desenvolvimento de design.6 Este último, era um setor exclusivamente italiano, sobre o qual os espanhóis vêm avançando rapidamente e ocupando espaço;

• atomizadores, no caso espanhol, são compartilhados por várias fábricas, devido ao seu elevado custo e a produção de massa atomizada que são capazes de gerar. Cada atomizador se dedica a um só tipo de massa (vermelha ou branca] pelo alto custo que seria limpá-la.

• de peças especiais e de terceira queima ser realizadas por empresas que só fornecem esse tipo de serviço.

• distribuição dos produtos, encontram-se nas mãos de agentes externos e armazéns, não sendo realizada diretamente pelas indústrias de cerâmica para pisos e revestimentos.

As normas sobre meio ambiente, ainda não são tão restritas como são na Itália, por exemplo. Porém, estão sendo tomadas providências, principalmente quanto às emissões, já que esse tipo de indústria é um dos principais consumidores de gás natural, na Espanha.


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