Contribuciones a las Ciencias Sociales
Mayo 2010

ÉTICA E COMUNICAÇÃO: PARA UMA VISÃO CONJUNTA
 

 

César Augusto Soares da Costa
csc193@hotmail.com

 

Há anos atrás, envolvido numa divulgação de um curso nos deparamos com alguns problemas: seria possível divulgar o curso sem grandes recursos? Haveria quem recorrer? Qual a importância de uma comunicação acessível à sociedade? Para esta e outras perguntas, começamos a refletir pausadamente sobre a importância de uma comunicação que aliasse seu mote principal (a informação) e o seu vínculo com a comunidade (a formação). Partindo desta premissa e dialogando com pessoas da área, percebemos o grande viés que envolve a questão de uma comunicação que seja viável para a sociedade. Ou melhor, uma comunicação que preze pela qualidade do seu produto (a informação), mas que seja ao mesmo tempo, instância ética (formativa) para a formação de uma consciência crítica.
 



Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Soares da Costa, C.A.: Ética e Comunicação: para uma visão conjunta, en Contribuciones a las Ciencias Sociales, mayo 2010, www.eumed.net/rev/cccss/08/casc.htm 


Assim, entendemos a ética como um caráter reflexivo na sistematização dos valores que possam inspirar e guiar melhor a vida humana. Pois a ética é uma dimensão própria da existência, sendo que é na ação que o ser humano expressa o que lhe é próprio e exclusivo. Ela pode ser dividida em dois aspectos: como ciência (articulação de conceitos) ou como ciência comunitária (que vise uma ação política-social). Linha para que possamos construir uma nova comunicação!

Dentro deste segundo aspecto, da ética vista como ciência comunitária, podemos nos questionar: em quem que medida é dada relevância a uma outra comunicação que alie esta perspectiva levantada? Uma primeira explicação estaria contida no próprio conceito de concessão realizada pelo Estado para um determinado fim. Uma segunda explicação, seria como esta concessão é utilizada. Tal fato, se verificou no caso envolvendo a concessão do Governo Chávez na Venezuela à uma emissora, onde a mesma, teria se usufruído dos seus “direitos” democráticos numa tentativa de derrubada do seu Governo central.

Não seria errôneo refletirmos como uma emissora que detém direitos de funcionamento aja como “instrumento” ideológico contra o seu governo, do qual foi seu concessor de transmissão? Para a opinião de uma minoria elitizada e detentora do status quo e alguns dos fiéis seguidores do pensamento mais tradicional e retrógrado da América Latina foi dado o nome de “liberdade de expressão”, mas para outros, minoria intelectualizada, pobre e crítica, foi um feroz atentado à democracia patrocinada por uma elite insatisfeita com suas benesses governamentais! Governo seu principal credor, e portanto, a quem deveria prestar contas de uma informação imparcial e crítica, menos golpista e arcaica nos seus interesses. Imaginem se a onda pega no Brasil? Ou não é coisa comum, como já ocorreu nas eleições presidenciais de 1989, 1998 e numa recente? Isso, para não falarmos no apóio incondicional da maior emissora do Brasil aos golpes militares, e que ora, se volta para quem a desafia no comando de uma mass-media tão medíocre quanto tendenciosa (leia-se Revista Veja, Época, Isto é...).

Aliás, o saudoso gaúcho, presidenciável e trabalhista Leonel Brizola que o diga lá do Paraíso (se tiver lá)! Mas, “abafa o caso”, como diz uma famosa apresentadora brasileira que detesta falar em português! Deveriam em nome da “liberdade de expressão”, proibi-la para que não fale tamanhas bobagens em horário nobre, ainda mais se tratando de uma bela mulher! Com isso, não se quer dizer que ninguém possa ter voz, ou formas de crítica ao sistema, muito pelo contrário, o que queremos apontar é para um uso responsável dos meios de comunicação. Utilização caracterizada pela seriedade das bandeiras levantadas e não como um Cavalo de Tróia em prol de interesses pessoais e distorcidos como defendia com arco e flecha o Cacique baiano e dublê de democrata Antônio Carlos Magalhães.

Quando falamos verdadeiramente em ética para a comunicação, pensamos num agir racional em sentido puramente Weberiano, ou seja, uma ética com perspectiva comunitária e que traga em seu horizonte um dinamismo enriquecedor para a formação humana. Ética que por primazia, revele uma potencialidade ímpar capaz de extrapolar todo e qualquer sistema de dominação. Tal perspectiva, contraria a absolutização da informação (que pode levar ao subjetivismo ideológico), como de totalitarismos (sujeição à um sistema econômico, de regras distorcidas e ideologias manipuladoras à sociedade).

Uma grande perspectiva para uma comunicação com fim ético para este século, seria uma comunicação que priorize o local ao invés do global. Uma ética do cuidado que possam dar voz aos menos favorecidos e seus questionamentos. Em suma, uma comunicação que pense globalmente, mas na sua ação e efetividade, dê voz às suas localidades, e que possua uma dimensão sócio-política inerente aos problemas que impedem o ser humano de sua realização enquanto “animal social” visando seu pleno desenvolvimento na sociedade. Eis o nosso ponto de partida!

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