Revista: Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo
ISSN: 1989-4155


PEDAGOGIA DE PROJETOS: A TRANSIÇÃO DO ENSINO

Autores e infomación del artículo

Thalita Lopes Gomes Alves

Paulo Eduardo Ribeiro

Universidade Cidade de São Paulo, Brasil

p.eduardo.ribeiro@uol.com.br

Resumo: Dentro de um contexto histórico a Pedagogia de Projetos pode ser considerada recente, pois começou a ser desenvolvida no início do século XX nos Estados Unidos, principalmente a partir das ideias de John Dewey, em meio a um movimento educacional progressista que acontecia naquele momento. A busca por uma nova forma de ensino aprendizagem levou as instituições de ensino e os docentes a repensarem o currículo escolar a fim de se adaptar à realidade de seus discentes. O objetivo desse estudo era analisar como o trabalhar com Pedagogia de Projeto pode valorizar a participação dos alunos na construção do conhecimento. O estudo foi feito a partir de levantamento bibliográfico a partir da utilização de livros, artigos, monografias, teses e dissertações adquiridas de fontes seguras de consulta como, por exemplo, Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca das Universidades Federais, etc. Por se tratar de uma pesquisa envolvendo apenas levantamento bibliográfico, não houve nesse estudo a participação de pessoas. O que se espera a partir do levantamento bibliográfico realizado é que seja possível oferecer uma melhor fundamentação conceitual aos estudiosos do tema, a fim de criar condições para estudos futuros que contemplem um a possibilidade de se aprofundar no assunto.

Palavras-chave: Autonomia, Conhecimento, Interdisciplinaridade.

PROJECT pedagogy: TEACHING OF TRANSITION

Abstract: Within a historical context the Pedagogy of Projects can be considered recent, as it was first developed in the early twentieth century in the United States, mainly from the ideas of John Dewey, amid a progressive educational movement that happened at that time. The search for a new way of teaching and learning took educational institutions and teachers to rethink the school curriculum in order to adapt to the reality of their students. The aim of this study was to analyze how work with Project Education can enhance students' participation in the construction of knowledge. The study was done from literature from the use of books, articles, monographs, theses and dissertations acquired from reliable sources consultation, for example, Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Scholar, the Federal Universities Library, etc. Because it is only a survey of literature, there was no study that the participation of people. What is expected from the literature is made it possible to offer a better conceptual basis for writing on this topic in order to create conditions for future studies that address one the opportunity to delve into the subject.

Key-words: Autonomy, Knowledge, interdisciplinarity.



Para citar este artículo puede uitlizar el siguiente formato:

Thalita Lopes Gomes Alves y Paulo Eduardo Ribeiro (2015): “Pedagogia de projetos: a transição do ensino”, Revista Atlante: Cuadernos de Educación y Desarrollo (diciembre 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/atlante/12/conhecimento.html


1. considerações iniciais          
Foi no início do século passado nos Estados Unidos que teve início ao desenvolvimento do que hoje conhecemos como Pedagogia de Projetos, devido a um movimento educacional progressista que surgia naquele momento, principalmente por causa das ideias de John Dewey (1859 / 1952) que tinha seu cerne na questão da educação como experiência, além de acreditar que a pedagogia deveria ser vista como uma ciência aberta, onde o aluno seria o responsável por sua formação a partir de um modelo de aprendizagem que ele chamou de concretas e significativas (ABRANTES, 2002).
O primeiro trabalho relevante sobre o tema, porém foi publicado por William Heard Kilpatrick (1871 / 1965) em 1918, intitulado “O método de projetos” (BEYER, 1997).
De acordo com Abrantes (2002) foi a partir da publicação desse artigo que a discussão de projetos como modelo de educação começou a ser discutida, e a nomenclatura projeto passa a ser vista como uma maneira de integração entre a intencionalidade de ação, o empenho pessoal e sua inclusão dentro de um contexto social.
                                      Nós admiramos o homem que é dono de seu destino, aquele que olha de modo deliberado para uma situação e define objetivos, claros e de longo alcance, aquele que planeja e executa cuidadosamente os projetos assim formados. Um homem que habitualmente regula a sua vida deste modo com referência a objetivos sociais valiosos encontra-se imediatamente perante exigências de eficiência prática e de responsabilidade moral. Isto tem a ver com o ideal de cidadania democrática (KILPATRICK, 1918, apud ABRANTES, 2002, p. 27).
            Diversos pensadores que serão citados ao longo desse trabalho defendem, já há muitos anos em seus textos, que trabalhar com projetos didáticos é uma forma de motivar a aprendizagem para os alunos, formando sujeitos ativos, autônomos, conscientes, reflexivos, cidadãos atuantes e participativos e que devemos transformar o espaço escolar num ambiente vivo de interações, aberto ao real e às suas múltiplas dimensões.
Mais do que uma técnica para a transmissão de conteúdos a proposta é promover uma mudança na maneira de pensar e repensar a escola e o currículo na prática pedagógica.
... educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e a escola deve representar a vida presente – tão real e vital para o aluno como o que ele vive em casa, no bairro ou no pátio” (DEWEY, 1897).
Para Dewey (1916) era de vital importância que a Educação não se restringisse ao ensino como algo concluído, o mundo está e sempre esteve num processo de transição e parece possível afirmar que a escola parou no tem tempo ao continuar com abordagens pedagógicas tradicionais como a repetição, memorização, autoritarismo, conteúdos fechados e busca por resultados.
Porém não existem mais respostas certas para tudo, não é mais possível se basear no que chamamos de ensino pronto e que apenas seguindo regras pré-estabelecidas obteremos sucesso.
É colocada em pauta a dúvida.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 O que é Pedagogia de Projetos?
A Pedagogia de Projetos surgiu a partir da necessidade de uma nova metodologia de trabalho educacional que tenha como foco organizar a construção dos conhecimentos de forma coletiva, entre alunos e professores. Isso significa o fim do monopólio do docente tradicional que era o Decisor e Definidor dos conteúdos e das tarefas a serem desenvolvidas pelos alunos.
Essa era a nova postura pedagógica que Dewey (1916) defendia em seus textos no início do século XX. Uma mudança na maneira de pensar a prática educacional, quebrando paradigmas (Conceito e Metodologia de Ensino, Tratamento do Conteúdo e o Conceito de aprender), priorizando um aprendizado sem fronteiras e divisões.
Segundo Moraes (1997) isso faz com que o aluno seja visualizado como um ser individual, diferente e único, com necessidades específicas para ensiná-lo a aprender a aprender, a pensar e a tomar decisões por si só e para não ser apenas um mero espectador do processo de ensino aprendizagem.
O desenvolvimento de um projeto se divide em três fases segundo Alvarez Leite (1996):
• Problematização: É quando o docente faz um reconhecimento na turma para saber o que os alunos sabem ou não do tema de estudo.
• Desenvolvimento: É quando devem ser criadas situações para buscar as respostas levantadas na problematização. Nessa fase os alunos devem comparar pontos de vista e levantar novas questões e hipóteses.
• Síntese: É quando a produção cultural e os conhecimentos prévios se encontram dando significado à aprendizagem construída;
Dewey (1916) afirma que ao colocar em prática as suas experiências o aluno é introduzido ao compromisso de resolver os seus problemas presentes o que o leva a deixar de pensar que o ensino é apenas para o futuro.
O aluno aprende a produzir, levantar dúvidas, pesquisar e criar relações o que incentiva a busca por novas descobertas, compreensões e reconstruções do conhecimento.
Os discentes estão acostumados a uma educação mecanicista em que é valorizada a copia da copia, não existe autonomia intelectual, ou seja, o aluno é totalmente dependente do professor, que forma, assim, pessoas que não aprendem a usar a sua capacidade de pensar, criar e construir.
Os Projetos de Trabalho contribuem para uma ressignificação dos espaços de aprendizagem de tal forma que eles se voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e participantes (HERNÁNDEZ, 1998).
            Hernández e Ventura (1998) afirmavam que trabalhar com projetos necessitava uma nova concepção de ensino e, consequentemente, uma nova postura de todos os envolvidos e com o surgimento da Sociedade da Informação e Comunicação isso ficou mais evidente, pois aquela escola, arcaica, fragmentada, desconectada da realidade e rígida, a qual todos estavam acostumados, tornou-se inadmissível, já que é inviável trabalhar com um modelo pronto de ensino dentro da complexidade que se tornou as salas de aula.
2.2 Como trabalhar com Projetos
            Trabalhar com projetos, como já havia sido mencionado antes, constitui numa postura metodológica mais dinâmica e eficiente, focada na motivação, aprendizagem em situação real e trabalho em equipe.
            Ao elaborar o projeto deve-se buscar uma prática mais prazerosa, que proporcione ao discente a possibilidade de aprenderem errando, acertando, pesquisando, investigando, construindo, refletindo, intervindo e trabalhando os conteúdos de maneira interdisciplinar.
O objetivo é trazer a realidade para as salas de aula ao apresentar um novo sentido à atividade do aprender, aproximando o aluno da escola através da curiosidade, dando vida ao conteúdo o que, consequentemente, o torna mais atraente.
Nesse modelo, existe toda uma preocupação com o discente, com os seus conhecimentos prévios e respeito pelo o que deseja e precisa aprender naquele momento, promovendo assim uma aprendizagem cada vez mais significativa a partir da interação entre aluno e professor desenvolvendo novas reflexões, competências, habilidades e autonomia intelectual. Pensar uma prática pedagógica a partir dos projetos traz mudanças expressivas para o processo de ensino-aprendizagem.
O aluno deve aprender fazendo, dessa forma ele é capaz de reconhecer a autoria do que foi produzido através de pesquisas que contextualizam os conhecimentos primários e o descobrimento de novos. Nessa aprendizagem o discente exercita a prática de selecionar informações relevantes, a tomar decisões cabíveis e a trabalhar em equipe, dessa forma desenvolvendo novas competências.
O projeto nada mais é do que a organização e planejamento dos conteúdos discutidos em sala de aula envolvendo uma situação problema. Primeiro é necessário definir o tema gerador para então escolher os conteúdos (O problema determina o conteúdo a ser estudado e não mais ao contrário), planejar o desenvolvimento das principais atividades, as estratégias, as pesquisas, a duração do projeto e como será a sua conclusão.
O professor deve organizar e estabelecer seus objetivos, pensando as necessidades de seus alunos e é preciso ter clareza do que se pretende ensinar, o que os alunos irão aprender e o que eles já sabem.
Um bom projeto é aquele que mostra claramente as suas intenções e permite a utilização de conhecimentos dos discentes. 
A partir desse momento deve ser definida a 2° linguagem a ser utilizada, que pode ser tanto sair do espaço escolar com visitas técnicas e excursões relacionadas ao tema ou como fazer experimentos na própria sala de aula usando entrevistas com especialistas e autoridades no assunto em estudo; pesquisa e coleta de dados em livros, revistas, vídeos, jornais e o que mais o docente achar relevante, tudo para uma melhor assimilação do assunto pelo discente. 
Os projetos permitem que os alunos indiquem o que entenderam e o que ainda não está totalmente esclarecido, através desse feedback é possível avaliar o trabalho e fazer os ajustes necessários.
O currículo pode e deve ser flexível, a fim de se adaptar as realidades e características dos alunos e nunca ser trabalhado como uma receita fechada. Ele é um importante instrumento no processo de ensino-aprendizagem por que é uma expressão cultural e social da instituição de ensino e com a evolução da Educação vêm demonstrando diferentes concepções e conceitos, o que nos leva a considerar o seguinte: o que está sendo ensinado, para quem esse ensino é direcionado e quais os meios que precisam ser utilizados para chegar ao seu objetivo.
Isso significa que é impossível desconsiderar a história de vida dos alunos, seu modo de vida e suas experiências culturais, a fim de criar um currículo neutro. Dessa forma, podemos concordar que o mesmo projeto pode ser apresentado a turmas distintas mais no seu desenrolar provavelmente tomarão rumos diferentes. É como dizer que uma aula nunca é igual à outra.
A cada etapa concluída o docente deve avaliar as alterações necessárias para que o objetivo seja comprido. Ajustando e repensando o planejamento de acordo com o retorno dos alunos. Deve ser dada a oportunidade aos alunos de verbalizarem a sua opinião no desenrolar do projeto, dessa forma a turma constrói saberes e competências, opina, avalia e tira conclusões.
Para isso é imprescindível que o docente saiba produzir perguntas pertinentes que façam os alunos pensarem a respeito do conhecimento que se espera construir, pois uma das tarefas do educador é, não só fazer o aluno pensar, mas acima de tudo, ensiná-lo a pensar de maneira certa. Esse tipo de reflexão pode impactar positivamente na pratica cotidiana.
Parece possível constatar que Pedagogia de Projetos é um processo contínuo que não pode ser reduzidos apenas a uma lista de objetivos, pois ele reflete em uma concepção de conhecimento como uma produção coletiva na qual a experiência e a produção cultural se unem.
Cada projeto torna-se uma proposta única de trabalho, que precisa ser articulada pelo professor, que deve estar atento também aos níveis diferentes de dificuldade de cada aluno. Uma alternativa para esses casos é promover a integração entre os discentes e criar uma relação de ajuda entre eles a partir de necessidades momentâneas enriquecendo assim a aprendizagem.
Como dizia Hernández (1998), projeto é uma transgressão do currículo escolar focado em disciplinas fragmentas. Com ele, evitamos a divisão dos conteúdos e incentivamos ações inovadoras centradas na formação global dos alunos. Não se pode separar o processo de aprendizagem dos conteúdos disciplinares do processo de participação dos alunos, nem desvincular as disciplinas da realidade atual, o teor deve ser sempre voltado para a compreensão do real.
Com os projetos de trabalho, os conteúdos passam a ser meios para ampliar a formação dos alunos e sua interação com a realidade, de forma critica e dinâmica e as disciplinas ganham diversos significados, a partir das experiências sociais dos educandos.
A articulação dos saberes escolares com os sociais faz com que o aluno não sinta que está aprendendo algo abstrato e de modo apenas teórico, ele compreende o valor do que lhe está sendo ensinado e desenvolve uma nova postura.
A Pedagogia de Projetos permite que os alunos analisem os problemas, as situações e os acontecimentos dentro de um contexto e em sua globalidade, utilizando para isso, os conhecimentos presentes nas disciplinas e em sua experiência sociocultural. Nessa visão, todo conhecimento é construído a partir da relação com o contexto em que se está inserido. Dessa forma, é impossível separar os aspectos cognitivos, emocionais e sociais nesse processo.
Essa metodologia, caracterizada por sua intencionalidade, flexibilidade, originalidade e interdisciplinaridade exige do educador uma cultura geral que vai muito além de uma única área de formação, dessa forma ele tem que se torna um constante pesquisador.
2.3 Interdisciplinaridade
            Uma das maiores características da Pedagogia de Projetos é a Interdisciplinaridade, pois ela permite romper a barreira entre as disciplinas e estabelecer laços entre diferentes áreas de conhecimento numa visão contextualizada. Mais isso não significa deixar de lado as disciplinas, o correto é integrá-las de forma que uma contribua com a outra no desenvolvimento das investigações cada qual com sua própria identidade e característica.
O termo interdisciplinaridade é associado a múltiplos significados e interpretações sobre um determinado tema, pois tem a finalidade de trazer uma nova visão para a construção do conhecimento focado na busca pela sua totalidade.
Com o currículo por disciplinas o aluno tem acesso ás particularidades de um determinado assunto.
Já no currículo interdisciplinar ele estabelece relações significativas entre os assuntos. É a contextualização do conhecimento mantendo uma ligação entre o sujeito que aprende e o componente a ser aprendido.
Essa proposta de trabalho tem como objetivo a unificação e integração do conteúdo como forma de incentivar a autonomia do aluno fazendo com que ele seja mais reflexivo, democrático e critico.
A interação entre as disciplinas possui níveis distintos de complexidade conhecidos como: Multidisciplinaridade, Pluridisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade.
2.3.1 Multidisciplinaridade: É caracterizada por uma ação simultânea entre um conjunto de disciplinas em torno do mesmo tema, porém não há a preocupação de interligá-las. Essa atuação ainda é fragmentada o que faz com que o assunto não seja totalmente analisado e sem nenhuma cooperação, assim cada matéria possui a sua própria informação e não existe a integração entre elas. Essa estrutura é encontrada em currículos tradicionais.
2.3.2 Pluridisciplinaridade: É bastante parecida com a multidisciplinaridade, porém é possível notar uma interação mais atuante entre as disciplinas geralmente localizadas no mesmo nível hierárquico. Consiste em examinar as perspectivas de diferentes disciplinas sobre uma questão geral.
2.3.3 Interdisciplinaridade: Possibilita conciliar conceitos de diversas áreas com a finalidade de construir novos conhecimentos. Parte de um elemento comum a diversas disciplinas, ligadas a um nível hierárquico superior. As suas ações são coordenadas. É esse elemento que guia as ações interdisciplinares.
2.3.4 Transdisciplinaridade: Visa a uma abordagem unificada do conhecimento que vai além da interdisciplinaridade, procurando assim estimular uma nova compreensão da realidade em busca de compreensão da complexidade. É um tipo de interação envolvendo vários tipos de sistemas interdisciplinares num contexto mais amplo e geral.
            Para Pires (1998) a interdisciplinaridade é mais do que um conjunto de métodos e técnicas de ensino, é uma necessidade relacionada à realidade histórica e cultural.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
            O método pode ser descrito conforme aponta Hubner (2001, p. 41) como sendo uma seção fundamental, independente do tipo de projeto de pesquisa ou teses em geral a serem desenvolvidas.
Para a autora o método deve conter de maneira clara e explícita a lógica da ação a ser seguida pelo pesquisador, além dos principais fenômenos que serão estudados, bem como suas ramificações, inter-relações e de que maneira se pretende obter essas informações.
No que se refere a esse estudo propriamente dito, por não haver o envolvimento de seres humanos, optou-se por realizar um levantamento bibliográfico que se desenvolveu a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos, com a finalidade de ampliar e aprofundar os conhecimentos sobre o objeto estudado (GIL, 2008).
3.2 Participantes
Por se tratar de uma pesquisa envolvendo apenas levantamento bibliográfico, não haverá a participação de pessoas nesse estudo.
3.3 Procedimentos
            Para a coleta dos dados foi feito um levantamento bibliográfico a partir da utilização de fontes seguras de consulta como, por exemplo, livros, artigos, monografias, teses e dissertações adquiridas de fontes seguras de consulta (Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca das Universidades Federais, etc.).
4. ANÁLISE
4.1 O Papel do Docente
            Iniciaremos esse tópico com uma fala de Freire (1996) que diz que "...o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos e não do professor consigo mesmo".
O docente deixa o papel de apenas ser o transmissor do conteúdo e passa a ser o estimulador, observador e mediador do mesmo e o aluno, por sua vez passa de receptor passivo a sujeito ativo no processo, indo além do que lhe foi apresentado, afinal, ensinar não é mais apenas a transferência do conhecimento, mas sim criar novas possibilidades para sua construção.
Freire (1996) defende que o docente não é dono da verdade, pois tudo pode e deve ser questionado já que não existe conhecimento acabado, o ser humano vive em constante aprendizagem e se desenvolve ao longo do tempo.
 Cabe ao professor acompanhar todo o processo de aprendizagem do aluno, compreendendo o seu universo cognitivo e afetivo além de ter total clareza da intencionalidade pedagógica, a fim de realizar as intervenções necessárias para que o aluno encontre sentido naquilo que é ensinado. Valente (1999) diz que:
... no desenvolvimento do projeto o professor pode trabalhar com diferentes tipos de conhecimentos que estão imbricados e representados em termos de três construções: procedimentos e estratégias de resolução de problemas, conceitos disciplinares e estratégias e conceitos sobre aprender.
Outro ponto fundamental é que o docente tenha plena certeza da sua intencionalidade, ou seja, onde se deseja chegar? para assim intervir no processo pedagógico, a fim de garantir que os conceitos utilizados sejam plenamente compreendidos pelos discentes, além de proporcionar relações interpessoais entre os alunos dentro dos contextos em que eles vivem.
O professor é responsável pela criação de projetos que proporcionem aos seus alunos a possibilidade de criar os seus próprios, pois ao mesmo tempo em que o discente precisa reconhecer a sua autoria dentro do projeto é de extrema importância que ele sinta a presença do professor para ouvi-lo, questioná-lo e orientá-lo na construção do conhecimento.
Nesse processo é necessário a implementação de situações de aprendizagem para que o aluno possa organizar os seus conhecimentos de modo a colocá-los em pratica futuramente.
Tudo isso pode ser construído a partir das práticas pedagógicas com referências anteriores ou novas, assim o docente assume uma postura mais reflexiva sobre a sua ação pedagógica.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
            A prática pedagógica tradicional sempre tratou a realidade social de forma fragmentada e desvinculada das experiências significativas do discente não valorizando os contextos sociais, culturais, políticos e econômicos. Porém, a necessidade de uma abordagem focada no ponto de vista globalizador, através da interdisciplinaridade se faz presente nos tempos atuais.
Vale ressaltar que essa não é uma discussão sobre uma técnica de criar um ensino mais atrativo para os alunos mais sim sobre uma nova visão pedagógica.
A escola é um espaço definido e significativo, onde as relações de ensino aprendizagem, interpessoais e profissionais necessitam de mudanças tanto dentro da aprendizagem escolar, quanto comportamentais e de consciência em relação ao papel de cada um na busca de uma melhor qualidade de vida.
O mais importante no trabalho com projetos é o tratamento dispensado ao tema gerador, pois é preciso saber estimular o trabalho, a fim de que se torne interessante e viável para todo o grupo, ou seja, aprende-se participando, vivenciando, tomando atitudes e escolhendo meios para atingir os seus objetivos e ensina-se não só pelas respostas dadas, mas pelas experiências e pelos problemas criados. 
Porém, se não houver um planejamento cuidadoso e, principalmente, interesse e compromisso por parte dos alunos, qualquer esforço pode resultar em desperdício de tempo.
O que parece ser possível afirmar a partir das evidências que surgiram durante a execução desse trabalho é que a Pedagogia de Projetos permite que o discente seja tratado como um ser em desenvolvimento não só no espaço escolar, mas também no meio em que ele está inserido, com vontade e decisões próprias, cujos conhecimentos, habilidades e atitudes são adquiridos em função de suas experiências, em contato com o meio e através de uma participação ativa na resolução de problemas e dificuldades o que oportuniza o desenvolvimento da autonomia para buscar soluções com o espírito de iniciativa e de solidariedade.
Sendo assim, o que se espera a partir das conclusões que foram possíveis de estabelecer após o encerramento das pesquisas aqui realizadas é que esse estudo possa ser inserido no rol de trabalhos que de alguma forma contribuam para o aprofundamento e enriquecimento do tema.
Não há, no entanto a pretensão de se esgotar o assunto com essa pesquisa, o que se sugere para pesquisadores futuros que tenham interesse no assunto um aprofundamento principalmente no que se refere as questões metodológicas, por exemplo, que se contemple a pesquisa envolvendo pessoas em um número significativo para que dessa forma seja possível, entre outras coisas, se obter resultados que possam servir de base para uma melhor interpretação dos dados aqui apresentados.
6. REFERÊNCIAS
ABRANTES, Paulo. Trabalho de projecto na escola e no currículo. Reorganização curricular. Ensino Básico. Novas Áreas Curriculares. Lisboa: mec – Departamento de Educação Básica de Lisboa, 2002.
ALVAREZ LEITE, Lúcia Helena. Pedagogia de projetos: intervenção no presente. Revista Presença Pedagógica. V.2, nº 8, mar./abr, 1996.
BEYER, L. E., Willian Heard Kilpatrick (1871 / 1965). Perspectivas. Revista trimestral de educación comparada. Paris. UNESCO: Oficina Internacional de Educación. V. XXVII, nº 3, p. 503-521, sep. 1997
CARDOZO, Mirian Tavares Dias. A “Pedagogia de Projetos” aplicada ao ensino profissionalizante. Dissertação de Mestrado. Universidade de Uberaba, 2004.
CARLOS, Jairo Gonçalves. Interdisciplinaridade no Ensino Médio: Desafios e Potencialidades. 2007.
DEWEY, John. Meu credo pedagógico. 1897, Chicago: University of Chicago Press, 1907.
____________ Democracy and education. New York: The Free Press, 1916.
____________ Experiência e educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes essências à prática educativa. 19ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2008.
HERNÁNDEZ, F., VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho – o conhecimento é um caleidoscópio. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.
HUBNER, M. M. Guia para elaboração de monografias e projetos de dissertação de mestrado e doutorado. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, Mackenzie, 2001.
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 1997.
PIRES, Marília Freitas de Campos. Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade no Ensino. In: Interface, fev, 1998.
VALENTE, José Armando. Formação de Professores: Diferentes Abordagens Pedagógicas. In: VALENTE, José Armando. (Org). O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.


Recibido: 04/10/2015 Aceptado: 15/15/2015 Publicado: diciembre de 2015

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