CAMINHOS DO JEQUITINHONHA: ANÁLISE DO PROJETO DE COMBATE Á POBREZA RURAL

Marcela de Oliveira Pessôa

4.2 – Da análise sociológica

Até o momento a análise do desempenho do PCPR tem denotado que a estruturação que concede às comunidades é muito bem recebida, ainda que existam complicações para se iniciar as atividades produtivas e que sejam necessárias adaptações. Do mesmo modo, a instituição de fomento deste projeto é muito bem quista entre os seus beneficiários, mesmo considerando necessárias algumas modificações no modo de operação da instituição, para que se faça mais presente na realidade da região e, por isso, mais parceira das comunidades em prol do seu desenvolvimento.
No que foi verificado, no que tange à geração de renda para instrumentalizar a melhoria de qualidade de vida das comunidades o PCPR ainda não tem promovido grandes mudanças. E esta análise compete aos mesmos resultados obtidos pelo relatório do Estudo de Desempenho Físico (TECNOMETRIA/IDENE, 2010) contratado pelo IDENE sobre toda a sua área de abrangência.

Aponta-se, portanto, que os subprojetos produtivos introduzidos não chegaram a beneficiar cerca de 39% dos entrevistados e não mudou a renda de cerca de 57% de suas famílias. Embora aproximadamente 67% dos entrevistados considerem que tenha havido modificações nas condições de vida da comunidade com a introdução dos subprojetos, 54% afirmam não ter havido geração de emprego. Ainda que os dados da Tecnometria (2010) tragam elementos importantes, vários aspectos do relatório mostram-se limitados ou limitantes. Um exemplo concerne à própria formulação das questões propostas que mesmo possibilitando respostas binomiais deixam margens de dúvida para a compreensão do entrevistado1 .
Parte do resultado minguado se deve ao fato de haver percalços de ordem natural e social agindo sobre a funcionalidade do Projeto. Alguns dos fatores de ordem física para os produtores das fabriquetas se devem, por exemplo, às problemáticas referentes ao acesso à água que tende a inviabilizar/reduzir cultivos irrigados e perenes ao longo do ano, que assegurariam matéria prima e ainda desenvolveria a própria produção; à dificuldades físicas para escoamento da produção devido à situação financeira das comunidades, qualidade das estradas e meios de transporte entre outros. Fatores que, embora tenham grande poder, não são incontornáveis.
 Fazem parte disto problemáticas de origem social que dizem respeito, principalmente, à fatores como vontade e responsabilidade dos servidores do Estado em suas diferentes gradações e à detenção de maiores conhecimentos, força de vontade, contatos e autonomia dos membros das comunidades. Ao se lembrar que a geração de renda é apenas meio de desenvolvimento das comunidades, isto é, a possibilidade para melhoria da sua qualidade de vida e não um fim em si, percebe-se o quanto os subprojetos são carentes diante das problemáticas expostas.
Cabe questionar, portanto, qual o tipo de desenvolvimento a que o PCPR se propõe: o desenvolvimento como um fim, em que a instalação dos subprojetos seria aperfeiçoada, geraria renda e pronto; ou o desenvolvimento como meio, em que a instalação dos subprojetos fomentaria novas possibilidades de promoção de renda e relações, em que as comunidades galgariam maior autonomia e qualidade de vida. Cabe questionar se o que se pretende é um combate à pobreza de forma paliativa ou transformadora.
Segundo o que informa o IDENE, a instituição pretende reconhecer os erros do passado e superá-los, enquadrando-se em um novo paradigma institucional democrático-participativo e cujo desenvolvimento se assenta no sujeito. Por isso, nas próximas seções serão problematizadas as relações nas quais os PCPR produtivos se inserem visando compreender em que medida a instituição tem atingido os fins que propõe. Depois de breve discussão conceitual também serão apontadas alternativas à ação institucional para complementar o programa nas fissuras encontradas.


1 Uma das perguntas feitas aos beneficiários das atividades produtivas chega a ser se entre os problemas do projeto estava o fato dos “benefícios não serem distribuídos”. Responder sim ou não a uma questão formulada na negativa inebria o que se pode esperar como resposta. Seria, neste caso, conveniente a reformulação da pergunta para simplificar a análise do entrevistado.

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