GEOTECNOLOGIAS E O PLANEJAMENTO DA AGRICULTURA DE ENERGIA

Heloísa Rodrigues Nascimento
Yolanda Vieira de Abreu

2.3.2 O Etanol no Estado do Tocantins

De acordo com dados da Secretaria da Agricultura do Tocantins – SEAGRO (2010), o Estado do Tocantins possui uma área total de 27.842.070ha, dos quais 50%, ou seja, 13.921.035ha, tem vocação para a produção agrícola.

O Tocantins, além de apresentar condições favoráveis de clima e solo e oferta de água para irrigação dos plantios, oferece outras vantagens adicionais como a logística de transporte que permitirá exportar etanol pelo Porto de Itaqui (São Luís – MA), pelos trilhos da Ferrovia Norte-Sul, utilizando o sistema multimodal de transportes. O Porto de Itaqui é a porta mais próxima para saída dos produtos do Estado rumo aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte. A diferença em comparação com os portos de Paranaguá, Paraná, e de Santos, em São Paulo, equivale à cerca de cinco dias de navio (O JORNAL, 2007).

No cadastro do MAPA – Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Produção e Agroenergia – Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia de 30/08/2010, constam apenas 1 (uma) usina produtora de etanol no Estado do Tocantins, a Brasil Bio, Bioenergética Ind. E Com. De Álcool e Açúcar Ltda., localizada na cidade de Gurupi (MAPA, 2010). Mas no cadastro da UDOP-União dos Produtores de Bioenergia estão cadastradas a Brasil Bioenergética localizada em Gurupi, Bunge – Unidade no município de Pedro Afonso e a Tocantins localizada em Arraias.

A Bunge Açúcar e Álcool unidade no município de Pedro Afonso-TO está em fase de implantação e seu funcionamento está previsto para maio de 2010. A usina produzirá álcool, etanol e açúcar, destinados ao mercado de todo o país. O local já possui no projeto agrícola 7 mil hectares plantados de cana-de-açúcar, no entanto, o projeto é de 45 mil hectares. A capacidade de processamento inicial é de 1,4 milhões de toneladas anualmente, podendo atingir até 4,4 milhões de toneladas por ano (SILVA et al., 2009).

O empreendimento pode gerar até 1.500 empregos diretos até 2012 nas atividades agrícolas e industriais, além de empregos indiretos na cadeia produtiva e nos setores de comércio e serviços. No projeto agrícola, a irrigação é feita a partir da água captada no córrego Lajeado, por meio de pivôs de 1.223 metros de comprimento - o maior do mundo, conforme informações do próprio fabricante - com capacidade para irrigar até 930 hectares (SILVA et al., 2009).

Segundo a Conab apud Rocher (2010) a cana avançou de aproximadamente de 700 hectares para 26 mil hectares no ano de 2010, com a instalação da usina Bunge no município de Pedro Afonso. As áreas plantadas com cana eram usadas para a cultura da soja, na safra 2010/11 devem ser colhidos 120 toneladas por hectare de cana no Tocantins, bem acima da média regional de 70 hectares por tonelada. Por enquanto a usina de etanol dá prioridade ao cultivo de cana em áreas próprias.
A safra 2008/09 do estado do Tocantins produziu cerca de 2,801 10³ m³ de etanol. A Figura 2.9 abaixo mostra a produção de etanol no Estado do Tocantins em 10³ m³ desde a safra 2005/2006 até a safra 2008/2009 (ÚNICA, 2009).


Figura 2.9 – Produção de etanol no Estado do Tocantins (10³ m³) – Safra 2005/2006 a 2008/09
Fonte: Única (2009)

 

Observa-se na figura 2.9 que a produção de etanol no Estado do Tocantins é praticamente recente, visto que se iniciou a partir do ano de 2005, participando da safra 2005/06, 2006/07, já na safra 2007/06 não houve produção, voltando a produzir na safra 2008/09.

Além da produção de etanol utilizando como matéria-prima a cana-de-açúcar, no Estado do Tocantins pode-se citar o desenvolvimento de outras para a produção de etanol como:
 Na Universidade Federal do Tocantins (UFT), no Campus de Palmas, desenvolve-se um projeto denominado A Cultura da batata-doce como fonte de matéria-prima para o etanol, que possui uma mini usina piloto de etanol, localizada na Estação experimental da UFT, Campus de Palmas. Esse projeto já apresenta grande repercussão em todo país e recentemente firmou parceria com a EMBRAPA, visando avanços para a produção de etanol através dessa cultura (CAMARGO et al.,2009 apud SILVA et al., 2009).

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Tocantins, uma parceria feita entre a UFT – Universidade Federal do Tocantins, o Instituto Ecológica e BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento implantou em Porto Nacional, o projeto modelo para a produção de biocombustível extraído da mandioca. (TOCANTINS, 2009)

No Estado do Tocantins, através da empresa Tobasa Bioindustrial de Babaçu S.A., localizada no município de Tocantinópolis - TO o fruto do babaçu é processado integralmente, produzindo óleo, sabão de coco, farinhas amiláceas, álcool, subprodutos protéicos, carvão ecológico e carvão ativado. A empresa processa anualmente aproximadamente 75 mil toneladas de babaçu correspondendo em média, a 5 milhões de litros de óleo e 10 milhões de quilos de amido de etanol. (OLIVEIRA et al. 2009 apud SILVA et al., 2009).
                                                        
Percebe-se que a produção de etanol no Estado do Tocantins ainda é incipiente, mas está presente no Estado um projeto ousado da empresa Bunge que poderá expandir esta produção e ampliar a participação do mesmo no cenário nacional, entretanto é importante a existência de projetos industriais e científicos envolvendo a pesquisa para a diversificação matérias-primas para a produção de etanol, tais como a batata-doce, babaçu e mandioca os quais têm buscado maior rendimento e eficiência para a produção de etanol.  

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