ECONOMIA SERGIPANA

Cid Olival Feitosa

Comércio inter-regional e internacional

Após 1980, diante do quadro de crise do Estado brasileiro, o estímulo às atividades exportadoras, sobretudo no setor industrial, foi um fenômeno generalizado para as distintas atividades econômicas do país. Segundo Melo (2000), nos anos 1980 e 1990 todas as regiões brasileiras, sem exceção, aumentaram seus laços com o exterior, seja através da intensificação do comércio internacional, seja através dos investimentos diretos estrangeiros, que retomaram ao país após 1994, com a estabilização da economia brasileira.
Conforme apresentamos no capítulo anterior, o comércio internacional sergipano aumento seu volume de exportações, entre 1970 e 1985, em 46 vezes, o que não significou dizer que Sergipe fosse um estado altamente exportador, dado que a sua participação no total das exportações brasileiras foi de apenas 0,13%.
O desempenho das exportações sergipanas foi favorável por um período ininterrupto de doze anos, entre 1980 e 1992, quando se expandiram acima das importações, alcançando em 1992, um valor de US$ 45,3 milhões. Seu crescimento ocorreu a uma expressiva taxa anual média de 12,5%, enquanto o volume de importações crescia a taxas negativas de 0,9% ao ano. Em decorrência desse desempenho favorável Sergipe acumulou entre 1980 e 1992 um superávit de US$ 470,4 milhões de dólares (ver Tabela 3.19). A partir de 1993, no entanto, seria verificada uma inversão dos resultados do saldo comercial sergipano com o exterior. O setor importador cresceria muito mais que as exportações, apresentando déficit comercial em todos os anos subseqüentes, até 2005. Durante o período 1993-2004, as exportações sergipanas cresceram a uma taxa de 5,8% ao ano, índice que não é desprezível. Porém, as importações cresceram a taxas médias anuais de 10,2%, praticamente o dobro da taxa de crescimento das vendas sergipanas para o exterior.


Tabela 3.19

SERGIPE

Balança Comercial (em US$ 1.000 FOB)

1980 - 2005

Anos

Exportações

Importações

Saldo

1980

11.068

16.310

(5.242)

1981

142.711

7.850

134.861

1982

167.998

2.838

165.160

1983

24.323

1.908

22.415

1984

35.758

9.966

25.792

1985

30.478

8.152

22.326

1986

17.187

16.216

971

1987

25.928

12.112

13.816

1988

34.787

14.905

19.882

1989

28.005

12.496

15.509

1990

38.203

23.670

14.533

1991

26.434

16.778

9.656

1992

45.331

14.563

30.768

1993

25.671

34.665

-8.994

1994

33.957

69.162

(35.205)

1995

22.460

76.260

(53.800)

1996

55.944

138.724

(82.780)

1997

39.628

124.716

(85.088)

1998

31.210

109.451

(78.241)

1999

21.958

97.111

(75.153)

2000

29.761

94.382

(64.621)

2001

20.771

101.891

(81.120)

2002

37.604

101.886

(64.282)

2003

38.813

97.152

(58.339)

2004

47.673

101.051

(53.378)

2005

66.424

93.358

(26.935)

Fonte: Secex/MDIC

Essa inflexão no comércio internacional de Sergipe, a partir de 1992, deveu-se em parte a dois fatores. Em primeiro lugar, ao processo de liberalização comercial iniciado com a eliminação das principais barreiras não tarifárias e a adoção de uma forte redução tarifária desde o ano de 1988, estimulando o aumento das importações. Em segundo lugar, a apreciação da moeda nacional, processo que se configurou a partir de 1992, acentuando-se com a política cambial do Plano Real e que atuou como desestímulo às exportações. Dados esses fatores, as importações passaram a exercer uma forte pressão nas transações comerciais sergipanas, invertendo a tendência da sua Balança Comercial (CEPLAN, 2005).
Em parte, os déficits constantes registrados pela balança comercial sergipana, a partir de 1993, foram decorrência das mudanças feitas nos instrumentos da política de comércio exterior, medidas que foram reforçadas com a adoção do Plano Real, a partir de 1994 (CEPLAN, 2005).
Em 2005, o setor externo sergipano apresentaria crescimento das exportações (39,3%), em relação a 2004, a taxas muito acima daquelas verificadas para as importações (-7,6%), mas, ainda assim, insuficiente para resultar num saldo comercial positivo. Dessa maneira, se computarmos o ano de 2005 com todo o período de déficit comercial sergipano, as exportações apresentariam crescimento de 8,2% ao ano, ao tempo em que as importações cresceriam à taxa de 8,6% ao ano. Contudo, ao longo desses doze anos, Sergipe acumulou um déficit comercial da ordem de US$ 767,9 milhões.
Comparando a situação da economia sergipana com os demais estados do Nordeste, observou-se que em 1990 todos os estados nordestinos, bem como a região e o país, apresentaram saldo comercial positivo. Destaca-se que a participação relativa de Sergipe nas exportações nordestina, nesse ano, era de 1,26%, ao tempo em que representava 0,12% das exportações brasileiras. Em 1995, praticamente todos os estados nordestinos, região e país, inclusive, apresentariam déficit comercial, com exceção do Maranhão, dado o peso do Complexo Minero-Metalúrgio, do Piauí, com o desenvolvimento da agricultura de grãos, e da Bahia, com grãos e atividades petroquímicas.

A partir de 1999, com a desvalorização cambial, alguns estados apresentariam, em 2000, superávit comercial, a exemplo de Alagoas e Rio Grande do Norte, além dos estados que já apresentavam situação superavitária desde o qüinqüênio anterior. Em 2005, praticamente todos os estados nordestinos apresentariam saldos positivos nas suas balanças comerciais, com exceção de Pernambuco e Sergipe. Nesse ano, a participação relativa da economia sergipana nas exportações do Nordeste era da ordem de 0,63% e na economia brasileira 0,06%.
Apesar dos resultados pouco satisfatórios, e do baixo coeficiente de exportação da economia sergipana, o que se verificou ao longo desse período analisado foi que o estado de Sergipe tem procurado diversificar sua pauta de exportação. Observando a Tabela 3.21 percebe-se que em 1990, praticamente toda a exportação sergipana concentrava-se em dois produtos: suco de laranja (91,5%) e artigos de vestuário (5,3%).

Em 2005, apesar de Sergipe ainda possuir uma pauta de exportação com poucos produtos, estes estavam mais bem distribuídos que em 1990, com destaque para a exportação de fertilizantes (16,6%), cimento (16,7%) e Tecidos e fios (13,5%), sem falar na predominância que Sergipe sempre apresentou na exportação de suco de laranja (36,9%). Esses quatro segmentos, juntos, totalizavam 83,6% das exportações sergipanas em 2005.
As importações, por sua vez, concentravam-se no início dos anos 1990 em praticamente dois tipos de produtos: máquinas, aparelhos e equipamentos eletro-eletrônicos (74%) e o grupo de algodão, restrito a algodão cru para debulhar (16%), totalizando, assim, 90% das importações sergipanas. Nos anos recentes, praticamente se mantêm os mesmos produtos importados: máquinas e equipamentos (46,2%), algodão (19,5%) e cereais (17,2%), totalizando 82,9% das importações recentes (CEPLAN, 2005).
No que diz respeito ao comércio inter-regional, são escassas as informações para o período de 1985 a 2005. Para a nossa análise, utilizaremos informações constantes do estudo da Ceplan, que levantou o valor das compras e vendas informado pelos contribuintes e não contribuintes de ICMS do estado. Chama-se atenção, de início, para o fato de que as informações utilizadas foram declaradas e não coletadas, o que requer cautela no que diz respeito às conclusões obtidas de tais dados.
Segundo a Ceplan (2005), o primeiro aspecto a ser considerado no comércio inter-regional sergipano é o seu volume, quando comparado com os baixíssimos índices do comércio internacional. Predomina, portanto, o comércio inter-regional como elemento dinâmico da demanda agregada da economia sergipana.

Além disso, destaca-se que o comércio intra-regional ainda apresenta maior significado para Sergipe do que o comércio inter-regional. Esse fator, conforme apresentado no capítulo anterior, deve-se ao dinamismo das economias baiana e pernambucana, que atraem significativa parcela dos valores obtidos com o comércio nordestino, bem como a proximidade com alagoas, estado no qual Sergipe também mantém relações comerciais estreitas, dada a proximidade dos seus territórios.
Em seguida, a Região Sudeste aparece como segundo maior parceiro comercial sergipano. Por causa da estrutura industrial sergipana, boa parte dos insumos e equipamentos necessários ao processo produtivo são adquiridos na região Sudeste, notadamente São Paulo, assim como, parcela das vendas sergipanas direciona-se para este mercado. Por fim, deve-se salientar que Sergipe apresentou déficit comercial com praticamente todas as regiões do país, com exceção da região Norte, tanto em 1997 quanto em 1999.

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