ECONOMIA SERGIPANA

Cid Olival Feitosa

 Comércio inter-regional e internacional

A investigação das especializações regionais em atividades produtivas e nas transações comerciais tornou-se de fundamental importância para identificar como seriam repartidos os ganhos provenientes da nova divisão territorial do trabalho, imposta pelo processo de unificação da economia nacional (GALVÃO, 1984).
Conforme amplamente discutido na literatura especializada sobre a dinâmica das economias regionais brasileiras, o comércio inter-regional era relativamente diminuto pelo menos até o II Pós-Guerra, atingindo pouco mais de 50% das transações comerciais efetuadas com as diversas regiões do país e com o exterior, decorrentes tanto das enormes distâncias e insuficiência de transportes quanto pela existência de impostos interestaduais que elevavam o preço das mercadorias transacionadas (CANO, 1988, CANO, 1998b).
O peso relativo desses fluxos era distinto para cada região, variando conforme a distância entre elas, as condições do sistema de transportes e a disseminação de determinadas mercadorias, que acabavam constituindo-se em produtos regionalizados, como o açúcar e o algodão nordestinos, o charque e a banha sulinos, os tecidos de São Paulo e Rio de Janeiro, apresentando peso expressivo na pauta de comércio inter-regional (CANO, 1998b).
Com a integração do mercado nacional houve forte incremento do comércio inter-regional para todas as regiões brasileiras, aumentando-lhes o grau inter-regional de complementaridade e provocando efeitos diversos (estimulo, bloqueio e destruição, conforme discutido no Capítulo I) nas suas economias. Segundo Cano (1998b), a integração do mercado nacional acelerou a complementaridade entre as distintas regiões brasileiras, principalmente através de maiores exportações de matérias-primas e produtos industrializados da periferia para todo o mercado nacional.
Apesar de informações precárias, foi possível levantar alguns dados sobre o comércio inter-regional, a partir do estudo de Galvão (1984) – Integração Econômica, Comércio e Desenvolvimento Regional, que apresentou a matriz de comércio inter-regional brasileiro, para os anos de 1961 e 1969, ainda que com algumas deficiências de dados 1. Além disso, utilizamos dados constantes do trabalho de Pacheco (1996), para os anos de 1975, 1980 e 1985, e para o estado de Sergipe as informações foram obtidas em vários anos da Revista de Finanças Públicas, do Ministério da Fazenda.
A década de 1950 constituiu-se num marco nas relações comerciais entre todas as regiões brasileiras. Não obstante a precariedade de informações, foi a partir desse período que as regiões passaram a manter relações mais estreitas umas com as outras, estimuladas pelas ligações rodoviárias e eliminações dos impostos interestaduais, pela montagem da indústria pesada e pela necessidade de complementaridade industrial, principalmente pelo centro dinâmico de acumulação do país.
Esse processo foi reforçado, ainda, nas décadas seguintes, pela atuação mais intensa do governo federal nas regiões periféricas, não só através das transações comerciais, como também, pelo estímulo à transferência de capitais produtivos das regiões mais industrializadas para o restante do Brasil, notadamente o Nordeste. Desse modo, a partir dos anos 1950, verificou-se na economia brasileira um incremento dos fluxos inter-regionais, que até então estavam restritos, em sua grande maioria, a movimentos intra-regionais. Houve uma ampliação considerável na abertura das economias regionais, com avanços extremamente significativos para o comércio brasileiro. A título de ilustração, em 1943 e 1947, o fluxo total de comércio inter-regional era de 18% e 20%, respectivamente. A partir de 1961 essa participação mais que dobrou, passando para 44,5% (ver Tabela 2.17.1, no anexo estatístico) (GALVÃO, 1984).
No caso do Nordeste, ainda que o comércio intra-regional predominasse nas transações comerciais da região2 , verificou-se um aumento significativo na sua abertura comercial para com o restante do país, pois em 1947 o Nordeste exportava tão somente 4% das suas mercadorias produzidas, ao passo que em 1961, este percentual já atingia a marca de 33,7% do total de exportações por vias internas (GALVÃO, 1984).
As relações comerciais do Nordeste eram mais intensas com o Sul e Sudeste, seja no caso da venda dos seus produtos, como também da aquisição de mercadorias dessas regiões. Deste modo, 86,7% das exportações nordestinas destinaram-se ao Sudeste, ao passo que desta importou 89,8%, apresentando déficit nas transações com esta região.  Na verdade, a região Nordeste apresentou, em 1961, déficit comercial com praticamente todas as demais regiões brasileira, com exceção da região Norte cujo superávit foi da ordem de 3% (Tabela 2.18.1).


Tabela 2.18.1

BRASIL

Comércio Interestadual por vias internas (em %)

1961

Regiões de Origem

Exportações (em %)

Importações (em %)

NO

NE

SE

SU

CO

Total

NO

NE

SE

SU

CO

Total

Norte

 

55,1

41,3

0,3

3,3

100,0

 

22,7

66,9

8,5

1,9

100,0

Nordeste¹

4,5

 

86,7

7,9

1,0

100,0

1,5

 

89,8

8,1

0,6

100,0

Sudeste²

2,0

26,1

 

64,5

7,4

100,0

0,4

17,1

 

72,1

10,4

100,0

Sul

0,4

4,1

94,3

 

1,2

100,0

0,0

1,8

98,1

 

0,1

100,0

Centro-Oeste¹

0,7

2,2

96,0

1,1

 

100,0

0,3

1,8

89,8

8,1

 

100,0

Fonte: Galvão (1984) – Elaboração Própria a partir dos dados da Tabela 2.17.1, em anexo.

¹ Dados de 1962 para os estados do Piauí, Alagoas e Mato Grosso

² Não foram computadas informações sobre Minas Gerais

O Estado de Sergipe, por sua vez, apresentava percentual de exportações por vias internas levemente superiores à Região Nordeste, perfazendo 37,9% do total de vendas para outras regiões, exclusive Sergipe, sendo mais intensas as transações intra-regionais e com a Região Sudeste. Ou seja, dos 37,9% de mercadorias exportadas para outras regiões brasileiras, 62,1% destinavam-se ao mercado Nordestino, exclusive Sergipe, e 32,4% para a região Sudeste. As demais regiões tinham participação insignificante: Norte (1,1%); Sul (3,9%) e Centro-Oeste (0,5%).
Em 1969, o total das transações comerciais inter-regionais brasileiras aumentou sua participação para 47%, representando um crescimento de 2,5 pontos percentuais em relação ao período anterior, ao passo que o Nordeste cresceu 2,7 pontos percentuais. Já o Estado de Sergipe apresentou crescimento mais significativo, com aumento de 7,4 pontos percentuais, perfazendo 45,3% do total de vendas destinadas a outros estados do país (Tabela 2.17.2, no anexo estatístico).
Não obstante o crescimento desse tipo de comércio, ainda predominava o comércio intra-regional, que representava cerca de 53% de todo o comércio entre os estados nacionais. O Nordeste ampliou suas exportações para o Norte (13,5%) e para o Centro-Oeste (1,8), ao passo em que reduziu sua participação nas exportações para o Sudeste (76,9% contra 86,7% do período anterior) e manteve inalterada sua participação nas exportações para o Sul (7,9%). No que se refere às importações, o Nordeste aumentou sua participação relativa com as regiões Sul (11,9%) e Norte (1,8%), ao passo que diminuiu sua participação com as regiões Sudeste (85,8%) e Centro-Oeste (0,5%). O Estado de Sergipe foi, gradativamente, reduzindo suas vendas para a região Nordeste e aumentando a participação de vendas para a Região Sudeste, dado o processo de integração econômica do país. Ver Tabela 2.17.2, no anexo estatístico, e Tabela 2.18.2, abaixo.


Tabela 2.18.2

BRASIL

Comércio Interestadual por vias internas (em %)

1969

Regiões de Origem

Exportações (em %)

Importações (em %)

NO

NE

SE

SU

CO

Total

NO

NE

SE

SU

CO

Total

Norte

 

24,9

63,9

7,8

3,3

100,0

 

20,4

70,3

7,5

1,8

100,0

Nordeste

13,5

 

76,9

7,9

1,8

100,0

1,8

 

85,8

11,9

0,5

100,0

Sudeste

5,7

31,9

 

47,6

14,8

100,0

2,6

14,1

 

74,8

8,5

100,0

Sul

1,1

7,9

89,0

 

2,0

100,0

0,4

2,0

97,4

 

0,2

100,0

Centro-Oeste

2,4

3,0

92,7

2,0

 

100,0

0,6

1,3

91,4

6,7

 

100,0

Fonte: Galvão (1984) - Elaboração Própria a partir dos dados da Tabela 2.17.2, em anexo.

Sob o ponto de vista da Balança Comercial Inter-regional Nordestina, esta passou a apresentar superávit de 11,7% e 1,3%, respectivamente, com as regiões Norte e Centro-Oeste. Por outro lado, a situação com as regiões Sul e Sudeste permaneceu deficitária, num montante de 8,9% e 4,1%, respectivamente. No total, porém, a Região Nordeste continuou deficitária em relação às demais regiões brasileiras, saltando de 16% em 1961, para 27,1% em 1969.
Pacheco (1996) destaca que a partir da década de 1970 a unificação do mercado nacional permitiu uma expansão vigorosa das exportações inter-regionais, constituindo-se em grande estímulo ao crescimento econômico. Contudo, segundo o autor, esse fato foi muito mais importante para a economia paulista, que criou um amplo mercado extra-regional, dada a dinâmica produtiva do estado, que para o restante do país, ainda que os seus percentuais de exportação e importação fossem menores que os das demais regiões brasileiras.
No ano de 1975, as transações inter-regionais tornaram-se mais importantes para praticamente todo o país, com exceção do Sudeste, que ainda mantinha peso relativo maior nas transações intra-regionais, com 47,2% das suas exportações voltadas para as demais regiões do país e apenas 30,5% do total importado proveniente de outras regiões que não o próprio Sudeste. A região com maior grau de abertura era o Norte, que exportava 91,5% do total de mercadorias provenientes do seu território e importava 96% de tudo o que consumia (Tabela 2.17.3 – em anexo).
O Nordeste, a partir de 1975, ampliou cada vez mais suas relações comerciais com o Sudeste. Pode-se inferir que este fluxo mais intenso entre as duas regiões deveu-se à implantação da “nova indústria” nordestina, que passou a exportar mais para o Sudeste, sobretudo bens intermediários, e dela adquirir bens de consumo durável e de capital. A título de ilustração, nesse período o Sudeste intensificou suas compras com Nordeste que passaram a representar cerca de 25% das importações totais, ainda que o seu maior parceiro comercial continuasse sendo o Sul (Tabela 2.18.3).


Tabela 2.18.3

BRASIL

Comércio Interestadual por vias internas (em %)

1975

Regiões de Origem

Exportações (em %)

Importações (em %)

NO

NE

SE

SU

CO

Total

NO

NE

SE

SU

CO

Total

Norte

 

15,9

76,5

5,1

2,5

100,0

 

13,2

76,3

6,6

3,9

100,0

Nordeste

5,2

 

84,2

8,3

2,3

100,0

1,2

 

89,0

9,0

0,7

100,0

Sudeste

4,5

29,8

 

50,9

14,8

100,0

4,1

25,3

 

63,1

7,6

100,0

Sul

1,1

8,4

86,5

 

4,0

100,0

0,3

2,3

96,8

 

0,6

100,0

Centro-Oeste

5,1

5,4

82,7

6,8

 

100,0

0,4

2,0

89,0

8,6

 

100,0

Fonte: Pacheco (1996) - Elaboração Própria a partir dos dados da Tabela 2.17.3, em anexo.

Na década seguinte, o volume de compras e vendas do Nordeste para com as demais regiões brasileiras apresentou a mesma tendência do período anterior, sofrendo poucas variações, conforme pode ser observado nas Tabelas 2.18.4 e 2.18.5.


Tabela 2.18..4

BRASIL

Comércio Interestadual por vias internas

1980

em %

(Valores Correntes)

Regiões de Origem

Exportações (em %)

Importações (em %)

NO

NE

SE

SU

CO

Total

NO

NE

SE

SU

CO

Total

Norte

 

8,3

84,3

6,1

1,4

100,0

 

11,2

77,5

9,4

1,9

100,0

Nordeste

6,6

 

80,5

10,9

1,9

100,0

2,1

 

83,6

13,0

1,3

100,0

Sudeste

8,0

27,2

 

49,0

15,9

100,0

11,3

22,7

 

54,9

11,0

100,0

Sul

2,3

10,1

81,5

 

6,1

100,0

1,0

3,6

92,8

 

2,6

100,0

Centro-Oeste

2,2

4,8

77,3

15,8

 

100,0

0,6

1,7

84,2

13,4

 

100,0

Fonte: Pacheco (1996) - Elaboração Própria a partir dos dados da Tabela 2.17.4, em anexo.

Tabela 2.18.5

BRASIL

Comércio Interestadual por vias internas

1985

em %

(Valores Correntes)

Regiões de Origem

Exportações (em %)

Importações (em %)

NO

NE

SE

SU

CO

Total

NO

NE

SE

SU

CO

Total

Norte

 

10,4

78,7

8,8

2,1

100,0

 

12,3

73,6

11,9

2,2

100,0

Nordeste

8,0

 

78,6

10,3

3,1

100,0

2,9

 

81,0

14,0

2,1

100,0

Sudeste

10,5

30,7

 

38,5

20,3

100,0

11,7

24,6

 

53,0

10,6

100,0

Sul

3,5

10,9

77,4

 

8,2

100,0

2,0

5,0

84,6

 

8,3

100,0

Centro-Oeste

2,5

6,4

60,7

30,3

 

100,0

0,9

2,7

80,5

15,8

 

100,0

Fonte: Pacheco (1996) - Elaboração Própria a partir dos dados da Tabela 2.17.5, em anexo.

A mesma tendência apresentou o estado de Sergipe, que aumentou suas vendas para o Sudeste em 34,7% em relação ao ano de 1969 e ultrapassou a Região Nordeste como principal destino das vendas sergipanas. Um dado curioso acerca da economia sergipana foi que a partir de 1975 a participação das vendas do estado no comércio inter-regional apresentou inflexão, perfazendo 53,8% em 1980, e 44% em 1985.
Analisando todo o período da qual dispomos de informações, verificamos que desde 1961 os percentuais de vendas inter-regionais do Norte e Centro-Oeste já eram elevados. Tal fato poderia estar relacionado às precárias condições de transporte e comunicação internas, sendo mais fácil manter relações comerciais extra-regionais. A Região Sul, embora se acredite que as causas fossem outras, que não a precariedade do sistema de transportes, também apresentaria elevados índices de comércio inter-regional. Segundo Pacheco (1996), esse fato poderia ser explicado, em parte, pela subestimação do valor do comércio das atividades agropecuárias, tornando-se problemático não só para a região Sul como para a Região Centro-Oeste (Tabela 2.19).
No caso do Sudeste, o aumento das atividades inter-regionais tornou-se crescente ao longo de todo o período. Desse modo, se as suas vendas para o mercado nacional, em 1961, excluindo-se a própria região, eram da ordem de 35%, em 1985 este percentual quase dobrou, passando a representar cerca de 65%. As importações também apresentariam crescimento substancial, saltando de 29% em 1961, para 56% em 1985.


Tabela 2.19

BRASIL

Balança Comercial Inter-regional (em %)

1961 - 1985

Macro-regiões

1961

1969

1975

1980

1985

X

M

Sld

X

M

Sld

X

M

Sld

X

M

Sld

X

M

Sld

Norte

81,0

94,3

-13,3

60,3

82,0

-21,7

91,5

96,0

-4,5

91,5

93,2

-1,7

88,0

90,9

-2,9

Nordeste

33,7

49,7

-16,0

36,4

63,5

-27,1

56,5

74,7

-18,2

57,6

71,7

-14,1

59,6

71,6

-12,0

Sudeste

35,7

29,6

6,1

38,4

29,3

9,1

47,2

30,5

16,7

49,3

37,5

11,8

64,5

56,2

8,3

Sul

78,0

80,1

-2,1

78,8

76,5

2,3

77,1

83,2

-6,1

72,7

77,2

-4,5

70,4

69,1

1,3

Centro-Oeste

94,7

94,8

-0,1

90,6

96,2

-5,6

76,6

92,4

-15,8

86,2

93,0

-6,8

83,7

91,3

-7,6

Total

44,5

44,5

0,0

47,0

47,0

0,0

53,8

53,8

0,0

56,9

56,9

0,0

67,2

67,2

0,0

Fonte: Tabelas 2.17.1, 2.17.2, 2.17.3, 2.17.4, 2.17.5, em anexo

Nota: X = exportações Inter-regionais; M = Importações Inter-regionais; Sld = Saldo

Pacheco (1996) chama a atenção para o fato de que somente após 1980 as compras inter-regionais do Sudeste adquiriram maior expressão. Esse fato devia-se ao aumento do fluxo comercial com a Região Sul, mas também pelo maior volume de operações entre o Sudeste e o Nordeste, proveniente do crescimento industrial nordestino.
O Nordeste, por sua vez, foi reduzindo gradativamente o seu déficit comercial com as demais regiões brasileiras, notadamente o Sudeste, devido, principalmente, à implantação da nova indústria, que por ser especializada em bens intermediários destinava grande parte dos seus produtos aos mercados extra-regionais. O aumento das importações devia-se à necessidade de adquirir insumos e equipamentos para o suprimento desta nova indústria.
No caso de Sergipe, embora não tenhamos informações para todo o período analisado para as grandes regiões brasileiras, observa-se, a partir da Tabela 2.20, que o seu maior parceiro comercial era o mercado paulista, no qual destinava 42,5% das suas vendas e dele adquiria 33,3% das mercadorias de que necessitava, ou seja, em 1975, o comércio sergipano com São Paulo era igual ou superior a 1/3 do total de exportações e importações do estado.


Tabela 2.20

SERGIPE

Balança Comercial Interestadual (em %)

1975 - 1985

Regiões/Estados

1975

1980

1985

Export.

Import.

Saldo

Export.

Import.

Saldo

Export.

Import.

Saldo

Norte

0,3

0,1

0,2

1,2

0,3

0,9

4,2

0,6

3,6

Centro-Oeste

0,7

0,0

0,6

1,0

0,7

0,3

0,3

0,3

0,0

Sudeste

53,2

48,6

4,6

43,3

54,3

-11,0

33,8

48,9

-15,1

MG

1,8

4,2

-2,3

3,7

4,5

-0,8

2,7

8,5

-5,8

RJ

8,5

10,5

-2,1

5,4

10,0

-4,6

4,0

8,9

-4,9

SP

42,5

33,3

9,2

33,8

39,3

-5,6

25,2

30,7

-5,5

Sul

4,3

4,9

-0,6

8,4

7,6

0,7

5,6

10,4

-4,8

MA

1,1

0,0

1,1

0,7

0,1

0,6

0,3

0,1

0,2

PI

0,6

0,0

0,6

0,9

0,0

0,9

0,5

0,1

0,5

CE

1,7

1,2

0,4

2,8

1,1

1,8

1,3

2,6

-1,3

RN

0,4

1,1

-0,7

1,5

0,5

1,0

0,4

0,5

-0,1

PB

1,1

1,4

-0,3

0,9

1,2

-0,3

0,8

0,8

0,0

PE

7,7

9,0

-1,3

5,7

6,9

-1,2

7,4

9,0

-1,7

AL

5,6

5,8

-0,2

4,9

1,8

3,1

6,1

2,9

3,2

BA

23,5

28,0

-4,4

28,7

25,4

3,3

39,2

23,9

15,3

TOTAL

100,0

100,0

0,0

100,0

100,0

0,0

100,0

100,0

0,0

Fonte: Revista de Finanças Públicas – Vários anos – Elaboração Própria

Nota: Exclusive Sergipe

Além de São Paulo, as exportações sergipanas destinavam-se, principalmente, aos estados da Bahia (23,5%), Rio de Janeiro (8,5%) e Pernambuco (7,7%) que juntos totalizavam 82,5% das vendas de Sergipe para todo o país. As importações mais intensas efetuadas pelo Estado de Sergipe também eram provenientes desses quatro estados. Destaca-se que, grosso modo, as relações comerciais sergipanas já se mostravam intensas com a Região Sudeste, notadamente Rio de Janeiro e depois São Paulo, desde a década de 1930, podendo-se inferir que assim permaneceram até a década de 1970. A partir desta data pode-se afirmar que São Paulo permaneceu como maior parceiro comercial sergipano.
Não obstante São Paulo fosse o maior importador de Sergipe (sob o ponto de vista da economia sergipana), ao longo do tempo foi sendo ultrapassado pelo Estado da Bahia, que em 1985, apresentava uma participação no destino das vendas de Sergipe 14% superior àquelas destinadas ao mercado paulista. Esse fato estava associado à crise da economia brasileira que atingiu profundamente o estado de São Paulo, fazendo com que este reduzisse as suas compras com as demais regiões do país.
Intra-regionalmente, Sergipe manteve relações mais intensas com os estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas. Em relação aos dois primeiros, deve-se considerar que esses estados sempre apresentaram grande significado para a Região Nordeste, cujo dinamismo econômico sempre ultrapassou os limites regionais. No caso de Alagoas, as estreitas relações comerciais com Sergipe deviam-se à proximidade dos seus territórios.
As frágeis relações comerciais com os demais estados nordestinos poderiam indicar uma integração pouco robusta de Sergipe com parcela da sua região, embora as atividades intra-regionais tivessem peso crescente na pauta de exportação e importação sergipana. Contudo, não se deve esquecer que o dinamismo econômico baiano e pernambucano sufocava, em certa medida, as demais economias nordestinas na sua integração intra-regional.
Segundo Cardoso (1989), os principais produtos comercializados por Sergipe, por vias internas, eram: algodão, produtos da indústria de moagem, combustíveis e óleos minerais, animais vivos, açúcares, fumo, produtos minerais (sal, enxofre, cal, cimento), ferro fundido e aço, frutos cítricos, dentre outros. Por sua vez, os principais produtos importados eram: veículos terrestres, caldeiras, aparelhos e instrumentos mecânicos, máquinas e equipamentos, móveis e vestuários de tecido, dentre outros.
No que diz respeito ao comércio internacional, inferimos que desde a década de 1930, quando a economia sergipana voltou-se totalmente para o mercado nacional, foram reduzidas as relações com o mercado externo, dada a característica da economia brasileira do período de “voltar-se para dentro”, apresentando novo dinamismo somente a partir da década de 1970, quando o Nordeste procurou ampliar suas relações com o comércio exterior, seguindo a tendência da economia brasileira. O dinamismo da região, no entanto, foi inferior ao do país como um todo, pois enquanto o Brasil aumento o valor das suas exportações em mais de 8 vezes, passando de US$ 2,7 bilhões para US$ 22,9 bilhões, entre 1975 e 1985, o Nordeste aumentou suas exportações para o mercado internacional em pouco mais de 6 vezes, saltando de US$ 406 milhões para US$ 2,5 bilhões, no período referido (CARVALHO, 2001).
O crescimento das exportações nordestinas a um ritmo inferior ao da economia brasileira não significou dizer que foram pouco expressivos os ganhos obtidos com o comércio internacional. Ao contrário, o Nordeste aumentou significativamente o valor das suas exportações, destacando-se os estados de Sergipe, que aumentou suas exportações em 46 vezes, Maranhão, com um aumento de 20 vezes e Piauí, que cresceu 11 vezes mais (Tabela 2.21).


Tabela 2.21

BRASIL

Valor das Exportações e Participação Relativa

1970 - 1985

Regiões/Estados

Exportações

1970

1975

1980

1985

US$ 1,00

%

US$ 1,00

%

US$ 1,00

%

US$ 1,00

%

NORTE

86.717.648

3,12

198.060.024

2,60

595.515.669

3,44

538.845.071

2,35

NORDESTE

406.596.237

14,61

1.476.568.294

19,40

2.296.821.924

13,27

2.525.629.405

11,00

    - Maranhão

4.123.294

0,15

5.500.730

0,07

11.810.223

0,07

82.689.110

0,36

    - Piauí

1.677.647

0,06

6.074.471

0,08

17.915.302

0,10

18.778.179

0,08

    - Ceará

52.286.118

1,88

76.567.805

1,01

156.223.683

0,90

216.093.658

0,94

    - Rio G. do Norte

8.557.412

0,31

22.812.794

0,30

54.893.726

0,32

42.659.013

0,19

    - Paraíba

14.428.471

0,52

28.923.275

0,38

47.618.910

0,28

47.847.150

0,21

    - Pernambuco

94.859.765

3,41

441.799.466

5,80

478.113.015

2,76

261.653.681

1,14

    - Alagoas

54.537.177

1,96

362.532.742

4,76

427.104.255

2,47

189.156.609

0,82

    - Sergipe

705.882

0,03

7.573.840

0,10

1.297.088

0,01

30.478.295

0,13

    - Bahia

175.420.471

6,30

524.595.171

6,89

1.101.845.722

6,36

1.636.273.710

7,13

SUDESTE

1.587.104.430

57,04

3.802.227.698

49,95

10.168.633.967

58,73

14.284.033.260

62,21

SUL

691.849.412

24,86

2.095.066.402

27,52

4.199.664.272

24,26

5.495.534.076

23,94

CENTRO-OESTE

10.184.941

0,37

39.723.014

0,52

52.767.659

0,30

115.928.194

0,50

BRASIL

2.782.452.668

100,00

7.611.645.432

100,00

17.313.403.491

100,00

22.959.970.006

100,00

Fonte: CACEX - Banco do Brasil S.A. e FIBGE - Anuários Estatísticos apud Carvalho (2001)

Em relação às classes dos produtos exportados, a economia nordestina, mais uma vez, seguiu as determinações gerais da economia brasileira, na qual os produtos básicos foram perdendo importância e aumentando a comercialização de produtos semimanufaturados e manufaturados, com o resto do mundo. Assim, em 1975, os produtos básicos representavam 70,6% da pauta de exportação nordestina, diminuindo para 32,7% em 1985. Trajetória inversa seguiram os produtos semimanufaturados e manufaturados, que representavam 16,1% e 12,9%, respectivamente, na pauta nordestina, aumentando seu peso relativo para 20,4% e 46%, em 1985 (CARVALHO, 2001).
A mesma tendência apresentou a economia sergipana, que em 1975 exportava 78,6% de produtos básicos e 21,4% de produtos manufaturados. Em 1985, esses índices haviam caído para 6,5% e 93,5%, respectivamente. Contudo, deve-se ressaltar que os coeficientes de exportação sergipanos eram extremamente reduzidos, não apresentando importância significativa para o comércio externo nordestino ou brasileiro.


1 Segundo o autor, os fluxos interestaduais para o ano de 1961 apresentam algumas imperfeições impossíveis de serem detectadas, além de alguns estados (Piauí, Alagoas e Mato Grosso) utilizarem informações referentes ao ano de 1962, em virtude da ausência de dados para o ano anterior. Contudo, ressalta Galvão, apesar dessas imperfeições, os dados parecem captar de maneira consistente as modificações ocorridas na economia nacional e o seu impacto sobre as relações de intercâmbio entre as diversas regiões brasileiras.

2 Em 1961, 33,7% das exportações nordestinas eram destinadas a outras regiões do país que não o Nordeste, ao passo que internamente o fluxo comercial atingia a marca de 66,3%. No caso das importações o movimento comercial mostrava-se mais equilibrado, beirando os 50% de bens e serviços adquiridos do exterior.

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