BIODIESEL NO BRASIL EM TRÊS HIATOS:
SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL, EMPRESAS E LEILÕES.
2005 A 2012.
Hugo Rivas de Oliveira
José Eustáquio Canguçu Leal
Yolanda Vieira de Abreu
3.2 Construção do quadro de pontuação fixa, utilizado para analisar as empresas e suas estratégias competitivas.
A construção das variáveis que irá ser aplicados às dez maiores empresas, segundo a ANP (2010), para se descobrir a estratégia de competitividade empregada com mais intensidade, por cada uma delas, teve como base as apontados por Porter (1986), que são: diferenciação, liderança em custo e enfoque.
Foram elaboradas tabelas denominadas identificação das variáveis estratégicas competitivas, apontadas por Porter (1986), contendo quatro variáveis para cada uma das estratégias. Tais variáveis estão apresentadas nas tabelas 3.2 (Diferenciação); 3.3 (Liderança de Custo) e 3.4 (Enfoque) que foram aplicados como parâmetros para verificar como essas empresas chegaram a se destacar no mercado de biodiesel segundo ANP (2010). Para cada variável se estabeleceu que as empresas pontuassem o máximo de 25 pontos se cumprirem os requisitos determinados para a mesma, e de zero ponto se não cumprirem os requisitos necessários em determinada variável. O papel dessa pontuação é estabelecer, objetivamente, parâmetros quantitativos e comparativos em relação às dez maiores empresas produtoras de biodiesel no ano de 2010.
Na tabela 3.2 se verifica a identificação das variáveis de Diferenciação
Tabela 3.2 Identificação das variáveis de Diferenciação.
Estratégia Genérica
Competitiva |
Variáveis |
Requisitos |
Peso |
Diferenciação |
SCS
(Total máximo 25) |
Sim |
25 |
Não |
0 |
Matéria-prima
(Total máximo 25) |
3 matérias primas ou mais |
25 |
2 matérias primas |
15 |
1 matéria prima |
10 |
Cadeia produtiva
(Total máximo 25) |
Armazenagem; Tancagem; Esmagamento e Refino |
10 |
Produção própria Etanol |
10 |
Produção própria de Oleaginosas ou outras matérias-primas |
5 |
Posição Mercado
(Total máximo 25) |
Primeiro - Quarto |
25 |
Quinto - Sétimo |
15 |
Oitavo - Décimo |
10 |
Total Geral Máximo |
100 |
Fonte: apud Porter, 1986, p.53.
A pontuação máxima para a estratégia genérica competitiva de diferenciação é de 100 pontos, somando os requisitos: selo combustível social; matéria-prima; cadeia produtiva e posição de mercado (Tabela 3.2). Para a análise das variáveis de estratégia genérica competitiva de diferenciação, foram utilizados os seguintes parâmetros:
-
Selo combustível Social (SCS): caso a empresa possua, a pontuação máxima é de 25 pontos, caso não possua, a pontuação é zero ponto. Esse critério foi escolhido porque se a empresa tem o SCS, ela já esta em vantagem em relação a outras.
- Matéria-prima: para a empresa que utilize três matérias-primas ou mais, a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que utilize duas (2) matérias-primas a pontuação é de 15 pontos, para a utilização de apenas uma matéria-prima 10 pontos, sendo que a empresa só pontuará em um item. Este critério foi determinado desta forma, porque se a empresa utiliza mais do que um tipo de matéria-prima, passa a ter mais vantagem para negociar preços e tem mais segurança de fornecimento.
- Cadeia produtiva: o resultado dessa variável é construído levando em consideração os somatórios dos requisitos; armazenagem, tancagem, esmagamento e refino (10 pontos); produção própria de etanol 10 pontos e produção própria de oleaginosas ou outros substitutos (5 pontos). Este critério foi determinado desta forma, porque a logística pesa muito nos custos totais e a questão de ter acesso ao etanol também sempre dá uma vantagem maior para quem tem sua própria produção, agora as oleaginosas ou seus substitutos para produção do biodiesel são mais fáceis de encontrar produção em qualquer parte do país, não trazendo grandes vantagens ter produção própria.
- Posição de mercado: a colocação da empresa no ranking das dez maiores dá pontuação do primeiro ao quarto lugar de 25 pontos, para as posições do quinto ao sétimo (15 pontos), e do oitavo ao décimo colocado (10 pontos). Escolheu-se utilizar, para determinar este critério, a própria lista publicada pela ANP (2010) com o posicionamento de mercado das empresas.
b) Liderança de Custo
A pontuação máxima para a estratégia genérica competitiva de liderança em custo é de 100 pontos, somando os requisitos: Formação acionária cruzada; Real utilização percentual da capacidade instalada; SCS e Laboratórios P&D. Na tabela 3.3 se observa a identificação das variáveis de Liderança de Custo.
Tabela 3.3 Identificação das variáveis de Liderança de Custo.
Estratégia Genérica
Competitiva |
Variáveis |
Requisitos |
Peso |
Liderança
de
Custo |
Formação Acionária Cruzada
(Total máximo 25) |
Acionistas/Empresas que fornecem dois ou mais insumos da cadeia produtiva |
25 |
Acionistas/Empresas que fornecem um insumo da cadeia produtiva |
15 |
Nenhum acionista que participa como fornecedor de matéria-prima ou insumo |
10 |
Real utilização percentual da capacidade instalada
(Total máximo 25) |
70 a 100% da capacidade instalada |
25 |
50 a 70% da capacidade instalada |
15 |
Abaixo de 50% |
10 |
SCS
(Total máximo 25) |
Sim |
25 |
Não |
0 |
Laboratórios P&D
(Total máximo 25) |
Tem Laboratório |
25 |
Não tem |
0 |
Total Geral Máximo |
100 |
Fonte: apud Porter, 1986, p.53.
Para análise das variáveis de estratégia genérica competitiva de liderança no custo foram utilizados os seguintes parâmetros:
-
Formação acionária cruzada: para a empresa que possua acionistas ou empresas que forneçam dois ou mais insumos da cadeia produtiva a pontuação é de 25 pontos; para acionistas ou empresas que forneçam um insumo da cadeia produtiva a pontuação é de 15 pontos; e para nenhum acionista participando como fornecedor de matéria-prima ou insumo a pontuação é de 10 pontos. Critério estabelecido utilizando as teorias descritas no capítulo dois deste estudo, onde diz que formação acionária cruzada pode trazer vantagens para quem as possui, segundo Chesnais (1996) e Porter (1989).
-
Real utilização percentual da capacidade instalada: para a empresa que tenha o percentual entre 70% e 100% a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que tenha o percentual entre 50% e 70% a pontuação é de 15 pontos; para a empresa que tenha o percentual abaixo dos 50% a pontuação é de 10 pontos. Critério estabelecido levando em consideração que quem esta utilizando menos do que 50% de sua capacidade de produção, esta com problema de se estabelecer no mercado por algum motivo de produção ou por estar atuando com custos acima da média que o leva a aumentar seus preços e ficar fora do mercado. No entanto quem esta utilizando acima de 50% tem mais chance de permanecer e crescer no mercado e seus custos e preços certamente está mais aderente aos estabelecido no mercado.
-
SCS: para a empresa de detém, a pontuação é de 25 pontos e para a empresa que não detém, a pontuação é de zero ponto. Esse critério é estabelecido “se tem” ou “não tem” porque este um requisito a ser conquistado e que não tem meio termo.
-
Laboratórios P&D: para a empresa que possui laboratórios a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que não possui, a pontuação é zero ponto. Este critério é determinístico porque se a empresa possui P&D ela poderá usufruir de seus avanços tecnológicos e obtiver melhores lucros, esse critério tem como base no que foi escrito no capítulo 2, referencial teórico utilizando os conceitos de Chesnais (1996) e Porter (1989).
c) Enfoque
A pontuação máxima para a estratégia genérica competitiva de enfoque é de 100 pontos. Na tabela 3.4 se observa a identificação das variáveis de Enfoque:
Tabela 3.4 Identificação das variáveis de Enfoque.
Estratégia Genérica
Competitiva |
Variáveis |
Requisitos |
Peso |
Enfoque |
Patente
(Total máximo 25) |
Sim |
25 |
Não |
0 |
Laboratórios P&D
(Total máximo 25) |
Tem Laboratório |
25 |
Não tem |
0 |
Mercado
(Total máximo 25) |
10 a 25% |
25 |
5 a 10% |
15 |
Menos de 5% |
10 |
Produção
(Total máximo 25) |
Crescimento 2006 - 2010 |
25 |
Estável 2006 - 2010 |
15 |
Queda 2006 - 2010 |
10 |
Total Geral Máximo |
100 |
Fonte: apud Porter, 1986, p.53.
Para a análise das variáveis de estratégia genérica competitiva de enfoque, foram utilizados os seguintes parâmetros:
-
Patente: para a empresa que detém patentes registradas a pontuação é de 25 pontos; para empresas que não possuem patentes registradas a pontuação é zero. Critério escolhido segundo teorias descritas no capítulo dois, referencial teórico, utilizando Chesnais (1996) e Porter (1989).
- Laboratórios P&D: para a empresa que possui laboratórios a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que não possui, a pontuação é zero ponto. Critério escolhido segundo teorias descritas no capítulo dois, referencial teórico, utilizando Chesnais (1996) e Porter (1989).
- Mercado: para a empresa que detém de 10% a 25% de participação de mercado, a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que detém de 5% a 10% de participação de mercado, a pontuação é de 15 pontos; e para menos de 5% de participação de mercado a pontuação é de 10 pontos. Critério escolhido segundo teorias descritas no capítulo dois, referencial teórico, utilizando Chesnais (1996) e Porter (1989).
- Produção: para a empresa que teve crescimento de produção entre 2006 a 2010, a pontuação é de 25 pontos; para a empresa que manteve estável sua produção entre 2006 e 2010, a pontuação é de 15 pontos; e para a empresa que apresentou queda de produção entre 2006 e 2010, a pontuação é de 10 pontos. Critério determinado pela estabilidade da empresa em se manter no mercado e de manter ou aumentar seu nível de produção.
A partir do somatório dos pontos obtidos por cada empresa nos itens listados nas tabelas de Diferenciação, Liderança de custo e Enfoque, demonstrando em quais itens as empresas se destacaram e o que as levaram a um diferencial no mercado, sendo listadas entre as 10 maiores do ano de 2010, segundo a publicação da ANP.
Após as análises das variáveis foi elaborada a Tabela Resumo contendo as 10 maiores empresas de biodiesel relacionando-as com as três estratégias genéricas competitivas apontadas por Porter (1986), que foram Diferenciação, Liderança em Custo e Enfoque.
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