BIODIESEL NO BRASIL EM TRÊS HIATOS: SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL, EMPRESAS E LEILÕES. 2005 A 2012.

Hugo Rivas de Oliveira
José Eustáquio Canguçu Leal
Yolanda Vieira de Abreu

2.2.2. Biomassa


Entende-se como biomassa qualquer matéria orgânica de origem animal – zoomassa ou vegetal – fitomassa (DUVIGNEAUD, 1980). Completa Bajay e Ferreira (2005), que biomassa compreende fontes de energia oriundas do carvão vegetal, da lenha, álcool etílico, biodiesel e de muitos resíduos gerados destes ou de outros produtos. Os resíduos podem ser oriundos de bagaço da cana-de-açúcar, da glicerina, de diversos tipos de lixo, etc.
A biomassa é atualmente a principal fonte de energia em muitos países em desenvolvimento e, por diversas razões, sejam ambientais ou socioeconômicas, sua importância também está crescendo em muitos países industrializados. No cenário global, o papel da energia da biomassa, principalmente na sua forma atual, cresce significativamente na matriz de fornecimento de energia (ROSILLO-CALLE et al, 2005).
A biomassa é uma fonte renovável de produção de energia em escala suficiente para desempenhar um papel expressivo no desenvolvimento de programas vitais de energia renováveis e na criação de uma sociedade ecologicamente mais consciente. Embora seja uma fonte de energia primitiva, seu potencial ainda precisa ser explorado. Depois de um longo período de negligência, o interesse pela biomassa como fonte de energia renasce e os novos avanços tecnológicos demonstram que ela pode tornar-se mais eficiente e competitiva. O Brasil é pioneiro no ressurgimento de sistemas de energia da biomassa (ROSILLO-CALLE et al, 2005)
A evolução do mercado das tecnologias de produção de energia a partir da biomassa está majoritariamente associada a aspectos ambientais, tanto no que diz respeito às necessidades de minimização das emissões atmosféricas que causam impactos locais ou regionais, quanto à necessidade de redução das emissões dos gases precursores do efeito estufa (TOLMASQUIM, 2003).
Para Hall (et al, 2005), a biomassa tem um enorme potencial a ser explorado, principalmente no que diz respeito ao melhor aproveitamento das florestas existentes e de outros recursos da terra, à maior produtividade das plantas e a processos de conversão eficientes que empregam tecnologias avançadas.
A disponibilidade de terras é vista como uma limitação para a produção de biomassa em larga escala, mas há muitas áreas potencialmente disponíveis. Nos países tropicais, há grandes áreas de terras desmatadas e degradadas que se beneficiariam para fins energéticos (HALL et al, 2005).
Uma característica particular do Brasil é o desenvolvimento industrial em grande escala e a aplicação das tecnologias de energia de biomassa. Bons exemplos disso são: a produção do etanol a partir da cana-de-açúcar, o carvão vegetal oriundo de plantações de eucaliptos, a co-geração de eletricidade do bagaço de cana e o uso da biomassa em indústrias de papel e celulose (GOLDEMBERG; LUCON, 2007).
A geração de bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar e seu aproveitamento oferecem uma série de vantagens, como: projetos de porte reduzido, desenvolvidos sem necessidade de grandes recursos: tempo de construção e implantação reduzido; maior facilidade de licenciamento ambiental; e geração de créditos de carbono (SILVA; FISCHETTI, 2008).
Segundo Silva e Fischetti (2008), é importante destacar em média, a cana produz 1/3 de caldo (açúcar/etanol), 1/3 de bagaço (bioeletricidade) e 1/3 de palha (bioeletricidade e adubo). A energia gerada a partir da cana já supera em quantidade a energia hidrelétrica no país.
Para Goldemberg e Lucon (2007), a utilização de biomassa no Brasil é resultado de uma combinação de fatores, podendo citar: a disponibilidade de recursos e mão-de-obra barata, rápida industrialização e urbanização e a experiência histórica com aplicações industriais dessa fonte de energia em grande escala. Aproximadamente 75% do álcool produzido são provenientes do caldo de cana (com rendimento próximo de 85 litros por tonelada de cana). Os restantes 25% têm origem no melaço resultante da produção de açúcar (rendimento próximo de 335 litros por tonelada de melaço). Em 2004, a produção total de bagaço ficou próxima de 110 milhões de toneladas, gerando um excedente de 8,2 milhões de toneladas para usos não-energéticos. Os produtos energéticos resultantes da cana contribuíram com 13,5% da matriz energética brasileira de 2004. Quanto a lenha, os mesmos autores afirmam que sua utilização no Brasil é ainda significativa, principalmente nas carvoarias para produzir carvão vegetal e na cocção de alimentos nas residências.
Neste contexto, em 2004 o setor residencial consumiu cerca de 26 milhões de toneladas de lenha, equivalentes a 29% da produção. O consumo tem crescido nos últimos anos pelo aumento dos custos do seu substituto direto, o gás liquefeito de petróleo (GLP), vendido em botijões. Na produção de carvão vegetal foram consumidas cerca de 40 milhões de toneladas (44% da produção), em razão principalmente do forte crescimento da produção de ferro gusa e substituição do carvão mineral. Os restantes 17% representam consumos na agropecuária e demais setores da indústria. A lenha e o carvão vegetal representaram 13,2% da matriz de 2004, resultado 0,3% acima de 2003 (GOLDEMBERG; LUCON, 2007).
Outra fonte de energia proveniente da biomassa é o biodiesel, que segundo Cristo e Ferreira (2006), este biocombustível é um combustível renovável, biodegradável, sucedâneo ao óleo diesel mineral. Diferentemente do óleo mineral, o biodiesel não contém enxofre, é biodegradável, não é corrosivo, é renovável e não contribui para o aumento do efeito estufa. É ambientalmente correto e surge com a perspectiva de inclusão social que a produção de matérias-primas de origem vegetal oferece. Pode ser desenvolvido por meio de agricultura familiar e com possibilidades de cultivo, de algumas espécies, em terrenos localizados em regiões deprimidas e de clima semi-árido, como é o caso da mamona, do algodão e do pinhão manso, culturas capazes de conviver com o regime pluviométrico do semi-árido.
Contudo, o uso moderno da biomassa dependerá, definitivamente, da viabilização técnica e econômica de alguns novos processos de conversão, ou até mesmo do aumento da escala e da superação de barreiras tecnológicas dos processos tradicionais (FAAIJ, et al, 2005).

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