BIODIESEL NO BRASIL EM TRÊS HIATOS: SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL, EMPRESAS E LEILÕES. 2005 A 2012.

Hugo Rivas de Oliveira
José Eustáquio Canguçu Leal
Yolanda Vieira de Abreu

3.1.1 A soja como principal matéria prima do biodiesel Brasileiro.


A soja tem sido escolhida para produção mais imediata do biodiesel, uma vez que o preço do seu óleo sofreu redução nos últimos anos, a taxa de câmbio não é favorável para os exportadores e o regime tributário favorece a produção da soja, mas não o seu processamento. Esses fatos têm contribuído para uma enorme capacidade ociosa de esmagamento. Além disso, o óleo de soja é um subproduto da cadeia produtiva da soja e o biodiesel agrega valor a esse subproduto de oferta abundante no setor (PRATES et al, 2007).
Atualmente, dentre todas as matérias-primas com potencial para a produção de biodiesel no Brasil, a soja é a mais amplamente utilizada. O Gráfico 3.1 mostra esse fato ao retratar a média das matérias-primas mais utilizadas para a produção do biodiesel brasileiro.
A soja corresponde por quase 80% da fonte de matéria-prima utilizada para a produção de biodiesel e é cultivada em sistema de latifúndio, isto é, cultura extensiva de grandes áreas (NAE, 2005).  Neste momento, é a oleaginosa mais utilizada para a produção de biodiesel por apresentar tecnologia agronômica e industrial, logística e infraestrutura já desenvolvidas e consolidadas e uma área plantada de, aproximadamente, 22.000.000 de hectares, além de contar com amplo sistema de produção e zoneamento agrícola (DURÃES, 2009).    
Para o Arnoldo Campos (2009 apud BiodieselBr, 2009), a utilização da soja para a produção de biodiesel foi uma saída para a implementação do PNPB, pois a soja possui uma cadeia produtiva madura e as demais oleaginosas levam tempo para chegar a esse patamar e mesmo assim através de ações contínuas.
No entanto, a soja apresenta uma série de problemas que a impede de ser a melhor escolha como oleaginosa para a produção de biodiesel. Como por exemplo, a soja apresenta o menor teor ou rendimento de óleo em relação a outras oleaginosas como o dendê e a mamona (NAE, 2005). Por ser uma commodity mundial, seus produtos competem na indústria de bioenergia e de alimentos como observado na Figura 3.2 e ainda possui um mercado totalmente independente daquele em que se formam os preços do biodiesel (ABRAMOVAY; MAGALHÃES, 2007).
Los múltiplos usos da soja que vão desde farelo protéico para ração animal; óleo vegetal e outros utilizados na alimentação humana até, através do óleo vegetal utilizado como matéria-prima para o biodiesel (representado em negrito), para bioenergia.
Comparativamente com as demais oleaginosas utilizadas como matéria-prima para a produção de biodiesel, a soja, possui um dos mais baixos teores de óleo e um pequeno rendimento entre toneladas por hectare como observado no quadro 3.1.
Quadro 3.1 Características de alguns vegetais com potencial para a produção de biodiesel.


Espécies

Origem do óleo

Conteúdo do óleo (%)

Meses de colheita

Rendimento em óleo (t/ha)

Dendê (Elaeis guineensis N.)

Amêndoa

26

12

3,0 - 6,0

Babaçu (Attalea speciosa M.)

Amêndoa

66

12

0,4 – 0,8

Girassol (Helianthus annus)

Grão

38 - 48

3

0,5 – 1,5

Colza (Brassica campestris)

Grão

40 - 48

3

0,5 – 0,9

Mamona (Ricinus communis)

Grão

43 - 45

3

0,5 – 1,0

Amendoim (Arachis hipogaea)

Grão

40 - 50

3

0,6 – 0,8

Soja (Glycine Max)

Grão

17

3

0,2 – 0,6

Fonte: elaboração própria com base em NAE, 2005, p. 40.
Todavia, o basilar problema que a soja causa como principal matéria-prima para a produção de biodiesel está na sua característica de ser uma cultura de “plantation”, isto é, de grandes propriedades e com isso excluir a agricultura familiar da cadeia produtiva de biodiesel e, consequentemente, não promover o SCS. Nesse sentido, Brum (et al, 2002) afirma que um contingente elevado, de pequenas e médias propriedades com até 50 hectares, não tem conseguido resultados suficientes para manterem a produção de soja. E para ele neste caso, ou tais produtores serão excluídos do processo produtivo de soja ou, paradoxalmente, outras atividades econômicas começarão a financiar a produção de soja em suas propriedades.
Nesse sentido, a cultura da soja, por suas características agronômicas, não se configura como uma atividade viável para agricultura familiar, pois exige grandes extensões de terra e elevado grau de mecanização. Assim, é pouco provável, que a introdução do biodiesel de soja na matriz energética nacional seja uma alavanca para o aumento de renda da agricultura familiar e a implementação do SCS. (MOURAD, 2008; ZONIN, 2008).

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