POTENCIALIDADES LOCAIS, TURISMO E DESENVOLVIMENTO LOCAL CARIRI PARAIBANO

Luiz Gonzaga De Sousa

CAPITULO II - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Para explicação de um desenvolvimento local, advindo das potencialidades locais, ressaltando o capital social, pela via do turismo, é que, inicia-se com as experiências já ocorridas e comprovadas como importantes (externalidades); assim, as estratégias devem ser compatíveis à melhora na qualidade de vida da população do Cariri paraibano; daí, fazer-se um diagnóstico das potencialidades do entorno, incluindo o capital social para turismo, cujo processo envolve o empowerment e o spillover (DURSTON, 2003 e BUARQUE, 1999).
            Para levantamento das potencialidades locais nesta microrregião, trabalha-se a visão de Buarque (1999), onde ele explica como fazer um diagnóstico para um local, ao indicar as vocações existentes ou disponíveis, para a criação de estratégias que gerem um desenvolvimento aos municípios, incorporando os atores da sociedade em um envolvimento conjunto.
            Em Buarque (1999) o local é subdivisão de um sistema mais amplo, de tal modo que os problemas e as potencialidades locais dependem de fatores externos e das condições do contexto. A comunidade constitui corte importante de autonomia de gestão; deve estar articulada com os macro-espaços, ao demandar um esforço de coordenação, com instâncias e mecanismos capazes de exercer o papel articulador na distribuição de responsabilidades, em uma espécie de descentralização coordenada.
            Uma valorização do local e obediência à Constituição, tanto em termos sociais, como histórica e da produção gerada na localidade ser essencial; uma incorporação de mais valor agregado ser fundamental para desenvolvimento; é a contra face da globalização e da uniformização e padronização mundial dos estilos de desenvolvimento, explica Buarque (1999). A difusão de padrões culturais e formas globais de organização econômica e social levam a uma pasteurização da cultura universal, ao reduzir tudo a valores, hábitos e costumes homogêneos.
            Ao mesmo tempo, Lira (2003), consolida o trabalho de Buarque (1999) ao ratificar tal metodologia para desenvolvimento local, ao envolver o processo em como criar estratégias, para o progresso de um entorno; assim como, explicita o método de diagnóstico das potencialidades locais e busca dinamizar o local frente a uma participação comunitária para ganhos sociais locais.
            Ainda em Buarque (2009), em um seu novo trabalho de construção de um desenvolvimento local, ele orienta como se envolvem os segmentos da sociedade civil, parte-se de um pensamento construtivista popperiano, começando pelas organizações e movimentos sociais engajados (empowerment), com a utilização de externalidades (spillover) da informação, para um crescimento conjunto.
            Para Durston (2003), as potencialidades locais envolvem o capital social, além da participação dos setores produtivos da economia tradicional para desenvolvimento local; o capital social trabalhado no Cariri paraibano aparece como processo de cooperação, de confianças entre os parceiros, e de mutualidade entre os membros de uma sociedade, a tal ponto que essa união leva a que se consigam ganhos sociais que sirvam a todos, cujo progresso vai surgindo de acordo com o contexto normal do ambiente.
            Durston (2003) esclarece capitalsocial como sendo um recurso ou uma via de acesso a recursos que, em combinação com outros fatores, permite obter benefícios a quem o possua, e considera-se, ao mesmo tempo, que esta forma de capital reside nas relações sociais de uma localidade.
            Ainda em Durston (2003) a concepção de capital social tem relação com a necessidade de apreender em um só, um conjunto de dimensões de interação coletiva, nas quais os indivíduos têm que se colocar, a fim de estruturar uma interação com sentido e assentar-se como pessoa na aplicação de normas e valores morais que constituem e constroem a comunidade e a sociedade em que vive, tal como está no Cariri paraibano.
            Já em Pase (2007) a concepção de capital social é que seja um conceito que considera as características culturais de existência, de confiança, reciprocidade e solidariedade na sociedade civil; vitais para o aperfeiçoamento da democracia, das comunidades, das pessoas e, inclusive da sociedade política, o Estado e isso é importante para desenvolvimento microrregional.
A emergência dos movimentos sociais está relacionada à existência e/ou desenvolvimento de relações de confiança, reciprocidade e solidariedade, pelo menos entre os iguais e, não raro identificam-se movimentos que têm claramente uma articulação maior, que permite identificar o capital social, como diz Pase (2007). O capital social materializado nos movimentos sociais produz um inegável empowerment, já que estes conseguem muito mais que visibilidade pública, incluindo a obtenção de políticas públicas segmentadas e diferenciadas.
            Capital social explica Arriagada (2003) como o de um grupo social que poderia entender-se como a capacidade efetiva de mobilizar produtivamente e em beneficio do conjunto, os recursos associativos que radicam nas distintas redes sociais às que têm acesso os membros do grupo. Os recursos associativos importantes para dimensionar o capital social de um grupo ou comunidade, são as relações de confiança, reciprocidade e cooperação.
Para Arriagada (2003), a amplitude do conceito de capital social provém das distintas concepções do funcionamento da sociedade, assim como das distintas perspectivas disciplinas com que se analisa, isto significa dizer, de seu caráter de paradigma interdisciplinar. Desde a perspectiva das instituições internacionais se considera e valora o conhecimento das relaciones entre atores econômicos, assim como entre suas organizações, para explicar a eficiência das atividades econômicas e sociais importantes.
            Para análise de capital social é fundamental a visão de Franco (2001) ao explicar que, a cooperação é o primeiro fator para a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento. Para que esse ambiente se forme e permaneça existindo, ao longo do tempo, faz-se necessário que se instale na coletividade algo como, uma cultura de cooperatividade sistêmica (CAVESTANY, 2000).
            De Franco (2001) diz que para que o Capital Social possa ser gerado, acumulado e reproduzido, é preciso que as pessoas se interliguem, umas para com as outras, segundo um padrão horizontal de organização, que não sejam em tudo sempre subordinadas umas às outras e que sejam interdependentes ao invés de dependentes.
            Para de Franco (2001) a capacidade de estabelecer ligações entre os seus membros dá a medida da conectividade interna da organização social. Se essas relações forem horizontais, temos uma conectividade horizontal que enseja a circulação da informação, dissolvendo os núcleos burocráticos baseados no segredo e favorecendo a desconcentração do saber (CAVESTANY, 2000).
            De Franco (2001) diz ainda que, além disso, assim como para haver cooperação, é necessário que as pessoas compartilhem valores e objetivos comuns, ou seja, que tenham um projeto comum. Não se pode criar um clima favorável ao desenvolvimento se as pessoas não participam voluntariamente de ações conjuntas (CAVESTANY, 2000).
            A cooperação, característica dos humanos, leva à constituição de sociedades de parceria, ou melhor, de comunidades, mesmo dentro das sociedades de dominação, como explana De Franco (2001). Na medida em que aumenta a complexidade social, se tais comunidades adotam o padrão de rede e o modo de regulação democrático, estas redes vão também adquirindo, no que tange a aspectos organizacionais, tais características, transformando-se em sistemas semelhantes a sistemas adaptativos complexos.
            As potencialidades locais e o capital social disponíveis na microrregião Cariri paraibano são fontes de desenvolvimento local, que podem ser dinamizadas pelo turismo, cujas estratégias deverão direcionar de maneira adequada para que se consiga o progresso no entorno, com qualidade de vida, ou bem-estar para todos indistintamente.
            O turismo participa do desenvolvimento local de acordo com Castro e Nascimento (2007), em opção que se pode direcionar para uma melhora na qualidade de vida de uma população microrregional; pois, é bastante evidente que as autoridades públicas trabalham-no como alternativa para tal progresso, assim minorar as disparidades existentes no entorno, tal como processa em diversas pesquisas.
            Castro e Nascimento (2007) prepararam um índice de desenvolvimento turístico como fundamental para mensurar, identificar e demonstrar as dificuldades que atravessa a atividade turística em um entorno, direcionando-o à sustentabilidade, à preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental, assim como, um desenvolvimento de uma comunidade.
            No campo estratégico, explicitam Castro e Nascimento (2007), trabalha-se para identificação de cenários turísticos para implementação de projetos quanto à tomada de decisão pelos agentes econômicos locais. Além do mais, serve como alerta, acerca das condições do local e que seja cobrado melhor empenho das autoridades, cujo setor público se interessará como coadjuvante sobre as questões turísticas e se empenhará pelo sucesso da atividade.
            Neste processo, não se pode deixar de lado a questão da conscientização e da informação sobre os efeitos que o turismo desencadeia e o papel dos moradores nesta atividade, cuja visão maior não deve ser o lucro por excelência, mas a participação no lazer oferecido, de acordo com Castro e Nascimento (2007) e Durston (2003).
Um turismo Comunitário, como um desenvolvimento direcionado para a população, como no Cariri paraibano, estende-se como o que privilegia e possibilita a inserção das potencialidades locais, ao assegurar a todos subsistência, trabalho educacional e condições de uma vida digna, como explicam Nascimento e Carvalho (2008).
Em Almeida (2004), observa-se que o espaço geográfico diz respeito ao principal elemento de consumo do turismo. Existe uma maneira de apropriação e de funcionalidade dos espaços para esta atividade que permite falar de lugar turístico, como uma invenção para e pelo turismo. O point turístico existe em função da execução do turismo que lhe proporciona uma existência, uma identidade própria e singular.
Já Mello (2007), diz que, uma posição de independência, conectada ao desenvolvimento sócio-espacial salvaguarda uma organização do turismo no que respeita aos interesses e necessidades de um todo, de maneira que se possam gerir os destinos com autonomia, assim, definir prioridades e os meios de viabilizá-las. As precauções são necessárias a essa compreensão, sobretudo em uma sociedade subdesenvolvida. Sem a participação direta da população na gerência dos recursos sócio-espaciais locais, o turismo terá dificuldade em conseguir um desenvolvimento sócio-espacial duradouro.
Em Paz (2005), está claro que a atividade turística é enriquecedora, assim como, economicamente necessária, deve ser tida com consciência e discernimento, pelos que fazem o desenvolvimento turístico, ao mesmo tempo, pelos turistas e populações visitadas. Assim, poder-se-á vislumbrar a possibilidade de que as gerações futuras possam desfrutar das belezas naturais e artificiais disponíveis na atualidade, manterem-se os recursos naturais esgotáveis, assim como a existência de atividades turísticas em tempo futuro.
A atuação da população na realização da atividade turística é de grande importância, como colocam Dias e Montanheiro (2003). A participação de todos, torna os riscos menores, cada um ajuda a cuidar daquilo que trará benefício, cooperando para preservar os atrativos, não danificando e não facilitando que outros pratiquem tal destruição. Os benefícios conseguidos ao município serão maiores do que os pontos negativos ao serem administrados de forma correta e eficaz.
            O turismo deve oferecer toda uma pauta de novidades que chame a atenção de quem almeja o inusitado. Assim se destacar o turismo de base local que é um processo de crescimento e transformação estrutural direcionado a uma melhora no bem-estar da população. Entre viagens a trabalho, por motivos de saúde, educação, e descanso, está o turismo comunitário que possui como finalidade a execução de ações sociais desenvolvidas no entorno de chegada, como explicam Nascimento e Carvalho (2008).
            Para Mariani, Dias e Silva (2008), o produto turístico insere os recursos e atrativos naturais e artificiais, assim como: equipamentos e infra-estruturas, serviços, ações recreativas, imagens e valores simbólicos, ao se constituir em um conjunto de determinados benefícios capazes de atrair certos grupos de demandadores em busca de satisfação de motivações e expectativas, criadas fundamentalmente pela publicidade da mídia.
            A Aplicação de turismo comunitário abre espaço para inserção comunitária, que é conduzida à transformação, em núcleos receptores, demandando instrumentos para desenvolver-se, além de se autobeneficiar com a produção de mercadorias e prestação de serviços. O associativismo atua através de cooperativas e organizações comunitárias, ao atingirem um nível de amadurecimento com relação a si próprias e suas potencialidades, como comenta, Nascimento e Carvalho (2008).
O turismo comunitário mostra-se sendo desenvolvido pela própria comunidade, onde seus membros passam a ser ao mesmo tempo articuladores e construtores da rede produtiva, cuja renda e lucro permanecem na comunidade contribuindo para melhoria de qualidade de vida, direcionando-os a se sentirem capazes de cooperar e organizar as estratégias do desenvolvimento turístico, explica Nascimento e Carvalho (2008).
            O turismo é uma das fontes de captação que podem suprir necessidade de entrada de recursos, ao se incorporar às políticas estratégicas de desenvolvimento dos municípios, como explicita Alves (2008). Como o turismo é uma atividade econômica, parte dessa atividade está baseada na exploração do meio ambiente, é essencial fazer uma avaliação de seu impacto, não só para preservá-lo, também a sobrevivência da própria atividade.
            O turismo cultural representa uma das mais amplas estratégias de desenvolvimento sustentável, já que existe preocupação em juntar planejamento econômico e infra-estrutura à percepção da procura por bens culturais e estilos de vida, ao demandar preservar os recursos naturais e culturais para o futuro e desenvolver a economia, como coloca, Menezes (2008).
O aparecimento do termo cultura remete a uma concepção de que significa um sistema de signos e significados originários dos grupos sociais locais. Assim, produz-se pela sinergia da relação entre os indivíduos, que elaboram sua forma de pensar e sentir, constroem seus valores, manuseiam suas identidades e distinções e estabelecem rotinas (CANEDO, 2007).
Com este pensamento, pode-se utilizá-lo como um fator econômico quando apresenta a história do local, os aspectos geográficos, a forma de pertencimento (identidade) e algumas outras características que possam melhorar a auto estima da população do entorno e indicar algo desconhecido de muitos que precisam conhecer tal processo cultural.
Um elemento importante para justificar o turismo é quanto a gastronomia, como explana Dias e Montanheiro (2003), ao observar que, a movimentação dos turistas, o setor gastronômico, como restaurantes e lanchonetes têm a oportunidade de expandir seus negócios e traz a possibilidade da criação de novos estabelecimentos. Com a implantação e aperfeiçoamento do setor hoteleiro, há a geração de empregos e a movimentação do comércio devido aos produtos que hotéis precisam para atender aos hóspedes, além da circulação decorrente dos turistas que transita na cidade em busca de presentes, lembranças, artesanatos entre outras curiosidades.
            A atividade turística para desenvolvimento demanda políticas estratégicas para desenvolvimento que tendem a se associar aos interesses alheios ao local, ao primar por escalas maiores de análise e ao admitir por uma, onde existem realidades particulares que deveriam ser consideradas. Assim sendo, a capacidade de relocalização espacial nas esferas de marcos de análise, muitas vezes, perpassam pela indiferença aos efeitos negativos, ocasionados por um turismo predatório ao local.
Larissa Dias e Montanheiro (2003) comentam, com o êxito da realização de planejamento, os benefícios se refletem das mais variadas formas. O emprego de mão-de-obra ocupada na produção de bens e serviços aumenta, ao fazer crescer a rentabilidade de famílias de menor poder aquisitivo. A necessidade de mão-de-obra especializada, com a prestação de serviços diretos ao consumidor como: guias, recepcionistas, recreacionistas, incentivará a população local a se profissionalizar.
            No que respeita à quantificação a essa movimentação turística, Castro e Nascimento (2007) prepararam um índice de desenvolvimento turístico como fundamental para mensurar, identificar e demonstrar as dificuldades que atravessa a atividade turística em um entorno, direcionando-o à sustentabilidade, à preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental, assim como, um desenvolvimento de uma comunidade.
            No campo estratégico, explicitam Castro e Nascimento (2007), este índice é utilizado para identificação de cenários turísticos para implementação de projetos quanto à tomada de decisão pelos agentes econômicos locais. Além do mais, serve como alerta, acerca das condições do local e que seja cobrado melhor empenho das autoridades, cujo setor público se interessará de forma engajada sobre as questões turísticas e se empenhará pelo sucesso da atividade.
            Para Castro e Nascimento (2007) neste processo, não se pode deixar de lado a questão da conscientização e da informação sobre os efeitos que o turismo desencadeia e o papel dos moradores nesta atividade, cuja visão maior não deve ser o lucro por excelência, mas a participação no lazer oferecido (DURSTON, 2003).
            Como explica Castro e Nascimento (2007), para obtenção de um desenvolvimento local, observa-se que a responsabilidade social (DURSTON, 2003) não diz respeito somente à questão de ética profissional, é essencial para a realização da atividade do turismo no entorno, pois, os gastos dos turistas na comunidade fazem circular moeda e isso aumenta a renda do local, os investimentos em infraestrutura e melhora a qualidade de vida da população.
            Para caracterizar um desenvolvimento local advindo das potencialidades locais, incluindo capital social, via turismo, verifica-se uma questão essencial em Arocena (2001) que é quanto aos aspectos técnicos e políticos. A negociação entre eles marca dificuldades; em primeiro lugar, têm tempos diferentes. O tempo técnico é diferente do tempo político. Diferenças existem entre o econômico e o social. Estas lógicas deverão articular-se adequadamente para pensar em términos de desenvolvimento. Necessitam-se lógicas sócio-culturais em ação.
Para Arocena (2001), uma idéia fundamental nos processos de desenvolvimento local e regional é o papel que tem nesses processos o ator agente de desenvolvimento. Aqueles, não existem sem estes. Há toda uma pluralidade de atores que pertencem aos sistemas mais diferentes, ao sistema empresarial, ao político administrativo, ao sistema sócio-territorial. Suas lógicas são muitas e diferentes.
Em Arocena (2001) encontra-se que, nos processos de desenvolvimento local, é muito mais importante o que é necessário incluir para conseguir consensos, como as concertações, os acordos básicos para o processo de desenvolvimento local e regional. Sempre há pontos fundamentais, em torno dos quais é necessária a pluralidade de atores.
Arocena (1998) sustenta que nesta nova visão de desenvolvimento, as tendências para a valoração da iniciativa local cobraram força especial, permitindo superar os modelos reducionistas sobre a capacidade inovadora do local que predominam no pensamento e nas práticas (DOWBOR, 2006): o local visto como "freio" ao desenvolvimento às correntes evolucionistas; como "ilha" sem capacidade para gerar inovações para a corrente historicista e o local entendido como mero "recipiente" passivo para o enfoque estruturalista que privilegiava as macro racionalidades estruturais.
            Uma investigação importante é a de Arroyo (2007) ao explicitar que, para geração de um desenvolvimento local, algumas fases são essenciais para o sucesso de tal trabalho: um primeiro elemento a considerar é o perfil de um desenvolvimento local, como sendo uma caracterização do entorno, isto significa dizer um diagnóstico da situação local (BUARQUE, 1999).
            Em Arroyo (2007), um passo na construção de um desenvolvimento local é o tipo de município, que número de habitantes existentes na extensão da localidade, que vai designar se é pequeno, médio, ou grande. Esse eixo se concentra em quais atividades podem ser encaradas como orientação para o desenvolvimento local (DOWBOR, 2006).
No processo de desenvolvimento local está um modelo de administração, cuja prefeitura trabalha dentro de um clima de descentralização, onde as atividades territoriais serão executadas em decorrência das prioridades do local; porém, necessita-se de: a) instrumentos técnicos para políticas de trabalho dentro do território; b) vontade política, como se governa de uma maneira geral; e, c) atores sociais, significa dizer ter participação social, explica Arroyo (2007).
Para desenvolvimento local, devem-se ter objetivos estratégicos como explicita Arroyo (2007) que é um trabalho articulado entre o Estado e o local, as organizações da sociedade e o setor privado em função de dinamizar as possibilidades de desenvolvimento do entorno, tal como uma microrregião com dificuldade. Um programa estratégico possui três etapas: um diagnóstico; uma estruturação; e, uma execução. As etapas de estruturação são: missão; linhas de ação; as metas; verificar os parceiros; os recursos; e, trabalhar o eixo de comunicação.
Para complementar, Cavestany (2000) tem uma visão de desenvolvimento local que trabalha desde o território; explana um processo orientado, ou é resultado de ação de atores ou agentes que incidem (em suas decisões) no desenvolvimento de um território (MADOERY, 2008). As decisões tomadas são em uma escala local e ainda em escala externa (globalização).
            Um desenvolvimento local, para Cavestany (2000) não é uma estratégia político-institucional, ou não o é exclusivamente. As ações (política) que tomadas desde o território, incrementam a criação de valor, melhoram as rendas, aumentam as oportunidades de emprego e a qualidade de vida dos habitantes da localidade (efeitos externos influenciam no local) (DOWBOR, 2006).
            Um desenvolvimento local surge para dar respostas ao local (reativa) frente às ameaças externas, como coloca Cavestany (2000); isto resulta em um processo de maturação da estratégia e da aprendizagem dos atores, em uma ação local (proativa) orientada para objetivos melhores definidos e com maiores níveis de coerência e cooperação entre os atores (DURSTON, 2003).
            Os atores locais não vivem em harmonia e em cooperação permanente, diz Cavestany (2000). Daí, é que existem diferentes estratégias locais, que podem cooperar em ares de qualidade e coesão do território, à medida que os objetivos são percebidos por esses atores, como de interesse comum (DURSTON, 2003).
            Um desenvolvimento local deve ter iniciativa local, expressa Cavestany (2000), produz-se a partir de uma liderança forte, em geral de natureza institucional e, em muitos casos, externo à localidade. A cooperação e associação (DURSTON, 2003) respondem a um processo de maturação das iniciativas locais, a uma trajetória progressiva de organização coletiva para alcançar metas comuns no território.
            Geralmente, as iniciativas dos atores locais geram formas pontuais ou práticas de colaboração com outros atores, como coloca Cavestany (2000). Fatores, tais como: confiança, tolerância ao risco, ajuda a compartilhar decisões, ou solidariedade, combinam-se para explicar o desenvolvimento da cooperação (DURSTON, 2003).
As experiências de desenvolvimento local readquiriram importância, como formas flexíveis de ajuste produtivo no território, no sentido de que estas não se apóiam no desenvolvimento concentrador e hierarquizado, baseado na grande empresa industrial localizada em grandes cidades, mas que buscam um impulso dos recursos potenciais de caráter endógeno, ao tratar de recriar um “entorno” institucional político e cultural de fomento das atividades produtivas e de geração de emprego nos diversos âmbitos territoriais, expressa Llorens (2001).
Em tais experiências, como mostram de forma especial as iniciativas dos “distritos industriais” ou os “sistemas locais de empresas”, adquirem grande importância os fatores socioculturais ou extra-econômicos, facilitadores da cooperação entre empresas para o acesso, de forma articulada, dos diferentes serviços de desenvolvimento empresarial pelo tecido de empresas existentes, as quais sozinhas não podem produzir nem comprar esse tipo de serviços nos mercados correspondentes, já que tais serviços geralmente não estão disponíveis nos diferentes territórios, comenta Llorens (2001).
            Llorens (2001) comenta que, o avanço da descentralização político-territorial pode constituir uma ferramenta poderosa para identificar, com maior segurança, os recursos locais existentes e facilitar a articulação estratégica entre os diferentes atores sociais no território, a fim de dotá-los da infra-estrutura e da oferta de serviços especializados apropriados.
            Para trabalhar a questão da descentralização, que é uma reivindicação do desenvolvimento participativo, necessita-se de uma concepção de Estado, que caracteriza formas de governo e de maneira moderna de governança, cuja definição de Estado libera ou não como uma localidade deve se desenvolver.
Para Azambuja (2008) o Estado, é uma sociedade que é constituída essencialmente de grupo de indivíduos agregados e organizados, de maneira permanente, para realizar um objetivo comum, cuja sociedade política é determinada por normas de direito positivo, é hierarquizada em governantes e gobernados, que tem como fim o bem público.
As estratégias de desenvolvimento “de baixo para cima” possuem um caráter mais difuso e são sustentadas por fatores não apenas econômicos, como sociais, culturais e territoriais, diz Llorens (2001). Esse tipo de desenvolvimento econômico de caráter local ou regional, baseado em utilização de recursos endógenos, quase sempre conduzido por pequenas empresas, tem surgido com pouco apoio político ou administrativo por parte das esferas centrais da administração política.
Nas estratégias de desenvolvimento econômico local, o espaço territorial é concebido como agente de transformação social e não como um mero espaço funcional, explica Llorens (2001). No entendimento de desenvolvimento local, o território socialmente organizado e seus traços culturais e históricos próprios são aspectos muito importantes. A sociedade local não se adequa de forma passiva aos maiores processos de transformação existentes, senão que desenvolve iniciativas próprias, desde suas particularidades territoriais nos diferentes níveis econômico, político, social e cultural.
A importância do local aparece em Madoery (2008), ao considerá-lo como unidade de análise, como o faz o Enfoque do Desenvolvimento Local, significa adotar uma categoria que permite enlaçar os processos sociais, econômicos, tecnológicos, ambientais e culturais, com as práticas políticas e as estratégias, para assegurar a emergência de capacidades endógenas de desenvolvimento. As cidades possuem a possibilidade de promover uma dinâmica própria fundada na acumulação territorial dos recursos coletivos específicos, necessários para o desenvolvimento de seu sistema econômico produtivo e de seu entorno institucional.
Em Madoery (2008), a noção de desenvolvimento mudou e isto representa um novo desafio no âmbito local. Está-se transitando desde um entendimento de desenvolvimento como algo adquirido, através da dotação de capital físico, conhecimentos, recursos, para uma concepção, como algo gerado a partir das capacidades dos atores locais. O desenvolvimento era visto como conjunto de atributos adquiridos, como o crescimento do PIB percapita, industrialização da estrutura econômica, democratização e modernização da sociedade, a partir de induções provenientes de fora às regiões.
Para Madoery (2008), desenvolvimento local é uma clara oportunidade à inovação política já que permite uma relação mais direta com a população, onde podem experimentar-se novas formas de participação e novas relações entre administração e cidadãos. Oportunidade para fortalecer a vida associativa local que é a maneira que adota a comunidade para aceder a serviços ou à solução de necessidades. Aí surge uma criação espontânea e original de novos instrumentos para desenvolvimento, pela intervenção público/privada, planejamento estratégico e geração de redes de confiança alternativas aos mercados e às hierarquias e integrações verticais.
Perante esta estruturação basilar, opta-se pela aplicação da visão de Durston (2003) para capital social, de Castro e Nascimento (2008) para a análise de turismo para desenvolvimento local, para formação de estratégias, utiliza-se o trabalho de Buarque (1999) e para desenvolvimento local, a visão de Arroyo (2007), completado por Cavestany (2000).

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