POTENCIALIDADES LOCAIS, TURISMO E DESENVOLVIMENTO LOCAL CARIRI PARAIBANO

Luiz Gonzaga De Sousa

3.1.4 Possibilidades de emprego e renda

Um desenvolvimento local é dinamizado pela melhora no emprego e renda, pois isto não tem ocorrido devido às condições de atraso do local, que não tinha formas para dinamizar o entorno, cuja pobreza aumentava e os recursos naturais, usufruto da população, necessitavam de ser revitalizados, para desenvolvimento microrregional, em um clima estratégico que envolva a população economicamente ativa.
            Durante a formação do Cariri semi-árido, mais diretamente da Caatinga, ou mata branca, levantam-se diversas propostas para este entorno sofrido e com muitas dificuldades, para seu soerguimento, sua vitalidade e sua sustentabilidade, cuja prioridade não se encontra na pauta do dia, que é quanto às vias normais dos setores econômicos tradicionais, mas, na promoção de desenvolvimento do local, com o uso das disponibilidades de matérias-primas e de mão-de-obra desocupada, ou subocupada existente.
            Para um desenvolvimento econômico e social local existem diversas alternativas para que essa localidade possa se dinamizar, tais como: melhorar a produção agricultura e pecuária do local com investimentos gradativos aos pequenos e médios empreendedores, acionar micros, pequenas e médias indústrias para utilização dos insumos locais, e, dinamizar o turismo com vistas à agregação dos produtos gerados pelos recursos locais (ARROYO, 2007).
            No Cariri paraibano há uma disponibilidade de inscrições ou pinturas rupestres, muitas serras (montes, inselberg) que são usadas como trilhas, muitas áreas que servem para lazer, como piqueniques, caminhadas, devido ao clima e ao ar puro, fatos históricos interessantes para os pesquisadores e curiosos, fauna e flora diferentes do resto do país, que são utilizadas por turistas e que organizadas economicamente geram emprego e renda para a localidade.
            A formulação de estratégias (BUARQUE, 1999) é fundamental na estruturação das condições de inserção dos recursos escassos do Cariri paraibano, na possibilidade de geração de empregos, rendas para uma população economicamente ativa, que se encontra desempregada ou subempregada, passando por dificuldades em sua sobrevivência, e, vive na dependência direta de ajudas governamentais, tipo feiras doadas pela prefeitura, estado, agora a bolsa família do governo federal e aposentadoria no campo pelo FUNRURAL.
            Em economias frágeis, faz-se necessária à participação do Estado com as suas políticas emergenciais, de orientação à participação da população no processo produtivo, de maneira eficiente e até mesmo com investimento para uma dinamização efetiva do local; entretanto, o fator participativo dos habitantes envolvidos é de suma importância, para que todos se sintam responsáveis pelo progresso do entorno econômico e social que começa ser construído por todos (ARROYO, 2007).
            O fator participativo engajado ou empowerment, faz com que todos estejam ativos e vigilantes à atuação dos envolvidos na demanda por desenvolvimento local, cuja sustentabilidade vai depender da forma como se sintam incorporados, cujo aparecimento dos resultados que todos almejam em suas técnicas de dinamização dos recursos locais, seja sempre progressivo e importante para o conjunto da sociedade (DURSTON, 2003).
            Os trabalhos que inserem uma sinergia de todos, em suas atividades de progresso das comunidades, já contam com exemplos em diversas partes do país, com resultados bem sucedidos, em que o capital social, que envolve a solidariedade, a confiança e a cooperação, é imprescindível para que regiões de grande dimensão precisem de uma fiscalização, ou monitoramento mais direto, quanto à eficiência em tal processo para desenvolvimento local (DURSTON, 2003).
            Os nativos possuem muito conhecimento de trabalho e de vida, tanto com respeito ao seu aprendizado, em seu dia a dia, como no que respeita às histórias e experiências passadas e perpassadas pelos seus antepassados, que labutaram intransigentemente pela sobrevivência de seus familiares, e, que dedicou todo o seu tempo na labuta com a terra, que guarda sentimentos e emoções milenares.
            Os recursos locais eram muito mais intensivos e endêmicos, cujo tempo e desconscientização do ser humano se encarregaram de degradar e adulterar o ecossistema dessa microrregião; mas, há possibilidade de utilizar esse capital social acumulado neste entorno, para propiciar um desenvolvimento advindo das belezas naturais da localidade via turismo (ARROYO, 2007 e CAVESTANY, 2000).
            Para tanto, deve-se estruturar de maneira organizada a história do local e do povo, com os devidos respeitos à fauna e à flora, às lendas locais, aos aspectos geográficos, à antecedência política, à criação de aprendizado para todos, quanto à estruturação dos recursos locais existentes, como de grande importância para o local, que os visitantes que desejam conhecer como inusitado no entorno, dentro de uma percepção econômica.
            A importância se dá também na gastronomia própria no local, turisticamente viável, com comidas típicas, trajes apropriados, modus vivendi característicos, que devem ser recompostos para reconhecimento histórico de um ambiente, que participou das origens do estado e que ainda se encontra atrasado, mas, com este acervo disponível, consegue-se um desenvolvimento local participativo com os filhos do local e os que migraram para conhecer e conservar a identidade da localidade.
            Programas turísticos para inserção das paisagens ambientais, da fauna e flora do local, geram emprego e renda, que devem ser consideradas fundamentais para a população, que dão grande importância às plantas tipo, o mandacaru (xique-xique), facheiro, a coroa de frade, a umburana, o cardeiro, o umbuzeiro, e muitos outros elementos da flora local que podem ser vistos em seu habitat natural, com a sua beleza exuberante, economicamente viável; daí a recomposição do entorno de forma natural.
            Além da flora, a fauna também exerce um fascínio a todos que passam pelo Cariri paraibano, tais como: os visitantes, transeuntes, ou pesquisadores, visto que muitos animais possuem um encanto especial que devem ser observados e fotografados, tanto para uma catalogação de espécie rara em estudo, como para apreciação de quem gosta de ver a natureza em sua forma mais natural possível.
            No que respeita aos animais muito comuns na microrregião, tem-se o caprino (bode), ovino (ovelha), o peba, a rolinha, o porco, o cavalo, os bois, as cobras especiais, tipo jararaca, coral, preta; além de teju açu, camaleão (em extinção), e muitas outras formas de animais que vivem nas parcas matas dessa localidade e que são desconhecidos por muitas pessoas até mesmo do local, para nos finais de semana todos os restaurantes oferecerem essa farta alimentação ao público.
            Alguns municípios comportam lajedos enormes, que são usados para piqueniques e caminhadas, de finais de semana, pela juventude da localidade, cuja paisagem caracteriza um belo visual para pessoas que desconhecem pedras de tamanhos tão desproporcionais e que podem também servir para rapel, ou escalagem em esportes radicais, pelo seu lado mais íngreme e isso já possui um forte começo, pois grupos de jovens em até 45 pessoas cada praticam essas atividades.
            Em média 25% dos visitantes agregados aos jovens locais, que demandam montanhismo, prática de esportes radicais ou não, implementa-se um turismo, com a utilização de escalagem de montanhas ou montes e isto propicia uma forma nova de dinamizar um ressurgimento da flora, do próprio local, ou que seja exótica ou não, de tal maneira que a microrregião já começa um processo de reflorestamento participativo do entorno.
            Dentro dessa ótica, o uso dos recursos locais de forma conservativa dentro das normas de preservação pode proporcionar uma visão econômica e social acerca do semi-árido ou caatinga no Cariri paraibano, com uma melhora crescente no nível de emprego e renda da localidade, como já se constata, em mercado informal, como aparece no local, em pequenos negócios, em artesanato de diversas formas e também como de comestíveis a pronto consumo.
            Já largamente utilizado como metodologia, um desenvolvimento participativo, sobretudo engajado, sobre o que se necessita para uma melhora do local quanto ao bem-estar, ou qualidade de vida para todos, que agora estão envolvidos, na inserção dos recursos locais para o progresso do entorno, justamente por conta dos eventos que aparecem no âmbito municipal (CAVESTANY, 2000).
            O Cariri paraibano possui uma estrutura de vida própria, que deve ser aproveitada, em prol do desenvolvimento da localidade, entretanto, a tecnologia avançou no mundo, atropelando o modo de vida e tecnologia local (aprender pela experiência) sem reposição, as experiências do homem do campo são fartas, precisam ser resgatadas para que o progresso avance de acordo com as condições locais, com respeito às tradições que não criam obstáculos ao desenvolvimento das práticas locais acompanhadas com o científico que caminha em paralelo.
            Em síntese, uma reorientação acerca da gestão no Cariri paraibano, dentro dos critérios de eficiência conduz a uma integração de todos da localidade, rumo ao desenvolvimento, cujos filhos da localidade tenham mais emprego, renda e produção, condigno com os habitantes do entorno e, assim, deve haver uma imigração dos que agora querem se reintegrar ao seu habitat natural, que guardam lembranças e saudades.

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