PLANEAMENTO TURÍSTICO EM MIRANDA DO CORVO CONTRIBUTO DE UMA ANÁLISE GEOGRÁFICA

Luísa Daniela Moreira Adelino

3.3.3. Projectos para o futuro

Além de todos os recursos e projectos e intervenções apresentados nos capítulos anteriores, existem outros em fase de projecto, para serem concretizados nos próximos anos.
Para melhor se distinguir esses projectos, optámos por dividi-los em duas categorias distintas: as parcerias público-privadas, nas quais se procura um investimento recorrendo não só a capitais públicos, mas também privados, no sentido de se complementarem e obterem mais sucesso, e as iniciativas públicas, nas quais são investidos apenas capitais públicos.
            Em termos de parcerias público-privadas, destacamos as aldeias de Cadaval Cimeiro e Cadaval Fundeiro. Das 46 casas abandonadas e em profundo estado de degradação existentes foram adquiridas até ao momento 38 por uma empresa de carácter privado que tem intenção de comprar as restantes.
            O Projecto Aldeia Houses & Resort, Recantos de Xisto prevê a recuperação destas duas aldeias, a valorização das suas características arquitectónicas, a recuperação das habitações, dos caminhos, das fontes, dos cursos de água naturais, do conceito de aldeia serrana e do conceito de vivência na aldeia. Neste projecto também está prevista a criação de um moinho de água para restauração e realização de eventos específicos, tais como exposições, moda, biblioteca, música, workshops, entre outros. Além destas infra-estruturas está prevista a criação de uma represa biológica para apoio ao moinho e a outras actividades de lazer. Pretende-se a implementação do conceito eco-friendly através da utilização de fontes de energia alternativas, tais como a energia solar, a energia eólica e o biogás, além da utilização da represa biológica e o aproveitamento das linhas de água existentes.
            Ora nestas aldeias as infra-estruturas são inexistentes, os únicos caminhos de acesso são florestais. A Câmara Municipal irá colaborar incidindo nas infra-estruturas e nos espaços públicos, tais como o acesso desde a estrada municipal do Gondramaz, a execução de arruamentos com aproveitamento e recuperação dos lajedos de pavimento existentes, assegurar a chegada das infra-estruturas (água, electricidade, saneamento básico, e comunicação) às aldeias e prevê a requalificação exterior dos edifícios, nomeadamente as fachadas, coberturas e caixilharias.
            Na envolvente do Cadaval Fundeiro a Câmara Municipal prevê a construção de pequenos apoios para a realização de actividades artísticas.
            Na área de intervenção também existe a intenção da criação de um museu representativo da “vida” nas aldeias de xisto, a prospecção de mercado através de apoios para a comunicação e marketing e a criação de um espaço de mercearia e de artesanato para a comercialização e exposição dos produtos do campo e da floresta.
            A área a intervencionar será de 250 mil metros quadrados de terrenos rústicos entre as duas aldeias e na envolvente das mesmas. Prevê-se também uma recuperação paisagística dos terrenos, a manutenção e implementação da floresta, a recuperação de hortas e pomares, a manutenção da fauna existente e a recuperação de espécies autóctones e a criação de um sistema de emergência automático (por exemplo de rega) para combater os incêndios em todo o perímetro a intervencionar.
            O prazo previsto para a execução deste projecto é de 24 meses e prevê também apoios de comunicação e marketing, através da imprensa, da internet, entre outros.
            Outro investimento resultante de uma parceria público-privada será localizada na Quinta do Mouro, próxima da Lomba do Rei, na freguesia de Vila Nova e será constituída por um empreendimento de alojamento turístico de pequena escala, na modalidade de hospedagem de Turismo em Espaço Rural – vertente Agro-Turismo, o qual terá como finalidade proporcionar uma oferta de alojamento e de actividades de lazer, promovidas pelos seus responsáveis ou por terceiros, como complemento à actividade de produção/transformação de produtos agrícolas biológicos, bem como a disponibilização do espaço a terceiros para a realização e transformação dos produtos agrícolas.
Os serviços/produtos a fornecer estarão relacionados essencialmente com:
– Hospedagem e dormidas com pequeno-almoço;
– Visitas em veículos todo-o-terreno ou através de percursos pedestres a diversos locais de interesse turístico da região;
– Aluguer de bicicletas;
– Prestação de serviços de reserva em estabelecimentos de restauração e de aluguer de viaturas;
– Aluguer de espaços para promoção de diversos eventos, tais como baptizados, casamentos, jantares de grupo, entre outros, por empresas do ramo;
– Realização de reuniões, colóquios e outros eventos do género;
– Produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas biológicos certificados;
– Aluguer de espaços para embalagem ou confecção de produtos com origem agrícola.
            Será estabelecido um plano de comunicação e marketing desenvolvendo contactos e protocolos com a autarquia, com agências de desenvolvimento regional e com diversas entidades, tais como agências de viagens, serviços sociais de diversas empresas e associações profissionais, participação em feiras e outros eventos do género, realização de campanhas publicitárias efectuadas de forma autónoma ou associadas a eventos regionais, construção de um site na internet onde os clientes possam efectuar reserva de serviços e criar links a motores de busca da especialidade. A realização de eventos no empreendimento com recurso ao aluguer de espaços por parte de outras empresas será também uma forma de divulgar a oferta de alojamento e contribuirá para o aumento da sua procura.
            Os produtos agrícolas biológicos já se encontram certificados.
            Prevê-se que com este investimento, num “ano cruzeiro”, o número de dormidas seja de 466, o número de visitas a locais de interesse turístico seja de 42 e o número de alugueres de espaços para transformação de produtos agrícolas seja de 24, para 50.470 euros de custos previstos de exploração.
            Na parte do investimento público deste projecto está prevista a melhoria dos acessos públicos ao empreendimento.
            No que toca ao investimento proveniente de financiamento exclusivamente público destacamos as intervenções nos espaços públicos da aldeia do Gondramaz, nomeadamente a requalificação do centro de BTT aí existente. Existe a intenção de criação de mais percursos pedestres e equestres a partir da aldeia, prevendo-se acções de limpeza, sinalização e homologação dos trilhos.
Pretende-se, assim, construir uma rede de percursos pedestres, equestres e de BTT na variante de downhill e cross-country e a ligação à Grande Rota do Xisto, complementando o trabalho já realizado em termos de percursos.
Os percursos de cross-country possibilitarão a ligação a outras partes do concelho com interesse turístico, tais como o centro histórico de Miranda do Corvo, Semide, Senhor da Serra e praia fluvial de Segade.
Com a implementação dos percursos equestres abrir-se-á uma vertente turística que possibilitará a interligação das Aldeias de Xisto com o Centro Hípico da Quinta da Paiva e o complexo envolvente.
Actualmente a Câmara Municipal está a elaborar o Plano da Aldeia do Galhardo. Pretende-se apresentar uma candidatura aos fundos comunitários para se efectuarem intervenções na aldeia semelhantes às que se efectuaram na aldeia do Gondramaz, nomeadamente infra-estruturas básicas, arranjo de espaços públicos e recuperação das fachadas dos edifícios, com a finalidade de integrar esta aldeia na Rede das Aldeias de Xisto.
Contudo, como este projecto ainda se encontra na fase de elaboração do plano, ainda nada está garantido.
Além destes projectos, também estão previstos investimentos em espaços verdes. Pretende-se a criação, na Alameda das Moitas, localizada na vila de Miranda do Corvo, do Jardim da Paz, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Estratégico que aponta Miranda do Corvo como uma Comunidade Saudável e Solidária.
Localizado numa área natural, junto a uma linha de água protegida, trata-se de um projecto que promoverá a requalificação ambiental e do património natural, promovendo o desenvolvimento integrado do Turismo e das áreas ambientais, nomeadamente através da limpeza e manutenção de linhas de água, da escolha cuidada de espécies vegetais e a utilização de energias renováveis/alternativas.
Pretende-se assim a valorização do espaço natural através da plantação de espécies vegetais adequadas à área, a qual é caracterizada por um nível freático elevado, e do ordenamento espacial na perspectiva ambiental e de fruição por parte da população.
A este jardim pretende associar-se o tema da Paz, através da homenagem a figuras que se destacaram pela defesa da Paz e do Bem, tais como Prémios Nobel e outros (Martin Luther King, Ghandi, Padre Américo, etc.).
Este espaço propiciará o uso e requalificação de uma área actualmente em grande parte abandonada, criando assim uma área requalificada e reabilitada e, por fim, dotará Miranda do Corvo de uma área ao ar livre capaz de potenciar o turismo e de estrategicamente se associar aos projectos turísticos da Rede das Aldeias de Xisto e da região de Coimbra.
Em termos de equipamentos de carácter cultural, a Câmara Municipal tem a intenção de dotar o concelho com mais dois equipamentos. Um deles é a Casa das Artes, inserida numa acção de intervenção/valorização urbana e do território, na qual se prevê a construção de um espaço físico estruturante e de carácter específico para promover o intercâmbio cultural e as diferentes manifestações artísticas, englobando um espaço de pesquisa tendo em vista aumentar assim os níveis de qualidade de vida da população. Pretende-se, assim, a construção de um edifício, na sede de concelho, capaz de albergar uma sala para cerca de 200 pessoas, destinada à realização de eventos de carácter artístico, seminários para o desenvolvimento local, encontros sociais e de inclusão social e salas destinadas à exposição de valores artísticos concelhios e de património identitário, a fim de promover os produtos endógenos e a pesquisa de novas tecnologias de informação e comunicação.
Desta forma, o concelho de Miranda do Corvo será dotado de um espaço capaz de promover e estimular a actividade criativa e de inovação, e também capaz de promover o enriquecimento urbano e a sua requalificação através de uma nova edificação que se deseja que promova a racionalização e optimização dos consumos energéticos.
Assim, este equipamento apoiará e complementará as actividades turísticas a desenvolver no concelho e nas Aldeias de Xisto, acolhendo, por exemplo, exposições e workshops, dedicados ao turismo de natureza, às aldeias de xisto, à investigação dedicada à Serra da Lousã e fornecendo um calendário de eventos culturais capaz de fixar e atrair visitantes ao território.
O outro equipamento cultural que faz parte das intenções actuais da Câmara Municipal é a Casa do Design e do Artesão, que se pretende que seja localizada no núcleo histórico da vila de Miranda do Corvo.
Relacionando-se com o rio e com a encosta, as construções foram aí surgindo orientadas para o sol, encaminhando-nos para o topo coroado pela Igreja Matriz e pela torre do Cristo Rei, onde outrora havia um castelo. Este núcleo coeso é composto essencialmente por um conjunto equilibrado de edifícios e ruas que resistem ao tempo e demonstram as vivências do passado. Contudo existem actualmente marcas significativas de degradação e abandono em vários edifícios.
Desta forma, o Município tem a intenção de proceder à recuperação e rejuvenescimento desta área. Aliando a recuperação de edifícios em elevado estado de degradação ao incentivo de desenvolvimento do comércio e serviços locais, pretende-se adquirir um imóvel perto dos Paços do Concelho, proceder à sua recuperação e instalar aí um centro de apoio ao artesão, apostando na inovação do design e nas novas tecnologias.
A Casa do Design e do Artesão servirá de centro de estudos e desenvolvimento, de atelier para workshops e exposições e de apoio aos artesãos locais.
Neste âmbito, pretende-se estabelecer uma parceria com o pólo do Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE) de Semide para a inovação e design.
A Câmara Municipal tem actualmente mais dois projectos, dedicados à área histórica da vila de Miranda do Corvo. O primeiro prende-se com a reconstrução da torre e da cisterna do Antigo Castelo de Miranda do Corvo. O Município tem vindo a desenvolver esforços na preservação do património cultural e arquitectónico. Neste sentido pretende realizar tudo o que estiver ao seu alcance para devolver ao centro histórico a importância que lhe é devida.
Do castelo da linha defensiva do Mondego, que deu origem à vila, restam actualmente uma torre secundária (a qual já foi alvo de reconstrução parcial) que serve actualmente de sineira e um espaço subterrâneo – a cisterna.
Tendo a torre sido parcialmente reconstruída sem nenhuma documentação de suporte e apresentando hoje sinais claros de degradação, a Câmara Municipal pretende procurar parceiros qualificados e que respeitem das boas práticas de conservação para se proceder à sua recuperação. Para isso o Município já solicitou a colaboração da Direcção Regional da Cultura do Centro para a elaboração do projecto de reconstrução da torre e da cisterna, assim como para o acompanhamento dos trabalhos.
Ainda no âmbito da mesma candidatura, a Câmara Municipal pretende também requalificar o espaço envolvente do Alto do Calvário, nomeadamente a envolvente da Igreja Matriz, Torre sineira do castelo e cisterna, o qual se revela como um miradouro da vila e tomou o lugar do Alto do Castelo. Este espaço que rodeia pontos e estruturas


importantes para o concelho necessita de intervenções ao nível da requalificação de pavimentos, estrutura urbana, mobiliário urbano e paisagismo.
Além destes projectos, o Município está também a executar o Projecto da Quinta do Passal, localizada junto ao convento de Semide. Esta é composta essencialmente por um grande terreno, propriedade da Igreja e que se encontra na área de protecção do Mosteiro de Semide, actualmente imóvel classificado pelo IPPAR e com necessidade de obras urgentes de reconstrução e requalificação.
Neste terreno pretende-se essencialmente a sua dotação com algumas infra-estruturas de lazer e reabilitá-lo ao nível do paisagismo, uma vez que devido ao seu estatuto de zona de protecção não é permitida a realização de grandes obras.
Por fim, na área de desporto, a Câmara Municipal pretende criar junto à praia fluvial de Segade um local para a prática de desportos náuticos. Ainda não é certo que se venha a localizar aí, pois está em fase de projecto.

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