TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho

2.3 Turismo de passeio pedestre nas Aldeias do Xisto: programas e operadores

Como refere Tovar (2010), a aposta na formulação de novos produtos turísticos é uma das valências da ADXTUR. Os novos produtos turísticos a desenvolver devem enquadrar-se no âmbito do turismo de natureza, turismo desportivo e turismo cultural, dirigidos a pequenos grupos, de 4 a 16 elementos, ou self guided, proporcionar experiências únicas, de 1 a 7 dias, através de recursos turísticos existentes e empresas de animação, recorrendo a unidades de Turismo em Espaço Rural ou “hotéis de charme”, ao longo de todo o ano (ADXTUR)1.
No que diz respeito ao turismo de passeio pedestre, as empresas que operam no destino Aldeias do Xisto (11 empresas), de acordo com os dados obtidos na pesquisa efectuada, são de nacionalidade portuguesa e 55% com sede na região Centro / Aldeias do Xisto (Fundão, Góis e Lousã). As restantes empresas, que actuam na área, têm sede na região de Lisboa.
De acordo com informação fornecida pela ADXTUR, existem ainda dois operadores alemães a vender férias de passeio pedestre nas Aldeias do Xisto: Wikinger Raisen e Hauser Exkursionen. Os programas destes dois operadores não foram analisados por não se encontrarem disponíveis online.
A duração de 69% dos programas é de apenas um dia. Dos que têm duração superior, os mais frequentes são de 2 dias, que corresponde a 22% do total. A oferta disponível inclui ainda um programa de cinco dias e dois programas de 7 a 8 dias (Tovar, 2010).
No caso dos programas de 2 dias, propostos para o território Aldeias do Xisto, são em geral programas centrados num único local de alojamento (incluído ou não no preço), com saídas diárias para realizar passeios a pé. Os passeios são guiados e o preço inclui serviço de guia, transporte, quando necessário, entre o local de alojamento e o local de início / fim do percurso, seguros de responsabilidade civil e de acidentes pessoais e, pode incluir refeições em restaurante ou pic-nics durante os passeios (Tovar, 2010).
O programa de 5 dias é centrado num único local de alojamento e propõe 4 passeios pedestres auto-guiados. Inclui o alojamento, mapas, tracks para GPS, e demais documentação de apoio à realização dos percursos e, ainda, apoio de emergência.
Os dois programas de 7 e 8 dias, têm partida da cidade do Porto e incluem o transfer de e para o aeroporto. Estes, propõem mais que um local de alojamento, ao longo da semana, e, além das saídas diárias para realização de passeios pedestres, incluem visitas de carácter cultural a locais históricos.
As condições que existem actualmente no território são propícias ao desenvolvimento de programas centrados num alojamento, muitas vezes fora das aldeias, com saídas diárias. A capacidade de alojamento das aldeias é ainda baixa e apenas 4 aldeias (Gondramaz, Casal de São Simão, Talasnal e Fajão) dispõem de serviço de refeições, para permitir a oferta de programas centrados nestes lugares. Com efeito, no início de 2010 estavam em funcionamento 14 unidades de alojamento, com uma capacidade entre as 2 e as 13 camas, que perfaziam 81 camas, em dez aldeias do xisto – a Serra da Lousã é a sub-região mais importante com quase 60% do total de estabelecimentos e camas (TOVAR, 2010).
No contexto geográfico dos concelhos de enquadramento das Aldeias do Xisto, existiam, na mesma data, 17392 camas de alojamento turístico (ADXTUR, 2010), grande parte concentrada nas cidades e vilas de maior dimensão, onde existem estabelecimentos, de tipologias diversas, de capacidade média: Castelo Branco, Fundão e Lousã. Os restantes lugares estão servidos por pequenas unidades, de capacidade mais reduzida.
A criação de um percurso de Grande Rota, tal como previsto, ligando todas as aldeias, proporcionará a oportunidade de desenvolver programas de trekking, inovadores em Portugal, de vários dias ao longo de um itinerário, pernoitando nas aldeias. O desenvolvimento deste tipo de programa tem ainda a condicionante da capacidade/existência de alojamento e serviço de refeições ao longo do itinerário.
A participação de grupos em programas de passeio pedestre nem sempre é feita no âmbito de uma prestação de um agente ou operador turístico. O turista individual pode organizar os seus próprios programas, de um ou vários dias. O destino Aldeias do Xisto, oferece condições para a realização de programas de passeio pedestre, sem recurso a empresas especializadas, desde que centrados num local, com saídas diárias. Os factores que mais contribuem para esta possibilidade são a extensão dos percursos (1/2 dia a 1 dia), a sua forma (circulares), a sinalização e a informação disponível, que permitem que o pedestrianista percorra o trilho em segurança, voltando ao fim de umas horas ao local de início.
A disponibilidade de informação detalhada sobre os percursos e os serviços turísticos existentes, na página de Internet das Aldeias do Xisto, facilita a organização individual, sem recurso a operadores especializados, de programas de turismo de passeio pedestre na região.

Quadro 5. Factores chave de êxito num destino de turismo de passeio pedestre

 

Áreas de elevado interesse natural

+

Paisagem de montanha

+

Património cultural rico

+

Adequadas infra-estruturas de acolhimento, sinalização e equipamentos básicos (áreas de descanso, centros de acolhimento e informação, …)

+

Ampla e variada oferta de percursos (extensão, dificuldade, etc.) adaptada a diversas tipologias de turistas / visitantes.

+

Bom funcionamento de prestadores de serviços de apoio: guias, transporte, etc.

-

Alojamento integrado na envolvente natural

-

Restauração com gastronomia tradicional de qualidade

-

Disponibilidade de informação detalhada sobre os percursos e serviços no destino

+

Legenda: + bom grau de desenvolvimento; - insuficiente grau de desenvolvimento.
Fonte: Tovar (2010).

 

O número, a dimensão, a forma e a localização dos percursos oferecem múltiplas possibilidades de combinação para serem usufruídos no âmbito de uma prestação turística com tudo incluído, tal como o atestam os programas disponíveis no mercado.
A existência de outros atractivos e serviços – percursos de BTT, praias fluviais, empresas de animação turística, restaurantes, lojas e a própria paisagem – permite ainda a formulação de diversos produtos turísticos, de qualidade e potencial atractividade, em que o passeio pedestre pode não assumir a componente principal mas ser um importante complemento.
O quadro 5 apresenta os factores que se consideram imprescindíveis num destino de turismo de passeio pedestre e o seu grau de desenvolvimento no destino Aldeias do Xisto.
Com base na informação sistematizada, pode concluir-se que o destino Aldeias do Xisto é um destino de turismo de passeio pedestre com grande potencial de desenvolvimento (TOVAR, 2010).
É uma paisagem de montanha de elevado interesse natural, enquadrando-se por isso na tipologia de território que aparece com maior frequência nos programas de pedestrianismo e de turismo de passeio pedestre.
O património cultural é rico e estão em curso diversas de acções com vista à sua valorização e promoção: recuperação das casas de xisto, valorização da gastronomia, entre outros.
Todo o território é gerido sob uma marca única – Aldeias do Xisto – e tem sido alvo de intervenções integradas que contemplaram a criação de adequadas infra-estruturas de acolhimento, sinalização e equipamentos básicos, como áreas de descanso, praias fluviais, centros de acolhimento e informação, entre outras.
A oferta de percursos é ampla, variada e adaptada a diversas tipologias de turistas ou visitantes. Está prevista a expansão de rede de percursos de pequena rota e a criação de um percurso de grande rota, atravessando todo o território, o que vai permitir diversificar a possibilidade de produtos / configuração de programas.
Existe um conjunto de operadores experientes, com conhecimento profundo da região capaz de prestar bons serviços de apoio ao turismo de passeio pedestre. Contudo, estes serviços são prestados no âmbito de programas organizados. Serviços de transporte de bagagens ou de pessoas entre locais de alojamento, ou entre o local de alojamento e o local de início do percurso e regresso, são difíceis de operacionalizar.
A capacidade de alojamento na envolvente geográfica das Aldeias do Xisto é suficiente. Contudo é escassa a oferta de alojamento turístico nas aldeias onde é também muito reduzida a oferta de serviços de restauração.
A disponibilidade de informação sobre os percursos pedestres e serviços turísticos na rede de Aldeias do Xisto é exemplar e regularmente actualizada. Ganharia maior eficácia e difusão, criando melhores acessos a partir dos portais da Entidade Regional de Turismo do Centro e Agência de Promoção Turística Regional Turismo do Centro.


1              Aldeias do Xisto, Territórios de Baixa Densidade – Oportunidades de Desenvolvimento, http://www.dpp.pt/Workshops/Provere/Aldeias_Xisto.pdf (21-1-2010).

2        De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a capacidade em Estabelecimentos Hoteleiros (não inclui Turismo no Espaço Rural nem Pousadas de Juventude), nos 14 concelhos que constituem o território Aldeias do Xisto, é de 1949 camas (dados referentes ao ano de 2008, disponíveis em www.ine.pt, 10-3-2010).

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