TURISMO E DESENVOLVIMENTO ESTUDOS DE CASO NO CENTRO DE PORTUGAL

Paulo Carvalho

4. Conclusões

Apesar da actividade termal e o termalismo se ter alicerçado durante muitos anos nas suas características distintivas conferidas pelas águas e actividades terapêuticas, o facto é que, a evolução do próprio conceito por via das novas exigências dos mercados e sociedades tem levado a uma reformulação de objectivos e da oferta que se posiciona agora na dimensão da saúde e bem-estar assente em conceitos como a prevenção e reabilitação, e associada a novos hábitos de lazer e turismo.
Os gestores/administradores inquiridos, para além de fazerem um retrato do que é a actividade termal e estâncias termais na actualidade, sem se furtarem de esclarecer as razões que levaram a que a situação hoje não seja a mais favorável, sublinham, apesar de todos os constrangimentos, a importância e urgência da sua revitalização que só encontrará viabilidade através da necessária complementaridade entre duas vocações que sempre estiveram presentes nestes espaços.
Em síntese, segundo os inquiridos, as estâncias que têm apostado na diversificação e qualificação de serviços têm sido casos de sucesso e a vertente de saúde e bem-estar que ganha expressão nas termas portuguesas constituem as características que melhor espelham a realidade actual do termalismo e estâncias portuguesas. Já a falta de investigação científica e a legislação obsoleta e descontextualizada que vigorou durante décadas são apontadas como as principais causas do actual funcionamento das mesmas.
Neste sentido, a necessidade de acentuar e consolidar o seu papel enquanto pólos de desenvolvimento e a necessidade em reactivar o seu papel no imaginário turístico do público constituem os principais motivos à sua reestruturação que, na voz dos inquiridos, deverá incidir sobretudo na realização de pesquisas científicas e na captação de público mais jovem, incluindo ainda outros serviços e actividades como programas terapêuticos para crianças com necessidades especiais e percursos turístico-educativos.
Contudo, na sua perspectiva, as dificuldades em captar investimento e em estabelecer parcerias com os actores territoriais locais e regionais, constituem os principais entraves à sua reestruturação. A favor apontam o facto de serem potenciadores de desenvolvimento local através da criação de postos de trabalho e indução de outras actividades e a importância actual da saúde e bem-estar.
E, segundo eles, a estratégia a adoptar passa pela complementaridade entre as vertentes turística/lúdica e terapêutica, e não uma especialização de mercado, embora reconheçam que nem todas possuem, actualmente, condições para receber um público mais diferenciado, reiterando, inclusive, que há estâncias com serviços de má qualidade a operar, e como tal defendem a iniciativa privada assim como a categorização das estâncias com vista a serem garantidos altos níveis de qualidade, afinal um dos factores estratégicos e competitivos do actual turismo. Competitividade que alcançarão se o seu caminho for planeado e construir-se de forma integrada com outros actores no sentido de maximizarem as sinergias positivas das quais só beneficiarão aproveitando potencialidades e ultrapassando obstáculos.
É nesta linha que os gestores/administradores das 11 estâncias termais em estudo mostram as suas reservas quanto à actividade termal em geral, mas vêem com optimismo a evolução da estância da qual são responsáveis.
Neste sentido, a dotação das termas de vantagens competitivas e diferenciadas, num ambiente concorrencial cada vez mais estreito e dinâmico, exige uma constante reinvenção das mesmas através de caminhos diversos. Será este sentido da mudança pelo qual se deverão pautar as novas estratégias de relançamento dos “territórios termais” como pólos de turismo mas também como espaços de actividades múltiplas, de modo a responder a um turismo e turistas contemporâneos mais exigentes motivados pela busca de experiências únicas. Desta forma, a revitalização das estâncias termais passa por uma reestruturação e diversificação de toda a estrutura termal e turística associada, numa apologia da diferenciação e para que as mesmas se possam (re) constituir como destinos turísticos de excelência.

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