PROPUESTA DE BASES PARA EL DISEÑO DE UN SISTEMA DE GESTIÓN ESTRATÉGICA DE INFORMACIÓN PARA LA DIRECCIÓN DE ENERGÍA RENOVABLE DEL MINBAS

Cleber José De Oliveira

3.1 –  A crônica de Ferréz: busca por uma auto-representação


Podem também ser captadas no discurso as questões relacionadas à produção de determinados ‘valores sociais’ pelas elites detentoras dos meios de produção e comunicação, principalmente valores que pregam o acúmulo de bens materiais como sendo um quesito necessário para a constituição de um eu-social, como que a dizer: existo porque tenho e não porque sou. Nesse sentido, as discussões promovidas por Canclini (2003) sobre bens simbólicos e bens materiais vem nos dar suporte para pensarmos a questão do indivíduo ‘marginal’ como sendo alguém que sofre um processo de influência. Esse seria um dos bens materiais sobre os bens simbólicos, já que o primeiro produz uma situação de dependência do indivíduo, ou seja, é preciso acumular bens materiais para obter reconhecimento e respeito social diante da proposta social em que vivemos.
Numa outra síntese, o discurso desse indivíduo reflete questões pertinentes à vida pós-moderna sendo, talvez, a questão de identidade a principal delas. Sobre isso, Stuart Hall (2003) aponta que o homem pós-moderno não tem uma identidade fixa ou permanente, assumindo diferentes identidades em momentos diferentes. Isto ocorre porque um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas, fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que antes propiciavam sólidas localizações aos indivíduos. Vejamos agora, como se manifesta o discurso na crônica “Rio de Sangue”, de Férrez (se auto-reconhece como escritor de literatura marginal):

Fique a vontade para entrar no mundo adulto da violência gratuita, do grande plano de manipulação que joga contra o revoltado e tão cansado povo brasileiro, da covardia sem limites, do esfacelamento de famílias, do rio de sangue temperado com baixa estima, e das vielas cheias de corpos cansados demais para entender a difícil engrenagem de uma sociedade fantoche [...] não culpai meu pai esse povo que não sabe votar [...] a verdade é que o Estado está organizado para não deixar que a elite perca poder econômico e político, estão todos preparados para boicotar qualquer tentativa de crescimento da classe tida por eles como mais baixa, que na real somos nós. (Ferréz 2009, p. 60)

O discurso ficcional é de uma ‘realidade’ marcante na qual o narrador convida o leitor a conhecer o seu mundo e os seus pares. Não é alguém alienado, isso fica evidente quando reconhece que a grande maioria dos seus pares não entendem o funcionamento da máquina social em que estão inseridos “vielas cheias de corpos cansados demais para entender a difícil engrenagem de uma sociedade fantoche”. Chega rogar a Deus por eles “não culpai meu pai esse povo que não sabe votar”. Numa tentativa de tirar o povo a que pertence da alienação em que estão mergulhados. O narrador se mostra com a capacidade de construir o próprio pensamento por meio de um discurso forte e realista, evidenciando assim a autoridade de se auto-representar através do pensamento liminar (Mignolo, 2003) Esta busca pelo poder de se discursar por si mesmo, para não mais ser representado pelo colonizador, é algo que permeia ou permeou todos os países latino americanos. No fluxo da análise, vejamos agora um outro trecho da mesma crônica:

Eu quero ter o belo prazer subversivo de escrever minha literatura marginal, eu quero ser preso, mas por porte ilegal de inteligência, antigamente quilombos hoje periferia, o zumbi zumbizando a elite mesquinha, Záfrica Brasil um só por todos nós, somos monjolos, somos branquindiafros, somos Clãnordestino, a peste negra, somos Racionais, somos Negro Drama, e minha posse é mente zulu. (Ferréz 2009, p. 61)

Na passagem acima, o narrador promove comparações nas quais sugere que, no sistema social brasileiro, tudo continua igual (isso em relação ao lugar histórico do subalterno) apesar de serem chamados por nomes diferentes “antigamente quilombo hoje periferia”. Na mesma medida, igual também permanece o pensamento subversivo em relação ao discurso de poder das elites e a força de resistência desse indivíduo, porém agora com a mesma arma do opressor: a inteligência e a palavra escrita – a literatura – “eu quero ter o belo prazer subversivo de escrever minha literatura marginal, eu quero ser preso, mas por porte ilegal de inteligência”; com isso, o indivíduo se subjetifica e fortalece a inversão das relações de poder, a margem figura no centro e não mais o centro na margem.

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