PROPUESTA DE BASES PARA EL DISEÑO DE UN SISTEMA DE GESTIÓN ESTRATÉGICA DE INFORMACIÓN PARA LA DIRECCIÓN DE ENERGÍA RENOVABLE DEL MINBAS

Cleber José De Oliveira

2.1- A crônica contemporânea de Jabor

De fato, Jabor vê o presente brasileiro à luz do passado vivido por ele próprio. Porém mais que isso, há um esforço, como visto acima, de juntar passado e presente até no nível da linguagem. Entretanto, seu Brasil presente surge degrado – ou seja, pior do que o Brasil de seu passado. 
Continuemos a analise, agora com um trecho de “A miséria está fora de moda”:

A miséria armada está nos fazendo esquecer da miséria indefesa. Com a onda de violência, perdemos a compaixão pelos pobres [...] o erro dos que desejam acabar com a miséria é achar que ela está do “lado de fora” de nossa vida. A miséria não está nas periferias e favelas; está no centro de nossa vida brasileira. Somos uns miseráveis cercados de miseráveis por todos os lados. (JABOR, 2006, p. 143, grifo nosso)

Como se vê, nos trechos acima, o cronista demonstra preocupação com a condição do “proletariado”, dos “pobres” e dos “miseráveis” do qual ele diz fazer parte. Nessa perspectiva, pode-se dizer que aquele esforço de se parecer com o povo, entrevisto em Braga, está também presente em Jabor, vide grifos.  “Somos uns miseráveis”, ele diz. Novamente vemos a fórmula: um homem de classe média, letrado, olhando para o povo e se medindo com ele – como na crônica “O padeiro” de Braga, vista acima. Mas aqui é preciso marcar diferenças.
Os contextos sociais de Braga e de Jabor são muito diferentes. Aquilo que se idealizava no tempo de Braga acabou por não se concretizar no presente – este sendo o próprio contexto de Jabor. No contexto de Braga, assemelhar-se a um padeiro, metonímia das classes baixas, era uma forma de atenuar diferenças visando um projeto de nação – Braga, como vimos, visava aplainar (ao menos no seu discurso) as diferenças sociais. Em Jabor, assemelhar-se com os miseráveis é atestar a decadência da vida contemporânea, em que a nação idealizada pelos modernistas, uma nação em que pobres e ricos se confraternizariam, acabou por não se configurar. Em que o homem se tornou máquina e é obrigado a produzir como máquina, ou nas palavras do próprio Jabor: “a tecnologia nos enfiou uma lógica de fábricas, fábricas vivas (JABOR, 2006, p. 163).
‘Nessa linha, vejamos um trecho da crônica “Dias melhores nunca virão”, de Pornopolítica:

[...] Que estranho presente é este que vivemos, correndo sempre por nada? As utopias do século XX diziam que teríamos mais ócio, mais paz, mais sossego, no entanto temos de funcionar como celulares e computadores, produzir, não de viver [...] (JABOR, 2006, p 163, grifo nosso).

 

O presente é estranho para Jabor. Mas estranho, em relação a quê? Talvez o cronista esperasse outro presente. E aqui, voltam às comparações com o passado - nesse caso, claramente, com a modernidade e suas promessas de futuro. Essa postura assumida por Jabor pode ser tomada como reflexo do momento atual em que a sociedade brasileira esta inserida, algo indefinido e confuso onde falta ócio e paz, e a palavra de ordem é “funcionar” e não “viver”. Esta condição em que o cronista retrata a sociedade na contemporaneidade muito se diferencia da encontrada em Rubem Braga, pois, como vimos, este ultimo escreve numa época (séc. XX) em que fervilhavam esperanças e promessas de prosperidade ilimitadas. Já na época de Jabor essas esperanças e promessas já não encontram força para se sustentar. Daí o presente ser estranho – Jabor talvez esperasse que seu presente fosse o futuro sonhado pelos modernistas.
Vejamos outro fragmento, agora, de “Estamos todos no inferno”, do mesmo livro: “[...] Estamos todos no centro do insolúvel. Como escreveu o divino Dante ‘Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno’” (JABOR, 2006, p. 47). Sempre se assentando no literário, sempre nos clássicos conhecidos, o cronista retoma uma citação de A Divina Comédia de Dante para entrever a falta de “esperança”, a indignação e o pessimismo perante a realidade que o cerca.  Vem trocar em miúdos uma questão que, na sociedade contemporânea, se mostra muito recorrente que é a dificuldade de se acreditar numa mudança que promova uma igualdade social como desejava o projeto em que Braga estava inserido, isto é, no projeto modernista. Nesta esfera de mudanças sociais, pode-se dizer que diferentemente do cronista inserido no projeto modernista (Rubem Braga), o cronista contemporâneo (Arnaldo Jabor) caracteriza-se justamente pela descrença deste projeto, pois Jabor perante a realidade que o cerca (capitalismo doentio, a falta de paz e a vida mecanizada), já não acredita em uma coesão social nem em qualquer utopia equivalente.
Esta descrença do cronista se dá também pelo motivo de a vida contemporânea ter trazido consigo uma espécie de distanciamento e esfriamento nas relações humanas.
Em “O mandacaru na sala de jantar” vimos que o cronista se configura como alguém muito solitário, pois apesar de viver numa metrópole onde há uma grande concentração de pessoas, ele se sente só.
Nessa perspectiva vejamos um trecho de “A mulher não existe”, também de Pornopolítica:

Eu nunca conheci a Mulher [...] Não existe a Mulher. Existem a mulher de burca, a strip-teaser, a mulher sem clitóris [...] Eu sempre fui vítima das mulheres; eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo. Eu sou o que aprendi com elas. Na paixão ou no ódio, a cada mulher, eu descobri defeitos e qualidades que me formam, como acidentes que foram me desfigurando[...] Por mais que queiramos, nunca chegaremos lá. Lá onde? Lá onde mora o outro  (JABOR, 2006, p.19-20)

Nesse trecho em que resume uma crônica obscura sobre a mulher, Jabor expressa sua inquietação: o homem não alcançará a mulher. Esta é um ser “incognoscível”, que não se dá a conhecer. Falando da mulher, Jabor acaba dando sinais para pensarmos suas opiniões sobre a relação com o outro. E ele é taxativo: impossível chegar ao outro. E podemos generalizar. Aqui que o cronista assinala a incapacidade do homem contemporâneo de chegar (conhecer) ao outro. O cronista aponta no presente contemporâneo a perda da essência modernista. Isso fica claro se tomarmos, por exemplo, as décadas de 30 a 60. Vimos nas crônicas de Rubem Braga o quanto o diálogo e o contato com o outro era mais intenso e natural. A própria Crônica de Braga enfatiza isso. Como vimos, o cronista traz o outro, o leitor, para dentro de sua crônica. Eram tempos em que era preciso incluir o outro, numa lógica de inclusão social típica dos anos do modernismo e do Estado Novo. Nesse caso, o outro era o próprio povo e próprio leitor de crônicas. Em suas crônicas, Braga figura pessoas que eram mais disposta a conversar. Daí, pouco se falar, dentro da crônica de Braga, da solidão.

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