O CÂMBIO COMO INSTRUMENTO DE POLÍTICA ECONOMICA : UMA PROPOSTA DE MODELAGEM DO SETOR EXTERNO BRASILEIRO.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

5.2 -  Medida proposta para a medição da taxa de câmbio bilateral

            Esta monografia fez uso do consagrada taxa de câmbio nominal, descrita neste capítulo com o objetivo de seu deflacionamento e dessa maneira revelar a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional, como já foi dito que não nos prenderíamos ao debate do tópico anterior, este trabalho trabalhará com a taxa de câmbio bilateral, assim descrita pela expressão:

            TCR = e .  P*/P
            Onde
            e  é a taxa de câmbio nominal (em unidades de moeda local, Reais, por unidades de moeda estrangeira, Dólar);
            P*  representa o nível de preços norte-americanos, Producer  Prices Index – all commodities ( proxy para tradables);
            P    representa o nível de preços internos, que dependerá da ênfase a ser dada à taxa calculada.

            Por seguinte, na metodologia para a medição da taxa de câmbio bilateral, adotou-se a taxa de câmbio nominal medida em unidades monetárias nacionais que será deflacionada utilizando-se como base de cálculo o índice de preços ao consumidor  norte-americano, e dividindo o mesmo pelos diversos índices de preços nacionais.

            Neste trabalho, a taxa de câmbio bilateral será medida através dos diversos índices de preços, não dando ênfase as suas listas de bens e serviços comercializáveis e não comercializáveis, mas com o objetivo de demonstrar o comportamento dessa taxa no período de 1990 à 2000, variando-se apenas o deflator, como forma de representar os desalinhamentos cambias pelo cálculo através de diversos índices de preços, seja no consumidor ou no atacado. No entanto, esta taxa de câmbio real deflacionada pelos seus diversos índices indica o relacionamento da economia doméstica com a economia norte americana, porém é claro que a nossa economia não se relaciona apenas com a norte americana, mas no entanto tal cálculo pode ser simplificado de forma a encontrar uma taxa de  câmbio real ponderada  por comércio. Neste caso bastaria que se encontrasse uma taxa efetiva ponderada pela importância dos parceiros comerciais no total da receita de exportação e despesa de importação. Isto posto esta monografia não se preocupará em desenvolver tal modelo, trabalhando apenas com a taxa de câmbio real bilateral, entre a economia doméstica e a economia americana.

            Por seguinte, este trabalho fez questão de gerar o deflacionamento da taxa de câmbio nominal, obtendo um resultado de quatro maneiras alternativas, ou seja, o deflacionamento se deu através dos diversos índices, no período de 1990 à 2000 no qual é compreendido o objetivo da monografia. Os índices que serviram de deflatores foram: IGP-DI (Índice geral de preços disponibilidade interna), IGP-M        (Índice Geral de Preços), IPA-DI (Índice de Preços no Atacado Disponibilidade Interna), IPC (Índice de Preços ao Consumidor), todos foram extraídos da mesma fonte FGV (Fundação Getúlio Vargas), e posteriormente foi executado o cálculo para o deflacionamento.

            Os resultados gerados pelo deflacionamento da taxa de câmbio nominal, é importante que se diga foi obtida com dados básicos anuais, adotando como período base agosto de 94=100.

Tabela 05 - Taxa de câmbio real, deflacionada pelos índices anuais dos deflatores, IGP-DI, IGP-M, IPA-DI, IPC, base agosto de 94 = 100.


ANO

TCR
Deflator IGP-DI

TCR
Deflator IGP-M

TCR
Deflator IPA-DI

TCR
Deflator IPC

1.990

1,41

1,54

1,29

1,80

1.991

1,35

1,23

1,05

1,36

1.992

1,77

1,87

1,64

2,04

1.993

1,66

1,86

1,57

1,87

1.994

1,35

1,41

1,34

1,37

1.995

1,19

1,16

1,25

2,07

1.996

1,20

1,21

1,45

1,06

1.997

1,22

1,22

1,34

1,08

1.998

1,29

1,27

1,42

1,14

1.999

1,84

1,83

1,94

1,73

2.000

1,71

1,69

1,73

1,69

Fonte: Conjuntura Econômica / Agosto de 2001.           
Cálculos do Autor.

Por seguinte, a Tabela 05 descreve os diferentes comportamento da taxa de câmbio real deflacionada com os quatro principais indicadores da inflação. A metodologia de cálculo utilizou os índices de 1990 à 2000 de cada deflator (IGP-DI; IGP-M; IPA-DI; IPC), adotando-se como ano base agosto de (1994=100).

            O principal objetivo das medidas é a construção de um modelo macroeconômico que demonstre a competitividade da economia brasileira com o resto do mundo, desenvolvendo um modelo econômico e econométricos de fluxo de comércio, a partir de um taxa de câmbio bilateral.

No entanto, outra questão importante é demonstrar os desalinhamentos cambiais em torno das diversas taxas de câmbio, auferidas através de diversos índices de preços da economia brasileira. Isto posto, o gráfico a seguir demonstra esses desalinhamentos  cambiais.

            A partir deste gráfico podemos visualizar os desalinhamentos cambiais no período estudado de 1990 à 2000, além de considerar as diversas taxas de câmbio auferidas de diferentes índices de preços. É de se considerar também que esses desalinhamentos se deram devido a períodos de crise sob o qual percorreu a economia brasileira, a adoção de diversos regimes cambiais, assim como da própria política cambial adotada pelo BACEN ( Banco Central do Brasil).

            Como se sabe, vários foram os regimes cambiais adotados pela política econômica brasileira nesse período que vai de 1990 à 2000. Para começar em 1990 à 1993 o regime era de taxas livres sob a regia do Plano Collor, posteriormente foi adotado o regime de taxas administradas no Governo Fernando Henrique Cardoso que dura apenas um ano e foi substituído pelo regime de bandas cambias que vigorou de 1994 à janeiro de 1999, e por fim a partir de fevereiro de 1999, o regime prevalecente até hoje é o de taxas administradas. Contudo, os regimes cambiais serão um tópico que o trabalho irá tratar mais a frente, e o que se tentou dizer é que a mudança de regime cambial e da própria política cambial para o ajustamento da economia doméstica gerou fortes indícios para os desalinhamentos cambiais.

            No entanto, mas importante do que detectar os desalinhamentos da taxa de câmbio é examinar quais os prováveis problemas que podem ocorrer se uma taxa de câmbio estiver defasada ou desalinhada? As respostas a essas questões podem ser resumidas  a seguir. Primeiro, uma taxa de câmbio sobrevalorizada  provoca mudanças nos padrões de consumo da sociedade a favor dos bens de consumo comercializáveis, ou seja, bens de exportação são absorvidos domesticamente e as importações são estimuladas, e quando surge a necessidade de cortar este padrão de consumo basicamente por sucessivos déficit nos saldos da balança comercial e em conta corrente, o ajustamento tem um custo elevado e em geral requer tempo. Segundo, uma divisa sobrevalorizada gera um maior poder de compra no mercado internacional e reduz o incentivo a investir no setor de bens comercializáveis, de modo que uma crise ocorrida  no setor externo requer um rápido aumento da produção dos bens comercializáveis, e dessa forma a transferência de recursos de outros setores se fará com custos não desprezíveis, como por exemplo treinamento da mão-de-obra a ampliação da capacidade de produção, com isso o setor de produtos não-comercializáveis passa por uma diminuição de seus fatores de produção, inclusive do aumento do desemprego. Terceiro, uma persistência da sobrevalorização da moeda nacional por longos períodos pode ocasionar uma desindustrialização de setores importantes da economia devido a uma perda da competitividade dos produtos nacionais, o que leva a uma não estimulação a produção nacional. Quarto, dado o ganho do poder de compra da moeda nacional frente ao mercado externo, pode ocorrer sucessivas relações de trocas negativas. Quinto, as sobrevalorizações não produzem pressões inflacionarias  uma vez que a tendência de uma alta na margem de ganho dos importadores. Sexto, uma taxa de câmbio sobrevalorizada pode induzir a fuga de capitais e precipitar crises cambiais, como ataques especulativos contra a moeda nacional e iniciar um processo de desvalorização abrupta da taxa de câmbio, pondo em risco toda a estabilidade econômica de um país.

Por seguinte, nestes casos se faz necessário o uso da   política cambial, aqui definida como a administração da taxa de câmbio, e mais do que isto do controle das operações cambiais, com intuito de atingir determinados fins, e é exatamente quando tratamos da política cambial em particular que surge a idéia de equilíbrio externo da economia através do saldo do balanço de pagamentos, como fazendo parte de um dos objetivos da política cambial, sendo entre outros:

Por seguinte, como a economia brasileira vivenciou diversos regimes cambiais, ou seja, sistema de determinação da taxa de câmbio. Vamos entender como se dá o mecanismo de reequilíbrio da economia  em cada um deles, de modo a revelar a lógica dessa política e sua utilização pelas autoridades monetárias, o que será o assunto de nosso próximo capítulo.

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